In The Circus
2 Capítulo 2 - O Espetáculo
Notas iniciais
Capitulo era pra ser postado amanha, mas creio que eu não poderei, entao estou postando hoje ~~ JayJay, obrigado por betar rapidao ♥ UAHSHA
Pra quem nao sabe o que é 'pierrot' https://www.google.com.br/search?q=Pierrot&hl=pt-BR&client=firefox-a&hs=bcP&rls=org.mozilla:pt-BR:official&prmd=imvns&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ei=bogpUIinC8a40QGtoIDIBg&ved=0CDYQ_AUoAQ&biw=1280&bih=663
Algumas pessoas nao sabem/sabias, só estou tentando ajudar ^^
lembrem-se: o plot da fic foi feito encima de metaforas, entao nao se assustem, please UASHSUHA
Já era noite novamente. Os dias passaram rápido para alívio de Jinki que não havia nem ido à sua faculdade durante eles. Os acontecimentos não o deixavam em paz. Tentava entender como aquilo era possível, como pessoas poderiam fazer aquilo com outras. Era algo inimaginável.
Era doloroso pensar em como aquelas pessoas conseguiam conviver com aquele ‘costume’. Não, pessoas não deveriam se alimentar de outras.
Havia ido ao circo há dias atrás e seguiu indo diariamente; todos os dias sentando no mesmo lugar, observando as mesmas apresentações assim como o mesmo pierrot. Era tudo tão igual, tão inacreditável, tão desumano. Era difícil dizer o que se passava ali; podia ver a magia no palco, mas quando mudava seus olhos de direção, via apenas tristeza. Aquele pierrot, que por alguma razão lhe chamava cada vez mais atenção, fazia sua curiosidade e sua preocupação só aumentarem.
Nem Jinki conseguia explicar aquilo, mas queria entender. Jinki estava se fascinando por ele sem nem ao menos se dar conta disso.
E o circo continuava no mesmo ritmo, com as mesmas apresentações, com as mesmas pessoas, com as mesmas fantasias. Já estava enjoado de tudo aquilo, se bem que não era pelo espetáculo que ele estava ali, mas sim pela sua ganância de conhecimento. E mais uma vez tudo acontecia da mesma maneira, estavam entrando os malabaristas e o pierrot ainda não havia ido sentar-se no mesmo local de sempre. Jinki estranhou – naquele ponto do show ele já estaria sentado lá. Normalmente ele sentava-se lá e assistia somente ao espetáculo dos palhaços. Dos carnívoros. E logo que a apresentação acaba ele é literalmente arrastado pelos outros palhaços para a parte de trás das cortinas.
Jinki queria mudar isso, mas não podia, não tinha meios. Primeiro teria que entender tudo para depois tentar uma solução.
Era estranho, depois que conheceu aquele pierrot tudo havia mudado. Jinki já não se preocupava com sua vida pessoal, parecia que seus problemas havia desaparecidos e somente o circo existia agora. Nem quando viu sua ex-namorada com o seu professor ele dera bola, somente ignorou e entrou no circo. Agora ele estava lá esperando pelo seu pierrot.
Quando as luzes se acenderam dando fim ao espetáculo dos malabaristas, Jinki viu a figura do pierrot. Ele estava da mesma maneira, com a mesma maquiagem, com o mesmo olhar vago. Aquilo era triste.
Caminhou sem pressa até ele, tentando juntar todas as forças para prosseguir com aquilo. Jinki tinha medo. Entretanto o circo já estava indo embora e ele teria que matar sua curiosidade e sua sede por conhecimento. Parou a alguns metros do outro e o fitou. Não entendia o real motivo de ele fazer aquilo, se não gostava deles então por que ficava ali? Por que insistia em ver algo que lhe torturava?
Jinki não sabia mais o que pensar.
Deu passos lentos até a caixa que sentara na outra vez que estivera presente e sentou-se na mesma. Era a mesa visão, era tudo igual.
– Você não deveria estar aqui – o garoto disse sério sem mirar nos olhos castanhos de Onew.
– Você já me disse isso, na outra vez que eu estive aqui. – Sorriu tentando ser simpático, mas parecia que sua simpatia não funcionava, o pierrot continuava sério, apenas fitando o centro da tenda.
– Não é como da última vez. Eu estou falando para você ir embora deste circo. Não acho que você deve virar uma vítima. – Somente respirou, não houve nenhum movimento. – Por favor, vá!
– Depois que você me explicar tudo... – pediu esperançoso.
– Não há o que explicar, simplesmente acontece. – O pierrot moveu-se por inteiro, ficando com seu corpo de frente para o de Jinki, que apenas se assustou com a visão. Suas olheiras estavam piores, havia falhas em seu couro cabeludo e algumas marcas em seu pescoço. Ele estava ainda pior.
Jinki instantaneamente levou sua mão aos fios castanhos e os acariciou. Eram macios. O pierrot apenas fechou os olhos com o ato. Nunca havia sido tocado assim, por uma mão leve e segura. Era diferente, era bom, era um puro e ele sabia disso. Onew recolheu sua mão, e junto com ela vários fios de cabelos, e ficara em dúvida se era algo provocado ou apenas “era” assim. Ele sabia, com a experiência que tinha como médico, que aquele ser estava doente, e isso era mais que visível, mas não era somente isso que estava errado, tinha algo a mais.
– Acontece o quê? – perguntou curioso, ignorando o que o outro havia dito. Desta vez seus pensamentos não estavam prestando atenção nas palavras que saiam da boca do outro, eles estavam preso a algo maior, no possível sofrimento daquele pierrot.
Ele era tão frágil...
– Eu não gosto de falar nisso, é algo ruim. Algo doloroso, eu ouço os gritos das pessoas, sinto o sentimento de dor e também vejo as lágrimas quando tudo acontece. Eu não quero falar. – Levou suas mãos à cabeça e arrancou alguns fios de cabelos, estava tentando a todo custo tirar todas as lembranças que existiam dentro de sua mente.
– Tudo bem, só não se altere. Você não me parece estar bem. – Jinki sorriu fraco, tentando passar calma enquanto acariciava o ombro do menor.
O pierrot sentia como aquelas carícias eram diferentes, eram reconfortantes e nem um pouco violentas. Não era como a deles.
– Eu estou bem. – Sorriu fraco, parecendo algo realmente normal fazer aquilo, uma pena que não era... – Eu sou um puro, está tudo bem. – Levantou-se e caminhou com passos calmos na direção da cortina vermelha.
– Espera, aonde você vai? – Onew correu e o agarrou pelo pulso, um pulso fino e com pouca pulsação.
– Já que você não irá embora, eu prefiro me retirar e não ver o que acontecerá com você. – Seu sorriso desapareceu quando ele deixou sua cabeça cair. – Aliás, Jinki, meu nome é Jonghyun, foi legal te conhecer. – Soltou-se da mão do outro e na mesma deu um leve beijo. Poderia ser uma despedida. – Adeus. – E entrou para a parte de trás das cortinas, deixando um Onew paralisado no mesmo local.
MinHo já estava bastante perto quando Jinki voltou a si. O fato era que aquilo estava se tornando um hábito; ele sempre viajava quando estava na presença daquele pierrot que agora sabia que se chamava Jonghyun. Outro hábito era que MinHo sempre arrastava Jonghyun para a parte de trás da cortina vermelha, e nunca entendera aquilo. Jonghyun estava sempre quieto e não atrapalhava, não havia motivos para tirá-lo dali. E quando Onew deu-se conta do que estava acontecendo ao seu redor, MinHo já estava na sua frente lhe fitando com um sorriso nos lábios. Era uma beleza assustadora.
A sua maquiagem estava borrada, talvez porque ele já havia tentado tirá-la e não conseguira, e seus cabelos estavam desarrumados devido à tiragem da peruca. Ele era o inimigo. O carnívoro.
– Vejo que voltou. – Sorriu. – Você não deveria ter feito isso, deveria ter escutado o pequeno pierrot. – Deu um passo em direção a Jinki, e este somente recuou alguns passos, mas o outro o segurou pela cintura com uma força desmedida, deixando seus corpos colados. – Já que está aqui, por que não aproveitamos e nos conhecemos melhor, hein?
Ele levou sua língua até o pescoço do menor e o lambeu, logo depois passou a dar fortes mordidas no local enquanto Jinki tentava se livrar de seu aperto.
– Não se preocupe, você será o prato principal. – Levou seus lábios até a boca do outro e mordeu seu lábio, o machucando. O sangue que saía do ferimento era absorvido pelo maior, enquanto Jinki apenas ficou o encarando, sem reação alguma. A única coisa que sentia era o gosto de ferro, nada mais.
Entretanto foi em outra mordida nos lábios que ele reagiu. Empurrou o corpo do outro que caiu no chão com a força do ato. O palhaço ria levemente, parecendo completamente despreocupado.
– Não gostou da maneira que eu me alimento? – Continuou rindo enquanto se levantava. Ele era diferente, a aura dele era diferente da do pequeno pierrot.
Jinki entendera, ele não era puro.
Correu entre a multidão que aplaudia o final de outro show. Agora parecia que ficava mais claro, mas com isso as coisas ficavam mais confusas e distantes. Era difícil definir o que era o quê. Saiu da tenda e viu a placa do circo.
A última apresentação seria no dia seguinte.
In The Circus
O show dos palhaços já havia acabado, logo, não havia motivo para Jonghyun continuar maquiado. Sentou-se na cadeira em frente a um espelho cheio de lâmpadas envolta do mesmo – como era afastado de todo o resto, aquele local era somente seu. Era como uma rosa em meio a um deserto. Pegou os itens necessários para fazer tal coisa e começou. Sua face mudava a cada novo toque do produto que tirava sua maquiagem. Ele não sabia se ficava pior sem ou com ela. Suas olheiras, seus hematomas, seus machucados, seu coração quebrado. Era tudo culpa daquele maldito palhaço.
– Ele fugiu! – uma voz grossa gritou atrás de Jonghyun o fazendo se assustar. Era sempre assim, era sempre o mesmo tratamento: Rude e violento. Jonghyun não entendia como conseguiu se apaixonar por ele. Quando tudo aconteceu todos eram puros, somente MinHo não era, fora ele que começara tudo.
Era a época de ouro do circo. Viajavam constantemente, e em todas as suas paradas o circo sempre conseguia mais animais juntamente com mais circenses, e foi em uma dessas paradas que MinHo entrara. Os olhos escuros já existiam quando ele entrou para o circo, tudo era igual à hoje em dia, a mesma maquiagem, o mesmo sorriso e o mesmo olhar faminto. Ele era o culpado.
Jong se apaixonara por ele como se fosse uma criança, era um amor ingênuo, ele entendia isso, mas tudo mudou quando ele o viu se alimentando. Não era algo agradável, não era normal. E constantemente todos começaram fazer as mesmas coisas, era como um vírus, sempre se espalhava mais. E quando Jonghyun se deu conta, todos já eram carnívoros. Todos, menos ele.
Ele tentou diversas vezes mudar tudo aquilo, até colocou seus sentimentos em jogo, entregou-os de bandeja para o maior, que recusou. Foi o pior choque que ele havia de ter na vida. Era um sentimento tão ingênuo, tão verdadeiro e ele jogou fora, porque ele se alimentava de carne e não de sentimentos. E foi aí que as coisas pioraram. Com tudo aquilo, Jong se afastou, mas cada vez que se afastava, mais eles se aproximavam de si. Espancamentos são naturais agora, mas quando começou tudo não passava de brincadeiras. Brincadeira que agora tinha diversas consequências, e que ainda continuam.
– O que você contou para ele? Diga! – ditou em um grito, aproximando-se do menor e o fazendo virar para si. Tomou o conteúdo das mãos de Jong e começou a limpar o rosto do mesmo com agressividade. – Você sabe que não deve falar nada do que acontece por aqui a ninguém. Somente nós devemos saber sobre isso. – Agarrou o queixo de Jonghuyn e o obrigou a encará-lo. – Apenas nós. – Levantou-se e desviou um soco na cara do outro. – Espero que não se alimente dele antes de mim. – Sorriu e saiu dali.
De fato, Jonghyun esperava por aquela reação, sabia que aquele soco viria e estava ansioso para que tudo aquilo acabasse para ocorrer tudo novamente, a noite seguia afinal. Virou-se e continuou a limpar-se.
As lágrimas de tinta, agora eram substituídas por lágrimas reais.
Lágrimas de um pierrot.
Notas finais
Leitores fantasmas, apareçam, ficarei feliz ^^
até semana que vem ~ou antes ~ ^^
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