Impregnada
15 7 de Fevereiro :capítulo 15
Andrew me convidou para sua casa. Disse que estava sozinho e precisava de companhia e, como eu estava entediada, resolvi fingir que acreditava na sua desculpa só para arranjar algo para fazer. Apareci no portão da sua casa com um livro na mão e sono estampado no meu rosto e gritei o seu nome cinco vezes até ele aparecer ofegante.
– Estava correndo? – perguntei.
– Pra te atender, desesperada – saiu do caminho para que eu passasse – Você realmente precisa gritar tanto assim?
– Você realmente precisa demorar tanto assim?
Assim que dei um passo para dentro, bateu o portão e me agarrou, beijando-me. Suas mãos percorriam toda a extensão do meu corpo e percebi sua tentativa vã de me excitar. Separei-me dele e sussurrei:
– Tô com sono.
Ele riu e me beijou, mais leve dessa vez.
– Vamos, entre e durma – respondeu, segurando na minha mão e levando-me cuidadosamente para dentro.
Apontou para o sofá e disse que eu poderia deitar lá caso me sentisse confortável e o desse permissão para assistir a um filme. Quando se sentou, deitei-me no seu ombro e coloquei as pernas para cima, fechando os olhos. Seu braço me envolveu, puxando-me para mais junto de si. Então ali me acomodei e comecei a dormir.
Acordei ainda cansada. Não parecia ter passado muito tempo e na verdade fora só meia hora. Ergui os braços, me espreguiçando, e olhei para o seu rosto. Ele me encarou e riu da minha cara de lerda e selou nossos lábios.
Por um momento, aquilo pareceu fofo. Por um momento, me senti bem. Por um momento, era como se aquilo fosse o que eu queria fazer.
Mas, infelizmente, foi só por um momento.
Encostei no seu ombro e comecei a ler o livro que tinha levado. Andrew foi o primeiro cara que não reclamava da minha obsessão por leitura. Ele dizia que era minha maneira de fugir do mundo; ele tinha a sua própria.
Então senti o seu braço envolver a minha cintura. Acomodei-me melhor naquela posição e suspirei. Sua respiração estava na minha nuca e tive a sensação de que estivesse lendo junto comigo.
– Que livro é esse? – perguntou.
Mostrei-lhe a capa preta e branca do melhor romance que já tinha lido e gemeu.
– Gosta de coisas românticas? – voltou a questionar.
– Hã, sim.
– Então veja se isso não é romântico o suficiente para você.
E beijou a minha nuca, causando-me um leve arrepio. Depois baixou para o meu pescoço e partiu para a minha boca. Virou-me para que ficássemos frente a frente e contornou meu corpo com os seus dedos. Não estava me sentindo muito bem, mas ver que ele estava se esforçando para me fazer feliz me animou, e me vi capaz de fazer aquilo.
E cheguei à conclusão: não faço isso por mim e sim pelo Andrew. Ele tentou e merece. Ele merece o meu amor, e eu preciso tê-lo.
Seus toques não me eram mais dolorosos. À medida que o tempo passava, sentia como já tivesse feito aquilo antes, e na verdade já tinha. Ouvia seus sussurros nos meus ouvidos falarem sobre a nossa primeira vez e percebi que ela realmente já havia acontecido.
Admito que não fingi. Fiz cada coisa de acordo com o que sentia, por mais que não quisesse fazer aquilo. Esperava que isso o fizesse feliz.
Quando enfim parou, deitamo-nos no sofá, nus, olhando um para o outro. Nossas peles grudaram uma na outra por causa do suor.
E então rimos. Olhamos nos nossos olhos e começamos a rir. Alto, muito alto, e com gosto. Não era um riso forçado; estava me sentindo à vontade o suficiente para rir. E vê-lo daquela forma era um tanto engraçado mesmo.
E, dessa maneira, eu deitada no peito dele, assistimos juntos a um filme que nem sabíamos que existia; muito menos que estava passando.
Estava cantarolando uma música e quase dormindo quando o seu sussurro me despertou do meu transe.
– Alyson.
– Sim – ergui a cabeça para encará-lo.
– Posso te falar uma coisa?
– Você não é mudo, Andy.
Riu baixo.
– Fale – disse eu.
Parou por alguns segundos para olhar para o teto, com uma expressão meio sonhadora, e depois voltou a olhar pra mim com um sorriso no rosto.
– Você é perfeita.
Sorri, sem graça. Levantei-me e me arrastei até o seu pescoço e lhe dei um beijo. Olhei nos seus olhos com carinho e ali imaginei que talvez tenha encontrado o cara que estava procurando. Beijei-lhe mais uma vez e disse:
– Você que é.
Enquanto vestia minhas roupas para ir pra casa, pensava se acreditava no que tinha dito. Mas, enquanto caminhava, sentindo o frio na minha pele, fingi que isso não existia. Por mais que estivesse escuro, caminhei devagar e não fui diretamente para casa. Vaguei sem rumo pela rua, sentindo o vento bater em mim e jogar meu cabelo para trás. Encolhi-me, tentando me aquecer um pouco, e continuei caminhando.
Certa hora, depois de ter cansado, sentei no meio-fio e fiquei observando a rua e as pessoas, como se não tivesse nada para fazer. Critiquei os outros e suas manias em silêncio, para mim mesma. Não conseguia me conformar com suas pressas e preocupações. Perguntei-me se estavam passando diante de mim gente como o meu pai.
Uma sombra sentou-se do meu lado e temi. Estava me levantando para ir embora quando sua voz familiar:
– Olá, Alyson.
Olhei para o seu rosto e então o reconheci: Jeremy, um garoto que conversava comigo quando eu ia para a igreja.
– Oi – respondi.
– Quanto tempo.
– Pois é.
– Você tá bem?
– Tô sim, e você?
– Também. Como vai a sua mãe?
– Vai bem, eu acho.
Uns segundos de silêncio constrangedor se passaram até eu decidir que seria melhor ir embora.
– Preciso ir – falei.
– Tudo bem – ele disse – Olha, sábado vai ter culto só para os jovens. Vai ser muito legal.
– Ah, beleza. Vou ver se vou.
E saí caminhando pela noite escura, ainda com muito frio.
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