In your dreams

12 XII - Problem


Notas iniciais
Oii oii pessoas! Como vocês estão?? Não tenho muito a dizer desta vez, apenas agradeço imensamente a quem comentou no capitulo anterior e espero que gostem do que vem por ai! Booa Leitura!

“ Estou de volta ao lago, o mesmo lago que por muitos anos fora meu refugio, mas ele parece diferente, como se algo importante estivesse faltando, um detalhe essencial que o transformou, fazendo com que aos meus olhos aquele não fosse mais o meu amado lago, o meu lugar favorito no mundo.

Caminho por sua margem, tentando distinguir o que estava diferente, o que havia mudado, mas, por mais que meus pés dessem voltas e mais voltas, simplesmente não conseguia encontrar o que tanto me incomodava.

As arvores e o lago pareciam os mesmos de sempre, o ar puro também parecia ser o mesmo, mas a leveza, aquela leveza que antes lhe trazia tanta paz, não estava mais presente. Era como se algo tivesse feito com que eu simplesmente não conseguisse se sentir em paz nem mesmo em meu refugio particular.

— O que está acontecendo comigo? – minha voz soou rouca, arranhando minha garganta enquanto se propagava pela vastidão aberta do lago.

Cansada de andar, simplesmente larguei-me na grama, apoiando minha cabeça com os braços cruzados e fechei os olhos, na esperança de conseguir enfim descansar, relaxar nem que fosse por um ínfimo momento.

Passaram-se alguns segundos, talvez minutos, não sei precisar muito bem, mas de repente senti que o sol que antes castigava minha pele tinha sido afastado, o calor por ele emanado sendo momentaneamente substituído por uma sombra.

Abri os olhos, procurando o que ocasionara a súbita mudança, e dei de cara com olhos azuis intensos e um meio sorriso enviesado, de alguém que estava dividido entre a tristeza e a alegria.

— Não imaginei que iria encontra-la aqui, milady. Bom, ao menos não depois de você ter me dito que queria que eu sumisse de sua vida. – sua voz não tinha nenhuma nota de raiva ou amargura, exalava apenas tristeza.

Surpresa e nervosa, levantei-me depressa, sentindo meu coração acelerar, martelando descompassado contra meu peito. Estávamos frente a frente agora, nos olhares fixos um no outro, azul no castanho, tempestade e calmaria.

— Robin eu...- comecei, mas não consegui continuar. Não sabia o que dizer, simplesmente não conseguia encontrar as palavras. É claro que o que eu gostaria de fazer era atirar-me nos braços dele, senti-lo perto de mim, pedir desculpas e dizer o quão idiota eu havia sido por nos infringir aquela separação dolorosa, mas algo me impediu de fazer isso.

O medo, meu velho conhecido, bateu a minha porta novamente, fazendo com que eu parasse antes mesmo de dar o primeiro passo em direção a ele. Será que inda havia tempo? Será que ele me aceitaria de volta, mesmo depois das coisas horríveis que eu havia dito? Estas eram as perguntas que turvavam minha mente, prendendo meus pés ao chão e trancando minha fala por conta das incertezas.

Antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa, ele voltou a falar, parecendo pesar cada palavra que dizia, como se acreditasse que uma palavra errada causaria uma reação inesperada.

— Olha Regina, eu sei o que você disse. E acredite, foi muito difícil ouvir que você estava desistindo de nós, mas eu sinto muito, não posso atender esse pedido. Não posso desistir de você. Por favor, não me force a isso, por favor, nos dê uma chance. – a voz dele soou esperançosa, como se ele esperasse que suas palavras fossem suficientes para me fazer mudar de ideia.

Surpreendentemente, tanto para mim quanto para ele, aquelas simples palavras eram mais do que suficientes. Naquele momento, me esqueci de tudo. Me esqueci de meus monstros particulares, de meu medo de sofrer com mais uma decepção, e fixei meu olhar nos meus amados oceanos azuis.

Nada mais importava. Nenhum compromisso, nenhuma dívida, ninguém. Tudo que existia para mim naquele momento éramos nós dois. Eu estava cansada, cansada demais de deixar que a minha felicidade se esvaísse por minhas mãos feito grãos de areia. Estava na hora de lutar por mim, de lutar por quem eu amava.

Sem respondê-lo, porque não sabia se realmente conseguiria achar as palavras corretas, quebrei a distância que ainda havia entre nós, aproximando-me de Robin, nossas respirações se misturando, agitadas.

Estávamos a centímetros um do outro, meu coração tão acelerado que chegava a doer. Senti sua mão em minha cintura, puxando-me para mais perto. Agora quase não havia distancia, senti seu rosto roçar no meu e fechei os olhos, deixando me levar pelo momento, minhas pernas bambas e minha cabeça girando, preenchida pela imagem dele.

— O que você faz comigo hein?- falei, minha voz saindo pouco mais alto que um sussurro.

— O mesmo que você faz comigo morena, me tira o foco. Você me roubou de mim sabia? E agora, não consigo mais me encontrar, a não ser que olhe em seus olhos. – a resposta dele saiu em um tom tão baixo quanto o meu, mas recheado de alegria.

Nada mais foi dito entre nós. A falta, a vontade que sentíamos um do outro foi mais forte do que as palavras que precisavam ser ditas. Nossos lábios se encontraram e eu senti como se o chão tivesse desaparecido de debaixo dos meus pés.

Segura em seus braços, presa em seu beijo, era como se o mundo todo tivesse desaparecido, e só restássemos nós dois. Eu permiti me perder naquele momento, desejando imensamente que nosso pequeno infinito durasse para sempre.

Ali, junto de Robin, consegui entender o que estava fazendo tanta falta no lago. Não era o lugar que estava diferente, era eu. Antes, quando me dirigia ao lago, estava sozinha, e por isso nada me faltava. Mas agora, eu não estava mais sozinha. Eu tinha a ele, e era a falta de Robin que eu estava sentindo enquanto caminhava pela margem do lago.

Quando o ar enfim se fez necessário, separamos nossas bocas com a respiração acelerada, ofegantes. Nossos olhares se encontraram novamente, e eu me deparei com seu sorriso aberto e franco, diante do qual eu não pude evitar de sorrir também.

Senti sua mão roçar minha bochecha. Seu toque era quente e macio, e meus olhos se fecharam novamente. A culpa me atingiu de supetão, como um bombardeio sem sirene. Como eu pudera fazer aquilo? Como pudera afasta-lo de minha vida de forma tão brusca, tão cruel?

— Eu...me desculpe Robin. Por favor, me perdoe! Eu não devia tê-lo afastado de mim, me perdoe por ter colocado meus medos a frente de nossos sentimentos...eu..eu sinto muito. – despejei, finalmente pedindo perdão por meus atos, por minhas palavras.

— Sshhh...não se preocupe, esqueça isso. Não tem importância agora. O importante é que estamos juntos agora. – respondeu, com uma voz suave que aqueceu meu coração.

Deixei que as preocupações e os temores sumissem de minha mente e o abracei forte, desejando pela segunda vez naqueles poucos minutos que aquele momento durasse para sempre, que pudéssemos simplesmente permanecer ali, em nosso infinito particular.

Senti que ele me segurou pela cintura e apertei meus braços em torno de seu pescoço, sentindo no instante seguinte que meus pés deixavam o solo. Giramos e giramos, rindo como dois bobos alegres, felizes por finalmente podermos estar juntos. Eu me enganara ao pensar que o lago fosse meu refugio particular. Não, meu refugio, meu paraíso particular era aquele abraço. Dei-me conta enquanto rodávamos as gargalhadas que aquele lugar, em seus braços, era o meu favorito no mundo.”

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— Robin! – chamou à morena, despertando de seu sonho de forma brusca, como se algo a tivesse arrancado dele. Ao contrario do que geralmente acontecia, Regina se lembrava de cada detalhe daquele sonho, como se ele fosse uma lembrança, o que só serviu para que ela se sentisse pior.

Não faziam nem quarenta e oito horas que ela e Robin haviam tido aquela conversa definitiva, e cada minuto parecia mais doloroso que o anterior. O silencio que pairava em sua mente era estarrecedor, e ela passava grande parte do dia perdida em lembranças de suas conversas.

Não pela primeira vez, perguntou-se o porquê de tudo aquilo. Porque decidira jogar fora sua chance de ser feliz? De que valia aquele sacrifício todo, se a relação dela com Daniel andava de mal a pior? O que a segurava ali, naquela cidade pacata em uma vida que com certeza não era a que ela queria? Novamente, a única resposta que ela conseguia encontrar era o medo. O velho e esquelético fantasma do medo, que assombrava seus dias desde que ela se conhecia por gente.

Sentindo todos os ossos de seu corpo estalarem por conta da má posição em que dormira, Regina se levantou e desceu para a cozinha, a procura de algo para comer. Não achou nada que realmente a abrisse o apetite, então pegou apenas uma maçã e voltou a subir as escadas, desta vez se dirigindo a sala de leituras.

Quando lá chegou, percebeu de imediato que seu santuário havia sido profanado. Alguns dos livros estavam fora de ordem, como se a pessoa que entrara ali estivesse à procura de algo. Olhando ao redor, não demorou para que ela notasse o que estava faltando. O livro que ganhara de Robin não estava mais em cima da poltrona onde ela o tinha deixado na noite anterior, quando o cansaço finalmente a vencera.

Daniel. Ele havia entrado ali e pegado o livro. Aquela constatação fez com que Regina sentisse a irritação subir por sua garganta. Ele não podia ter feito isso. Não tinha o direito de mexer em suas coisas.

A irritação inicial foi substituída pelo pânico quando a morena se lembrou do que o livro abrigava. A carta e a foto de Robin. Saber que o presente enviado pelo loiro estava na posse de Daniel fez com que Regina sentisse seu corpo gelar por completo, em parte furiosa por seu marido ter mexido em suas coisas, em parte com medo pela reação incerta que ele teria.

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Robin abriu os olhos de repente, sentindo como se tivesse voltado de um bom tempo em uma máquina de ressonância magnética, alheio a tudo que estava acontecendo a sua volta. Demorou alguns segundos até que o loiro conseguisse se reorientar, tempo no qual voltaram a sua mente todas as imagens do sonho no qual estava emerso, tão reais quanto uma fresca lembrança.

Sonhara com Regina. Sonhara que ela havia concordado em dar uma chance ao sentimento que nutriam um pelo outro. Por um ilusório e glorioso momento, ele imaginou como seria se isso realmente tivesse acontecido. Na certa que ele estaria se sentindo bem melhor do que se sentia naquele momento.

A verdade é que quanto mais a ausência dela se prolongava, ais ele se sentia solitário e perdido. Por quanto tempo mais a situação deles permaneceria daquela forma? Será que ele e Regina não teriam mesmo uma chance? Que tudo estava realmente acabado entre os dois, antes mesmo de ter sequer começado?

Mal estas perguntas surgiram na mente de Robin e ele foi interrompido por batidas fortes e rápidas na porta de seu quarto de hotel. O que estaria acontecendo? Quem estaria tão desesperado para encontra-lo tão cedo?

Sem entender o que estava acontecendo, o loiro se dirigiu a porta do quarto e a abriu, dando de cara com dois policiais de uniforme que olhavam para ele com cara de poucos amigos.

— O senhor é Robin Locksley? – perguntou o policial que estava mais próximo à porta, sua voz soando aos ouvidos de Robin como um grunhido de difícil entendimento.

— Sim, sobre o que se trata? – respondeu, temendo já saber a resposta para sua própria pergunta.

— Estamos aqui por conta da denuncia de agressão feita contra o senhor por sua ex – esposa, Marian Jackson. O senhor poderia nos acompanhar até a delegacia para prestar alguns esclarecimentos? – falou o policial, olhando para Robin como se sua simples figura já fosse o suficiente para condena-lo.

— Declarações? Eu sou inocente, não tenho nada a “declarar” sobre esta acusação falsa que Marian me fez. Essa mulher é louca. – disse Robin, tentando passar m suas palavras à veracidade do que dizia, embora sentisse que os policiais não estavam acreditando em sua versão.

— Ainda assim. – começou a falar o segundo policial, que parecia estar ainda menos convencido que o colega. – precisamos que o senhor nos acompanhe até a delegacia. Lá o senhor poderá prestar a sua versão dos fatos e ligar para o seu advogado. Vamos?

— Tudo bem...vocês podem ao menos esperar que eu troque de roupa? Não posso ir à delegacia de pijamas não é? – foi à resposta do loiro, que puxava por sua memória se conhecia um advogado a quem pudesse pedir ajuda para se livrar da enrascada em que Marian o colocara.

Alguns minutos depois, os três chegaram à delegacia. Robin se sentia ainda pior do que quando acordara aquela manhã. Além d todos os problemas que já tinha em sua vida, agora teria que lidar com mais aquela provocação de sua ex- esposa.

Logo que chegaram, o loiro foi conduzido a uma sala de interrogatório, onde permaneceu por mais de uma hora, aguardando que o delegado estivesse pronto para falar com ele. Quando o momento finalmente chegou, Robin sentiu seu estomago se contrair de nervoso. Por mais que nunca tivesse encostado em um fio de cabelo de Marian a exceção do episódio do empurrão, tinha plena convicção de que aquela mulher era capaz de qualquer coisa para atazanar sua vida, incluindo simular uma verdadeira agressão.

O delegado o recebeu em uma salinha apertada e sufocante, que possuía uma única janela e lâmpadas que piscavam, falhando por estarem provavelmente muito gastas.

— O senhor é Robin Locksley, correto? – começou o delegado, sem olhar para ele, seu olhar permanecendo em um bolo de anotações que tinha em suas mãos. Era um sujeito atarracado e careca, que parecia ter duas bolinhas de gude no lugar dos olhos.

— Sim. – respondeu simplesmente, tentando manter um tom de voz neutro de quem não tinha nada a esconder.

— O senhor sabe por que foi conduzido a esta delegacia, Sr. Locksley? – continuou o delegado, ainda sem encara-lo.

— Só me contaram que pesa uma acusação de agressão sobre mim, feita por minha ex-esposa, Marian.

— E o senhor sabe o teor desta acusação de agressão? – foi à próxima pergunta do delegado, que desta vez desviou o olhar dos papeis e olhou diretamente nos olhos de Robin, como se buscasse decifra-lo em um único olhar, como um scanner.

— Não. – falou o loiro, que apesar de suspeitar que aquela queixa se fundasse no empurrão que dera em Marian, não tinha como ter certeza de que era apenas por conta desta atitude.

— Sua ex – mulher o está acusando de ter batido nela, de ter lhe dado um soco no rosto. Essa informação procede? O senhor a agrediu? – perguntou o delegado, que assim como os policiais que o haviam escoltado até ali parecia já ter formado sua convicção a cerca dos fatos alegados por Marian. – devo alerta-lo de que o senhor tem o direito de permanecer calado e requisitar a presença de um advogado ou defensor público. Tudo que o senhor dizer poderá e será usado contra o senhor em um futuro julgamento, entendido?

— Sim, entendido. – começou a responder Robin, sentindo a agitação e o nervosismo subirem por sua garganta, indeciso sobre o que deveria fazer, como deveria proceder. Acabou se decidindo por negar todas as acusações logo de cara. Poderia ficar em silencio, mas não conseguia se lembrar do contato com nenhum advogado, e sem um defensor sua atitude de não falar poderia parecer ainda mais suspeita.

— Tudo que posso dizer é que não há verdade alguma nas acusações que Marian fez contra mim. Nunca levantei um dedo contra ela, nunca a machuquei de forma alguma. Ela é louca, só está se utilizando desta acusação de agressão para tentar me extorquir dinheiro. – despejou o loiro, tentando de todas as formas possíveis fazer com que o delegado acreditasse, ou ao menos não descartasse, a sua versão dos fatos.

— Então o senhor afirma que nunca bateu em sua ex – esposa? – voltou a perguntar o investigador, parecendo irremediavelmente descrente as palavras de Robin.

— Sim, é exatamente isso que estou dizendo. – foi à resposta de Robin, que já começava a se cansar do modo desconfiado com o qual estava sendo tratado. Se havia ido até ali apenas para prestar declarações, porque o estavam tratando como se ele já tivesse sido condenado?

— E o que o senhor me diz sobre estas imagens, Sr. Locksley? – falou o delgado, colocando sobre a mesa uma serie de fotografias. As imagens mostravam Marian, tanto de frente quanto de perfil, o olho esquerdo muito roxo e inchado. Além do olho machucado, a mulher ainda apresentava escoriações pelo corpo, alguns hematomas que pareciam demonstrar que ela havia sido espancada.

Ostentando uma expressão de real surpresa, Robin respondeu a pergunta que lhe haviam feito, sua mente borbulhando com perguntas, a maioria sobre quem havia feito aquilo com Marian....ou se ela mesma havia provocado aqueles ferimentos.

— Eu não sei nada sobre isso Doutor. Da ultima vez que vi Marian, e isso aconteceu ontem de manhã, quando ela foi ao meu trabalho me pedir dinheiro, ela estava perfeitamente bem. Realmente não faço a menor ideia do que pode ter acontecido a ela. – respondeu, sincero.

— O senhor tem certeza do que está me dizendo? – a próxima pergunta do delegado fez com que Robin sentisse seu estomago afundar. Aquilo não podia estar acontecendo, não agora.

— Isso é realmente estranho, já que sua esposa fez um exame que atestam lesões graves, e afirma que o senhor foi o autor das agressões. Onde o senhor estava ontem à noite? – o interrogatório prosseguiu, sem que o loiro conseguisse enxergar uma saída para aquela situação.

— Eu já disse, não tenho nada a ver com esta história de agressão! Eu estava em um quarto de hotel, o mesmo em que seus agentes me encontraram...o senhor pode confirmar. – foi à resposta dele, fazendo de tudo para soar convincente, mesmo que por dentro sentisse o nervosismo se espalhando rapidamente.

— Pois muito bem. Enquanto verificamos sua história, o senhor permanecerá em custódia. — falou o delegado, despertando o desespero de Robin. Ele não podia ir preso, não podia mofar em uma cela por algo que não havia feito, aquilo não era justo. Não havia feito nada para ser punido daquela forma.

Sem conseguir se conter diante do desespero que o tomara ao ver os policiais se aproximando para leva-lo dali, o loiro se levantou de forma brusca, derrubando a cadeira na qual estivera sentado até aquele momento, e se dirigiu ao delegado, seu tom de voz aumentando de forma exponencial a cada palavra que ele dizia: — O SENHOR NÃO PODE FAZER ISSO! EU SOU INOCENTE! MARIAN É LOUCA, NÃO ACREDITE NELA!

As palavras dele foram sumindo à medida que era arrastado para fora da sala de interrogatório, o olhar frio e descrente do delegado o acompanhando por todo o trajeto. Debatendo-se de forma descontrolada para tentar se livrar do aperto dos policiais que o conduziam para a cela, Robin sentia sua cabeça zunir, desorientado.

Não conseguia entender o porquê de aquilo estar acontecendo. Porque sua versão do que acontecera fora ouvida de forma tão desacreditada pelo delegado? Porque ele não tivera acesso a um telefone ou a um advogado? A injustiça daquela situação o deixava enojado, e quando por fim o trajeto se completou e ele foi jogado em uma cela vazia, tudo que conseguiu foi encarar as grades negras que o trancafiavam, imaginando por quanto tempo àquela situação iria continuar....

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Poucos minutos se passaram desde que Regina descobrira que o livro que Robin lhe enviara sumira, e este mínimo espaço de tempo fora suficiente para que a raiva e o pânico tomassem conta dela. Antes que ela conseguisse pensar no que iria fazer em seguida, se iria atrás de Daniel para saber onde estava o livro ou se simplesmente tentaria esquecer aquela história, a porta da frente bateu, anunciando a chegada de seu marido.

— Regina? Você está acordada? – a voz de Daniel chegou aos ouvidos da morena, que sentiu um calafrio subir por sua espinha.

— Estou aqui na sala de leitura. – ela gritou em resposta, tentando seu tom de voz forte e controlado, sem demonstrar o nervosismo que sentia.

A suas palavras, ela ouviu os passos de Daniel subindo pela escada, parecendo que ele subia dois degraus de cada vez, e não demorou para que a imagem dele surgisse a porta. Ao vê-lo, com um falso sorriso estampado no rosto, ela não pode deixar de se perguntar o que viria a seguir.

— O que foi querida, porque está com essa cara de quem comeu ameixa estragada? – ele perguntou, aproximando-se dela, parecendo ter a intenção de lhe dar um beijo. Ao perceber o movimento, a morena se afastou bruscamente em um gesto instintivo.

— Nada. – começou a responder, em um tom ríspido, deixando transparecer a raiva que estava sentindo por seu livro desaparecido. Tinha certeza que Daniel era o responsável por isso. – Só estou irritada porque odeio que mexam nas minhas coisas, especialmente em meus livros, e você sabe disso.

— Do que está falando Regina? – foi à resposta dela, o que só serviu para deixa-la com ainda mais raiva.

— Do livro. Onde está meu livro? O que chegou em uma encomenda para mim? – tornou a perguntar, desta vez sem conseguir disfarçar o nervosismo e a irritação em sua voz.

— Aaah....você está falando daquele livro velho? Está aqui. – respondeu Daniel, seu tom de voz se tornando cada vez mais gelado. Com aquelas palavras, ele retirou de dentro da pasta o livro que Regina havia ganhado de Robin, ainda marcado na página em que ela parara a leitura na noite anterior.

— Me devolva. Você não tem o direito de mexer nas minhas coisas desse jeito Daniel, isso não é certo. – falou a morena, sua irritação aumentando ainda mais a cada palavra que era dita. Simplesmente não conseguia acreditar que Daniel havia agido de forma tão controladora e injusta....será que ele vira a foto e a carta? Se a resposta para esta pergunta fosse sim, o que fizera com elas? Guardara novamente? Jogara no lixo?

— Por que você está tão interessada neste livro Regina? O que ele tem de especial? Quem foi que o mandou para você? – foi à resposta do marido dela, que ao invés de devolver o livro simplesmente o jogou na poltrona, finalmente deixando que seu gesto transparecesse a raiva que sua fala não demonstrava.

— Isso não é da sua conta. Não mexa mais nas minhas coisas Daniel, nunca mais! – explodiu a morena, cansada de ser tratada como um bibelô sem vontade própria.

Daniel abriu a boca para responder, mas Regina já não estava mais prestando atenção, não estava nem mais ouvindo. Diante de seus olhos, a realidade se alterara de forma brusca. Ela ainda podia ver a sala de leitura e a figura de seu marido, que aparentemente falava com ela em um tom furioso, mas outra realidade se sobrepunha a esta.

Estava vendo grades de ferro, um cômodo apertado, no qual não havia nada além de um beliche. Que lugar era aquele? Porque ela o estava vendo? Foi então que ela se deu conta do que estava vendo, seu coração se apertando de aflição diante da cena que se desenrolava.

Robin. Ela estava vendo a realidade de Robin, e aquele lugar parecia horrível, como uma prisão ou algo do tipo. O que Robin estaria fazendo ali? Aquela pergunta fez com que a morena sentisse seu coração doer de preocupação, pensando no que poderia ter acontecido para que o loiro fosse parar em um lugar como aquele...

Sem se dar conta, sem parar para pensar no que estava fazendo, movida exclusivamente pelo instinto, pela necessidade de ouvir a voz dele, de saber que ele estava bem, a morena concentrou seus pensamentos nele, seus pensamentos fluindo a Robin de forma natural, como se as conversas entre os dois nunca tivessem sido interrompidas: — Robin?? Você está bem? O que está acontecendo, onde você está?

Notas finais
Gostaram? Odiaram? O que estão esperando para o proximo capitulo? Qual foram suas impressões deste que acabaram de ler?? Aguardo ansiosamente por suas opiniões!! Por favoor, deixem um review pra eu saber como estou indo, vou ficar imensamente feliz! Beijooos