Notas iniciais
Olá!

Essa é a minha primeira fic depois de muitos anos.

Espero que gostem!

Sophie odiava as paradas reais. Para ela, era algo realmente chato ficar em uma alegoria olhando as pessoas acenar e reverenciar para eles.

— Papai, isso é realmente necessário? – Sophie perguntava olhando seu vestido cor de beterraba como se fosse uma aberração.

— Sim, filha. – O Rei Leopold disse sorrindo para a filha – Um dia, você será a rainha da Bélgica e seus súditos, — Sophie olhou para o pai neste momento. – serão as coisas mais preciosas que você terá.

— Eu sei, papai, só que eu não gosto de ser exibida como um troféu inalcançável. – Sophie se deu por vencida e caminhou rumo a porta.

— Minha querida Sophie, – Ela encarou o papai com seus olhos verdes. – esse ano será diferente.

— Assim espero. – Ela disse enquanto atravessava a porta, seguida pelo pai.

A parada estava detestável como sempre e Sophie acenava até que, no meio da multidão, ela viu um garoto. Aquele garoto sujo e magricela sorriu quando seus olhares se encontraram e começou a correr pela multidão atrás daquela alegoria. Sophie desejou que ele fosse até o final da parada para que ela pudesse conversar com ele, mas, em algum ponto, ele desapareceu. Com o coração acelerado, algo que nunca tinha sentido na vida, Sophie se perguntava o que tinha acontecido para ele desistir.

— Papai precisamos voltar. – Sophie disse enquanto puxava a farda dele levemente.

— Não sei o que aconteceu querida, mas não podemos parar. – o Rei disse enquanto olhava para a filha.

Sophie correu para a ponta da alegoria na esperança que ele tivesse aparecido mas na multidão não tinha mais nenhum garoto magricela e sujo então, ela jurou a si mesma que um dia encontraria aquele garoto e que se casaria com ele mesmo sabendo que seria quase impossível mas ela sabia, dentro de si, que ninguém mais roubaria seu coração novamente.

Dez anos depois

Sophie se encarava no espelho. Suas vestes pretas representavam seu luto e sua dor. Seu pai havia morrido de uma doença inexplicável e repentina, ela não teve tempo sequer de se despedir de seu pai. Ela estava órfã e praticamente sozinha no mundo. Fechou seus olhos e deixou as lembranças a levarem de volta a parada onde viu seu garoto. Foi arrancada de lá por batidas na porta e alguém entrando.

— Princesa, — Ela se virou para encarar o lacaio. – está na hora.

Ela alisou cuidadosamente o vestido, se olhou no espelho e saiu rumo ao Parlamento Belgo. Ao chegar lá, foi reverenciada por todos e ao se sentar na ponta da mesa pela primeira vez, como futura rainha, o Primeiro Ministro se levantou.

— Minha querida Princesa, — Ela respirou fundo, sabia que vinha um provável discurso. – lamentamos a perda do seu pai, o grande Rei Leopoldo, e compartilhamos de sua dor pois o povo também perdeu seu pai. Porém, é necessário que seguemos em frente e seu pai nos deixou uma ordem final. Deixou uma condição final para que você assuma o trono.

— E qual seria? – Sophie disse surpresa. Seu pai havia a preparado durante sua vida toda para o trono e nunca lhe disse de condição nenhuma para ela assumir sua função perante o povo.

— Será necessário que a senhorita se case. – O Primeiro Ministro disse. – E nós já temos um pretendente.

No palácio.

A criadagem se movimentava rapidamente para cumprir com todas as suas tarefas. Na cozinha, existia um homem que sovava uma massa quando um belo rapaz entrou e se dirigiu a ele.

— Estou aqui Pierre.

— Oh Philipe! Chegou bem em tempo! – Pierre, o confeiteiro chefe sorriu.

— Não me atrasaria no meu primeiro dia no trabalho. – Philipe sorriu para o amigo. – Além do mais, devo muito a você desde que me encontrou caído no meio daquela multidão da parada.

— Ainda me perguntou o que te levou a correr no meio da multidão. – Pierre disse enquanto jogava a massa em uma vasilha e a cobria.

— É uma longa história. – Philipe disse sorrindo para o amigo.