In My Life

33 Capítulo 33


Notas iniciais
Oi, bonitos.

—Conseguiu as informações que lhe pedi? — questionou Andrea, enquanto recostava seu corpo na poltrona macia de sua sala.

—Sim, chefe — Ele entregou a ficha da bela garota de cabelos escuros e olhos azuis — Por que quis tanto saber sobre essa menina?

—Primeiro: tenho de ter controle sobre meus agentes e, segundo: os olhos dela me pareceram muito familiares — disse e começou sua leitura — Quero ficar sozinha, saia da sala, por favor.

Nome: Bella Schieffler Chevalier.

Andrea ficou com as mãos trêmulas, poderia ser apenas uma coincidência que a tal garota tivesse o mesmo nome e o mesmo sobrenome de sua filha. Continuou a leitura.

Pais: Tom Schieffler e Amelie Chevalier.

—Apenas mais coincidências — disse, nervosa, e leu a data de nascimento da garota. Foi aquilo que a convenceu, a tal Bella Schieffler era a mesma Bella, sua pequena filha, que Andrea se viu obrigada a deixar para trás quando a garota era apenas um bebê frágil e ingênuo.

"—Alô? — Atendeu o telefone — Quem é?

—Quero falar com Andrea... Schieffler — falou a voz do outro lado da linha.

—Sou eu, o que quer? Quem é você? — questionou mais uma vez e arqueou a sobrancelha.

—Olá, filha do chefe... Bela filha.

Andrea deixou o telefone cair de suas mãos e correu até o quarto de Bella, sua única filha, para garantir que nada havia acontecido com a pequena. Existia uma mulher parada ao lado do berço, Bella Schieffler estava em seus braços, ela tinha cabelos escuros.

—Meus parabéns, sua filhinha é... Muito bonita, seria uma pena se algo acontecesse com ela, não é? — Ela deu um sorriso cínico.

—Solte minha filha — disse, cerrando os punhos — Quem é você, desgraçada? Responda-me de uma vez!

—Sou Amelie — apresentou-se e ergueu o pulso, mostrando a marca de um morcego vermelho com um triângulo negro no meio em seu pulso.

Andrea ficou enfurecida, aquele era o símbolo de uma gangue a qual a agência estava a investigar. Tudo bem que envolvessem e colocassem a sua vida em perigo, mas colocar sua filha no meio era inaceitável. Amelie retirou a arma de seu casaco e apontou para a cabeça da pequena Bella.

—O que você quer? — questionou Andrea, já com vontade de esmagar a cabeça daquela mulher — Fale logo!

—Diminua a bolinha, querida, se não fizer o que eu mandar... — Passou o dedo pelo gatilho, o que fez Andrea ficar ainda mais nervosa.

—Diga logo o que quer e deixe minha filha em paz — falou — Por favor.

—Certo, agora está bem melhor — Respirou fundo — Deixaremos sua filhinha e seu marido em paz se você fizer um pequeno favor para nossa gangue.

—E o que seria esse favor? — Arqueou a sobrancelha.

—Se entregue para nós, seu querido pai sem dúvida ficará muito... Interessado em colaborar conosco quando souber que sua filhinha querida está em nossas mãos.

—Nunca irei fazer isso, você está louca?

—Que pena, Bella é uma garotinha tão bonita — A garotinha começou a chorar nos braços de Amelie — Cale a boca, garota estúpida! Será um grande alívio atirar em você.

—Certo, eu... Eu me entrego para a gangue — disse Andrea, enquanto relaxava os músculos e respirava fundo ao ver a filha ser colocada novamente no berço — Mas... Por favor, deixe que eu escreva uma carta para meu marido.

Amelie deu de ombros, entregou papel e caneta para a mulher e checou seu reflexo no espelho, como sempre estava linda. Aquele batom vermelho estava incrível.

Após escrever a carta para Tom, Andrea inclinou o corpo e depositou um beijo na testa de Bella, que esboçou um sorriso leve no rosto. A mulher murmurou um "até algum dia, meu amor" e, com lágrimas nos olhos, aceitou ser levada por Amelie. Tinha certeza que Tom cuidaria muito bem da filha, então não teve medo de deixá-la com ele.

Seu coração apertou ao perceber que talvez nunca mais veria a tão amada filha, o que fez mais lágrimas caírem, com certeza aquela dor que sentia era bem maior do que a que sentiu no parto de sua pequena Bella."

Após seu pai ter entregado-se no lugar da filha, alguns meses depois, Andrea passou a procurar a pequena filha de cabelos escuros olhos tão azuis quanto o céu em um dia sem nuvens. Não obteve sucesso, no entanto não parou de insistir e procurar a garota. As buscas diminuíram assim que veio a notícia que seu pai havia morrido nas mãos da gangue, já que Andrea foi obrigada a se tornar o novo chefe e liderar a agência.

Nunca imaginou que sua pequena garotinha estivesse tão perto, no mesmo país e até no mesmo prédio. Bella estava bem debaixo de seu nariz, no entanto ela não havia notado a semelhança entre os olhos claros da morena e os de Tom. Ambos carregavam uma serenidade e uma inocência no olhar.

—Traga Bella aqui — gritou e bateu as duas mãos na mesa, ansiosa para ver a garota e abracá-la o mais forte possível.

Iria de fato abraçar a filha que não via há mais de vinte e um anos, quase vinte e dois, na realidade. Como será que ela estava? Será que tinha se tornado uma mulher bem sucedida? Era inteligente? Namorava? E qual o relacionamento dela com os garotos da equipe? Será que ela havia sofrido bullying no colégio?

Faria o possível e o impossível para retirá-la daquela vida, não desejava que a filha tivesse o mesmo destino triste que ela. E foi então que a pergunta principal veio a sua cabeça. Bella iria lhe perdoar por tê-la abandonado?

O coração de Andrea ficaria partido em mil pedaços caso a resposta fosse um não, provavelmente não aguentaria que sua filha não lhe perdoasse pelo erro. Mesmo que soubesse que não tinha culpa, a garota poderia ficar triste por não ter convivido de forma diária com a mãe biológica.

—Srta. Schieffler, digo, chefe?

—Fale.

—Bella chegou.

Notas finais
Espero que tenham gostado. ♥