In Towards a New Life
2 Conhecendo meu futuro manicômio...
Notas iniciais
Saí de casa correndo, com meu pai em meu encalço. Meu pai destravou sua Maybach Landaulet e nem esperou o chofer vir nos levar. Entrei no banco do carona e pedi para meu pai acelerar. Coloquei o cinto porque quando digo para ele acelerar, é melhor que eu o coloque. Peguei um Trident na minha mochila e coloquei em minha boca. Olhei em minha frente e vi que já estávamos à dois quarteirões longe de minha casa.
– Estamos chegando. – disse meu pai. Já estávamos a 240 kilômetros por hora. Graças aos céus a rua ainda estava deserta. Ainda eram 7:15. Que tipo de energúmeno que mora nesse bairro iria acordar a essa hora? Só um indivíduo que seja eu... o que é meio improvável.
Se a rua não estivesse deserta, a polícia já teria nos parado. Ele não reparou na placa que dizia: ‘pedestres’ e já estávamos passando pelo sétimo sinal vermelho. Aquilo seria bem legal se não fosse por meu pai estar com uma cara de tapado enquanto dirigia. Ele era louco por velocidade, o que eu achava errado por ele ser um homem de negócios, um empresário. Se ele gosta tanto de velocidade, por que ao invés de fazer um curso de contabilidade, ele não fez teste pra entrar na fórmula 1? Meus deuses...
Olhei em meu celular as horas rapidamente. Bem, mais ou menos. Já que eu sou disléxica, demorei mais ou menos dez segundos só para decifrar quantas horas eram e outros dez, para os minutos. Guardei meu celular depois que pensei, irônicamente, que poderia dar algum curto-circuito pela velocidade em que estávamos.
Depois de mais alguns poucos minutos, havíamos chegado à The Best High School. Era um prédio alto e aparentemente bem espaçoso. Sua entrada tinha um gramado tão verde e bem cuidado que doía olhar. O nome da escola estava escrito em letras prata por cima dos portões. As paredes eram beges claras e tinha detalhes feitos com pedra, que dava um toque elegante à escola. De dentro do carro, conseguia ver algumas pessoas conversando do lado de fora. Aquela era a escola mais linda que já vira. Só não conseguia vê-la por dentro porque os alunos já se aglomeravam para entrar.
Me preparei mentalmente para sair. Vou sair do carro e acenar para as pessoas. Vou ser bem solidária. Só porque eu tenho dinheiro não quer dizer que tenho que ser uma patricinha. Vou ser eu mesma, pensei. Olhei para o meu pai.
– O que houve? Não vai entrar? – ele perguntou.
– Estou com vergonha, pai. Não conheço ninguém. – Queria me mostrar estar confiante, mas era verdade. Eu não podia sair acenando para quem eu não conheço. Iria ser ridículo.
– Filha, — começou ele, com uma expressão preocupada, — você precisa entrar. Não posso te colocar naquela escola de novo, não com aquela menina lá.
Era verdade. Se aquela menina me visse de novo... não quero nem pensar. Nem pergunte, é uma longa história. Depois eu te explico..
– Tudo bem. Se for por isso, eu vou entrar. – eu disse, tentando parecer mais corajosa do que eu estava. Era pelo meu pai. E também, claro, por mim. Não queria virar patê de Sophie.
– Até mais tarde, pai. – eu disse, mandando um beijo no ar.
– Até! – e o sinal tocou, me fazendo dar um pulo. Saí do carro e tive que me esforçar para não correr. Eu precisava ir no banheiro. Só quando saí do carro, percebi que estava muito apertada. Andei, ou melhor, tentei, pelo gramado e passei pelos estudantes, até que passei dos portões e... UAU!
Eu acabara de entrar no pátio, ou melhor, em uma parte dele. Eu não havia reparado, mas a escola tinha cinco andares. Passei pelo meio do pátio, olhando para cima e para os lados, captando cada detalhe da escola e das pessoas que se aglomeravam em vários grupos.
A The Best High School era ainda mais bonita por dentro. Enquanto eu passava pelo centro do pátio de entrada, fui guardando cada pedacinho da estrutura: o pátio tinha forma de um semi-círculo e era do tamanho da metade de um estádio de futebol americano, as paredes eram cor azul celeste, haviam jarros de plantas em cada canto da escola. Você poderia encontrar todos os tipos de plantas nesses jarros, como por exemplo, madressilvas, margaridas, violetas, petúnias, jacintos, bromélias, lírios, boca de leão, narcisos e outras plantas que eu nem sonhava que existiam. O pátio era cercado por árvores que complementavam a beleza do gramado intercalado com o chão de cimento.
Passei por várias pessoas. Na verdade, passei por pessoas que pareciam se dividir em grupos. E a maioria deles consegui distinguir. Havia os nerds, aqueles garotos com uma cara bizarra e roupas do mesmo nível da cara, ou seja, bizarras. Suas calças estavam pescando, meias gigantes, cabelos do tipo boi-lambeu e usavam aparelho dental. Não que eu tenha problemas com aparelhos dentais, mas naqueles nerds simplesmente ficavam horrendos. Agora eu sei porque eles nunca conseguem arrumar uma namorada. Eca!
Haviam os bad-boys, aqueles que ficam no pé dos nerds e sempre arrumam confusão com os professores. Sempre usando aquelas roupas “pesadas”, tênis All Star pretos de cano longo, jeans rasgados e surrados e camisas abertas do lado, de um jeito que deixavam seus músculos á amostra.
Havia também os zoeiros, aqueles que não tem medo de humilhar os bad-boys com suas brincadeiras e que não se cansam de fazer pegadinhas com as líderes de torcida. Sempre com suas roupas alegres e, na maioria das vezes, com tirinhas ‘memes’ estampadas nelas. Sempre estão com os tradicionais tênis sneakers da nike coloridos e suas calças de cores vibrantes.
Bem no canto mais afastado do pátio, havia os góticos. Nem todos os góticos usam só preto, mas todos gostam de um visual sombrio. Vários deles estavam com blusas vermelho sangue, violeta, azul, mas sempre com algo preto. Alguns com os costumeiros All Star, outros com coturnos. Todos estavam com uma carregada maquiagem preta, com delineadores estilo gatinho, mesmo sendo meio clichê, nunca sai da moda. Alguns tinham piercings na orelha, outros nos lábios e sobrancelhas. Alguns tinham mechas coloridas, mas a menoria só tinham um corte diferente. A maioria estava com suas camisas de suas bandas preferidas e com seus alargadores. Conversavam e riam entre si, sem se importar com os olhares de desprezo que os populares os davam.
Os jogadores do time de basquete eram uns gatos. Santa Atena, me dê juízo... Estavam todos formando um círculo mal feito, conversando, com certeza, sobre coisas banais. É o que sempre fazem. Mas eles continuam sendo lindos...
Foco, Sophie, foco.
Okay, eu estou bem!
Enfim, as líderes de torcida. Todas estavam com seus uniformes, que eram bem feitos e que desenhavam as curvas de seus corpos. Os uniformes eram azul e branco, da mesma cor do uniforme do time de basquete. No top estava escrito “The Best” em letras amarelas. A saia tinha só dois palmos, mas pelo menos havia um short de laicra por baixo. Algumas estavam ensaiando e tinham seus Pom Pons nas mãos. Outras estavam sentadas colocando a fofoca em dia. E outras mexendo no celular ou retocando a maquiagem.
Haviam tantos grupos separados que, de tanto olhar de um lado para o outro, me deixaram tonta. Quando parei para pensar com quem poderia conversar primeiro, me lembrei que ainda estava apertada e que daqui a pouco eu poderia aparecer com cálculo renal. Me concentrei em uma só coisa: chegar ao banheiro. Avistei uma placa quando já estava chegando ao final do pátio principal que dizia ‘Sanitários’ com uma seta sinalizando para seguir em frente.
Saí do pátio a céu aberto, passei por uma porta oval de três metros de largura e dois de altura e cheguei ao corredor principal, o corredor dos armários. O corredor devia ter, no mínimo, quinze metros de onde eu estava, ou seja, do começo do corredor, até a porta do banheiro. E olha que a porta do banheiro era na metade do corredor. Andei apressadamente até a porta do sanitário, passando por poucas pessoas que já se dirigiam às suas respectivas salas ou que fechavam seus armários.
Entrei no banheiro, que estava praticamente vazio. Virei em um ‘beco’ que havia nele e vi várias portas. Entrei na cabine e... ahn... você sabe, não é?! Saí de lá me sentindo muito mais leve, passei pelo corredor das cabines e fui direto para a pia. Lavei minhas mãos e me olhei no espelho. Não, no espelho não. Nos espelhos. Na correria, não reparei nos detalhes do banheiro.
Pelo reflexo do espelho de frente para a pia, vi minhas costas por vários ângulos. Me virei e fixei meu olhar no espelho em minha frente, no objetivo de ver meu cabelo atrás pelo reflexo do espelho que havia atrás de mim. Os espelhos cobriam a parede de cima a baixo. No corredor das cabines haviam as únicas paredes que não tinham espelhos e as únicas que foram tingidas em uma cor vinho.
O banheiro não era totalmente iluminado se você quisesse. Havia um interruptor de luz que poderia ligar a lâmpada flourescente e outro, para ligar as lâmpadas amarelas que serpenteavam o interior das bordas das sancas brancas do banheiro, que davam um toque incrível nas paredes vinho. Mas não eram aquelas lâmpadas amarelas redondas que nós achamos em qualquer lojinha. Eram lâmpadas led. Aquelas lâmpadas que davam um toque clássico e moderno ao mesmo tempo. Resumindo, era o banheiro dos sonhos.
Me forcei a virar para o espelho da pia para me arrumar. Eu estava sem batom e meu cabelo estava estranho na lateral. Peguei o batom e o passei em meus lábios. Logo depois passei os dedos entre meus cabelos e saí do banheiro. Abri a porta e senti um grunhido do outro lado. Fechei, ficando no lado do corredor com uma adolescente caída aos meus pés. Eu a havia acertado com a porta enquanto estava saindo do banheiro.
É... Agora eu tô ferrada!
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