In your dreams
14 XIV - Sacrifice
Notas iniciais
— E então Marian, você aceita minha proposta? – perguntou Robin, fazendo o máximo para manter o tom de voz controlado, embora manter a calma estivesse ficando cada vez mais complicado.
Aquela conversa com sua ex-mulher já estava demorando mais do que ele previra, e cada minuto a mais que permanecia ali era um tempo precioso no qual ele poderia estar a procura de Regina.
Marian, por outro lado, estava adorando toda aquela situação. Parecia que seu único objetivo com aquilo era tortura-lo, fazer com que ele se sentisse cada vez pior, um objetivo que ela só não havia conseguido ainda porque toda vez que estava prestes a explodir Robin se lembrava de Regina e do risco que sua linda morena estava correndo.
Por ela, ele aceitara abrir mão de tudo, jogar tudo para o alto e permitir que Marian vencesse aquela batalha por dinheiro. Nada mais importava, tudo que ele queria era sair de uma vez daquela delegacia fétida e tomar um avião para o Kansas procurar por Regina, nem que para encontra-la tivesse que entrar em cada casa daquele estado, ele não iria faltar com a promessa que lhe fizera, não iria se permitir perde-la.
Por isso, logo após o pedido de socorro desesperado que a morena lhe dirigira, ele chamara um dos policiais que estava de guarda e pediu para falar com o delegado, alegando que se tratava de algo urgente. Pelo estado desnorteado que ele ficara depois da ultima fala de Regina, o policial deve ter se apiedado dele, e o conduziu a sala do delegado, a mesma sala onde havia se dado o seu interrogatório.
— O que deseja, senhor? – perguntou o delegado, assim que ele se sentou a sua frente. Conservava o mesmo ar de tédio e desconfiança de outrora, mas assim como acontecera com o policial, parecia ter se apiedado do estado de desnorteado no qual Robin se encontrava.
— Quero falar com Marian. Minha ex-mulher, a que fez a acusação de agressão. Preciso falar com ela, é urgente. – despejou o loiro, rezando internamente que o delegado concedesse em realizar aquela entrevista. Sabia que se falasse com Marian conseguiria reverter aquela situação com maior rapidez do que se esperasse chegar os resultados da pericia e do exame das câmeras de segurança, e precisava sair daquele lugar o quanto antes, Regina estava precisando dele.
— Sinto muito senhor Locksley, mas duvido que sua ex-esposa queira falar com o senhor. Além disso, por conta da acusação de agressão que pesa contra o senhor, seria uma irresponsabilidade minha se eu permitisse que tal encontro acontecesse. – respondeu o delegado, que apesar das palavras proferidas, não parecia se importar muito com a aflição estampada no rosto de Robin.
— E se eu usar o telefone? Tenho direito a uma ligação, não tenho? Tudo que preciso é conversar com Marian, não há necessidade alguma de que nos encontremos – tornou a falar o loiro, que sentia seu coração acelerado por conta do nervosismo que sentia.
Foram necessários mais alguns argumentos, mas no fim, depois de quase quarenta minutos de barganha o delegado acabou por aceitar que a ligação fosse realizada, desde que naquele momento e em sua sala, para que assim ele pudesse controlar o que estava sendo dito e garantir que não seria feito nenhum tipo de coação ou ameaça.
E agora, quase uma hora depois da conversa que tivera com o delegado responsável por seu caso, o loiro estava no telefone com Marian, tentando convence-la a retirar a acusação de agressão.
— Não sei Robin...quem me garante que depois você não vai voltar e exigir tudo de volta? Como nós fomos casados em regime de separação total de bens, legalmente eu não tenho direito a nada entende? – a voz dela soou irônica e irreverente, como se a mulher sentisse alegria e prazer ao se dar conta do estado de desespero em que seu interlocutor se encontrava.
— Estou lhe dizendo Marian, isso não vai acontecer. Tudo que preciso é ficar com o valor que está na minha conta corrente. O resto você pode ficar com tudo. Nosso apartamento, minha conta poupança, a firma de arquitetura...nada disso me importa mais, posso passar tudo pro seu nome, é só aprontarmos a papelada. – repetiu o loiro, pelo que pareceu ser a milésima vez em poucos minutos. Ele sabia que no final ela acabaria por aceitar, mas aquela demora, aquele prazer em fazê-lo sofrer já estava fazendo com que ele perdesse a paciência.
Se Marian não fosse tão irritantemente má, eles já poderiam ter resolvido àquela história e aquela altura ele já estaria a caminho do aeroporto, indo ao resgate de sua amada morena.
— E tudo que você quer em troca de tudo que construiu é que eu retire a queixa de agressão? Porque isso agora Robin? O que aconteceu para que você mudasse de ideia de forma tão brusca em tão poucas horas? A delegacia é um lugar tão ruim assim? – continuou a mulher, parecendo se divertir cada vez mais com a agonia que estava proporcionando ao loiro.
— Meus motivos não te interessam. Você aceita a proposta ou não? – falou Robin, finalmente deixando transparecer em sua voz a raiva e a revolta que sentia por aquela mulher. Se não fosse por aquele capricho de Marian, se ela não o tivesse o acusado injustamente por agressão, àquela hora ele poderia já estar em um avião. Mas não, como sempre acontecia, Marian tinha o poder de atrapalhar seus planos, de dificultar sua vida.
— Tudo bem, eu aceito. – respondeu a mulher, parecendo extremamente contente por ter arrancado do loiro tudo que ele lutara todos aqueles anos para conquistar. – Vou mandar preparar a papelada e depois te ligo para combinarmos para você assinar. Passe o telefone para o delegado, tenho certeza que ele está ai te ouvindo.
Ao ouvir as palavras de Marian, Robin não pode deixar de suspirar aliviado. A primeira etapa estava vencida, conseguira se livrar daquele pesadelo que era sua ex-mulher. O fato de que tivera de abrir mão de muitos anos de trabalho e sacrifício para que isto acontecesse pouco lhe importava naquele momento.
O dinheiro que havia em sua conta corrente seria suficiente para a viagem até o Kansas, e depois que conseguisse resgatar Regina, os dois pensariam não que iriam fazer dali em diante. O importante agora era que em poucos instantes estaria livre e poderia enfim ir atrás de sua amada morena.
Enquanto a mente de Robin rodava sobre os próximos passos que daria quando deixasse a delegacia, o delegado conversava com Marian, parecendo incrédulo com as palavras que estava ouvindo.
— A senhora tem certeza do que está fazendo? Acusação de agressão é algo muito serio...a senhora tem certeza de que quer desistir? Está mesmo fazendo isto por livre vontade? Não houve nenhum tipo de ameaça ou coação? – perguntou o delgado pela terceira vez, procurando entender o motivo da desistência de Marian.
Depois de mais alguns angustiantes minutos de conversa, o delegado pareceu finalmente se dar por vencido e desligou o telefone, erguendo o olhar para encontrar o de Robin e voltou a falar: — Não sei o que exatamente você fez, mas funcionou, sua ex-mulher desistiu da acusação de agressão. O senhor está livre, pode ir embora agora mesmo. – falou, parecendo cansado e irritado com as pessoas que atrapalhavam seu serviço fazendo acusações só para desistir no meio delas. A delegacia estava lotada daqueles casos, que só faziam tomar tempo e recursos e no fim acabavam em nada.
— Muito bem. Obrigada pela estadia hospitaleira, doutor. – respondeu o loiro, sem esconder em sua voz o alivio que sentia por estar finalmente indo embora daquele inferno.
Com um breve aceno de cabeça e sem mais nenhuma palavra, o delgado pediu a um de seus oficiais que devolvessem os pertences de Robin e o acompanhassem até a saída da delegacia.
Quando finalmente pôs os pés para fora daquele tormento, o loiro sentiu como se finalmente pudesse respirar livremente de novo, como se o ar da delegacia, pesado e denso, o tivesse feito se sentir como se estivesse em um lugar extremamente apertado, no qual não havia a circulação de ar fresco.
Desesperado para se afastar o mais rápido possível daquele lugar e começar sua busca por Regina, Robin tomou o primeiro taxi que encontrou e pediu ao motorista que o levasse ao aeroporto.
A viagem até lá não demorou mais que quarenta minutos, tempo durante o qual o loiro se concentrou em Regina e em todas as informações que conhecia d lugar onde ela vivia.
Sabia que a cidade chama-se Wichita, e que ficava no Kansas. Sabia que a morena morava em uma imponente casa de estilo colonial, mas não fazia ideia do nome da rua ou em que parte da cidade ela ficava. Mesmo que soubesse, e ele se deu conta disto naquele momento, àquela informação não seria de muita utilidade, afinal, tinha certeza de que Regina não estava mais em casa. Tinha certeza que Daniel a teria levado para outro local, restava descobrir para onde.
Foi então que ele se lembrou. Como se uma luz se acendesse em sua mente, ele se lembrou de Regina falando que o marido quase não ficava em casa, que preferia passar o maior tempo possível no trabalho, uma clinica psiquiátrica da qual era o médico e o dono.
Sim, era isso. Daniel provavelmente a tinha levado para a clinica. Era o lugar mais lógico, no qual ele poderia mantê-la sobre o efeito de remédios e tranquilizantes e ninguém iria desconfiar de sua conduta. Ao contrario, iriam todos apoia-lo, o pobre doutor Daniel que tem a difícil tarefa de cuidar da esposa mentalmente perturbada.
Aquele pensamento fez com que Robin sentisse um calafrio passando por todo o seu corpo. Como Daniel tivera coragem de fazer aquilo com Regina? Como pudera subjuga-la e trancafia-la daquela forma tão cruel?
Ao voltar seus pensamentos para Daniel, o loiro sentiu uma revolta enorme crescer dentro de si. Era como se pudesse sentir a raiva se inflamando em seu interior, raiva pelo que Daniel havia feito à pessoa que ele mais amava no mundo. Naquele momento, Robin desejou de todo o coração que conseguisse tirar Regina daquela clinica sem que seu caminho cruzasse com o de Daniel. Não sabia se conseguiria responder por seus atos caso chegasse a encontra-lo, sua vontade era de fazê-lo pagar, e pagar muito caro por todo o mal que causara a linda morena que lhe roubara o coração.
Quando chegou ao aeroporto, teve a sorte de encontrar um voo para o Kansas que iria sair dentro de duas horas, sendo informado que para chegar a cidade de Regina teria que tomar um ônibus, já que não havia um aeroporto naquela localidade.
Aquelas poucas horas pareceram um pequeno infinito interminável, no qual ele se sentiu extremamente sozinho. Como fazia falta ter a voz da morena em sua mente, como o som de suas palavras e de sua risada lhe eram preciosos....enquanto permanecia ali, sentado em uma sala a espera da hora de seu embarque, o loiro se deu conta de que sim, ele faria qualquer coisa para tê-la de volta, para ouvir sua voz melodiosa novamente.
Inconscientemente, mesmo sabendo que naquele momento ela provavelmente estava adormecida ou dopada e que não conseguiria lhe responder, Robin começou a falar com ela, desejando ardorosamente que Regina pudesse ao menos ouvi-lo, que soubesse que ele estava indo ao encontro dela: — Não se preocupe milady. Eu estou indo ao seu encontro. Tudo vai ficar bem, eu te prometo.
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A voz de Robin ecoou por sua mente, fazendo com que ela despertasse da letargia em que estava. Diferentemente do que se pudesse supor, no entanto, aquele despertar não foi algo automático, mas sim um processo lento e doloroso, durante o qual a morena passou longos períodos de tempo apenas encarando o teto branco do quarto onde estava.
Sentia-se fraca, mole, sem forças nem mesmo para levantar a cabeça do travesseiro. Por alguns instantes, sua mente se embaralhou cenas do que havia acontecido algumas horas antes aparecendo uma após a outra, todas embaralhadas e confusas.
Sua cabeça girava, e ela sentia como se estivesse mergulhando em águas profundas, o corpo pesado e letárgico, cada movimento exigindo grande esforço e concentração de sua parte.
O que mais a apavorava, no entanto, não era o seu estado físico, mas sim a sua mente. Tinha certeza que ouvira Robin falando com ela, dizendo que estava a caminho, que iria encontra-la, mas simplesmente não conseguia responde-lo. Parecia que seus pensamentos estavam presos a sua própria mente, não conseguia fazer com que eles chegassem a Robin, e esta impossibilidade estava fazendo com que ela se sentisse cada vez mais angustiada.
O que Daniel dera a ela? Sim, porque agora, depois de estar acordada a alguns minutos, tinha plena certeza de que o estado no qual se encontrava era culpa dele. Lembrava-se de que antes de apagar eles estavam discutindo, e ele se aproximando dela com uma seringa na mão...depois tudo escurecera, tão rápido quanto se ela apenas tivesse piscado.
Com certeza ele deve ter colocado algum tipo de tranquilizante em seu organismo...era a única explicação para o modo como ela se sentia, tão apática, como se todas as suas energias tivessem lhe sido arrancadas.
Quando chegou a esta conclusão, um horrível e doloroso pensamento irrompeu em sua mente. E se o remédio que Daniel lhe dera tivesse afetado sua ligação mental com Robin? E se por conta do tranquilizante a ligação deles tivesse sido rompida e ela nunca mais conseguisse contanto com seus amados oceanos azuis?
Aquele era um pensamento horrível demais, uma possibilidade com a qual ela simplesmente não sabia lidar. Não conseguia conceber que Robin fora arrancado de sua vida daquela forma, não conseguia aceitar que o perdera para sempre, e justamente quando eles estavam prestes a se acertar.
Não. Aquilo não podia estar acontecendo. Ela não podia perde-lo daquela forma, tinha que haver um jeito de reestabelecer a ligação deles. Desesperada, ela voltou a chamar por seu anjo loiro, torcendo para que desta vez ele a ouvisse, que respondesse: — ROBIN!! ROBIN!! Por favor, você tem que estar ai! Robin! Por favor, me responda!— falou, seu tom de voz aumentando à medida que a dor da perda a invadia.
— Não, não, não, não, não...isso não pode estar acontecendo. Eu não posso perdê-lo também. – pensou a morena, não conseguindo impedir que as lágrimas queimassem suas faces.
A mente da morena parecia um tornado, um turbilhão confuso de sentimentos, o desespero e a tristeza tomando conta dela quase que instantaneamente. Tudo bem que Robin prometera que iria encontra-la, e ela não tinha duvidas de que ele faria o impossível para cumprir esta promessa, mas como ele conseguiria encontra-la? Tudo que ele sabia era o nome de sua cidade, nada mais.
Não, muito provavelmente ele não conseguiria encontra-la, e no fim, iria acabar por desistir. Aquele pensamento aterrador fez com que Regina sentisse como se seu coração afundasse cada vez mais na tristeza, transformando-a em uma dor física, que se alastrava por todo o seu corpo.
Então era isso, estava tudo acabado. Ela perdera seus oceanos azuis, e era muito provável que passasse um bom tempo presa aquela cama, sendo obrigada a tomar um coquetel de remédios a cada vez que despertasse.
Embora uma parte dela entendesse este destino como inevitável, à morena sentia como se seu coração ardesse em brasa, dolorido pela falta de Robin em sua mente. Naquele momento, o silencio era insuportável, e ela percebeu que faria de tudo para ter mais m instante com a voz dele em sua mente, que faria qualquer coisa para ter um único abraço com o qual se recordar.
Ainda tonta e fraca, ela se esforçou para conseguir se colocar de pé e caminhou com dificuldade até a porta, apoiando-se na parede e fazendo várias pausas pelo caminho. A cada passo que dava, era como se o quarto girasse ao seu redor, e ela sentia uma onda de náuseas subir por sua garganta. Por mais que se sentisse mal, no entanto, ela se forçava a continuar. Tinha que ao menos tentar sair dali. Quem sabe, se conseguisse sair da clinica e esperasse os efeitos do remédio finalmente deixarem seu corpo, a ligação com Robin não voltasse a funcionar?
Movida por esta necessidade de ter o loiro de volta a sua mente e a sua vida, ela continuou a caminhar, um passo de cada vez, sentindo que a tontura e a desorientação pioravam quanto menor era a distancia entre ela e a porta. Estava quase lá, faltavam apenas alguns passos.
De repente, a porta se abriu e Daniel entrou, vestido com seu uniforme de médico. Seu rosto ostentava uma expressão tranquila de quem sabia estar em posição de vantagem, mas seus olhos eram frios e cruéis. Sem conseguir evitar, Regina se encolheu contra a parede em um gesto instintivo de autoproteção, mas de nada adiantou. Os olhos do homem voaram direto para ela, e pareceram até mesmo se divertir com o estado lamentável no qual ela se encontrava.
— Vai a algum lugar querida? – perguntou, sua voz soando calma e fria aos ouvidos de Regina, que sentiu um arrepio de medo percorrer o seu corpo.
— Daniel...- começou a falar a morena, sentindo sua garganta arranhar. – por favor, me deixe ir embora. Eu preciso sair daqui. Preciso encontra-lo....- continuou, arrependendo-se no mesmo instante em que as palavras deixaram sua boca de ter mencionado Robin. Agora mesmo que Daniel iria impedi-la de sair.
Sem responder, ele se aproximou dela e a pegou delicadamente pela mão, conduzindo-a de volta a cama. – Se acalme Regina, você não tem ninguém para encontrar lá fora Deve ter sido apenas um sonho. Você só precisa descansar e tudo vai ficar bem, eu prometo. Agora porque você não dorme um pouco? Tenho certeza de que irá acordar melhor...
Sentindo-se impotente e fraca diante de Daniel, Regina simplesmente se deixou levar. Sabia que no estado letárgico no qual se encontrava não tinha chances de lutar ou de escapar dele, ao menos não por hora.
Alguns instantes depois, Daniel saiu do quarto, dizendo que mais tarde uma enfermeira voltaria, trazendo algo para ela comer e um remédio. Quando finalmente se viu sozinha, Regina voltou a chorar copiosamente, um choro que misturava raiva e tristeza, culpa e solidão.
Aquilo tudo que estava acontecendo era culpa dela. Se ela não tivesse sido covarde e medrosa, aquela altura poderia estar feliz, nos braços do homem que amava. Mas não, por conta de sua covardia e de sua insegurança, ela estava ali, presa a cama de uma clinica psiquiátrica, longe da pessoa por quem seu coração gritava, e sem nada poder fazer para reverter àquela situação.
Ali, deitada naquela cama e encarando o tão conhecido teto branco, Regina se encolheu sobre si mesma, como se assim pudesse se esconder do mundo, sumir, desaparecer, e chorou. Deixou que as lágrimas rolassem por seu rosto enquanto chamava baixinho pelo nome de Robin, talvez com a vã esperança de que ele pudesse ouvi-la.
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