In your dreams

13 XIII - Sorry


Notas iniciais
Oii oii pessoas! Olha eu aqui de novo, hahaha Queria agradecer imensamente a todos que estão lendo e se envolvendo com essa história tanto quanto eu. Quero deixar aqui o meu muito obrigada, a todos que acompanham e comentam, e é por causa de vocês que estou tendo tanta animação para escrever quase que um capitulo por dia. Espero que gostem desse capitulo, e que não me matem, hahaha Booa leitura!!

A voz de Regina encheu a cabeça de Robin, soando como se sempre tivesse estado ali e fosse ele quem não conseguia ouvir. Instantaneamente, ele sentiu seus batimentos cardíacos se acelerarem, um sorriso bobo e alegre surgindo em seus lábios.

Por pior que fosse a situação na qual se encontrava, naquele momento se sentiu extremamente feliz. Ao menos aquela confusão toda servira para que sua querida morena voltasse a falar com ele, esquecendo-se momentaneamente do pedido de afastamento que lhe havia feito.

Determinado a não deixar aquela oportunidade passar, a não permitir que ela se afastasse novamente, o loiro respondeu de pronto, não conseguindo conter a alegria imensa e o alivio que estava sentindo: — Milady, que bom ouvir sua voz novamente! Senti sua falta! Não se preocupe, eu estou em. Estou preso por conta de uma acusação de Marian, mas creio que logo essa situação vá se resolver, basta averiguarem que eu estive o tempo todo em meu quarto de hotel na hora em que ela disse que eu a agredi. Mas e você, como está?

Por um terrível e doloroso momento ele pensou que ela fosse voltar o silencio anterior, que não iria respondê-lo, mas esta preocupação foi logo afastada quando a voz de Regina voltou a preencher sua mente, alarmada com as informações que ele havia lhe passado: - Acusação de agressão?? Mas o que?? Isso não é possível! Ela não pode ter feito isso, você é inocente, tenho certeza disso. E agora você me fala para eu não me preocupar? Sinto muito, mas não vou poder atender ao seu pedido.

As palavras da morena só fizeram aumentar o sorriso de Robin. Como era bom saber que ela se preocupava com ele, que se importava. Mesmo ali, em uma cela de delegacia, sem saber o que iria lhe acontecer, tudo que ele sentia era alegria, alegria por ter ela de volta em sua vida.

Engraçado milady, estas foram às exatas palavras que eu lhe disse quando você pediu que eu me afastasse, disse a você que eu não poderia atender ao seu pedido, se lembra?— respondeu o loiro, uma nota de amargura surgindo em sua voz alegre ao se lembrar da horrível discussão que tivera com Regina a pouco tempo atrás.

Um longo minuto de silencio se passou antes da resposta da morena, que parecia estar se decidindo sobre o que deveria dizer, sobre o que deveria fazer. Quando as palavras finalmente vieram, eram incertas e baixas, como se ela estivesse com medo de confessa-las até para si mesma.

É....sobre esse pedido...nós precisamos conversar Robin. Eu preciso...- ela não teve chance de concluir sua fala, sendo interrompida pela voz do loiro: — Sshhh...esqueça isso milady. Vamos recomeçar do zero e ver no que dá, o que acha?— perguntou, desesperado para que sua proposta fosse aceita.

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A proposta dele era realmente tentadora. Esquecer tudo o que haviam dito um para o outro, recomeçar como se tivessem acabado de se conhecer. Apesar de gostar muito da ideia, no entanto, ela sabia que não iria aceitar aquela proposta.

Sabia muito bem que não conseguiria apagar de sua mente e de seu coração tudo que havia sido dito, tudo que havia sido feito. Não, ela precisava falar. Precisava que ele soubesse o que ela estava sentindo, precisava conversar com ele, abrir seu coração e torcer para que o coração dele ainda estivesse aberto para ela.

Não Robin. Nós precisamos conversar sobre isso. Preciso colocar o que estou sentindo para fora...preciso que você saiba que....- mais uma vez a morena teve sua fala cortada, mas desta vez a interrupção veio de sua própria realidade, com a voz de Daniel que parecia cada vez mais agitado e irritado.

— Regina? Você está me ouvindo? Regina!! – falou Daniel, parecendo cada vez mais irritado com o fato de a mulher não estar lhe respondendo.

— Estou ouvindo Daniel. E já lhe disse, não tenho nada para te falar. Não te interessa quem me mandou o livro, tudo que você precisa saber é que não deve nunca mais mexer nas minhas coisas do jeito que você fez! – respondeu a morena, a raiva que sentia do marido se somando agora a recém descoberta vontade de se libertar que ela estava sentindo.

Chega. Ela não aguentava mais viver daquela forma, presa em um casamento infeliz enquanto a pessoa por quem ela era perdidamente apaixonada ia embora da sua vida. Estava cansada de ser refém do medo, de ser refém de seus fantasmas. Chegara a hora de lutar por sua felicidade, de lutar pelo que ela queria, e no momento, o que ela mais queria era sumir daquela casa, fugir de Daniel, fugir daquela vida que não era a dela.

Chegar aquela conclusão foi realmente libertador, e Regina sentiu como se um enorme peso tivesse tido tirado de seus ombros. Sim, era isso mesmo que ela iria fazer, lutar para ser feliz.

Antes que conseguisse responder a Daniel, a voz de Robin voltou a ressoar em sua mente, parecendo preocupado com o silencio que estava se prolongando: — Regina? Você está ai? O que você precisa que eu saiba??

Ela queria responde-lo, dizer a ele tudo que havia por dizer. Pedir desculpas pelo modo como havia agido, dizer que sentia muito, que agira movida pelo medo. Mais do que qualquer coisa, queria dizer que o amava, que era completamente e enlouquecidamente apaixonada por ele.

Ainda assim, duvidava que conseguisse manter uma conversa em sua mente e uma discussão em sua realidade. Não, ela precisava resolver uma coisa de cada vez, para que cada assunto tivesse a melhor resolução possível.

Sendo assim, ela concentrou primeiro seus pensamentos em Robin e lhe dirigiu as seguintes palavras: - Olha Robin, me perdoa. Eu errei muito, e preciso saber se você ainda está esperando por mim. Temos muito o que conversar, mas antes preciso resolver um assunto com Daniel, espere só um pouco que já voltamos a conversar, pode ser?

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A resposta da morena fez com que o loiro sentisse que seu coração iria explodir de tanta felicidade. Então ele não se enganara, Regina tinha mesmo sentimentos por ele, e o melhor de tudo, estava disposta a dar uma chance ao relacionamento deles.

Mesmo com tudo de ruim que havia acontecido nas ultimas horas, mesmo com seu futuro incerto do jeito que estava, tudo que ele sentia naquele momento era alegria, uma alegria imensa que parecia preencher todos os cantos de sua mente e de seu coração.

Finalmente o destino estava lhe dando uma chance de ser feliz, de encontrar alguém que o completa, alguém com quem ele tem certeza de que poderá contar, o amor de sua vida. Sim, apesar de nunca ter visto Regina pessoalmente, tinha certeza de que ela era a pessoa com quem ele queria passar o resto dos seus dias, a pessoa que ele amava.

Era um sentimento que não precisava de rótulos, não precisava de palavras ou explicações, algo que vinha do lugar mais profundo de seu coração, de outros tempos, de outras vidas.

Virou-se de frente para a parede da cela, apoiando as costas nas frias grades de ferro e respirou fundo, de certa forma aliviado por sua história com a bela morena não ter terminado, por eles terem uma chance de viver aquele amor que parecia consumi-lo, transforma-lo de uma forma que ele jamais pensara ser possível.

Você não sabe o quanto estou feliz com suas palavras milady! Fique tranquila, teremos muito tempo para conversar e acertar as coisas. Só me prometa que não vai sumir outra vez, está bem? Prometa-me que nos dará uma chance, é tudo que lhe peço.— respondeu, em um tom delicado e alegre, tentando afastar de sua voz a curiosidade quanto ao assunto que ela estaria tratando com Daniel naquele momento.

—----

Eu prometo.— Regina respondeu, feliz de ter seus oceanos azuis de volta a sua vida, feliz por ter um recomeço esperando por ela. Agora tudo que precisava fazer era terminar aquele casamento de fachada, que a muito tempo já falira, arrumar suas coisas e partir para uma nova história, uma nova vida.

Nos poucos segundos em que a conversa telepática se desenrolou, Daniel se aproximou mais alguns passos de Regina, parecendo cada vez mais irritado. – Você está me traindo não é? Foi o seu amante quem te mandou aquela porcaria de livro, não foi?

A acusação de Daniel doeu no coração de Regina. Como seu marido podia ataca-la daquela forma? É claro que o relacionamento deles já havia morrido há muito tempo, mas acusa-la de traição? Mesmo quando conhecera Robin, mesmo com o sentimento forte e avassalador que sentia pelo loiro, ela nunca traíra Daniel, nunca nem mesmo chegara a cogitar tal ideia. Muito pelo contrario, chegara a abrir mão do que sentia por Robin para continuar com Daniel, mesmo que não o amasse mais, ainda que nunca o tivesse amado realmente....e agora ele lhe acusava daquela forma cruel, como se ela fosse uma qualquer?

A reação da morena surpreendeu até a ela mesma. Em um segundo, Daniel estava quase em cima dela, a acusando injustamente de traição, e no outro, a mão dela voou para o seu rosto, o tapa estalando com força no rosto do homem a sua frente. – Nunca mais repita isso! Eu nunca te traí Daniel, embora talvez você merecesse, para aprender que não sou um bibelô, mas sim uma pessoa de verdade.

— Você ficou louca?? Perdeu o juízo completamente? – Daniel gritou em resposta, cobrindo a distancia que havia se aberto entre os dois por conta do tapa que a morena lhe dera. A marca vermelha da mão de Regina brilhando em seu rosto como fogo em brasa.

— Não Daniel, eu estou muito lúcida, talvez mais lúcida do que jamais estive em toda a minha vida. – começou a responder a morena, decidida a jogar todas as cartas na mesa, a dizer tudo que estava preso em sua garganta durante aqueles anos de casamento, deixar tudo as claras para que enfim pudesse recomeçar.

— E quer saber do que mais? Eu cansei. Estou cansada de você, cansada deste casamento de fachada, no qual nós dois estamos infelizes. Chega Daniel, eu não aguento mais essa vida, não quero mais isso pra mim, quero ter a chance de ser feliz. – continuou a falar, sentindo-se cada vez mais leve, como se a cada palavra retirasse um peso de seus ombros cansados.

— Você enlouqueceu de vez não é? Acha que tem chance se for embora Regina? Acha que irá encontrar alguém que te ame, que se importe com você? Desista, isso não vai acontecer. E sabe por quê? Ninguém vai querer alguém que nem mesmo a família quis, alguém que foi a responsável pela morte do pai...ninguém vai se apaixonar por um monstro Regina, e é exatamente isso que você é.

As palavras de Daniel a feriram mais profundamente do que a acusação de adultério jamais poderia chegar a machucar. Usar a morte de seu pai contra ela fora um golpe baixo, um golpe baixo demais. Instantaneamente ela sentiu as lágrimas enxerem seus olhos, amargas pela dor, mas se controlou ao máximo para não deixa-las rolar, Daniel não veria mais fraquezas nela, estava na hora de mostrar sua força.

Ainda assim, antes que conseguisse se recompor totalmente, antes que tivesse pronta para responder a altura as ofensas que haviam sido proferidas contra ela, as cenas do que acontecera no dia da morte de seu pai voltaram a mente da morena, fazendo-a reabrir uma ferida que nunca havia realmente cicatrizado.

Flashback on

A risada de Henry chegou aos ouvidos de Regina, que mantinha os olhos voltados para a estrada que percorriam. Poucos segundos depois, o senhor voltou a falar, utilizando um tom carinhoso para se dirigir a filha: — Você sempre teve um péssimo gosto para musicas não é minha filha? Puxou a sua mãe, e infelizmente minhas tentativas de fazer com que você escutasse uma música decente foram infrutíferas...

— O senhor é que não consegue aprender a gostar de outros estilos de musica papai, o cabeça dura aqui não sou eu. – respondeu à morena, também as gargalhadas. Ela e seu pai estavam naquela discussão sobre estilos musicais há alguns minutos, um tentando mudar a cabeça do outro, mas sem sucesso algum.

— Você fala como se não fosse teimosa, mas é mil vezes pior que eu. Quando coloca alguma coisa na sua cabeça não tem quem tire, desde pequena é assim. – respondeu Henry, olhando com carinho para sua filha.

— Tá, tudo bem. Admito ser um pouquinho teimosa, mas puxei isso do senhor. O senhor me ensinou desde pequena a lutar pelo que eu quero papai. Se sou assim, tão teimosa quanto diz, a culpa é da criação que recebi. – foi a resposta de Regina, desta vez utilizando um tom de voz mais doce para se dirigir ao pai.

Henry sempre fora o mais próximo dela, quem sempre a apoiou em tudo que ela fazia, quem a aconselhava e incentivava, mesmo que as vezes não concordasse com suas decisões. A relação com ele sempre fora fácil, aberta, sem segredos. Seu pai era seu melhor amigo, seu confidente. Era simples e certo conversar com ele, sobre qualquer coisa que ela sentisse necessidade de falar.

Já sua mãe, Cora, sempre fora mais difícil de lidar. Mandona e controladora, ela queria mandar em todos os aspectos da vida da filha, de tal forma que na maior parte do tempo Regina se sentia sufocada com a simples presença da mãe.

Não era difícil para ela pegar-se pensando como seus pais acabaram juntos, tão diferentes que eram. É claro que havia amor, Regina tinha certeza que tanto o pai quanto a mãe eram completamente apaixonados um pelo outro, mas as personalidades eram extremamente diferentes. Cora era dominante, chamava atenção por onde passava e tinha uma personalidade autoritária, enquanto Henry era o perfeito oposto, calmo e amável, disposto a ouvir quem tivesse a necessidade de conversar, sempre querendo ajudar a todos.

A morena foi arrancada de seus devaneios pela voz do pai, que voltara a lhe dirigir a palavra: — Você tem razão, tenho uma grande parcela de culpa nesse seu jeito teimoso de ser, mas não me arrependo. Tenho orgulho de dizer que criei uma filha forte e independente, que luta pelo que é importante para ela. Continue assim, está bem?

— Pode deixar. Duvido que algo consiga me mudar agora, o senhor me criou a sua semelhança não é pai? E espero continuar assim, parecida com o Sr. Henry Mills. – respondeu à morena, abrindo um largo sorriso.

Mudando de assunto, Henry voltou a falar, desta vez em um tom mais serio: — Filha, você sabe que vou te apoiar não importe a decisão que você tome, mas como pai é meu dever te aconselhar. Você está segura sobre este casamento? Tem certeza de que é realmente isso que você quer para sua vida? Daniel me parece uma boa pessoa, mas vocês não combinam, parece que falta alguma coisa, como se uma peça não se encaixasse sabe?

Regina suspirou, sentindo-se cansada. Ela não se surpreendeu com a pergunta que o pai lhe fizera, na verdade, estava esperando por ela desde que haviam saído da cidade em direção à casa de campo da família, onde iriam passar o fim de semana.

— Desculpe me meter na sua vida filha. Você já é crescida e perfeitamente capaz de tomar as suas próprias decisões, mas estou preocupado com você. Parece que não está feliz, que não se casou por amor.

A verdade era que de certa forma seu pai tinha razão, ela não estava feliz. O casamento, que no inicio parecera um mar de rosas, começava a aparentar seus primeiros espinhos. Ela e Daniel discutiam quase o tempo todo, brigavam por qualquer motivo, e o fato era que ela sentia que o sentimento que existia entre os dois esmorecia a cada dia, como a chama de uma vela que com o tempo chega ao fim.

Há muito tempo que ela precisava conversar com alguém, desabafar sobre aquele assunto, e não havia pessoa melhor para fazer isso que seu amado pai, ela com certeza a entenderia.

-Não sei pai...a verdade é que sinto como se nosso relacionamento estivesse morrendo entende? Como se o amor estivesse se esgotando, virando apenas carinho. Nós brigamos o tempo todo, por coisas bestas. Estamos um sem paciência com o outro sabe? Daniel trabalha demais, quase nunca fica em casa, e eu estou cansada de ficar trancada naquela casa enorme o dia todo. Estou cansada de ficar sozinha mesmo estando casada. Não foi para isso que me casei pai, não quero ser apenas um troféu brilhante que ele exibe em noites de festa entende? – falou a morena, abrindo seu coração.

— Querida, se está tão infeliz assim, por que ainda está com ele? Cadê aquela Regina da qual estávamos falando há poucos minutos atrás, aquela mulher forte que luta pelo que quer? Não se prenda a alguém se não for por amor Regina, ou você fará com que os dois sofram com isso. Escute esse velho pai, corra atrás de sua felicidade, mesmo que ela esteja em uma certidão de divórcio, entendeu?

— Entendi...mas pai, eu não sei se posso fazer isso, não sei se consigo. Apesar de tudo, gosto de Daniel e não quero que ele sofra, não quero que ele se magoe entende? Acho que ai esta a resposta do porque de eu continuar com ele. Tenho medo de magoa-lo, de fazê-lo sofrer. – confessou Regina, aliviada por seu pai entende-la tão bem, por compreendê-la e fazer de tudo para lhe ajudar.

— Filha, eu sei que você continuar nessa situação só vai fazer com que você e Daniel se magoem mais. Sacrificar sua felicidade pela dele só vai tornar os dois infelizes, ouça o que estou lhe dizendo. Pense minha menina, decida o que for melhor para você, não desista de si mesma.

As palavras de Henry trouxeram conforto e esclarecimento para Regina, que decidiu que iria tirar aquele fim de semana para colocar sua vida e seu casamento em uma balança, para decidir o que iria fazer.

— Obrigada pelos conselhos papai. Prometo que irei pensar nisso com calma, está bem? Mas agora, temos um assunto mais urgente para resolver. O CD acabou e nós ainda não decidimos que tipo de música iremos ouvir, se a que eu gosto ou se a que o senhor gosta. – brincou a morena, tentando descontrair o clima. Queria aproveitar aqueles momentos com seu pai, sentia muito a falta dele, mais do que conseguia se dar conta.

— Só porque sou um ótimo pai, vou deixar que você escolha desta vez. – respondeu Henry, no mesmo tom de brincadeira que sua filha usara.

— O senhor é o melhor pai do mundo! – respondeu Regina, sorrindo abertamente para o pai e tirando uma das mãos do volante para alcançar o álbum no qual os CDs estavam guardados.

Ela pegou o porta CDs mas ele escorregou de suas mãos, caindo perto de seus pés. – Droga! Preciso parar de ser tão desastrada...- começou a praguejar enquanto se abaixava para pegar o objeto caído.

Tudo aconteceu em um segundo. Um único segundo que pareceu passar na mente da morena em câmera lenta. Primeiro, o grito de alerta de seu pai, avisando-a do perigo. Depois a buzina forte do caminhão e a luz que ofuscou sua visão. Ela gritou e girou o carro, tentando desviar da colisão, e o carro rolou ribanceira abaixo.

Tudo que ela se lembra depois te ter tentado desviar é da sensação de estar caindo. Caindo e caindo em direção ao imenso vazio. E de um silencio profundo que tampou seus ouvidos, fazendo-a se sentir como se estivesse mergulhando nas profundezas de um mar de águas negras.

Flashback off

A morena fechou os olhos, tentando controlar a explosão de tristeza que sentia dentro de si, tentando se acalmar para conseguir responder a Daniel do jeito que ele merecia. Estava na hora de voltar a ser aquela mulher forte, já passara o tempo de ela se lembrar da educação que recebera de seu pai e parar de deixar que os outros pisassem nela daquela forma.

— Não Daniel, você está enganado. – começou a responder, surpresa com a calma com a qual estava conseguindo falar. – O único monstro que existe aqui é você, que se utiliza da dor e do desespero dos outros para aumentar sua força. O que aconteceu ao meu pai foi um acidente, um erro do qual eu jamais irei me perdoar, mas ele não te dá o direito de me julgar desse jeito. Não te dá o direito de me manipular, de me curvar as suas vontades, não mais.

— Uaau, olha só quem está se rebelando! Você patética Regina. Acha que irá encontrar algo melhor para fazer com sua vida não é? Mas está enganada. Nem sua família quis você por perto depois da morte do seu pai...nem mesmo sua mãe ficou ao se lado. Por que você acha que um estranho seria diferente? – foi à resposta que ela recebeu, a voz dele soando aos seus ouvidos carregada de desprezo e ironia.

— Estou cansada de você Daniel, cansada desse desprezo todo. Se está tão infeliz, porque não vai embora de uma vez? Se bem que agora não importa mais. Você pode ficar aqui, porque eu estou indo embora. Quero ser feliz, e minha felicidade não está mais aqui, talvez nunca tenha estado e eu simplesmente não conseguia enxergar isso. – respondeu Regina, em um tom cortante.

A aquelas palavras, ela se virou na direção da porta e saiu para o corredor sem graça e se vida daquela casa, com a intenção de ir para o quarto que dividia com seu agora ex-marido e arrumar as malas o mais rápido que conseguisse.

Não tinha dado nem dois passos quando sentiu a mão de Daniel em seu braço, segurando-o com força, forçando-a a se virar para ele. – Você acha que vai sair assim? Que vai simplesmente me abandonar, depois de tudo que eu fiz por você? E porque Regina? Por causa de um vagabundo qualquer que você conheceu por ai? Você é bem pior do que eu pensava...trocando um casamento estável por um amante qualquer, que provavelmente vai te largar na primeira oportunidade que tiver.

O gesto brusco e agressivo de Daniel, somado ao jeito com o qual ele se referira a Robin só serviram para aumentar ainda mais a raiva e a angustia de Regina, que se contorceu, tentando livrar-se do aperto em seu braço.

— Me solta Daniel! Me larga, você está me machucando! – gritou a morena, em franco desespero.

— Não Regina. Você está muito enganada se acha que vai me deixar assim, por um capricho. – foi à resposta dele, que ao invés de solta-la, apenas segurou o braço dela com mais força, enquanto continuava a falar em um tom delirante: — Quer saber de uma coisa? Acho que tudo que você está precisando é descansar, dormir um pouco. Tenho certeza de que depois de um descanso você estará melhor e terá tirado essas maluquices de sua mente. Não acha que essa é uma boa ideia?

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Cansado de andar pela minúscula cela na qual fora trancafiado, ainda esperando pela volta de Regina a sua mente, Robin sentou-se em um dos beliches, imaginando o que estaria acontecendo com sua linda morena.

Porque ela estava demorando tanto para retornar? Será que havia acontecido alguma coisa? Será que ela e Daniel estavam brigando? Aquela perspectiva fez o estomago do loiro se contrair de preocupação. A única briga deles que ele presenciara fora realmente assustadora, e ele temia o que poderia acontecer a Regina caso houvesse uma próxima vez.

Como uma resposta aos seus temores, sua realidade tremeluziu, confundindo-se com a de sua amada morena. Agora, além das paredes sujas e das grades de ferro de sua cela, ele estava vendo um corredor claro, ouvindo os gritos desesperados de Regina, que parecia estar implorando para que Daniel a largasse, e o próprio Daniel, que se aproximava rapidamente da moça com uma seringa em sua mão livre.

Regina??? Regina, o que está acontecendo?? — gritou Robin, desesperando-se com a situação que estava vendo pelos olhos dela. Regina estava correndo perigo, ele podia sentir isso em sua própria pele, como se o pavor e o desespero dela passassem para ele por meio de seus pensamentos compartilhados.

A constatação do perigo iminente que a morena corria fez com que Robin sentisse seu coração se apertar de preocupação. Mais do que qualquer coisa ele queria poder ajuda-la, tira-la de perto daquele monstro, protege-la, mas não havia nada que ele pudesse fazer naquele momento. Estava a horas de distancia da pessoa que mais amava no mundo, preso em uma cela de delegacia e sem previsão de saída, e essa impotência só fazia com que ele se desesperasse mais ainda com a situação que se desenrolava diante de seus olhos.

Robin, socorro! Ele está querendo me sedar, eu não consigo me livrar dele! Me ajude, por favor meu amor, me ajude!— a voz dele soou alarmada aos ouvidos dele, repleta de medo e incertezas sobre o que viria a seguir.

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Ela sabia que aquele pedido de ajuda era irracional. Tinha plena consciência de que Robin não podia fazer nada por ela, e que aquele pedido só iria servir para deixa-lo preocupado. Ainda assim, não conseguiu evitar proferir aquelas palavras, não conseguiu deixar de pedir socorro a ele.

Sim, naquele momento Robin estava a horas e horas de distancia e preso em uma cela de delegacia, mas também confiava de que assim que pudesse ele viria atrás dela, iria procura-la, e foi essa confiança de que podia contar com ele para o que precisasse que a fez pedir ajuda.

Regina, me escute. Tente se acalmar meu amor. Não se preocupe, eu vou dar um jeito de sair desse inferno e vou te encontrar, nem que eu tenha que procurar em todas as casas de todas as cidades do Kansas, prometo que vou te encontrar. Confie em mim meu anjo, eu te prometo que não vou deixar nada de mal de acontecer. — com a voz de Robin em sua mente, prometendo procurar por ela, Regina sentiu a agulha perfurar sua pele e mergulhou na escuridão da inconsciência quase que instantaneamente.

Notas finais
Aguardando ansiosamente por reviews e opiniões!! Beijoooos