In your dreams
8 VIII - Mirror
Notas iniciais
A claridade intensa do quarto chegou aos seus olhos, enquanto vozes que pareciam distantes se aproximavam rapidamente de seus ouvidos. Pareciam furiosas, e trocavam acusações em tons cada vez mais descontrolados.
Cansada de lutar com a claridade, Regina abriu os olhos e se sentou na cama, ligeiramente desorientada. O que estava acontecendo? Quem estava discutindo daquela forma tão...revoltada?
Levou alguns segundos parar que a morena despertasse por completo e percebesse que a discussão vinha de dentro de sua mente. Vinha de Robin. Por que será que ele estava tão agitado tão cedo? E com quem estaria discutindo? Marian?
Sem perceber que sua fala não tinha ficado apenas em sua mente, mas escapado por sua boca, Regina chamou por ele, preocupada com a discussão acalorada que chegava aos seus ouvidos: — Robin? Robin, o que está havendo?
Logo que pronunciou esta frase, desejou não tê-la feito. Olhou para o lado e encontrou os olhos frios de Daniel a encarando, uma expressão de preocupação estampada em seu rosto.
— Regina? Está tudo bem? Quem é Robin? – perguntou-lhe o marido, sua voz demonstrando uma apreensão que Regina não conseguia encontrar quando olhava em seus olhos.
Pensando na melhor forma de sair da enrascada na qual se metera e descobrir o que estava acontecendo com Robin, a morena abriu o sorriso mais angelical e tranquilo que conseguiu, e respondeu a Daniel, tentando manter o tom de voz o mais calmo que era possível: — Está tudo bem sim querido, foi só um pesadelo. Eu não faço ideia de quem seja Robin, talvez alguém que estivesse em meu sonho e ai quando eu acordei falei seu nome por reflexo.
Aquela ultima frase doeu no coração dela, como se falar que Robin não era ninguém, apenas fruto de um sonho, a machucasse por dentro. Sem que compreendesse o real significado daquela sensação, fez um esforço para expulsa-la e se forçou a se concentrar em problemas mais urgentes, como a calorosa discussão que ainda estava ouvindo dentro de sua cabeça.
— Hum. Entendi. – foi à resposta de Daniel, que não pareceu totalmente convencido, como se achasse que a esposa estava lhe escondendo algo.
Desesperada para se livrar do olhar interrogador do marido, Regina se levantou da cama e seguiu para a porta do quarto, dizendo a Daniel que iria tomar um banho e depois descer para tomar café.
Recebendo apenas um aceno de concordância como resposta, ela saiu do quarto e se dirigiu ao banheiro, trancando a porta atrás de si, e encarou o espelho, ainda a espera da resposta de Robin, que até aquele momento não falara com ela.
— Robin! Robin me responda! O que esta acontecendo?— tentou novamente, torcendo para que desta vez obtivesse uma resposta.
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A voz de Regina soou em sua mente pela segunda vez, por um momento retirando-o do estado de desorientação em que estava mergulhado desde que fora acordado pelos gritos de Marian.
Pensou em não responde-la, não se achava capaz de manter uma conversa em sua mente enquanto discutia com outra pessoa, mas acabou desistindo desta ideia. Não, Regina não tinha nada a ver com seus problemas conjugais, ele não podia que toda aquela confusão com Marian afetasse a relação com sua companheira de conversas telepáticas.
Ainda assim, demorou alguns segundos para que conseguisse organizar seus pensamentos e suas emoções para conseguir responder, sua voz ainda agitada por conta da discussão sem sentido que travava com sua ainda esposa.
— Bom dia milady. Sinto muito se esta pequena guerra de palavras a acordou, não foi minha intenção. Não se preocupe, não aconteceu nada grave, Marian me acordou aos gritos, segundo ela por que eu estava chamando o nome de alguém enquanto dormia.— enquanto respondia, o loiro pensou se deveria contar a Regina que estava chamando por ela, mas achou melhor não, ela iria descobrir de qualquer maneira, se aquela discussão perdurasse por muito mais tempo. Segundo Marian, ele não a estava deixando dormir, porque ela tinha um sono muito leve e ele passara boa parte da noite chamando por uma tal “Regina”.
— Quem é essa rameira Robin? Quem é ela, onde vocês se conheceram? – Marian continuou a gritar a frase que parecera se tornar seu bordão nos últimos minutos.
— Marian, pare com isso. Foi só um sonho, um pesadelo, não a ninguém. Pare de gritar, por favor, você está me deixando com dor de cabeça. – respondeu, desta vez em um tom mais ameno, não queria que Regina o escutasse gritando com a esposa. Que tipo de pessoa ela iria achar que ele era?
— Ah, mas que beleza! Estou te deixando com dor de cabeça é? Dor de cabeça é o que eu tenho desde que me casei com você! Este casamento só me trouxe desgosto, mas eu nunca pensei que você chegaria a este ponto! Achava que era bobalhão demais para trair. Pelo visto estou enganada não é? O santinho do Robin não é tão santinho como todos pensavam...
— CHEGA MARIAN! Tente se acalmar, pelo amor de deus! – explodiu Robin, que já estava cansado daquela discussão que não chegava a lugar algum.
Naquele momento, em meio ao caos em que estava emerso, a voz de Regina voltou aos seus ouvidos, em um tom calmo e tranquilo, que funcionou como uma boia salva-vidas para o loiro, que sentia como se afundasse no mar de acusações que Marian proferia.
— Robin? Se acalme, você não pode ceder desse jeito as provocações dela, não fez nada para merecer isso. É melhor você a deixar sozinha um pouco, para que os dois possam esfriar a cabeça. Depois, com mais calma, vocês conversam. O que acha?
— Você está certa. Não adianta nada ficarmos discutindo desse jeito, só vamos nos desgastar ainda mais. — respondeu, sua voz soando tão cansada quanto ele próprio se sentia. Simplesmente não aguentava mais, estava esgotado.
Marian abriu a boca novamente, parecia pronta para gritar mais acusações e impropérios, mas Robin foi mais rápido e não permitiu que ela reiniciasse a gritaria: — Olha Marian, vamos parar por aqui, tudo bem? Você e eu estamos muito nervosos, e esta discussão não vai nos levar a lugar nenhum. Eu vou trabalhar, e quando voltar nós terminamos esta...conversa. Vai ser melhor conversarmos quando tivermos esfriado a cabeça.
Sem dar chance para que a esposa argumentasse de forma contraria a sua fala, o loiro simplesmente se virou e seguiu porta a fora, fechando-a ao passar, mas não sem antes ouvir um grito raivoso de Marian o chamando de volta e dizendo que não havia terminado de falar.
— Como você está?— a voz de Regina voltou a soar em sua mente, parecendo realmente preocupada com o estado no qual ele se encontrava.
Demorou alguns longos segundos antes que ele respondesse. A verdade era que não sabia muito bem como lidar com toda aquela discussão. Estava triste, é claro, por que no fundo ainda tinha carinho por sua esposa e não gostava de vê-la daquele jeito...mas por outro lado, simplesmente não aguentava mais viver aquele inferno. Sentia-se cansado, sem forças para continuar batalhando por uma causa perdida, desprovida de sentimento.
— Eu não sei...mal eu acho. Nunca gostei de discussões, e a verdade é que não aguento mais. Simplesmente não aguento mais viver esse inferno Regina. Estou esgotado, me sentindo sem forças sabe? Por muito tempo eu nadei contra a correnteza, fiz de tudo para que o meu relacionamento com Marian desse certo, mas não sei se consigo continuar com isso, não mais.
—----
A resposta de Robin chegou aos ouvidos da morena cheia de pesar, como se cada palavra fosse dura demais para ser dita, mas pesada demais para continuar presa a garganta de seu interlocutor.
Pela segunda vez naquele dia, o coração dela se apertou de aflição por conta da situação em que Robin se encontrava. Queria ajuda-lo a sentir-se melhor, queria poder estar por perto para abraça-lo e dizer-lhe para que não ligasse para as acusações que Marian havia feito, que ele não merecia nenhuma das palavras azedas que lhe haviam sido dirigidas.
Infelizmente, no entanto, ela estava longe, longe demais, e tudo que podia fazer era tentar conforta-lo com palavras, mesmo que soubesse que as palavras jamais seriam suficientes.
Regina voltou a erguer o olhar, encarando seu reflexo no espelho. Bagunçado e amaçado, o reflexo de alguém que acabara de acordar. Enquanto pensava no que iria dizer a Robin para ampara-lo naquele momento em que parecia tão perdido, uma ideia maluca começou a se formar em sua mente. E se eles pudessem se ver?
Durante aqueles dias de convívio, já haviam experimentado observar a realidade do outro, uma faculdade que aos poucos haviam aprendido a controlar, deixando que o outro visse apenas o que queriam. E se conseguissem projetar esta visão para o espelho, e assim um conseguisse enxergar o reflexo do outro? Era uma ideia maluca, ela tinha consciência disso, mas podia dar certo, e assim, ela poderia dar apoio a Robin não somente por palavras. Dessa forma poderia vê-lo e garantir que ele realmente estava bem.
— Robin! Tive uma ideia! Ela é meio maluca, mas acho que pode dar certo. – falou em seus pensamentos, a voz animada por conta da possibilidade que se apresentava, a curiosidade sobre a aparência de seu interlocutor aflorando em sua mente de forma instantânea.
A resposta de Robin chegou aos seus ouvidos quase no mesmo segundo, sua voz exalando curiosidade, parecendo que ele havia sido contagiado pela animação dela.— Ideia? Que ideia milady? Agora fiquei curioso...
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— Preciso que você vá a algum lugar que tenha um espelho.— foi à resposta de Regina a pergunta que Robin havia lhe feito, atiçando ainda mais a curiosidade do loiro com relação a tal ideia.
— Regina...o que você está planejando?— voltou a questionar Robin, que começara a olhar em volta a procura de algum lugar que tivesse um espelho. – Estou no meio da rua, acho que não consigo achar um espelho até chegar ao meu escritório.— emendou, acelerando o passo por conta da curiosidade que estava sentindo.
— Então se aprece, não vou contar até que você esteja diante do espelho.— a voz dela soou divertida aos seus ouvidos, como uma criança que se encanta com um novo brinquedo.
Nunca o caminho até sua firma de arquitetura lhe parecera tão longo e cansativo. Quanto mais rápido ele andava, mais a distancia parecia aumentar, como se quisesse brincar com a curiosidade que ele sentia.
— Isso é muita maldade sabia? Você sabe o quanto sou curioso, e não quer me contar nada desta sua ideia.— resmungou em pensamento, simulando uma voz de tristeza, que recebeu como resposta uma gostosa gargalhada de sua interlocutora.
— Pare de ser dramático! Você mora a menos de quinze minutos do escritório, e quando estiver diante do espelho, tenho certeza que irá adorar a ideia. Tanto que nem irá se lembrar de que está chateado comigo por eu querer fazer surpresa. — a voz dela soou aos ouvidos dele em um tom alegre, o que fez com que ele também abrisse um largo sorriso.
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Se Robin parecia ansioso e curioso quanto ao que ela pretendia, não chegava nem perto da ansiedade que Regina experimentava. Qual seria a aparência de Robin? Como ele reagiria ao vê-la pelo espelho? O que será que iriam sentir, o que passaria por suas mentes quando se vissem, depois de dias de conversa telepáticas? Estas eram perguntas das quais ela ansiava por conseguir responder.
Depois de mais alguns minutos de espera, a voz de Robin voltou a soar em sua mente, parecendo tão animada quanto à dela: — Pronto milady, estou diante do espelho. E agora?
Por um momento a morena permaneceu em silencio, a hesitação passando por seu coração, por sua mente. E se aquela ideia não saísse como ela pensara? E se nada desse certo, e eles não conseguissem ver um ao outro? E se Robin não gostasse do que iria ver no espelho?
Essa ultima pergunta era a que mais a preocupava. E se de alguma forma ela não correspondesse às expectativas dele? Um lado dela dizia que aquele temor era ridículo, que ela e Robin haviam construído uma relação sem nunca terem se visto, e que não seria sua aparência física que iria estragar isso, mas outro lado, mais inseguro, simplesmente não conseguia deixar esta apreensão de lado.
Por um momento, considerou desistir daquela ideia maluca, simplesmente dizer a Robin que fora tudo uma brincadeira, mas não conseguiu. A curiosidade acabou por vencer o temor infundado, e ela voltou a respondê-lo: — Você lembra o que estávamos conversando sobre conseguirmos controlar o que mostramos ao outro sobre nossa realidade?
— Lembro sim, o que tem isso?— foi à resposta dele, a curiosidade nítida em sua voz, o que fez com que a morena abrisse um leve sorriso.
— E se nós mostrássemos ao outro nossa realidade neste momento? Será que conseguiríamos ver um ao outro?— soltou, sua voz soando animada e apreensiva ao mesmo tempo.
— Você acha que pode dar certo? – a resposta de Robin chegou aos ouvidos dela cheia de excitação, parecendo que ele havia ficado extremamente animado com aquela possibilidade.
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Aquela ideia era maluca, completamente e maravilhosamente maluca. Robin sentiu o coração acelerar com a simples ideia de poder ver como ela era, mesmo que fosse através do vidro de um espelho.
A verdade era que desde o primeiro dia de conversas telepáticas, mas não conseguira encontrar um meio de satisfazer essa curiosidade. Pelo visto, Regina encontrara um jeito.
— Só vamos saber se tentarmos. Está pronto?— a voz dela soou aos ouvidos dele com uma nota de animação e hesitação.
Não precisou nem parar para pensar antes de dar sua resposta. É claro que estava pronto, e cada vez mais curioso para saber como era sua interlocutora. Antes que Regina pudesse desistir da ideia, ele respondeu: — É claro que estou!
A sua resposta, Robin pode jurar que ouviu um suspiro de alivio vindo de Regina antes que a resposta dela chegasse: - Que bom! Cheguei a pensar que você não iria gostar desta ideia. — confessou a mulher, logo voltando a falar: — Quando eu contar três ok?! Temos que fazer ao mesmo tempo, para ver quais vão ser nossas reações.
— Tudo bem.— respondeu o loiro simplesmente, não se aguentando mais de curiosidade.
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Sentindo seu coração martelar de nervosismo, Regina começou a contar, enquanto ouvia o barulho da agua do chuveiro que havia ligado há alguns minutos para despistar Daniel.
— UM....DOIS....- prestes a dizer o três, ela parou, a duvida e o medo a consumindo por um breve momento. E se nada daquilo desse certo? Brava consigo mesma por protelar ainda mais a curiosidade, a morena suspirou novamente, tentando se acalmar para retomar a contagem.
Antes que ela conseguisse voltar a contar, a voz de Robin invadiu sua mente, parecendo preocupada: — Regina? Você está ai? Não desistiu da ideia não é?
Ao ouvi-lo novamente, não pode deixar de abrir um largo sorriso. Não, ela não iria desistir de saber como ele era. Não iria desistir de vê-lo. Não agora, que estavam tão perto de saciar a curiosidade mutua sobre a aparência um do outro.
— Não Robin, ainda estou aqui. Não se preocupe, eu não desisti. Apenas me perdi em pensamentos no meio da contagem...desculpe.— ela respondeu, soltando uma risada nervosa.
Aquelas palavras, ela retomou a contagem do inicio, fechando os olhos em uma prece silenciosa para que desse certo. – UM...DOIS....TRES.
O ultimo numero da contagem foi dito pelos dois, que liberaram suas respectivas realidades aos olhos do outro assim que suas vozes proferiram o numero.
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No instante em que terminaram de contar, Robin se viu encarando o espelho, na expectativa para ver se aquela ideia iria realmente dar certo. Por um ou dois segundos extremamente angustiantes, o espelho permaneceu vazio, apenas com o seu já conhecido e gasto reflexo.
No segundo seguinte, no entanto, o loiro viu seu próprio reflexo desaparecer, sumir como em um passe de mágica, sendo substituído pela imagem de uma linda morena de olhos castanhos e cabelos curtos, que exibia um largo sorriso. Regina.
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Eles terminaram de contar e Regina abriu os olhos. Por um terrível segundo, acreditou que não havia dado certo, que eles não haviam conseguido, já que ela continuava a encarar o seu próprio reflexo.
Mas ai, quando seu sorriso começava a esmorecer, a imagem mudou e seu reflexo foi substituído pelo de um homem loiro e forte, dono de encantadores olhos azuis.
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Por um momento, o silencio se fez presente entre os dois, que pareciam estar hipnotizados um pela imagem do outro, presos no olhar do outro. Robin não conseguia desviar o olhar da imagem de Regina, sentia-se leve como uma pluma, o coração aquecido pelo sorriso que a mulher lhe dirigia.
Regina, por outro lado, sentiu seu corpo pesar e as pernas bambearem. Seu coração acelerou, martelado tão rápido que parecia que iria romper as barreiras de seu corpo e saltar para fora; enquanto seu estomago revelou-se como a morada de um enxame de borboletas, que pareciam ansiosas para se libertar de sua morada.
O loiro foi o primeiro a romper o silêncio, ainda incerto sobre o que deveria dizer. – Uau....você é...incrível. Você é muito bonita Regina...é...é um prazer conhece-la “quase” pessoalmente.— falou em pensamento, soltando uma risada nervosa que aliviou a tensão que estava sentindo desde que a morena tinha lhe proposto àquela ideia.
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Regina não sabia se conseguiria responder, simplesmente não sabia se conseguiria encontrar sua voz, tão perdida como estava naqueles olhos...aqueles oceanos azuis que pareciam capazes de tira-la de foco, faze-la esquecer de tudo.
Tentando se recompor e não parecer tão aérea aos olhos de Robin, ela respirou fundo e conseguiu se concentrar o suficiente para dar uma resposta: — Você também Robin. Você...é muito bonito. E sim, é um prazer conhece-lo “quase” pessoalmente.
Quando o fascínio inicial passou, ambos desataram a rir, finalmente compreendendo o quanto toda aquela situação era engraçada e maluca. Por trás de sua risada, no entanto, tentavam entender a ebulição de sentimentos que os atingiam.
No fundo de seus corações, era como se aquele não fosse um “primeiro encontro”, mas sim um reencontro. Sentiam como se já se conhecessem, como se estivessem apenas se reencontrando depois de um longo tempo de separação.
Embora seus corações se reconhecessem, suas mentes tinham dificuldade em aceitar o que estava acontecendo, não conseguiam entender o porquê de se sentirem tão ligados um ao outro, o porquê de se sentirem completos, como se nada mais importasse.
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Sem se dar conta do que estava fazendo, como se estivesse agindo por vontade de uma força alheia a si mesmo, Robin levou uma de suas mãos e a apoiou no vidro, perto de onde o reflexo de Regina aparecia.
Ele a deixou ali por um momento, esperando para ver qual seria a reação da morena estonteante de quem ele não conseguia desviar os olhos. Um ou dois segundos se passaram sem que ela esboçasse uma reação, e ele estava prestes a retirar a mão quando Regina apoiou a dela, exatamente onde a dele se encontrava.
Naquele momento, o loiro desejou do fundo do coração que pudesse romper a barreira do vidro e segurar a mão dela, senti-la de verdade, mas infelizmente este desejo não foi atendido, e cada um deles continuou a tocar apenas a superfície lisa e fria do vidro.
— É engraçado...não sei como explicar isso, mas...me sinto ligada a você sabe? De uma forma que simplesmente não consigo explicar...apenas...sinto. — soltou Regina, jogando as palavras como se as estivesse guardando há muito tempo.
Robin sentiu seu coração aquecido ao ouvir a voz dela novamente em sua mente, não pela primeira vez notando o vazio que o silencio dela trazia a sua cabeça. Ele sabia exatamente como ela se sentia. Não era só a ligação de suas mentes, parecia algo mais, uma conexão mais profunda, que ele também não conseguia encontrar uma explicação racional.
— Eu sei o que você quer dizer. Mesmo antes de hoje, parece que te conheço há anos, e não apenas há alguns dias. É como se, não sei, como se você fizesse parte de mim. Como isso é possível?— respondeu o loiro, no mesmo tom de confissão que a morena havia utilizado.
— Eu não sei.— foi à resposta dela, que parecia querer dizer muito mais do que aquelas três palavras.
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