Camille correu para dentro do palácio, mas algo a parou no caminho do quarto de Sophie. Ela acabou de perceber que aquela fantasia de Sophie era real, ela tinha acabado de perceber que o “grande amor” de Sophie era um criado.

— Ela não pode saber dele e nem o quão perto ele está. – Então pegou a foto que havia na ficha e a guardou na bolsa. – Isso será um segredo que, se necessário, levarei para o meu tumulo.

— Falando sozinha Cam? – Ao olhar na direção da voz, Camille viu Sophie vindo em sua direção.

— Não, estava apenas vagueando pelos meus pensamentos. – Camille sorriu. – Bem, estava a caminho do seu quarto para contar o que encontrei.

— E o que você encontrou? – Sophie disse ficando de frente para ela.

— A Madre tinha a ficha, mas não tinha foto porque... – Camille parou por um instante. Se ela continuasse estaria fadada a viver com uma mentira. – ela utilizou nas buscas do garoto.

— Busca? – Sophie a questionou

— Ele desapareceu após o episodio da parada.

— Oh! – Era visível como Sophie havia se desapontado. – Pelo menos temos um nome?

— Sim. – Camille abriu a ficha e leu. – Philipe Chermont.

— Já é um começo.

— Olha Sophie, sei que isso é um assunto que você não quer ouvir falar, mas acho que você deveria conhecer o Duque. Falo isso como alguém que te ama e acha que toda essa sua história é loucura.

— Eu já conheço o Duque. Ele vinha ao palácio com o pai dele quando meu pai tinha negócios a tratar com eles. Ele costumava montar no cavalo do papai. – Sophie disse como se lembrasse. – Sempre me menosprezou e também achava a minha história louca, que nem você.

— Qual a probabilidade de você encontra-lo? Você sabe quantas pessoas moram nessa cidade? Nesse país? – Camille olhou para a janela. – Isso se ele ainda estiver vivo ou morando aqui. Isso se ele ainda lembra dessa história, o que é capaz de não acontecer. – Ela volta seu olhar para Sophie. – O quão longe você vai levar essa história?

— Eu não preciso de mais alguém me pressionando, já tem muita gente fazendo isso. E algo me diz, algo como um sétimo sentido, que ele está lá fora e está mais perto do que eu imagino.

Pierre e Philipe surgem no corredor nesse momento e as garotas silenciam a conversa. Ao passarem por elas, os dois fazem uma breve reverencia a Sophie e os olhos de Sophie se encontram com o de Philipe por um breve segundo. Os dois seguem seu caminho até a escadaria e Sophie os segue com o seu olhar.

— Perdão Sophie! – Camille se põe a frente dela ao perceber seu olhar. – Vou alertar-los para que usem os corredores de funcionários.

— Eu não me importo deles circularem pelos corredores sociais, isso me ajuda a lembrar que eu não moro aqui sozinha e sem contar que o corredor de funcionários é fechado e cheio de pó, eles podem ficar doente. – Sophie disse voltando sua atenção para Camille. – Quem é o rapaz que acompanhava Pierre?

— Só mais um criado novo. – Camille disse tentando não entrar no assunto. – Considere jantar com o Duque.

— Vou pensar no seu caso. – Sophie disse apenas para acabar com o assunto. – Vou pegar um pouco de ar;

Sophie foi em direção ao jardim sentindo sobrecarregada. Sentou-se em seu balanço e começou a se questionar se toda aquela história não teria ocupado seu tempo demais e se não passava de uma ilusão e a pensar no casamento com o Duque e como aquilo poderia fazer bem para seu reinado.

Enquanto isso, Pierre mostrava a Philipe seu novo alojamento no andar dos empregados. Eles dividiriam o lugar que era pensado para duas pessoas e era praticamente uma casa. Apenas alguns funcionários moravam lá como eles, o motorista e a governanta.

— Bem, você já conheceu a princesa. – Pierre disse pegando algumas cobertas e colocando em cima de uma cama. – É muito raro ela dirigir a palavra a nós

— Por quê? – Philipe disse sentando em sua cama

— Ela é muito ocupada e um bocado distraída. – Pierre sorriu. – Posso te contar um segredo?

— Claro! Sou seu melhor amigo! – Pierre sentou na cama de Philipe.

— Sophie, às vezes, vem aqui tomar chá e comer alguns doces.

— Serio?

— Sim. Normalmente é quando ela não consegue dormir. – Pierre deu de ombro. – Sou provavelmente o empregado mais próximo dela.

— Espero que a minha presença não atrapalhe isso. – Philipe disse com um sorriso torto.

— Não vai atrapalhar. – Pierre deu um leve tapa no ombro de Philipe. – Vai ser bom voltar aos velhos tempos, quando era apenas eu e você lutando contra o mundo para nos mantermos vivos. Além de que você pode fazer companhia para ela quando eu não estiver.

— Claro, até porque meu chá é melhor que o seu. – Philipe se levantou e caminhou até a porta sendo seguido por Pierre.

— Só o chá, porque eu faço os melhores doces e isso você nunca vai superar. – Pierre riu. – Hora de voltar ao trabalho.

Pierre e Philipe voltaram para a cozinha e avistaram de longe a princesa em seu balanço imersa em seus pensamentos no jardim recém cortado de Philipe. Ele então ficou alguns minutos olhando aquela mulher que ele passou a vida toda acreditando ser inalcançável e firme como uma rocha e que tinha recentemente descoberto que era uma pessoa comum que precisa conversar com alguém e tomar chá e comer doces então ele sorriu sozinho e voltou para suas tarefas.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.