— Legal mesmo. — disse uma das garotas, que tinha um headset no pescoço. — Boa jogada, BP.

Ela sacode o ombro do cara que usava luvas com vários respingos de tinta, que esfrega as mãos. Ele deveria ter sido quem jogou a bomba de tinta azul.

— Obrigado. — disse o tal BP. — Agora, que tal uns fantasmas de grafite?

— Mas já? — perguntou a outra garota. — Recém eu apaguei os grifos!

— Gente!

Delsin ouviu a voz de Tess, que entrou correndo na sala, seguida de seu pai. Fetch e Eugene não haviam se mexido, apenas estavam com a cabeça levantada e com a parte da frente do corpo banhada a tinta azul, como Delsin.

— Tess, fica fora disso! — disse BP, a impedindo com o braço. — Militares precisam ser tratados como uma ameaça, tirando você, é claro!

— Militar? — perguntou Fetch, olhando para os seus colegas ao lado.

— Tess, por favor, me salva. — disse Delsin.

— Gente! Gente! — disse Tess, desesperada para salvar os condutores — Eles não são militares!

— E quem são eles então? — perguntou o outro cara.

— Ele é Delsin Rowe. — disse Tess.

O quarteto, imediatamente se olhou e BP esticou o braço para Delsin, que pegou sua mão e o ajudou a levantar. Enquanto Delsin ajudava os outros colegas, Tess ficou o observando, vendo que o condutor havia mesmo conseguido controlar o seu poder de absorção, já que havia pego a mão de BP e nada aconteceu. Talvez havia houvesse esperança. Quando Delsin, Fetch e Eugene já estavam de pé, BP puxou a tinta dos três para sua mão, vendo que realmente, ele era um condutor de tinta.

— Me desculpe por isso, tenho um temperamento meio forte. — disse BP. — Então você é o grande salvador Delsin Rowe?

— Parece que é isso mesmo. — disse Delsin. Ele observa sua roupa, vendo que não havia mais nenhum rastro de tinta. — Hã... E vocês são?

— Eu sou BP, condutor de tinta.

Tess, junto com o grupo, riu.

— O nome dele de verdade é Blake Petterson, pode chamar ele assim. — disse Tess, rindo com os condutores.

— Ei! — disse Blake. — Não é necessário falar meu nome todo, Tess!

— Ele se autonomia BP, que é Black Paint, só porque ele é condutor de tinta. — disse Tess. — Melhor o chamar pelo nome normal.

— Porque não me falou que haveriam condutores aqui? — perguntou Delsin.

— Eu te falei! — disse Tess. — No dia em que estávamos pintando a sala, eu fui ligar para eles.

— Quer dizer que ela precisa saber de tudo e eu não? — perguntou Fetch.

— Não é um bom momento, Fetch! — disse Delsin.

— É um ótimo momento, fumaça! — disse Fetch, irritada. — Porque, diabos, você vem todos os dias na casa dela e não conta nada para a gente?

— Ei! — disse a condutora com o headset. — É melhor não falar com ela assim!

— Não se meta, garota! — disse Fetch.

A condutora encarou Fetch e parecia estar zangada. Foi quando o grupo se olhou, percebendo a situação e todos se jogaram no chão, com Tess puxando o pai para baixo pelo jaleco.

— Já era! — disse o outro condutor.

— Hã... Porque eles se jogaram no chão? — perguntou Eugene.

— Qual é o seu problema, condutora? — gritou a condutora do headset. O trio cobriu os ouvidos, percebendo que o tom que a garota gritava era muito alto e fino. — Tem algo contra mim, é isso? Se quiser discutir com a Tess vai ter que passar primeiro por mim!

E do nada, as janelas se quebram quando a garota alcançou o máximo do tom de voz. Cacos de vidro foram jogados para a sala, sendo que o grupo se olha e percebe que o perigo já havia passado. Ou pelo menos, eles pensavam que tinha. Delsin, Eugene e Fetch tiram as mãos dos ouvidos e olham ao seu redor, percebendo as janelas quebradas e que a condutora que havia gritado parecia cansada.

— Jessie... Você precisa aprender a se controlar... — disse Tess, levantando junto com o pai.

— Você sabe que eu estou tentando. — disse Jessie.

Imediatamente, ela coloca o headset e sai correndo da casa, enquanto o resto do grupo se recuperava. Nicholas observa sua casa, arruma os óculos e percebe que até mesmo ele estava com as lentes quebradas, junto com os óculos de Eugene. O cientista pega a maleta em cima do balcão da cozinha, beija o topo da cabeça de Tess e coloca as mãos nos bolsos, procurando as chaves do carro.

— Eu passo em uma ótica antes de voltar para casa. — disse Nicholas. — Além de ter que encontrar alguém para colocar outros vidros.

— Eu faço isso para o senhor, doutor. — disse Delsin. — Tenho meus contatos aqui em Seattle.

— Obrigado, Delsin. — o cientista pára na porta e olha todo o grupo. — Um bom dia para vocês, pessoal.

Todos do grupo responderam ao cientista, incluindo Fetch e Eugene, enquanto Nicholas fechava a porta e deixava os condutores sozinhos.

— Então... Essa é Jessie Sky, condutora de som. — disse Tess.

— Percebi. — disse Eugene, tirando os óculos e vendo o estrago.

— Eu sou Jason Greenspan, condutor de ar.

— E essa é Zoey Whitehill, condutora de grafite. — disse Blake.

— Grafite? Legal! Você desenha? — perguntou Delsin.

— Muito. — disse Zoey, rindo. — Vi alguns grafites nas ruas de Seattle. Por acaso foi você quem fez?

— Eu tinha que fazer algo enquanto não estava lutando com o D.U.P.! — disse Delsin.

— Bom... Eu acho que... — Eugene olha para Zoey e ambos ficaram se encarando, como se o condutor tivesse se encantado por ela. — Oi... Sou Eugene.

— Olá. — disse Zoey, encarando Eugene.

Delsin olhou para Tess e ambos trocaram olhares, tentando imaginar o que estava se passando ali. Zoey olhou a camiseta vermelha de Eugene, percebendo o símbolo do Heaven’s Hellfire.

— Você joga Heaven’s Hellfire? — perguntou Zoey, surpresa.

— Podemos dizer que ele é a fonte dos meus poderes. — disse Eugene.

— Eu adoro! — disse Zoey. — Sempre uso alguns traços dos personagens nos meus desenhos.

— Eu quero ver algum dia! — disse Eugene.

— É claro! — disse Zoey. — Eu trago um deles para te mostrar!

— Ok pessoas, eu sei que vocês todos precisam se conhecer, mas o pessoal acabou de chegar de viagem do Canadá! — disse Tess. — Então porque não vamos todos lá para fora, aproveitar o sol da manhã e vamos nos divertir um pouco?

— Parece divertido! — disse Jason. — Leve comida, por favor.

— Vou aproveitar e dar uma recarregada. — disse Blake.

— Nós... Nós vamos junto! Certo? — Fetch suspirou e confirmou com a cabeça para Eugene, que guardou os óculos no bolso do casaco. — Fetch, me ajuda a ir até lá? Eu não enxergo muito longe.

— Claro. — disse Fetch.

Enquanto Fetch conduzia Eugene pelas costas para o jardim, o grupo de condutores também se direciona para o lugar, rindo e conversando, deixando Delsin e Tess na sala de estar, pensando no que havia acabado de acontecer. Delsin conhecia Eugene, ele era mais tímido que uma porta e tinha melhorado um pouco durante a batalha contra o D.U.P., mas nem parecia ele mesmo quando conversou com a condutora. E Tess conhecia Zoey, ela não era do tipo que demonstrava seus sentimentos para os outros, mas naquela hora, estava tudo tão óbvio.

— O que acabou de acontecer? — perguntou a militar.

— Quer dizer, tirando o fato que fomos vítimas de uma bomba de tinta, uma explosão sônica e que o Eugene e a tal Zoey ficaram trocando olhares? — o condutor riu.

— Eu conheço esse olhar. Eles se apaixonaram.

— Verdade. Foi o mesmo olhar que você fez para mim quando nos conhecemos.

Tess pára e se dá conta do que o condutor havia acabado de falar. Delsin deu uma risada abafada e a garota dá uma cotovelada em sua barriga.

— Ei, isso doeu! — o condutor apertou o lugar da cotovelada.

— Você mereceu. Agora me ajude a levar as cervejas para o jardim.

A garota vai até a cozinha, abre a geladeira e tira várias caixas cheias de garrafas de cervejas, colocando nos braços de Delsin. O condutor mais poderoso do mundo, pelo menos era o que ele pensava, havia virado carregador de cervejas. Bom, Tess pelo menos estava com ele. O que ele estava pensando?

Ainda não era meio dia, se não perto disso. E o jardim estava mais arrumado do que antes, sendo que haviam mais plantas e a única árvore parecia mais viva do que no dia anterior. Tess, com a ajuda de Delsin, claro, havia posto várias cadeiras ao lado de fora e assim, todos os condutores começaram a socializar, bebendo cervejas e comendo salgadinhos que o doutor tinha na dispensa.

— Como eu passei sete anos naquele lugar e nunca conheci vocês? — perguntou Fetch.

— O lugar era grande. — disse Jason, pegando outro salgadinho. — Eu conheci esses loucos na saída de Curdun Cay.

— Estávamos nos portões e acabamos nos encontrando. — disse Zoey. — Eu só conhecia a Jessie e veio o Blake, nos chamando, porque viu que fomos as últimas a sair de lá.

— Temos que deixar nossa família unida. — disse Blake, pegando a garrafa do chão. — Eu olhei para o Jason e falei: Cara, temos que ter elas no nosso grupo.

— Sem ao menos conhecer elas. — disse Eugene. — Como você iria saber se elas eram de confiança?

— Todos os condutores são de confiança. — disse Blake. — Até que se prove ao contrário.

Tess pega o celular, vendo uma mensagem de seu pai. Querendo dar uma descansada após toda a arrumação, ela resolve o colocar em cima da mesa e relaxar na cadeira, que estava ao lado de Delsin. O condutor observa a garota suspirar e esfregar o rosto.

— Porque não me contou que Ben era como um irmão para você? — perguntou o condutor.

A garota olhou para Delsin e olhou para o céu meio nublado de Seattle.

— Nunca perguntou. — disse Tess.

— E como eu ia saber? — perguntou Delsin.

— Eu cresci junto com o Ben. Quando eu era pequena, eu chamava ele de Benny. — disse Tess. Ambos riram. — Nunca tratei ele além de irmão.

— E você não tem irmão, não é? — perguntou Delsin.

— Não, mamãe morreu quando me deu a luz. — disse Tess. — A não ser que um de meus pais tenha tido outra relação antes de eu nascer, então sou filha única. E você? Como era seu irmão?

— Reggie? — perguntou Delsin. — Ele era um cara legal. Ele me incomodava muito, mas agora eu sei o porque. Quando nossos pais morreram, ele teve que tomar conta de mim, mas pelo menos tínhamos os Akomish. Eles eram como minha família e ainda são.

— Pessoas, eu quero dançar! — disse Jessie.

— Você é condutora de som! — disse Blake. — Pegue o seu headset e dance!

— E você é muito sem-graça, Blake. — disse Jessie. Ela se levanta e puxa o celular do bolso. — Vamos todos dançar agora. A primeira música que aparecer vai ser a que vamos dançar.

— Bom, eu preciso dançar um pouco. — disse Delsin, se levantando em um salto. Ele olha para o topo do Obelisco, com a impressão de alguém havia estado ali. — Não sou de excluir a oportunidade de socializar.

— Sei... — disse Tess, ironizando.

Jessie mexeu várias vezes no celular, até que uma música animada começou a tocar, deixando Tess e Fetch sentadas, enquanto o aparelho era vigiado em cima da mesa pela condutora de som. Enquanto via seus amigos dançando, Tess observava Delsin. Ela conhecia aquele condutor fazia dois dias, mas tinha algo a mais nele, ele se preocupava muito com quem ele realmente não conhecia. E mais, ele havia aprendido a controlar seu poder de absorção. Era muito raro aquilo acontecer. Após alguns minutos de dança, a música acabou se trocando por outra, sendo uma música lenta, perfeito para um casal.

— Legal! Música lenta! — disse Blake. — Eu vou sentar.

— Nada disso! Você vem comigo! — disse Jessie, o puxando pelo casaco.

Jessie o puxou de volta ao centro do jardim, enquanto Eugene formou par com Zoey e Jason chamou Fetch, que aceitou rindo. Delsin olhou para quem estava nas cadeiras, percebendo que Tess apenas encarava os casais formados e o condutor foi até ela, desviando sua atenção.

— Se a senhorita permitir, podemos dançar? — perguntou Delsin, esticando sua mão para ela.

A garota riu e mesmo hesitando, pegou a mão de Delsin e ambos foram para junto dos outros casais. Ele colocou a mão em sua cintura, a deixando nervosa e ambos seguraram a mão do outro, enquanto a música começava a tocar. Enquanto os outros casais pareciam rir do que faziam, Delsin e Tess eram os únicos que estavam nervosos, indo devagar para os lados, mesmo que a música fosse até mais lenta do que eles dançavam.

— Então... Parece que você pegou na minha mão. — disse o condutor. Ele ri e observa a garota dar uma risada abafada. — Ainda queria saber o motivo de você não querer me cumprimentar aquele dia.

— Um dia você vai saber. — afirmou Tess.

— Vou mesmo? — ele perguntou.

— Vai. — disse a garota. — Prometo, Delsin Rowe.

Foi quando a música parou do nada e Delsin a puxou bruscamente para perto de si, fazendo Tess ficar mais nervosa ainda. Seus rostos estavam muito perto um do outro, tendo a sensação de que poderiam se beijar a qualquer segundo.

— O que foi? — disse Delsin, rindo. — Parece nervosa...

— Não deveria fazer isso, Delsin. — disse Tess, desviando seu olhar do condutor. Ela engole em seco. — Use seu charme com outras e não comigo. Isso não vai fazer que eu lhe conte tudo o que você quer.

O condutor tirou sua mão da cintura da garota e colocou para o lado uma mecha de cabelo ruiva que havia ao lado de seus olhos. Belos olhos que pareciam brilhar ao ver Delsin. Do nada, o condutor começou a ficar estranho, se sentindo meio tonto e cores mais vivas do lugar começaram a virar borrões, enquanto Tess parecia passar mal.

— Tess? Tess! — disse Delsin, desesperado. Ele solta as mãos e a pega no colo, enquanto os outros correm até ambos. — Tess, fala comigo!

Delsin começa a ficar mal também e uma figura vem se aproximando do jardim, sendo que era Ben, que desceu todo o prédio e pega Tess de seus braços, a levando para dentro do apartamento, enquanto o condutor acaba caindo nos braços de Fetch e Eugene, ainda tonto e cheio de coisas na cabeça. Como se ele estivesse no caminho de absorver o poder de alguém.