In a Crowd of Thousands
2 Bomba de chocolate.
No parlamento.
Sophie se endireitou na cadeira enquanto tentava não parecer assustada e com raiva. Como seu pai tivera a ousadia de deixá-la sozinha e ainda impedi-la de ascender ao trono?
— Meu pai não seria capaz disso.
— Foi um de seus desejos finais. – O Primeiro Ministro disse com um tom de pesar. – Ele solicitou para que buscássemos um pretendente dentro da linhagem nobre de nosso país.
— E vocês encontraram. – Sophie fez um cara de vencida.
— O Duque Oliver Marvel tem todas as qualificações para desposá-la, minha princesa.
— Fiquem sabendo que este casamento jamais acontecerá. Eu vou assumir o trono sem me casar e, quando eu me casar, será com alguém que eu amo. – Sophie levantou o tom de voz e se apoiou sobre a grande mesa de mogno. – Nem meu pai, nem ninguém fará isso mudar! Agora, me dêem licença, tenho outras tarefas a cumprir.
Ela encarou pela ultima vez aqueles homem e se dirigiu para fora daquela sala. No meio do caminho de volta ao palacio, encontrou Camille, sua prima.
— Pelo visto você ficou sabendo do pedido do seu pai. – Camille disse acompanhando o passo apressado da prima.
— E você já sabe o que eu penso disso – Sophie falou dentre os dentes
— Claro que sei. – Elas chegam ao salão principal e Sophie para. – Mais você tem que entender que ele so queria o seu melhor.
— Eu sei, eu sei. Eu só quero... Só quero uma bomba de chocolate! – Sophie disse com ar de cansada.
— Eu vou pedir para que Pierre faça. – Camille sorriu e abraçou a prima.
— Nada de ficar se pegando com ele no meio da cozinha. – Camille separou o abraço e encontrou Sophie com um ar de quem sabe algo. – Tenho minhas fontes.
— Pelo menos não sonho com um garoto qualquer que sabe se lá se está vivo. – Camille sorriu.
— Obrigada por insultar o futuro príncipe-consorte. Alias, preciso que vá ao orfanato vê se eles têm alguma pista sobre ele mas agora eu tenho que ir.
— Fica tranqüila: eu vou mandar a bomba de chocolate subir e vou até o orfanato. – Sophie a olhou como se agradecesse e subiu as escadarias.
Camille se dirigiu a cozinha para encontrar um Pierre professor ensinado a um novo criado suas funções.
— Pierre, — Pierre se virou para ela e sorriu. – Sophie quer a sua famosa bomba de chocolate.
— É pra agora! – Pierre abriu um cúpula cheia de bombas de chocolate, o prato favorito da princesa. Ele pegou o maior de todos e colocou em um prato. – Ela vai querer chá para acompanhar?
— Não, apenas isso. – Camille disse encarando o novo criado. – Desculpe perguntar mas quem é o novato?
— Ah! Perdão! – Pierre disse. – Esse é Philipe, o novo faz tudo do palácio. Philipe, essa é a Condessa Camile Esme, a prima da princesa e seu braço direito.
— Senhorita. – Philipe fez um aceno.
— Prazer meu jovem. Deve avisa-lo que é bom que você siga todas a regras pois é de suma importância não incomodarmos a princesa ainda mais nesse período de luto. – Camille disse com um ar de chefe mas mudou de repente como se tivesse uma novidade. – Pierre! Ficou sabendo do ultimo desejo do rei?
— Sim. A pobre Sophie só poderá assumir o trono se casando.
— Isso é injusto. Ela deve se casar com alguém que ela ame não como obrigação. Alias, creio que ela deva ter muitas obrigações, o casamento não deve ser uma delas. – Philipe falou
— Exatamente meu jovem. – Camille falou e pegou o prato com a bomba de chocolate das mãos de Pierre. – Com licença, tenho que levar isso para ela e depois sair em uma missão super secreta.
Camille se despediu e saiu rumo ao quarto da prima. Após deixar o doce com ela e uma breve conversa, Camille saiu rumo ao orfanato da cidade. Quando chegou, ela solicitou para a Madre do orfanato um registro de todos os garotos que estivera lá nos últimos dez anos mas ela queria especificamente um: o garoto que fugiu durante a parada.
— Não me lembre daquele pequeno sujeitinho. – A Madre falou entregando uma ficha de um garoto.
Camille abriu e encontrou uma foto 9x12 de um menino. Estava carimbada com a palavra desaparecido.
— Preciso dessa ficha por motivos reais. – Camille disse se levantando e disposta a negociar
— Pode levar. Eu já ia jogar fora mesmo. – A Madre disse com um ar de pouca importância.
Elas se despediram e Camille retornou para o palácio. Durante o caminho, ela não conseguia parar de olhar a foto do menino, como se algo a dissesse que ela já conhecia ele. Assim que desceu do carro, foi surpreendida pelo novo criado que trabalhava no jardim.
— Senhorita. – Philipe saiu de seu caminho
Camille o olhou de relance e voltou a olhá-lo como se ele fosse um fantasma, ou melhor, uma descoberta. Ela descobriu porque tinha a sensação de que conhecia o garoto da foto: o garoto era Philipe.
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