In The Circus

3 Capítulo 3 - O Fim do Espetáculo


Notas iniciais
Oi vocês *acena*
Cheguei -dentro do prazo- com o ultimo capitulo de In The Circus >
Yah, agora tudo será explicado ~
Bom, vocês já ouviram o solo do Onew? http://www.youtube.com/watch?v=MhO5AS-dmZw&feature=player_embedded A letra tem um pouco a ver com a fic - parece como um dueto entre o lado do Jong e o lado do Onew na fic- a letra http://onewbrazil.wordpress.com/2012/08/22/audio-onew-solo-ost-para-o-drama-to-the-beautiful-you/ então eu considero a musica o tema da fic ^^ ~ escutem
Boa leitura e até as notas finais.

A chuva caía forte naquela noite fria de inverno. Jinki estava com um guarda-chuva sobre si, mas ainda assim não conseguia se proteger totalmente da água da chuva. Já estava perto do circo, sabia porque podia ver as luzes acesas ao longe. Aquela era sua última chance de entender tudo.

Começou a caminhar mais rápido, não querendo perder um segundo do espetáculo. Parou assim que passou pela entrada do circo, mas havia uma pessoa que estava parada e a mesma não o deixava prosseguir. Seus olhos escuros o encaravam de forma perversa e sedenta, aquele olhar era ameaçador e Jinki estava com medo. Deu um passo à frente e passou por ele, mas não prosseguiu; a mão do outro em seu pulso livre não permitia.

– O que aquele pierrot te disse? – MinHo perguntou em um tom sério, suas expressões eram sérias mesmo com aquela maquiagem colorida. Não havia diversão alguma naquilo.

Onew engoliu em seco. Jonghyun não havia lhe falado nada, mas ele tinha suas hipóteses, mas nada era confirmado, eram apenas teorias que ele havia criado.

– Nada – disse ao soltar seu pulso dos dedos do outro e depois se virou para encarar o outro. – Jonghyun não me disse nada. – Sorriu fraco, desejando não falar aquelas palavras, queria poder dizer que sabia de tudo e tentar achar um meio de mudar aquilo, mas não havia como. Jinki não tinha as informações necessárias.

– Que bom! – Sorriu. – Então eu posso continuar o que eu estava fazendo ontem. – Agarrou a gola do casaco que o menor usava e o fez seguir até um lugar afastado das pessoas. Jinki deixou que seu guarda-chuva caísse e deixou-se ser levado pelo outro. – Não se preocupe, não irei lhe machucar, serei bonzinho com você. – Empurrou o corpo do outro contra uma pilha de caixa que havia no local e atacou os lábios de Jinki sem calma.

Animalesco era o perfeito adjetivo para aquele ato.

Novamente ele mordeu os lábios do outro com uma força que os fez sangrar. Onew apenas fechou os olhos; os cortes que MinHo havia feito no dia anterior ainda não haviam sarados, portanto aquele outro corte só fez piorar a situação.

Abriu os olhos e se deparou com os orbes negros do maior lhe encarando, o beijo já havia cessado e foi por esse motivo que Jinki abrira os olhos. Não havia toques, somente olhares a quais eram piores que as “carícias” que MinHo havia lhe dado.


– Você com certeza sabe de alguma coisa, você não está tão surpreso quanto devia. Me conte o que aquele maldito pierrot lhe disse! – gritou e pressionou mais seu corpo contra o do menor. Era quente, e tentador para o palhaço.

– Ele disse apenas o necessário para eu não gostar da sua companhia. – Sorriu cínico e empurrou o corpo do outro para longe do seu, parecia uma tarefa difícil, mas quando o fez pareceu mais simples do que imaginava. – Você não deveria fazer o que faz. – Saiu correndo e entrou na tenda, deixando o outro ainda sorrindo.

Quando entrara no circo fora direto para as caixas; hoje ele não iria sentar-se nos bancos e ficar esperando a hora certa para se aproximar ou não fazer nada. Aquela era sua última chance, afinal. Ele havia perdido o início do show, mas não se importava com aquilo – aquele show ficava uma droga depois de ser visto por mais de uma vez. Estava ansioso, já terminava o primeiro show e agora era a hora dos malabaristas entrar, era hora de seu pierrot entrar em cena nos bastidores do espetáculo.

Mas ele não entrara. Ele não havia ido até seu “trono”. Os palhaços já estavam entrando no centro daquele local e o seu pierrot não havia aparecido. Levantou-se rápido e correu para trás das cortinas vermelhas. Aqueles eram os bastidores do show, via animais trancados em suas jaulas, pessoas se maquiando e algumas somente conversando, mas Jonghyun não era nenhuma delas.

– Senhor, você não pode ficar aqui! Somente quem trabalha fazendo sua alegria pode ficar neste local – um homem de meia idade disse e Jinki o reconheceu, ele fazia parte do primeiro show, ele era o domador dos animais ferozes. Jinki também notou que seus olhos eram negros...

Afastou-se do homem e correu na direção oposta, se deparando com outra cortina, branca, esta menor que todas, parecia algum tipo de camarim, mas era diferente do esperado. O lugar estava decadente, como se estivesse sem dono e abandonado, mas ainda sim as luzes estavam acessas. Seguiu em direção a ela com passos calmos, não dando importância para as vozes que lhe chamavam, talvez não devesse escutá-las mesmo.

O local não era diferente do que aparentava. Os poucos objetos que haviam ali estavam todos jogados no chão e as roupas que havia em alguns cabides estavam todas rasgadas. Mas não importavam, nem pra Jinki e nem para Jonghyun, aquele era o fim mesmo.

Onew mantinha-se parado. A cena que via não era agradável, nem um pouco. Jonghyun estava sentado em um banco de frente para um espelho quase totalmente quebrado, maquiando-se. Mas não era isso que lhe surpreendia. Seu rosto estava irreconhecível. Os hematomas ainda piores, cortes pelas mãos e suas olheiras agora eram ainda mais roxas. Estava péssimo, estava sofrendo.

Jinki ainda não havia se mexido quando o pierrot vestiu a roupa para a ocasião: preta e branca. Voltou a se sentar na cadeira e deu o último toque na maquiagem: a sua lágrima fictícia.

Onew agora entendia que aquele pierrot não era um pierrot frágil.

– F-foi tudo culpa minha. – Jinki olhara o outro com seus olhos marejados, as lágrimas de culpa e pena não queriam sair e Jinki achava que elas não deveriam sair. Aquele pierrot não merecia sua pena. Ao contrário, Jinki merecia a pena do pierrot.

Ele havia sido tão cruel em causar tudo aquilo, em ter tanta curiosidade, ter tanta fome de conhecimento. Mas ele não podia fazer nada quanto a isso, era mais forte que ele. Foram esses sentimentos que o levaram até ali desde o primeiro dia que havia ido àquele maldito circo.

“Não, não foram somente eles.”

Deixou seu corpo cair no chão com suas lágrimas ainda presas. Ele era o culpado, ele era o fraco, ele era o frágil.

Jong apenas deixou um sorriso crescer em sua face quando viu aquela cena. Jinki havia entendido algo que ainda não compreendia dentro de si e ele sabia que isso era algo bom, Jong sabia. Levantou-se do banco ainda mancando devido ao espancamento recente e deixou seu corpo cair de frente ao outro, da mesma forma.

– Você não tem culpa. – Levou sua mão pálida até o queixo do outro e o levantou. Limpou as lágrimas que ainda existiam nos olhos do mais velho e passou a alisar sua pele alva e macia. – Você lembra quando eu disse que eu me alimentava de sorrisos? – Viu Jinki confirmar com a cabeça e deixou que seu sorriso se alargasse mais. – Você não sorria, você não tinha emoções boas, por isso eu lhe pareci tão fraco, tão frágil. Mas esse não era eu. Esse era você. Eu era você, Jinki, o seu reflexo. – Jinki escutara tudo atentamente, ainda que às vezes a carícia que era feita em si o levava dali. – Mas agora eu sou o pierrot e você a platéia, entenda.

Jonghyun se levantou e guardou suas maquiagens, bem como todos os seus pertences em uma pequena caixa sobre o móvel de madeira. Voltou para onde Jinki estava e levantou seu corpo.

– Temos um show para ver. – Pegou na mão do outro e o levou dali com dificuldades. Jinki sentia como aquele toque era quente e forte, algo inesperado vindo daquele pierrot e seu estado que não era dos melhores.

Sentaram-se nas mesmas caixas e ficaram a observar o show dos malabaristas que já estava no fim. Jonghyun sorria enquanto Onew estava perdido, em todos os aspectos.

– Eu fico feliz que ainda seja um dos meus. – Virou seu corpo e encarou o outro e seu sorriso havia desaparecido mais uma vez, agora ele olhava sério para o outro. – Não gostaria que você tivesse virado uma vítima.

Jinki continuava perdido, mas desta vez era no brilho que existia nos olhos do pierrot.

– Jonghyun, você não irá mesmo me contar? – Insistiu, mesmo sabendo que o outro não gostava de falar sobre aquele assunto. Suspirou quando viu que o brilho havia desaparecido daqueles olhos claros e sua face ficara triste.

Jong desviou o olhar para o centro do palco, via como tudo era mágico naquele momento e como adorava ver tudo aquilo nos minutos que durava. As crianças alegres comendo suas pipocas, os adultos rindo das trapalhadas que os palhaços encenavam apenas para diverti-los; era um circo, no final das contas. E ainda tinha os casais apaixonados que ficavam de mãos dadas durante todo o espetáculo, estivessem rindo, com medo ou até mesmo com tédio de tudo aquilo. Deveria ser assim. Aquilo era correto e não o que acontecia atrás das cortinas todas as noites.

Olhou para MinHo que também olhava para si. O culpado. O maior desviou o olhar do pierrot e apontou para um garoto na platéia, ele seria sua vítima naquela noite chuvosa. Droga, um garoto tão novo. Mas não era isso o que mais incomodava Jong, era o fato de MinHo sempre lhe mostrar suas vítimas. O maior queria afetá-lo, queria que ele se tornasse um dele. Entretanto, não conseguiria. O amor que o menor sentia por aquele animal não o permitia. Mas agora, aquele sentimento não existia, somente o vazio existia e como um ciclo, o vazio tem que ser preenchido por algo e este algo estava ao seu lado, puro e perdido.

“Bastava apenas sorrir.”

Tirou os olhos do garoto da platéia dos palhaços e o direcionou à sua platéia, Jinki ainda parecia perdido em seu interior.

Jong poderia mudar aquilo com apenas um ato...

– Sorria. Apenas sorria, eu me alimento do seu sorriso, portando sorria. – Jong sorriu, vendo os olhos do outro voltar ao normal. Era difícil para Onew explicar, mas ele tinha a necessidade de sorrir.

Sorriu.

– Mesmo sorrindo você não irá me explicar. – O sorriso havia diminuído, mas ainda estava presente. Jong entendeu aquilo, era uma necessidade.

Levou calmamente suas mãos ate o rosto do outro e o acariciou por inteiro, passou pelos olhos e também pelos lábios que ainda estavam sujos de sangue, que Jong tentara limpar; ele não gostava daquele cheiro e nem da cor do mesmo.

– Sorria! – pediu mais uma vez. Levou seus dedos finos aos olhos do outro e o fez fechar. – Somente sorria agora. – Acariciou mais uma vez a pele quente e alva do outro, desejando sentir mais, mas não podia, era o seu fim. – Sabe Jinki, eu não consigo mais enxergar seu sorriso, mas eu ainda consigo senti-lo. – Levou instantaneamente seus dedos mais uma vez aos olhos do outro. Ele não deveria abri-los. – Não abra os olhos, por favor. Eu o amei, Jinki, mas ele tirou todos os sorrisos de mim, e por esse motivo eu me tornei oco e agora... agora eu amo você, Jinki. Eu tenho o seu sorriso e eu sei que o terei pra sempre. Foi algo planejado, eu sei disso. – Onew continuava sorrindo, assim como o outro continuava a carícia. – Eu não sou um carnívoro, mas agora, antes do fim, eu desejo ser um.

Jonghyun nunca havia notado as pessoas em sua forma física, somente as suas emoções. Sentimentos era o que ele mais valorizava. Mas Jinki parecia ser diferente, era como uma mistura de ambos. Ele tinha sentimentos, ele tinha emoções e seu sorriso era lindo juntamente com todo o seu ser. Havia equilíbrio naquele corpo.

Seu espírito era lindo, seu coração era lindo, os sentimentos que ele haveria de conhecer e que Jong já conhecia também eram lindos.

“Era sua hora, a última.”

– Eu não irei lhe explicar nada, eu irei mostrar. – Nunca imaginou fazer aquilo, mas tinha que ser feito de uma vez. A primeira e a última. A primeira porque ele não resistia mais, e a última pela mesma razão da primeira. Jonghyun não resistiria depois de fazê-lo, logo tudo estaria acabado.

Olhou mais uma vez para o centro da tenda, não podendo mais ver o fim do espetáculo, os aplausos e a reverência em agradecimento dos palhaços. Ele sabia que tudo estava daquela forma com os sons que seus ouvidos capturavam. Tudo estava acabando. E era aquela imagem fictícia que ele levaria consigo: a platéia aplaudindo feliz e alegre. Olhou para Jinki e sorriu, sentindo o sorriso do outro, o sorriso a qual agora era o seu sorriso. Não o veria mais daquela forma, com aqueles olhos, seria um carnívoro e depois disso tudo estaria acabado.

– Jinki – puxou mais a face do outro em sua direção em uma posição perfeita para o bote perfeito –, adeus.

Buscou os lábios do outro lentamente, sentindo o momento antes que acabasse tudo, de começo um beijo calmo e sem vida.

Os poucos sentimentos que resistiam no corpo do pierrot estavam desaparecendo ou talvez apenas passando para outro humano, enquanto os de Jinki explodiam dentro de si, de uma forma arrasadora – era difícil definir o que sentia, pois nunca havia sentido aquilo.

“São todos seus. Esses sentimentos.”

Quando enfim os lábios foram desgrudados, Jinki abriu os olhos e vira os olhos claros e pouco vivos do Pierrot se tornarem negros e juntamente com aqueles olhos claros se foram também os sentimentos e o calor daquele corpo.

O corpo gelado de Jong caiu sobre seu colo; não existia mais vida naquele corpo, não existia mais seu pierrot.

MinHo assistiu toda a cena de longe, apavorado e quando viu o pierrot dar fim ao ato, correu para trás da tenda, voltando um tempo depois com uma caixa em mãos. Estava em frente à Jinki, esperando uma reação do mesmo.

– Não se sinta culpado. Você não é! – A voz grossa de MinHo foi absorvida pelos ouvidos do menor que continuava parado no tempo, em choque. MinHo esperava por aquilo, na realidade, todos do circo já esperavam por aquilo, sabiam que era somente uma questão de tempo.

“–Somente uma pessoa terá este prazer, MinHo.”, era as únicas palavras que martelavam na mente de MinHo. Jong se entregara, em seu fim. Um final triunfante.

Jinki estava com medo, medo de tudo, medo de todos.

– Ele era o único puro que existia aqui. – Minho sorriu fraco.

E apenas naquele momento Onew entendeu que havia tirado a pureza daquele ser.

– Isto agora é seu. – Pousou uma caixa de madeira sobre outra caixa. – Você saberá o que fazer, pois ele não faria isso se acaso não tivesse absoluta certeza de que era a coisa certa à se fazer. Parabéns. — Sorriu triste e saiu do local calmamente.

Jinki entendera que naquele ato havia tornado aquele pierrot em um carnívoro.

In The Circus

A chuva caía forte, mas agora não era mais noite, era o começo dela em um novo dia. Jinki não iria mais ao circo, ver o espetáculo e seu pierrot. Não, não havia como, agora era impossível. O circo já havia ido embora. Se fora rápido, assim como ele viera rápido.

Jinki não iria sentir saudades nenhuma, talvez estivesse até feliz por eles terem ido embora, entretanto nada poderia fazê-lo sorrir naquele momento, nem o pierrot.

Vestiu o terno escuro que estava pendurado no cabide de seu pequeno guarda roupa e pegou a rosa que estava sobre sua cama. Ela era branca como ele era. Saiu de casa protegido pelo guarda chuva preto e passou a caminhar na mesma rua que os outros dias, dessa vez na direção oposta. Passou por um portão grande e seguiu para dentro do pátio, seguiu o caminho dando várias voltas até chegar onde queria. Era o funeral do seu pierrot.

Não havia ninguém ali, somente seu coração. Nem os outros palhaços foram à cerimônia. Mas antes de irem embora justificaram tudo, Onew entendeu tudo o que Jong não havia explicado, era tão esquisito pensar como Jong pensava. Ele era tão ingênuo.

Suspirou abaixou-se, beijou a flor branca que tinha em mãos e a colocou de forma delicada sobre o caixão branco. Aquela tinha sido escolha sua, o caixão branco representava a pureza que detinha em Jong, a pureza que foi tirada dele quando Onew o beijou.

Levantou-se e saiu do lugar. Não queria chorar, mas parecia impossível.

Abriu um sorriso, o maior e mais belo sorriso que conseguiu naquela hora e deixou uma lágrima cristalina escapar dos seus olhos, molhando a lágrima de tinta que estava desenhada em sua pele.

Aquele era o fim do seu começo.

Notas finais
Sim, acabou T-T
Alguém não entendeu?
Quem ainda continua sem entender, me fale por review ou MP, ok?!
Mas agora vamos aos agradecimentos *--*
Bom, quero agradecer a todos que acompanharam a fic, a todos que deixaram/deixarão seus reviews lindos e cheirosos e também aos leitores fantasmas, mesmo não deixando reviews, vocês fizeram parte da fic ^^
Yah, um IMENSO obrigado a JayJay, por betar, fazer a capa, me dar idéias e também por me convencer a fazer a fic maior. Obrigado sua linda ♥
Não perdendo o costume: reviews?
Obrigado, e até uma próxima ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!