In Your Mind

4 Capítulo 4 - Infância


Notas iniciais
Desculpem a demora para postar pessoal! Acabei tendo alguns problemas e não tive como ter postado antes... Espero que não tenham pensado que abandonei a história u_u Este capítulo vai ser um pouco mais triste e um tanto... Violento. Não se enganem pois não é terror! E quem está procurando por um romance "bonitinho" , sinto muito. Obrigada por lerem e se puderem comentem! Agradeço desde já.

Denis abriu a porta e seus olhos doeram, devido a uma forte luz em seu rosto. Ele então entrou e Cindy o acompanhou. O jovem estava em uma sala de estar, provavelmente, de alguma casa, mas não sabia qual. Havia um homem, sentado no sofá, assistindo televisão. Ele só tinha alguns cabelos nas laterais e eles eram pretos, estava quase praticamente, careca. Denis olhou para Cindy e franziu a testa.

- Onde estamos? – perguntou Denis – E quem é ele? Ele pode nos ver?

- Não, ele não pode nos ver – respondeu Cindy – Mas agora preste atenção e descubra o resto sozinho. Essas são partes das lembranças de Clarisse.

Denis assentiu e continuou observando. Uma criança ruiva de cabelos curtos se aproximou do homem.

- Papai, vamos brincar hoje? – perguntou a garotinha – Podemos fazer alguma coisa juntos? Por favor, por favor!

- Agora eu estou ocupado, vá brincar com a vizinha. Leve uma boneca ou qualquer outro brinquedo – resmungou o homem – Mas tenha cuidado, pois eu não paguei caro, para você quebra-los.

- Tudo bem... Eu estou indo então – assentiu a garotinha, ela parecia triste, devido à resposta do pai.

A criança subiu a escada lentamente, cabisbaixa, e havia certo brilho em seus olhos, como se ela estivesse prestes a chorar. Denis começou a sentir certa melancolia e uma forte dor no peito.

- O-O que está acontecendo Cindy? – perguntou Denis, com uma expressão horrível em seu rosto – O que é toda essa dor?

- Seu tolo... Assim que você entrou por essa porta, passou a compartilhar os mesmos sentimentos que Clarisse, sentiu em um determinado momento ou em uma determinada época. Por exemplo, nesta cena, Clarisse sentiu-se trocada e logo ficou melancólica. Melhor ir se acostumando.

- Não sabia que a Lari podia sentir tamanha dor, como essa...

Assim que a garotinha desceu as escadas, Denis voltou sua atenção para ela. A mesma estava agarrada á uma boneca de vestido vermelho e cabelos longos e pretos, ela parecia amar aquele brinquedo. A menina então abriu a porta e saiu. Cindy atravessou a parede, fazendo com que Denis, arregalasse os olhos.

- Você não vem? – perguntou Cindy.

- C-Como você fez isso?! – respondeu Denis, com outra pergunta. Ainda de olhos arregalados – Nós somos tipo fantasmas então? Que legal!

- Pare de ser idiota e venha logo até aqui – disse Cindy, séria e fria – Você acha que tudo isso é uma brincadeira?

- C-Claro que não! Só fiquei um pouco surpreso...

Então Denis fechou os olhos, deu um longo passo para frente e fez o mesmo que Cindy atravessou a parede.

Agora ambos estavam fora da casa. O Sol brilhava, os pássaros cantavam... O dia parecia maravilhoso. Denis passou sentir certa paz lhe dominando e fechou os olhos, havia um sorriso em seu rosto. Tudo ali parecia ser tão real, apesar de ser apenas uma memória de Clarisse.

Eles então avistaram a criança de cabelos ruivos, correndo em direção de outra criança. Ambas estavam com bonecas, e logo se sentaram no gramado verde. Denis e Cindy se aproximaram para ouvir toda a conversa.

- Nossa que boneca bonita, essa sua – elogiou a criança – Seria uma pena se...

- Se o que? – perguntou a garotinha de cabelos ruivos, com uma expressão de preocupação e medo, em seu rosto.

A criança arrancou a boneca das mãos da garota ruiva e jogou no meio da rua, no exato momento que passava um carro. A boneca foi completamente destruída. A jovenzinha correu assustada, em direção da boneca e se ajoelhou no local, pegando os restos de seu brinquedo na mão. Ela logo começou a chorar.

- Como você pôde quebrar minha boneca nova?! Eu não fiz nada para você... – ela chorava de soluçar – Por que fez isso? Por quê?!

— Que choradeira é essa aí, Clarisse? – gritou o homem de antes, abrindo a porta da casa. Ele parecia furioso.

- Ela quebrou minha boneca, papai! – respondeu Clarisse, chorando mais alto e mais desesperada.

- Pare de chorar e venha logo para dentro! Eu vou ter que ir aí te buscar?!

- Mas papai... – ela enxugava as lágrimas do seu rosto, com as mãos.

O homem foi rapidamente em direção de Clarisse e a agarrou pelo braço, levando-a para dentro de casa. Antes de entrarem, ele olhou a outra criança com certo desprezo. Denis e Cindy atravessaram a parede novamente e estavam prestes a presenciar, uma cena horrível. O pai de Clarisse á fez virar de costas para a parede, e fez uma coisa que Denis não pôde acreditar... O homem começou a espancar Clarisse. Ele chutava a garota contra a parede, dava tapas em sua cabeça e ela não fazia absolutamente nada. Clarisse apenas se encolhia no canto e rezava para que tudo passasse. Foi então que Denis começou a sentir uma dor insuportável e se encolheu no chão também, com as mãos na cabeça.

- Faça isso parar Cindy! Por favor... Faça parar! – ambas as vozes de Clarisse e Denis, diziam a mesma coisa, juntos.

- Abra os olhos Denis – respondeu Cindy suavemente.

Quando Denis abriu os olhos, percebeu que já estava em outro local. Ele então se levantou e observou com clareza o local. Parecia o quarto de alguém. Quando ele olhou para a cama, Clarisse estava deitada, chorando. Ela usava um vestido, o que permitia ver que seu corpo estava cheio de hematomas, e a cada vez que ela tentava se virar para o outro lado da cama, tanto ela quanto Denis, sentiam uma forte dor no corpo. Ouviu-se então uma voz feminina, ela parecia familiar.

- Clarisse querida, a mamãe chegou – disse Melissa, ela parecia bem mais jovem e bonita do que antes – Cadê o meu abraço?

Clarisse não disse nada. Apenas se levantou e abraçou a mãe. Como estava escuro o quarto, ficava mais fácil para a garota tentar esconder seus machucados da mãe. Ela tinha muito medo de contar o que havia acontecido.

- Filha por que está toda encolhida? – perguntou Melissa, franzindo a testa – Está com frio? Coloque uma blusa. E também o que está fazendo sozinha aqui no escuro? Vamos lá para a sala, assistir um filme, eu, você e o papai, vamos?

Clarisse hesitou.

- O que você está escondendo aí? Deixe-me ver Clarisse... O que é isso no seu corpo filha?

Melissa então agarrou o braço de Clarisse e ela começou a chorar de dor. A mãe logo viu os hematomas e se assustou.

- Quem fez isso em você Clarisse? – perguntou Melissa, com os olhos arregalados e preocupada.

- Foi... – ela soltou um gemido – Foi o papai...

Melissa ficou um tempo cabisbaixa e a expressão em seu rosto era obscura. Ela cerrou os punhos, saiu do quarto e desceu as escadas. Denis e Cindy foram rapidamente atrás dela, para acompanhar o resto da cena.

O pai de Clarisse estava na sala novamente, assistindo televisão. Melissa chegou ao local, com lágrimas em seus olhos e uma expressão triste, mas ao mesmo tempo raivosa.

- Por que diabos fez aquilo com nossa filha?! Seu canalha! Saía daqui! Saía dessa casa! Você não tem o direito de bater nela daquele jeito! – ao mesmo tempo em que ela gritava, ela chorava.

- Do que você está falando? Se eu não ensinar aquela menina a se defender, quem vai? Como ela deixa alguém quebrar a boneca dela? Tem que levar uma surra mesmo, para aprender.

- Seu cretino! Eu já disse pra sair daqui! Quer que eu chame a polícia?!

- E se eu não quiser sair? – disse ele se levantando do sofá, com uma expressão séria.

Melissa foi rapidamente em direção ao telefone, mas o homem foi mais rápido. Ele jogou o telefone longe e olhou fixamente nos olhos de Melissa.

- Você também não vai querer que eu te ensine como são as regras aqui dentro, vai? – sussurrou ele.

Foi aí então que ouviu-se sirenes da polícia. O homem assustado olhou pela janela e saiu correndo pela porta dos fundos. Denis e Cindy continuaram a acompanhar tudo e seguiram o homem.

Ele atravessava a rua e olhou para a casa e o carro da polícia, logo soltando uma risadinha. Mas para sua infelicidade, quando olhou para o lado... Apenas viu uma forte luz em seu rosto e logo fora atropelado.

Clarisse que estava na porta da casa, observou tudo e assim que presenciou a cena, correu em direção de seu pai, desesperadamente e chorando.

- Papai! Papai, não... Acorde por favor. – ela balançava o corpo do homem, que estava ensanguentado e esparramado no meio da rua. – Papai...

“Papai... Papai...” e o som ficava cada vez mais baixo, silenciando-se... O desespero indo embora, junto do medo. Logo tudo desapareceu. Quando Denis abriu seus olhos, já estava em outro local. Era um lugar escuro e havia mais alguém ali, além dele e Cindy. Era uma garota e ela parecia bem familiar... A mesma estava sentada no canto, abraçando suas pernas. O jovem aproximou-se e suas conclusões estavam certas... A garota era Clarisse.

- Lari! Lari você está bem?! – perguntou Denis, colocando a mão em seu ombro e a chacoalhando.

Ela simplesmente não respondia e não parava de repetir “Papai”. Denis estava começando a sentir-se desesperado.

- É agora que você tem de ajuda-la Denis – disse Cindy, olhando fixamente para Clarisse.

- Mas como? – perguntou Denis, preocupado e com medo.

Denis sentiu então um arrepio na sua espinha. Ele automaticamente sentiu seu corpo endurecer e ficar tenso. O garoto não podia se mover e sentia um medo e desespero maior do que nunca, jamais havia sentido. Havia alguém atrás dele.

- Papai! – gritou Clarisse, virando-se em direção de Denis.

Quando Denis criou forças para virar-se e ver o que estava acontecendo... Viu o pai de Clarisse. Mas ele estava um pouco diferente. O homem estava todo ensanguentado e tinha um machado em suas mãos. Seu olhar era perverso e sombrio. Ele olhava fixamente para Clarisse.

- Vamos aprender á se defender agora Clarisse?!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.