Imóvel
2 Guerra
Notas iniciais
Duas flechas foram preparadas, as duas para o Olimpo, mas isso não agradou ninguém. As Caçadoras marchavam, a Píton ia à frente. Um exército de mulheres em armaduras completas cercou o Monte.
Hera, Athena, Ares e Zeus se ergueram, imponentes, mas isso não faria Apolo hesitar.
— Chaire, Hera. — cuspiu o Deus-Sol. Ares se divertiu, sentado em seu trono vermelho, um pouco atrás. Apolo era mais baixo do que Hera, mas naquele momento, seu brilho estava tão intenso que parecia o contrário.
— O que é tudo isso, Apolo?! — Como uma criança birrenta, ela gesticulava com firmeza e rangia os dentes a cada palavra.
— Acabe com a maldição, ou nós destruiremos o Olimpo. — Disse Ártemis, aparecendo logo atrás de Apolo. Ela, ao contrário do irmão, tinha uma flecha preparada no arco, e apontada para o peito da Deusa Mãe.
Hera subiu uma sobrancelha, e logo em seguida, levantou o queixo.
— Zeus! Sua filha birrenta ousa apontar uma flecha contra mim! — Ela gritou. Athena apareceu ao lado da irmã, e segurou o braço que contraia a corda.
Ares permaneceu sentado, com seu elmo posto e o martelo de guerra na mão. Ele ria e observava, curioso pelo desenrolar da ameaça. Zeus se manteve calado, e assentiu discretamente para Ártemis.
Mas ele não foi discreto o suficiente. Hera, percebendo aquilo, deu um passo para trás.
— Faça. — A voz de Zeus trovejou e retumbou por todo o Olimpo. Ele olhava para Hera. — Eu cansei dessa tolice, Hera. Se eu errei no passado, eu já me desculpei. Você culpa meus filhos como se eles tivessem algo a ver com o que eu fiz. Desfaça a maldição, ou eu mesmo vou fazê-lo.
Ártemis sorriu com o canto da boca, e Apolo estava surpreso demais para perceber o que estava na mão de Hera.
Uma adaga cortou o ar, e Zeus falhou ao tentar segurá-la em movimento. A lâmina perfurou o ombro da Deusa Caçadora, e ela soltou a flecha ao cambalear para trás sentindo sua divindade se esvaindo.
— Agora que ela é uma mortal, não há mais maldição alguma. — Hera sorriu, e mesmo temendo a reação de Zeus, ela sabia que ele não iniciaria uma guerra contra a própria esposa.
Apolo correu até a irmã, e tentou curá-la com as mãos. As lágrimas escorriam por sua bochecha enquanto a luz no ombro da irmã se tornava sangue. Athena se virou para a mãe, e um segundo depois estava em armadura completa, com uma lança em mãos.
Ares ficou de pé com um sorriso macabro, e ficou à frente da mãe, ainda caída. Ele apoiou o martelo no chão, e fez seu elmo entrar em combustão.
— Ela cumpriu com o que disse, não cumpriu? — disse Ares.
— Ela atacou uma Olimpiana! — respondeu Athena. Zeus estava entre eles, encarando a filha agora mortal.
— Que meus filhos sejam testemunhas. — murmurou Zeus, e seu tom de voz aumentou a cada palavra. — Hera, eu me divorcio. Eu declaro você inimiga dos Olimpianos. Ares, de que lado você está?
— Ela é nossa mãe! — Respondeu o Deus da Guerra, abrindo os braços e tirando o elmo.
— Eu não posso fazer nada quanto a isso. — Zeus balançou a cabeça, e desapareceu numa lufada de vento.
Apolo pegou a irmã desmaiada nos braços, e desceu os doze mil degraus do Olimpo com ela.
Athena o seguiu, e os outros seis olimpianos os seguiram. O céu noturno perdeu seu brilho, e o Sol chorou.
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