Renesmee Cullen's POV


Acordei na manhã seguinte muito cedo, o dia acabara de amanhecer. Eu tinha a sensação de ter passado a noite toda acordada, meus olhos pesavam, mas eu não tinha sono.



Olhei em volta e vi que estava sozinha. Sentei na cama e cruzei meus braços em volta dos joelhos.


– Bom dia! – mamãe abriu a porta e sentou na cama – Trouxe seu café.

– Obrigada – baixei a cabeça e peguei uma panqueca, empurrando garganta a baixo.

– Sei que está assustada, – ela levantou meu queixo me fazendo olhar em seus olhos – mas não precisa.

Não consegui falar nada, só desviei de seus olhos e dei outra mordida forçada. Aquele sonho não me fizera bem.

– Teve pesadelo esta noite? – ela perguntou.

– Sim. Pior do que qualquer outro.

– Bom... Pelo visto você herdou isso de mim. Mas esqueça-o – ela sorriu – Hoje é seu aniversário. Jacob está louco pra ver você.

– Onde ele está? – de repente o sonho ruim saiu da minha cabeça por alguns segundos, pareceu menos real.

– Lá fora, com Seth. Mas antes, tenho um presente pra você. Meu e de seu pai – Todos os presentes dos meus pais eram especiais demais pra mim, e este não seria diferente. – Espero que goste – ela retirou do bolso um embrulho pequeno. Eu o abri devagar, desatando o laço. Era um mini porta-joias tão delicado que estava com medo de quebrá-lo. Brilhava tanto que parecia ter luz própria, e suas pedras pareciam diamantes. – Feliz Aniversário!

– Mamãe, eu... adorei! – eu queria dizer algo mais, mas não tinha palavras – É lindo!

– Seu pai escolheu as pedras.

– Onde ele está? – eu queria vê-lo, abraçá-lo.

– Com Carlisle, lá embaixo.

– Obrigada, mamãe! – eu me inclinei para abraçá-la.

Ela me agarrou com tanta força que se eu fosse completamente humana, teria me machucado.

– Eu te amo, Nessie – sua voz era angelical.

– Eu também te amo – ela me soltou – Agora vista-se. Seus tios estão esperando. – não consegui acompanhar seu movimento enquanto ela saía do quarto.

Abri a porta do armário do papai e tinha uma roupa que provavelmente tia Alice havia deixado lá. Vesti a calça preta, a camiseta azul bebê e o casaco azul marinho, enrolei o cachecol de cor parecida com o casaco em meu pescoço e coloquei o par de tênis que estava numa caixa ao lado da cama, que como sempre, eram novos. Minha tia não era do tipo que economizava dinheiro.

Escovei meu cabelo em frente ao espelho e deixei meus cachos soltos.

Desci as escadas e tia Alice e tia Rose me abraçaram juntas.

– Feliz Aniversário, Nessie! – elas disseram em coro e me entregaram uma caixa meio grande – É pra você usar hoje a noite, eu e Rose escolhemos.

Abri a caixa e tirei o vestido de dentro. Era de tamanho médio, com alças finas e de um bege quase branco, com detalhes prateados.

– Nossa... É muito bonito! Obrigada! – olhei para elas e retribuí o sorriso.

– Nessie, Feliz Aniversário! – tio Emmet me ergueu em seus braços e me entregou um ursinho de pelúcia que não estava embrulhado. Tio Jasper me abraçou também. Abri o cartão preso no presente que dizia “De Emmet, Jasper, vovô e vovó”. Esme estava na cozinha, provavelmente fazendo alguma coisa pra mim. Fui até lá agradecê-la pelo presente, e ela me mostrou os doces que tinha feito para a festa.

Papai chegou na cozinha me abraçando por trás. Eu girei e joguei-me em seus braços.

– Obrigada pelo presente, pai! – falei enquato o soltava.

– Feliz Aniversário!– ele tinha um leve sorriso nos lábios – Desculpe não tê-lo entregado junto com Bella, mas eu estava um pouco ocupado com Carlisle – a palavra ocupado me fez fechar a cara.

– Estávamos nos certificando de sua segurança na festa, Nessie – vovô apareceu atrás de nós – e Feliz Aniversário!

– Obrigada! – não hesitei em abraçá-lo também. Era impossível resistir aos sorrisos e o carinho daqueles vampiros que injustamente eram chamados de “frios”.

Enfim saí de casa à procura de Jacob. Eu esperava vê-lo em forma de lobo, mas não estava. Ele vestia uma camisa branca de mangas que iam até os pulsos, jeans desbotados e aquele sorriso encantador que me forçava respirar fundo para reanimar meus pulmões.

– Feliz Aniversário! – seus braços me envolveram, e num instante seu calor esquentou cada parte externa e interna do meu corpo.

– Obrigada. Por que não entrou?

– Esperava que você me procurasse. Quero dar seu presente com mais privacidade.

– Ah – a ideia de receber um presente misterioso de Jacob me fez vibrar. Ele sempre me dera presentes feitos por ele mesmo. O que seria melhor que algo feito por ele para ser entregue longe de todos? — E então... Onde está?

– Vem comigo – ele me pegou no colo.

– Onde vamos?

– À reserva, La Push.

Segurei minha ansiedade e não perguntei mais nada. Eu tinha certeza que seria algo bom demais, pois vindo de Jacob, eu só poderia esperar o melhor.

Chegamos rápido na praia, e estava vazia como sempre. O ar estava tão frio e úmido, que eu sentia minúsculas gotas de água tocarem meu rosto. Não chovia, mas estava mais frio que o normal, e se Jacob não estivesse ali, meu queixo tremeria quando o vento frio soprasse.

– Está me matando de curiosidade – eu falei.

– É essa a ideia – ele deu uma risadinha e seus olhos quase fecharam.

– Pare com este mistério, por favor!

– Tudo bem, chega de mistério – sua risada se reduziu a um sorriso no canto da boca. Sua mão direita tocou meu rosto e eu não mais consegui tirar meus olhos dos seus. Ele chegou mais perto, cauteloso, e meus braços automaticamente envolveram seu pescoço. Seus lábios grossos e quentes tocaram os meus, aquecendo ainda mais o meu corpo, que reagia com a temperatura de sua pele, acelerando meu coração em batidas rápidas e intensas. Tenho certeza que ele podia senti-lo saltar, porque eu também sentia o seu, que batia freneticamente.

– Eu te amo – ele sussurrou – Mais que a minha própria vida.

– Eu também. Mais do que você imagina. — não falamos nada por alguns segundos.

– Você gostou? – seu sorriso largo havia voltado.

– Foi o melhor que já me deu – às vezes eu me perguntava quando Jacob me beijaria, mas nunca imaginei que seria em um momento tão perfeito como este.

– Tenho mais uma coisa – ele retirou alguma coisa do bolso – Vire-se – eu obedeci, e ele prendeu em volta de meu pescoço um pequeno colar (obviamente feito por ele), que tinha como pingente o símbolo da sua tatuagem no braço. Passei meus dedos nele e girei para olhar em seus olhos – Se algum dia, eu precisar me afastar de você, — seu olhar era intenso – quero que olhe pra isto – ele tocou o colar – e lembre deste momento, e saiba que não importa onde eu for ou o que aconteça, eu sempre voltarei pra você.

– Por que está dizendo isso? – minha voz estava cortada – Você vai embora?

– Nunca. Jamais deixarei você – acreditei em suas palavras – Agora vamos antes que Bella pense que fugimos.

Voltamos para casa e tia Alice fechou meus olhos com as mãos para que eu não visse a decoração na sala. Ela me guiou até o quarto e alertou que mamãe ficasse comigo para que eu não espiasse.

Passamos a tarde conversando, jogando xadrez e cartas, e assistindo televisão. Já escurecia quando tia Rose abriu a porta.

– Nessie, está na hora. Vista-se.