Renesmee Cullen's POV


Coloquei o vestido que havia ganhado pela manhã e o colar que Jacob me dera, e estendi a mão para girar a maçaneta, mas a porta abriu-se antes que eu a tocasse.

– Não, nem pensar! – tia Alice foi entrando e me empurrando para uma cadeira em frente ao espelho – Que você é linda, ninguém pode negar, mas hoje é um dia especial e eu quero deixá-la deslumbrante! Rosalie, comece com o cabelo dela.

Percebi que minha mãe estava encostada na porta, observando e abrindo um leve sorriso a cada capricho e euforia das duas vampiras que faziam de mim sua boneca sem vontade própria. Seu olhar era nostálgico, e ao mesmo tempo fixado em mim. Não gostei da sua expressão, a observei por um tempo e ela desviou os olhos, depois sorriu pra mim. Nossa troca de olhares foi interrompida pela voz de tia Rose.

– Está mais que perfeita – disse ela entre sorrisos.

Olhei para o espelho e vi o trabalho de tia Alice. Era simples, moderno e ela destacou bem minha boca, até um pouco demais. Tia Rose tinha feito alguma coisa em meu cabelo que eu não entendi, mas que o prendeu pela metade no alto da cabeça, definindo meus cachos. Olhei outra vez para a mamãe e ela parecia maravilhada, ainda com aquele olhar pesado e intenso. Tia Alice tinha as mãos juntas embaixo do queixo olhando meu reflexo no espelho e vi que ela também percebeu o olhar de minha mãe.

– Não demore a descer, Nessie – ela puxou tia Rose pela mão e saiu porta à fora.

– Como estou? – perguntei.

– Quando penso que você é linda demais pra ser minha filha, Alice e Rose vem e fazem... isso!

Eu sorri e a fitei por um instante.

– Está preocupada com alguma coisa?

– Não – ela suspirou. – Só estava lembrando do meu casamento. Quando Alice me torturou com sua maquiagem e seus cosméticos infinitos.

– Acho que o dom dela vai além das visões – eu sorri e ela assentiu com a cabeça.

– Ah Nessie! – ela soltou um leve suspiro e afagou meu rosto – Você está crescendo rápido demais.

– Esse sempre foi meu lema, não foi?

– É... Mas agora está crescendo em seus sentimentos. São mais intensos, não são?

Olhei em seus olhos por alguns segundos. Não pude evitar e toquei seu rosto mostrando-lhe minhas lembranças com Jacob naquela manhã. Ela fechou os olhos, depois os abriu devagar.

– Escute – ela pegou minha mão, sem tirá-la de seu rosto – Agora que conhece o amor de verdade, quero que me prometa uma coisa.

– Qualquer coisa, mamãe.

– Nunca desista dele. Lute o quanto puder e enquanto viver, Nessie. Veja como estou com Edward hoje, nós não desistimos um do outro nem por um momento. Quando o conheci, decidi renunciar minha vida por ele, e aqui estamos.

– Você e o papai sempre foram meu maior exemplo. Vocês me ensinaram a amar assim – fiz uma breve pausa. – Eu amo Jacob mais que tudo.

– Eu sei. – ela pendurou nossas mãos sem soltá-las, entrelaçando seus dedos nos meus. – É melhor descer agora.

Saímos do quarto ainda de mãos dadas, e ela desceu primeiro para que tia Rose tirasse as fotos.

Desci o primeiro degrau colocando a mão no corrimão, olhei para baixo e vi todos eles me esperando. Tio Emmet e tia Rose, tia Alice e tio Jasper, meus jovens avós Carlisle e Esme, e meus pais perto da escada. Jacob estava com o pé direito apoiado no primeiro degrau. Os flashes da câmera da tia Rose quase me cegaram, e agora eu descia sem tirar meus olhos de Jacob, sua mão se estendendo para mim. Eu a peguei, e como sempre, seu toque quente revigorou meu corpo por inteiro, corando meu rosto.

– Você me surpreende a cada dia – ele agora estava bem perto, e sussurrava para que só eu ouvisse – Está linda!

Senti meu rosto ficar mais vermelho ainda quando ouvi as vozes macias de oito vampiros e uma voz baixa e rouca de um lobo cantando Parabéns pra você. Papai se aproximou trazendo um grande bolo decorado com meu nome em suas mãos, para que eu soprasse as seis velinhas.

– Faça um pedido – ele falou.

Um pedido. O que eu faria com meu pedido de aniversário? Só uma coisa, é claro.

Jacob. Que nada nem ninguém nos separe, e que eu possa viver com ele para todo o sempre. Fim.

O que mais eu poderia pedir? O que seria mais importante?

Nada.

Respirei fundo e apaguei as velas com um só sopro.

Ainda não tinha notado a decoração da casa. Não era nada tão diferente, eles sabiam que eu gostava de simplicidade. Estava tudo precisamente em seus lugares, mas haviam algumas cortinas nas paredes de vidro e uma faixa imensa com letras brilhantes escrito “Feliz Aniversário Renesmee”. Ao lado da televisão havia um mural com inúmeras fotos minhas desde o meu nascimento até alguns dias atrás. Me aproximei e observei as fotos em que Jacob estava. Em três fotos seguidas, eu mudava cada vez mais, constantemente. E ele estava igual, a não ser por seus músculos mais desenvolvidos. Jacob permanecera um jovem alto demais de vinte e dois anos.

– Vamos – ele pegou minha mão e me levou até lá fora.

Haviam pequenas luzes enroscadas nos cedros, uma mesa enorme sobre a grama, e o aparelho de som tocava minhas músicas favoritas. Apesar de meus vampiros recusarem comida humana, a mesa estava repleta de comes e bebes, intencionalmente para mim, a matilha, Charlie e Sue.

Vi minha mãe e meu pai indo recebê-los. Fui até lá e Jacob me seguiu.

– Oi, Nessie! Feliz Aniversário! – disse Charlie enquanto me abraçava e entregava-me um presente. Era um livro. Sue também me cuprimentou.

– Obrigada, vovô.

– Você não voltou à minha casa – ele parecia confuso. – O que aconteceu?

– Alice insistiu que ela viesse experimentar o vestido – mamãe mentiu.

– Ah – ele sorriu – E pelo visto, ela acertou na escolha mais uma vez. Você está linda!

– Obrigada.


Tia Alice conseguiu fazer uma festa bem animada. Todos nós conversávamos e ríamos muito, vendo alguns vídeos meus de quando era bebê. Um lobo de cada vez veio me parabenizar e sussurrar alguma coisa no ouvido de Jacob para que eu não escutasse. Eles não queriam que eu ficasse preocupada com o que acontecia lá fora, e revezavam na guarda para beliscarem alguma coisa da mesa farta.

Estava ficando tarde, e Charlie e Sue despediram-se de nós, entraram no carro da viatura e foram para casa.

Aos poucos fomos nos dispersando. Carlisle e Esme entraram, e tia Alice e tio Jasper dançavam romanticamente, enquanto tia Rose, tio Emmet, mamãe e papai os assistiam. Eu me balançava nos braços de Jacob, um pouco distante dos demais, nós acompanhávamos o ritmo da minha música favorita, Today was a fairy tale, de Taylor Swift. Jacob tocou meu colar e deu uma risadinha fraca.

– O que foi? – perguntei.

– O que você vê nesses presentes que faço? – ele ainda sorria – Olhando bem, está torto... desajeitado.

– Eu gosto exatamente porque você fez. Significa que passou horas pensando em como fazer, e mais um tempo o fabricando. E automaticamente pensando em mim... Estou certa?

– Não – ele enroscou suas mãos febris nas minhas. – Não preciso fazer um presente pra pensar em você. Só a sua existência é suficiente para ficar em minha mente o tempo todo.

Não consegui dizer nada. Beijei seu rosto, e quando olhei sua expressão, estava séria e preocupada.

– Qual o problema? – perguntei.

Ele não respondeu, e eu resolvi olhar na direção que ele se concentrava.

Avistei tia Alice imóvel, os olhos parados, perdidos no vazio. Eu conhecia aquele olhar. Tio Jasper apoiva as mãos em seus ombros, acalmando a tensão visível em seu olhar. Corri até lá, com Jacob atrás de mim.

– Alice, o que foi? – mamãe chegou antes de mim, tocando o seu braço. Ela abriu a boca para dizer algo, mas papai a interrompeu.

– Paul está aqui – Era estranho ouvir o nome de outro Paul, o que eu conhecia era o lobo que tinha um imprinting com a irmã de Jacob, Rachel.

Senti suas palavras chegarem à minha consciência segundos depois que considerei o nome. Elas percorreram minha cabeça e eu tombei para trás, mas Jacob me segurou.

– O que aconteceu com Sam e a matilha? – Carlisle aproximou-se, seguido de Esme.

– Ele escapou deles, usando Renata – tia Alice conseguiu falar.

– Quanto tempo? – a voz de Jacob era baixa, porém feroz.

– Uns cinco minutos – papai respondeu. – Ouço seus pensamentos cada vez mais próximos.

– Nessie, entre – mamãe falou cautelosamente.

Fiquei onde estava e não consegui mover um só músculo.

– Alice? – mamãe assentiu para que ela me levasse.

Ela puxou-me pela mão, mas eu segurei a de Jacob com força, o olhando nos olhos. Eu não queria que ele ficasse.

– Vou ficar bem – ele pôs sua outra mão sobre a minha.

Obedeci e o soltei, subindo os degraus até a casa.

Dei uma olhada para trás e vi sete vampiros e um lobo ferozes, prontos para atacar.