Imóvel
1 Crepúsculo
Notas iniciais
Espero que gostem.
"Chaire" é uma saudação usada na Grécia Antiga.
O sol não se pôs, e a lua não ascendeu. Ficaram ali, imóveis no horizonte, encarando um ao outro com certa delicadeza, com certo espanto.
A carruagem de Apolo se mostrou primeiro, e dela desceu um garoto homem, belo, de cabelos dourados e cacheados. Carregava um sorriso quase cínico, quase apavorado, diante da visão de sua irmã.
A carruagem de Ártemis era puxada por um cervo, animal designado à Deusa. Ela tinha cabelos também dourados, mas um milhão de vezes mais escuros.
— Chaire, irmã. — O deus do Sol deu um passo à frente, para cumprimentá-la, e ela se mostrou receosa.
— Apolo. — Seus olhos se espremeram, e ela engoliu em seco encarando o chão. Ele era o protetor de sua pureza, e já tinha matado por ela. Ainda assim, fazia muito que eles não se encontravam. Aquele momento não duraria muito, Hera não permitiria. — Não se mova. — Disse, com firmeza. Ela mesma se segurou para não correr e abraçar seu irmão. Precisava aproveitar aquele tempo. — Isso acaba quando nos tocarmos.
— É, eu imaginei. Você sempre foi mais inteligente, né? — Apolo riu sozinho, sem nunca tirar os olhos da irmã. Precisava decorar cada detalhe de seu rosto, para que não o esquecesse no tempo que ficariam separados.
— Não sou nenhuma Atena, meu dom é a arquearia.
— Assim como a minha. — O deus do Sol acenou com a cabeça para o próprio arco que carregava nas costas, junto com a harpa. — Caçou algo recentemente?
— Eu não vou suportar, Apolo. — Disse, ignorando a tentativa do irmão de ter uma conversa fiada e caindo de joelhos. Se visse a si mesma, se consideraria fraca. A luz de sua carruagem a cercou. Era mais branca, enquanto a luz de seu irmão era amarelada. — Hera deve pagar por essa maldição. Ela… — Um poder cresceu em sua aljava. Ela preparava flechas para destruir tudo o que a Rainha do Olimpo amava. Ela olhou para o monte, e por um segundo vislumbrou a Deusa da Maternidade sem nenhuma proteção. Desnuda, com Zeus a encarando. Ela pegou uma flecha com o dedo indicador e médio, e sentiu o toque de seu irmão.
— Não. Não vale a pena iniciar uma guerra por isso. Eu mesmo cuidarei disso. Te dou minha palavra, irmãzinha. Falarei com a Pítia hoje mesmo. Talvez haja outra saída. — A luz da carruagem de Ártemis começou a tomar o corpo de Apolo, e tentava empurrá-lo para trás junto com a carruagem.
— E se não houver?
— Nesse caso, batalharemos. — e a luz da Lua o tomou completamente. Mais uma noite se iniciava, e com ela, o pedido de Apolo para que Hélios tomasse as rédeas da carruagem pelos dias seguintes.
Notas finais
Ah, Pítia é o nome da Oráculo de Delfos.
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