In Your Mind

3 Capítulo 3 - Portas


Denis foi se aproximando da porta, ainda sonolento. Esticou seu braço e levou a mão lentamente em direção da maçaneta, e abriu a porta para apenas se deparar... Com Lindsey.

- Até que enfim abriu à porta, eu estava me sentindo uma idiota, batendo e ninguém respondendo – disse Lindsey, entrando no quarto. Denis então fechou a porta.

- O que você faz aqui? – perguntou Denis, franzindo a testa.

- Oras o que acha que vim fazer aqui? Vim te buscar! Vamos almoçar, vamos sair fazer qualquer coisa, sei lá. – disse Lindsey em um tom ignorante, puxando a cadeira e sentando-se. Ela mascava um chiclete de boca aberta, fazendo um som irritante.

- Mas eu tenho que ficar aqui com a Clarisse...

- Você não acha que já ficou tempo demais ao lado dessa garota? Por favor, né, olha só pra ela. Nem acredito que vá acordar! Já se passou mais de um mês, não sei como não enterraram ela ainda. – bufou Lindsey.

- Tudo bem – disse Denis, respirando fundo – Vamos sair, talvez assim, a gente relaxe um pouco.


Ela rapidamente deu um pulo da cadeira e bateu palmas, animada e sorrindo. Denis abriu a porta e saiu primeiro, mas antes de Lindsey sair, ela deu uma última olhada em Clarisse, fazendo uma cara de desdém.
E assim se passou mais um dia, na vida de Denis, mais um dia sem Clarisse e seus comentários estranhos, suas risadas... Ele realmente sentia falta dela. O jovem e sua namorada foram almoçar em um restaurante mais perto, e ela não parava de falar mal de garotas, de como amava a cor vermelha e como queria tanto ser atriz. Denis não prestou muita atenção em quase nada, pois estava ocupado demais, tentando se recordar do rosto da garota que havia visto em seu sonho. Quem poderia ser ela? Um fruto de sua imaginação? Ou era algum tipo de sinal? Ele pensava que poderia estar apenas cansado de esperar que Clarisse acordasse. Mas ele não poderia perder as esperanças, certo? Afinal, ela é sua melhor amiga.

Depois de um dia, um tanto cansativo, Denis retornou ao hospital e desabou na cadeira ao lado de Clarisse, ele estava exausto. Passou a mão em seus cabelos e depois em sua testa, o jovem estava com uma forte dor de cabeça.


— Eu estou aqui de novo, está vendo, Lari? Eu prometi que não te abandonaria... – disse Denis, sussurrando, como se Clarisse, pudesse ouvir – A Lindsey ainda continua reclamando que eu estou aqui com você, mas eu aguento as reclamações dela, não me importo tanto assim. Eu sei que você vai acordar, não é? Vai sim... Agora, boa noite.

Ele deu um beijo na testa de sua amiga e adormeceu.
O sonho estranho então, começou novamente. Só que desta vez, o lugar não parecia tão escuro, somente um feixe de luz era visto no meio de toda aquela escuridão. Denis tentava prestar atenção, no que havia naquela luz, ela estava longe. Ele sentiu uma enorme vontade de ir até lá, e conseguiu se mover. Seu corpo parecia pesado naquele ambiente, mas conforme se aproximava da luz, ele ficava leve como uma pena. O jovem conseguiu ver, quem estava ali, era aquela mesma garota de antes. Porém, desta vez, ele conseguiu ver seu rosto. Seus olhares se encontraram e Denis pôde perceber cada mínimo detalhe dela. Seu cabelo era loiro e curto, e seus olhos azuis, ela parecia muita delicada, tão delicada, que Denis pensava que se tocasse a mesma, poderia quebra-la, como se fosse uma boneca de porcelana. Pele branca e bem clara, não tão clara, quanto à de Clarisse, a de Clarisse, era branca como a neve. Ela então se aproximou lentamente e fitou Denis por alguns segundos.

- Você ainda deseja salvar sua amiga? – a voz da jovem ainda ecoava no ambiente. Quando ela começava a falar, era como se sua voz trouxesse paz e você se sentisse completo e em total harmonia consigo mesmo.

- Sim, é claro que eu quero. – respondeu Denis, suavemente.

- Pois bem – ela levantou a mão, sem desviar a atenção de Denis. Quatro portas então apareceram ao redor do feixe de luz, local onde a garota estava.

- O que é isso? Para quê essas portas?

- Eu fui muito rude, deveria ter me apresentado. Meu nome é Cindy, sou uma parte da memória de Clarisse. Seja Bem-Vindo.

- Hum? Memória da Clarisse? Do que diabos você está falando? Onde estamos? – perguntou Denis, alterando seu tom de voz.

- Se acalme meu jovem, estamos dentro da mente de sua amiga. Não pode ver? Todas essas portas são memórias dela. Você disse que queria salvá-la, não disse?

- Disse sim, mas o que isso tem a ver? – respondeu Denis, franzindo a testa.

- Clarisse não consegue sair do seu coma, pois continua a reviver suas dolorosas memórias, dos dias que teve até o acidente. Se quiser realmente ajuda-la, terá de escolher uma porta e reviver as memórias, junto dela. Mas ela não poderá te ouvir, até chegar a hora de você realmente ajuda-la, ficou claro isso?

- Não muito... E quem é você exatamente? Não pode explicar melhor?

- O máximo que posso te dizer até agora, meu jovem, é que Clarisse me criou na mente dela, pois não tinha muitos amigos e eu era quem mais ajudava ela, enquanto você estava ocupado com a tal da Lindsey.

Denis abaixou a cabeça e assentiu.

- Sei que errei algumas vezes, mas ela é minha namorada! Não posso abandoná-la.

- Entendo... Acho que você só irá compreender realmente, quando entrar em uma dessas portas. Cuidado ao escolher uma, dependendo da sua escolha, terá de seguir uma ordem de portas.

- Ok, tudo bem... – Denis olhava ao redor – Que tal aquela ali?

O garoto apontou para uma porta negra e Cindy a observou, logo caminhando até lá.

- Você não vem? – perguntou Cindy, calmamente.

- Não consigo me mover novamente... Por que isso tem que ficar acontecendo? – disse Denis, irritado.

- Aqui as coisas não são simples. Para fazer qualquer tipo de ação, você tem que realmente querer fazer aquilo, tem de vir do coração. É bem complicado, para alguém como você, que não está acostumado. Apenas se concentre e pense bastante que quer se mover até aquela porta.

Denis então fechou seus olhos e tentou imaginar suas pernas se movendo e depois caminhando em direção a Cindy. Mas só de tentar imaginar algo simples, sua cabeça começava a doer muito e o jovem começava a tremer. Denis continuou tentando e se imaginando em frente aquela porta, e quando abriu os olhos... Lá estava ele, de frente para Cindy e a porta.

- Difícil? – disse Cindy, soltando uma risadinha.

- Bem difícil.

- Você logo acostuma, mas acho bom se esforçar, pois um garoto que não aguenta nem se mover através de uma mente, provavelmente não aguentará o que está por vir – disse Cindy, um tanto séria – A porta que você escolheu, é a infância de Clarisse. Espero que esteja preparado.

Denis engoliu seco e começou a observar os detalhes da porta. Ela era muito negra e havia duas serpentes entrelaçadas, esculpidas nela. O garoto sentia uma espécie de arrepio percorrer seu corpo. Ele sentia um pouco de medo e frio ao mesmo tempo, enquanto estava perto da porta.

O jovem se aproximou um pouco mais, olhou para Cindy, com uma expressão no rosto de preocupação e medo, e então resolveu abrir a porta. O que o esperava lá dentro? Não importava para o mesmo, ele queria lutar por Clarisse e não se importava com os riscos. Era agora ou nunca.