In your dreams

7 Capitulo VII - Thank You


Notas iniciais
Olá pessoas! Aqui está mais um capitulo pra vocês, espero que gostem, por que ficou realmente especial. Obrigaada a minha querida amiga Cath Locksley Mills elo comentario no capitulo anterior, é graças a ela que tem capitulo novo hoje, haha Espero que todos que leem estejam gostando! Boa leitura!

Obrigada por hoje Robin. Estou me sentindo muito melhor, foi um dia realmente especial, e eu estava precisando relaxar a minha mente.— falou Regina em seus pensamentos, já deitada em sua enorme cama vazia, as imagens do dia alegre e despreocupado que passara indo e voltando a superfície de sua mente enquanto o sono começava a pesar em seus olhos.

Não tem nada que agradecer, milady. Foi um dia realmente muito bom, você é uma ótima companhia. Além do mais, eu estava precisando de um descanso também...o clima aqui em casa está cada vez mais pesado. Foi ótimo poder ter um dia calmo, sem preocupações. – a voz de Robin chegou aos ouvidos da morena preenchida de alegria e tranquilidade, o que a fez abrir um largo sorriso de contentamento.

Ela e Robin haviam tido uma manhã realmente conturbada, primeiro com a dor que ela sentira ao acordar, depois com a discussão com Daniel, mas no fim das contas o dia transcorrera as mil maravilhas, leve e tranquilo. Sem monstros ou preocupações que os perturbassem.

Ainda assim, a fala do homem sobre seu casamento com problemas e o clima pesado no qual estava vivendo inflou a preocupação no coração da morena. O que estaria acontecendo? Regina já tivera uma amostra de como Marian podia ser uma pessoa desagradável quando queria, mas será que a relação deles era tão ruim assim? A julgar pelo pesar e a tristeza que era palpável na voz de Robin toda vez que ele falava no casamento, podia supor que fosse sim, que estivesse pior do que ela imaginava, ou mesmo do que ele deixava transparecer.

O que está acontecendo Robin?— perguntou, sem conseguir se conter de preocupação, e também por conta da pontada de curiosidade que sentira.

Nada que deva perturbar seu sono milady....falamos do meu casamento desastroso um outro dia, pode ser? Hoje vamos ficar apenas com as boas lembranças....- a fala dele chegou aos ouvidos dela arrastada pelo sono, como se ele estivesse prestes a se deixar levar por uma forte correnteza.

Tudo bem...mas não pense que vai escapar dessa conversa, ouviu? – ela começou a responder, sua voz misturando um pouco de preocupação e alegria. – estou realmente preocupada com você, não me parece nada bem, e quero ajuda-lo como você me ajudou. Mas ok, vamos deixar esta conversa para outra hora....Boa noite Robin.— terminou a morena, o sorriso voltando aos seus lábios.

Obrigada pela preocupação Regina. E fique tranquila, eu te conheço bem o suficiente para saber que você não vai deixar essa história de lado até que eu lhe conte tudo. O que eu com certeza irei fazer.... mas não hoje. Boa noite milady.

As palavras de Robin soaram alegres e sonolentas aos ouvidos de Regina, que aumentou ainda mais o sorriso, aquele fora um dia incrível e simples, que ela guardaria em uma caixinha especial em seu coração, uma caixinha onde ficavam apenas as melhores lembranças....

Flashback on:

E onde exatamente nos estamos indo, Robin?— perguntou Regina, sem conseguir segurar sua curiosidade.

— Você vai ver milady. Aguenta um pouquinho de curiosidade.— ele respondeu, rindo da ansiedade que ela demonstrava. – Tem algum bosque ai na sua cidade? Um lugar calmo, só com a natureza? – continuou o loiro, sem contar o que estava planejando.

Têm um lugar, mas faz realmente muito tempo que eu não vou lá, nem mesmo sei se ainda existe...- falou a morena, perdida em suas lembranças sobre o tal lugar do qual estava falando.

— Então está na hora de descobrir, o que acha? Pegue alguma coisa pra comer, não sabemos que horas vamos voltar e não quero ninguém passando mal.— respondeu o loiro, sua risada ecoando na mente da morena, que fez o que lhe fora pedido.

Acho uma excelente ideia!— Regina respondeu simplesmente. Aquele lugar era o seu favorito quando ela era mais jovem. Seu refugio, o lugar onde ela ia quando precisava ficar sozinha, quando precisava se esconder do mundo. Seria ótimo voltar ali, ainda mais em um dia como aquele, que começara tão conturbado. Percebeu que iria adorar mostrar aquele lugar a Robin...tinha certeza de que ele iria gostar.

Meia hora depois, ambos haviam chegado ao destino que desejavam, ostentando largos sorrisos de contentamento. A risada de um ecoou na mente do outro quando se deram conta de como haviam escolhido lugares semelhantes.

Robin levara Regina para conhecer uma das colinas que havia em Nova York, sua favorita, calma e afastada da agitação da cidade, um paraíso de calmaria em meio a aglomeração moderna.

Era um lugar lindo, repleto de arvores, onde tudo que se podia ouvir era o som da natureza. Aquele era um lugar que o loiro costumava ir quando mais moço. Costumava passar horas e horas ali, aproveitando o silencio para conseguir ouvir a si mesmo.

Chegara a levar Marian aquele lugar uma vez, logo que haviam começado a namorar, mas o passeio não saíra exatamente como ele imaginara. A moça não viu como uma volta pelo paraíso, mas sim como um lugar infestado de mosquitos e sem absolutamente nada para fazer, e eles acabaram indo embora bem mais cedo do que ele previra....

Já Regina, escolhera um lago, que se situava quase nos limites da cidade. Era um lugar calmo e tranquilo, onde a intervenção destruidora do homem não havia chego. Ao chegar lá, a morena se lembrou de que costumava passar muito tempo ali, escondendo-se de tudo e de todos.

Aquele era o lugar onde ela podia ser ela mesma, olhar apenas para si, sem reprimendas ou olhares de reprovação, sem ter que se preocupar com olhares de julgamento ou com o que exatamente as pessoas estavam pensando de suas atitudes.

Nem mesmo se lembrava do porque de ter parado de ir aquele lugar depois que se casara...talvez porque sentisse que não havia mais espaço para si em sua própria vida, ou talvez porque pensasse que não pertencia mais aquele lugar, que seu paraíso particular havia fechado as portas para ela.

Por alguns segundos, ambos permaneceram em silencio, admirando a vista, tanto do lugar em que estavam quanto do que viam pelos olhos do outro, cada um se maravilhando com o que observava. Sentiam que aquele era um momento só deles, em que podiam ser como eram de verdade, onde podiam ser livres.

— Este lugar é incrível! – disseram em uníssono, como se seus pensamentos fossem sincronizados.

Ao perceberem o que havia acontecido, dando-se conta da sintonia que os envolvia, desataram a rir um do outro, libertando o restante da tensão que ainda sentiam por conta dos acontecimentos pelos quais haviam passado há pouco.

Esse lugar é realmente lindo Robin! Você tinha razão, estou me sentindo muito bem aqui. Leve sabe? Como se eu não tivesse nada com o que me preocupar neste momento...Como o descobriu?- começou a morena, seus olhos encantados com o lugar onde seu interlocutor estava.

— E você realmente não tem com o que se preocupar Regina. Lembre-se de nosso combinado? Estamos aqui para fugir do mundo. Quanto a este lugar...minha mãe me trouxe aqui uma vez, quando eu era pequeno. Ela já estava doente nesta época, e viemos passar o dia aqui porque ela queria conversar comigo. Lembro-me de cada palavra que ela me disse naquele dia.— respondeu o loiro, aparentando estar perdido em lembranças. – Bom, depois que ela se foi eu continuei vindo aqui. De certa forma, é como se eu me sentisse conectado com este lugar sabe? Como se quando estou aqui, pudesse sentir a presença dela.

Sinto muito por sua mãe Robin!— falou Regina, sem dar tempo para que ele completasse sua fala. – Sei bem como é perder alguém que amamos, é como se tirassem um pedaço da gente, um pedaço que não vai se regenerar, não vai se reconstruir, não importa o quanto lutemos para que isso aconteça.

— Obrigada milady. Dona Elizabeth era uma pessoa muito especial. Ela tinha o dom de ver o melhor nas pessoas sabe? Mesmo, e talvez principalmente, quando a pessoa não conseguia enxergar isso em si mesma. Tenho certeza de que ela adoraria ter te conhecido...- respondeu o loiro, sua voz parecendo ligeiramente embargada pela emoção. – Mas e você, qual a sua história com o lugar que está me mostrando?

Tenho certeza que teria amado conhecer a dona Elizabeth, pelo que me contou ela devia ser uma pessoa muito amável. Quanto a este lugar, eu o descobri por acaso. Quando mais jovem, na minha época de adolescente, eu costumava andar muito de bicicleta, me ajudava a espairecer, esfriar a cabeça. Em uma destas vezes em que eu estava andando de bike, acabei me afastando muito mais de casa do que costumava, e vim parar aqui. Desde então, este se tornou o meu refugio, meu porto seguro. Nunca o havia mostrado para ninguém, você é a primeira pessoa que vem comigo aqui...

— Uaau, quanta honra!— disse Robin, em um tom brincalhão e descontraído, bem diferente daquele repleto de saudade que usara quando falara de sua mãe. – obrigada por me trazer aqui milady, este lugar é realmente magnifico.

As horas foram passando sem que eles se dessem conta. Cada um com as costas apoiadas no tronco de uma arvore, trocaram confidencias e brincadeiras, como se estivessem sentados um ao lado do outro, e não a quilômetros e quilômetros de distancia.

A cada palavra, parecia que os laços que os ligavam se estreitava cada vez mais. Era muito fácil para ambos conversarem um com o outro, se abrirem, falarem do que sentiam, de como era sua vida, e de como ela era o oposto do que haviam sonhado.

As palavras fluíam sem que nem parassem para pensar ou questionar a loucura que era aquilo tudo. Em nenhum momento passou por suas mentes o quanto aquela situação era estranha. Como duas pessoas que nunca haviam se visto, e que até três dias atrás não sabiam nada uma sobre a outra podiam ter uma ligação tão forte? Como podiam se entender tão bem? Estas eram perguntas irrelevantes naquele momento, onde cada um abriu para o outro as portas de sua vida e de seu coração, simplesmente sentindo que era o mais certo a se fazer.

A noite chegou sorrateira, aos poucos trocando os raios de sol pelo brilho das estrelas. Os dois amigos, ainda em uma conversa animada, pararam de falar no instante em que perceberam o que estava acontecendo.

Por alguns minutos, o silêncio se fez presente, ambos maravilhados com o céu repleto de estrelas, que pareciam sorrir para eles, testemunhas felizes da cumplicidade que existia entre os dois.

Que céu bonito, não é Robin? Parece que as estrelas estão sorrindo para mim.— Regina quebrou o silencio, olhando encantada para os astros que pareciam piscar pra ela lá do alto.

— É lindo mesmo. Elas estão sorrindo para nós, milady. As estrelas que eu vejo aqui, são as mesmas que você está vendo ai, elas estão servindo de mensageiras, nos passando um recado.— respondeu o loiro, também encarando o céu.

E o que exatamente elas estão dizendo?— emendou a morena, a curiosidade brotando em sua voz.

— Isso cabe a nós descobrir milady, juntos.

Flashback off

Antes que se entregassem de vez ao sono que já batia e suas portas, tanto Regina quanto Robin se lembraram do dia que haviam passado, protegidos em seus respectivos refúgios, livres do mundo.

—----

O sacolejar da carruagem estava me deixando tonta, enjoada. Tudo que eu mais queria era sair daquele lugar abafado e respirar ar puro. Por outro lado, algo me impedia de gritar para que o cocheiro parasse aquela maldita carruagem.

As duras palavras que Daniel me dirigia ainda rodam em minha mente, mesmo que já fizessem três dias desde que eu o vira pela ultima vez. Simplesmente não consigo me livrar de suas acusações, não consigo fazer com que elas sumam, e isso só colabora para piorar meu estado de espirito.

Como ele pudera ser tão cruel? Como pudera me acusar de forma tão injusta, quando tudo que eu fiz foi lutar para que nosso relacionamento desse certo, mesmo que vivêssemos em realidades completamente diferentes? Por mais que tente, não consigo achar uma resposta.

Sem que eu consiga controlar, as lágrimas voltam a rolar por minhas faces, quentes como fogo em brasa. Estou me sentindo péssima, tudo que quero é sumir, me esconder, mas não posso fazer isso.

A carruagem dá um tranco, parando de se locomover instantaneamente como se algo barrasse seu caminho. Sem me dar conta do que estava fazendo, ou do motivo pelo qual o veiculo tivesse interrompido seu lento progresso pela estrada, simplesmente abri a porta e saltei para o chão de terra batida, espantando com a mão uma nuvem de poeira que ainda circulava por ali.

Dirigi-me ao cocheiro, que parecia atônito com minha decisão, parecia estar com medo de minha reação, como se achasse que eu fosse começar a gritar com ele, questionando-o o porquê de termos parado.

Talvez se fossem outros tempos, outra rainha Regina, revoltada com a condição que a vida havia lhe imposto, eu realmente agisse assim. Mas não hoje. Simplesmente não estava em condições de discutir com mais ninguém. De gritos e acusações já bastavam os que ecoavam em minha mente.

— Qual o problema com a carruagem? – perguntei, tentando manter o meu tom de voz o mais calmo e gentil possível, sem demonstrar com minhas palavras que andara chorando, embora eu tivesse certeza de que meus olhos, vermelhos e inchados como estavam, já demonstravam isso muito bem, sem que eu nada precisasse falar.

— Não sei Senhora. Parece que tem algo travando a roda, já vou verificar o que está acontecendo. – respondeu o condutor, aparentemente surpreso com meu tom de voz delicado. Ele com certeza estava esperando uma bronca desmedida, mas já algum tempo eu não era assim.

— Pois muito bem. Enquanto você verifica o que está acontecendo, vou sair para dar uma volta, estou precisando tomar um ar, o balanço da carruagem me deixou enjoada. Espere-me aqui está bem? – perguntei, já me virando para o outro lado, desesperada para ir caminhar.

— Senhora! Espere! – falou o condutor, aparentemente aflito com minha decisão de sair para caminhar.

— Sim?- falei, ainda em um tom calmo, embora uma leve irritação tenha subido em minha garganta.

— A Senhora vai sair sozinha? Não vai chamar a escolta para acompanha-la? – percebendo o tom de preocupação em sua voz, abri um leve sorriso, e lhe respondi assegurando-lhe de que não havia a necessidade de escolta, que eu não iria muito longe e logo estaria de volta.

O cocheiro não pareceu muito seguro com minha resposta, mas não protestou mais, me deixando seguir caminho sem maiores questionamentos. Virei-me de costas para a carruagem e comecei a andar na direção das arvores, esperando encontrar nelas algum refugio para meu coração desolado.

Enquanto caminhava, os gritos que Daniel me dirigira me acompanhavam como sombras, fazendo com que novas lágrimas brotassem em meus olhos. Como pudera me enganar com alguém a esse ponto? Como pude entregar meu coração a alguém que não o merecia, que só fez afunda-lo em tristezas?

Juntamente com as duras falas de Daniel, a voz de minha mãe voltou a ressoar em minha cabeça, um fantasma que eu lutara a vida inteira para afastar, mas que permanecia ali, sempre presente em meus momentos de dor e desespero.

— Amor é uma fraqueza Regina. Não se deixe levar pelo amor, guie-se sempre por objetivos racionais, que você possa controlar. Ou então, você vai acabar refém de seu amor, refém de seu coração, e não vai mais conseguir seguir em frente quando se decepcionar. – estas haviam sido as exatas palavras que minha mãe havia repetido pra mim incontáveis vezes sem fim, na esperança de que eu crescesse com um coração frio, incapaz de nutrir um sentimento puro por alguém.

Infelizmente para dona Cora, ou mesmo para mim, sua tática havia dado terrivelmente errado, e ao invés de manter meu coração duro e me guiar apenas pela sede de poder, eu me apaixonara. Deixara que meu coração fosse conquistado, me permitira uma chance de ser feliz.

E agora, ao invés do sonho de felicidade que imaginara para minha vida com Daniel, estou aqui, me corroendo em lágrimas enquanto ando sem rumo pela floresta, sem nem ver que direção estou seguindo.

Talvez minha mãe esteja certa no fim das contas, e o amor seja realmente uma fraqueza, algo feito para destruir as pessoas, para fazê-las sofrer até que sintam que não há mais nada que seja bom, ou que valha a pena.

Não sei por quanto tempo estou caminhando ou para onde estou indo. Sinto-me perdida, sozinha, sem ter para onde ir ou alguém com quem contar. De que adianta todos estes títulos, todas essas posses que dizem serem minhas, se quando me sinto mal e preciso de um simples abraço, não tenho quem me abrace, quem me console e diga que tudo vai ficar bem?

Cheguei a uma clareira, um desmatado, um lugar onde as arvores parecem ter formado uma roda de conversa, deixando um espaço livre no centro, onde crescem apenas flores silvestres.

Estou me sentindo cansada, muito cansada. Não aguento mais andar, não consigo mais conter a dor que estou sentido. Tudo que quero é me esconder naquela careira, desaparecer entre as arvores, e nunca mais ter que voltar a vida de aparências e cobranças que há muito tempo estou levando.

Embora este seja o mais profundo desejo de meu coração, sei muito bem que não conseguirei atende-lo. Desde o falecimento de meu marido, o peso da responsabilidade das incontáveis vidas do reino esta sob meus ombros, e eu não posso simplesmente largar este fardo nas mãos de outro, não é o certo a se fazer, não é uma atitude que meu amado pai esperaria de mim.

Sinto-me fraca e tonta. Vejo as arvores girando e girando ao meu redor, em uma dança maluca e assustadora. Olho ao redor a procura de um lugar para me sentar, ou apenas me apoiar, até que a tontura passe.

Tudo que encontro é um toco de arvore, na outra extremidade da clareira. Devagar, com medo de que um passo em falso acabe por me jogar ao chão, me encaminho para ele. Demora alguns minutos, já que ando bem devagar e tenho que parar por diversas vezes, tamanho o mal estar que estou sentindo, mas finalmente consigo alcança-lo.

Agora estou sentada no toco de arvore, a cabeça entre minhas mãos, chorando de forma descontrolada. Aos poucos sinto a tontura deixar meu corpo, e volto a erguer a cabeça, deixando que as lágrimas corram livremente por meu rosto, deixando que a desolação tome conta de mim.

— Credo Regina, quando foi que você se tornou tão dramática? – repreendi-me em pensamento, incrédula com o estado ao qual havia me reduzido. Eu não costumava ser assim, tão suscetível a palavra das pessoas, e agora, olhe só como eu estou, me descabelando por alguém que foi muito claro ao dizer que se envolver comigo fora o maior erro de sua vida.

— Com licença...a Senhora está bem? – uma voz grave, e ao mesmo tempo muito gentil e calorosa, chegou aos meus ouvidos, fazendo com que eu levantasse a cabeça, erguendo meu olhar na direção da pessoa que falava comigo.

Vi-me encarando um homem loiro, vestido de forma simples, que me encarava com a preocupação brilhando em seus encantadores olhos azuis. Eu nunca o vi, não o conheço, mas não consigo desviar o olhar daquele azul intenso que são seus olhos, é como se um imã me prendesse a eles, mesmo que parecesse indelicado ficar encarando uma pessoa daquela forma, ainda mais um desconhecido.

Ainda assim, eu simplesmente não consigo me obrigar a olhar para o outro lado. Por um ou dois segundos, durante os quais parece se passar uma eternidade, eu continuo a fixar meus olhos inchados e vermelhos na calmaria azul, impressionada com a intensidade e a profundidade que eles parecem abrigar, como se aqueles olhos azuis conseguissem enxergar até o meu segredo mais escondido, meu medo mais profundo.

— Senhora?- sou arrancada de meu devaneio pela voz de meu novo companheiro, que me chama de volta a realidade.

— Eu não....- começo a responde, mas não consigo terminar. Como uma avalanche, tudo que aconteceu, o motivo pelo qual eu fora parar ali, volta a minha mente, eu não consigo controlar o choro convulsivo que toma conta de mim. Porque tudo que eu toco dá errado? Porque simplesmente não consigo achar alguém que me veja como sou de verdade? Porque tudo tem que ser tão complicado?

Essas perguntas rondam minha cabeça, me deixando ainda mais confusa e perdida. Não sei exatamente como ou porque isso acontece. Não sei se é o estado de fragilidade extrema no qual me encontro, ou se é o fato de eu sentir que tudo que preciso naquele momento é de alguém que me ampare; mas em um momento eu estou sentada no toco de arvore, tentando responder a pergunta que me fora feita, e no outro me levantei e cobri a pouca distancia que nos separava, abraçando-o com força.

Estranhamente, ele não me repeliu, nem mesmo agiu com surpresa ao se deparar com meu gesto brusco. Apenas me abraçou de volta, envolvendo minha cintura com uma das mãos, enquanto a outra se pôs a afagar meus cabelos, tentando transmitir conforto, tentando me acalmar.

— Shhhh....está tudo bem. A Senhora está bem agora, não está mais sozinha. – ele falou baixinho, perto de meu ouvido.

Por mais que se trate de uma situação estranha, afinal, eu nem mesmo o conheço, simplesmente não consigo me obrigar à solta-lo. Sinto-me amparada, protegida em seu abraço, e não quero que esta sensação me abandone.

Aos poucos, sinto minha respiração se normalizando, meu coração desacelera, e passa a bater no mesmo compasso do dele, calmo e controlado. Quando estou finalmente mais calma, é como se uma luz se acendesse em meu cérebro e me dou conta do que estou fazendo, procurando consolo nos braços de alguém de quem nem mesmo sei o nome, e me afasto do abraço, quebrando o momento de encanto no qual parecíamos estar imersos.

— Meu deus, me desculpe...eu...eu não tive a intenção. Desculpe-me! – falo, enquanto começo a me afastar na direção de onde eu tinha vindo, envergonhada por conta de minha atitude impulsiva.

Antes que eu consiga dar mais do que cinco passos para longe, sinto sua mão sobre a minha, em um gesto gentil, porem firme, enquanto ele volta a me dirigir a palavra: – Senhora! Espere! A senhora não esta bem, não vou deixar que saia por ai sozinha desse jeito!

Algo em seu tom de voz, sincero e preocupado, além de sua mão que continua a segurar a minha, faz com que eu detenha meus passos, virando-me para encara-lo, de volta a aqueles encantadores oceanos azuis.

— Eu...estou bem, de verdade. Não precisa se preocupar. – respondo, em uma falha tentativa de parecer altiva e forte, quando na verdade tudo que sentia naquele momento era vergonha pela forma como havia agido.

— Não, não está. Porque não se senta de novo e me conta o que foi que a deixou assim, tão abalada? Falar sempre ajuda a nos sentirmos melhor sabia? E está muito claro para mim que a Senhora precisa conversar. A propósito, meu nome é Robin, é um prazer conhece-la milady. – a estas palavras, ele levou minha mão aos lábios, em um gesto cavalheiresco, que não sei por que, fez meu estomago revirar como se borboletas vivessem dentro dele.

— Eu...não precisa se incomodar, de verdade, já estou me sentindo melhor. É um prazer conhece-lo Robin, meu nome é Regina. – respondi, ainda ligeiramente descrente com o tamanho da gentileza daquele tal de Robin.

— Não é incomodo nenhum, Senhora. Além do mais, eu não tenho absolutamente nada pra fazer, estou à disposição de minha Rainha.

— Ah, então você me conhece. – minha voz sai desapontada. Por um momento pensei que realmente poderia sentar e conversar com ele, de igual para igual, sem títulos. Por um momento, pensei que poderia contar-lhe tudo, abrir meu coração, mas como Regina, e não como a temida Rainha.

— Não, a Senhora está enganada. Eu conheço a Rainha sim, já a vi uma ou duas vezes passando por estes campos em sua imponente carruagem, mas esta é a primeira vez que vejo essa Regina. E pelo que estou vendo, ela está precisando muito conversar, colocar toda essa dor pra fora, acertei?

— Acertou. – respondi, ainda me decidindo se deveria ficar e conversar, ou simplesmente me virar e ir embora o mais rápido que pudesse.

— E então, o que me diz milady, aceita conversar com este seu humilde servo? Prometo que irei fazer o possível para não aborrece-la. – seu tom de voz era gentil e convidativo.

— Tudo bem, desde que esqueça os títulos. Para esta conversa, sou apenas quem sempre deveria ter sido, apenas Regina. Está bem assim?- falei, sem acreditar em minhas próprias palavras.

— Como quiser milady. – foi à resposta dele, que desta vez se virou e se dirigiu novamente para perto do tronco de arvore, confiando de que eu iria segui-lo, como de fato fiz.

Não sei quanto tempo passamos ali, abrigados pelas arvores, tudo que sei é que grande parte deste tempo foi passado em meio as minhas palavras, meu desabafo. Robin era um ótimo ouvinte, e escutou com atenção tudo que eu precisava falar, seu olhar gentil me incentivando a continuar até que nada mais restasse por dizer.

— A verdade é que nunca quis ser a Rainha entende? Tudo que eu queria era ser apenas Regina, poder escolher meu próprio caminho, fazer o meu próprio destino. – falei, em um tom que demonstrava meu cansaço.

— E quem disse que você não pode? Se permita viver além de seus títulos milady! Não deixe que ninguém lhe diga o que fazer ou como agir...senão as pessoas nunca vão ter a chance de conhecer a Regina, a pessoa sensível que existe por trás da Rainha...

— Eu simplesmente não si como fazer isso. Acho que não consigo mais sabe? Sinto que não tenho mais tempo...- respondi, sem nem pensar no peso de minhas palavras. Era tão fácil conversar com ele, tão simples, tão certo...

— Mas é claro que tem! Sempre a tempo para uma segunda chance milady, não desista de lutar pela sua. – a voz dele era doce, e aquecia meu coração, como se ele conhecesse todos os monstros que eu abrigava, e buscasse expulsar cada um deles por meio de suas palavras.

— Eu vou tentar. Prometo. – falei, sem nem mesmo parar para pensar que estava fazendo promessas a uma pessoa que eu acabara de conhecer. Promessas que eu não sabia se seria capaz de cumprir.

— Ótimo! Só não se esqueça de que eu costumo cobrar as promessas que me fazem, ouviu? E esta com certeza vou fazer questão de cobrar para que seja cumprida. – respondeu-me com um tom de voz brincalhão, abrindo um largo sorriso, ao qual eu não consegui me conter a não sorrir de volta.

— Está bem, quem sabe com uma cobrança eu não tenha um incentivo a mais para cumprir minhas palavras? – brinquei de volta, de repente me sentindo leve, como se um grande peso tivesse sido retirado de meus ombros.

— Já está tarde, é melhor eu voltar, ou não conseguirei chegar em casa hoje. – continuei, uma pontada de pesar em minha voz. Agora, que tinha que me despedir, me dei conta de que não queria.

Não queria ter que ir embora. Gostaria de permanecer ali, conversando com Robin, perdida nos oceanos azuis que eram seus olhos, e não ter que voltar para a tempestade cinza que minha vida se tornara nos últimos dias.

— Vou acompanha-la. – respondeu, oferecendo a mão para me ajudar a levantar de onde estávamos sentados.

— Você é sempre assim? – perguntei, sem conseguir me conter, enquanto caminhávamos de braços dados de volta para o lugar onde eu havia deixado a carruagem e minha escolta.

— Assim como? – ele me devolveu a pergunta, um sorriso divertido brincando em seus lábios.

— Atencioso, prestativo, disposto a ouvir alguém que você nem mesmo conhece? – emendei minha pergunta, curiosa para saber um pouco mais sobre ele.

— Nem sempre. Só algumas pessoas conseguem despertar o que há de melhor em mim. – respondeu, simplesmente.

Quando dei por mim, estávamos em frente a minha carruagem, sem que eu nem mesmo tivesse me dado conta de quanto tempo havíamos caminhado, inebriada como estava com a presença dele.

— Espero vê-la novamente em breve, milady. – falou, gentil, novamente levando uma de minha mãos aos lábios, em um gesto de despedida.

— Você sabe onde me encontrar. – respondi, desejando que realmente voltasse a vê-lo.

Notas finais
E então?? O que acharam?? Estou muito curiosa para saber o que você estão achando, então por favor, deixem um olá para essa humilde autora se acharem que mereço, hahaha Beijoos e até o proximo capitulo!