Impossible
6 6º - Marcas.
Notas iniciais
*Aplausos. Nívea sobe no palco e segura uma pasta dourada juntamente com um cartão lacrado. Ela sorri ao ter toda a atenção.*
- Senhoras, senhores, hoje, aqui, nessa noite espetacular, tenho a honra de anunciar a mais nova dona premio do longa-capitulo com Marcas por conta de sua recomendação e lindas palavras que me deixaram tão feliz que nem sei como ainda estou sem tomar meu remédio *risos* Obrigada, de todo meu coração, estou realmente muito lisonjeada de pode entregar isso *levanta a pasta dourada* a ela, que me fez sorrir bobamente ontem a noite e que sempre está por aqui me deixando lindos recados. O Oscar ao longa-capitulo Marcas vai para... *abrindo o envelope*... ZOOOOOOOE VAAAAALDEZ. *aplausos enquanto ela sobe no palco* Muito, muito obrigada por me dar essa alegria de entregá-lo a você. Não tenho como expressar de outra forma o que senti quando vi aquela recomendação a não ser passando-o para suas mãos *coloca a pasta dourada na mão de Zoe* Usufrua-o e, mais uma vez, muito obrigada... Agora, com vocês, longa-capitulo: Marcas, de Zoe Valdez. Divirtam-se.
[As luzes se apagam e o filme começa a rodar]
6º — Marcas
No dia seguinte, Artemis acordou com um grito de pura felicidade da sua mãe. Hera estava bronzeada, feliz e, se não fosse o suficiente, mais bonita ainda.
- Filha... Nossa, pareceu que dormiu dentro de uma garrafa, o rosto todo inchado... – Fez descaso com a mão. – Mas não importa. Eu trouxe muuuitos presentes para você.
- Hum... Obrigada.
- Sim, sim, mas agora vamos, venha, temos que almoçar.
Deixando-a ir à frente, Artemis se levantou a contra gosto, tomou um banho rápido, escovou os dentes sem se olhar no espelho e ia vestir a roupa no momento em que o que viu deixou-a parada.
Sentiu-se um animal que era encantado pelos faróis segundos antes de bater nele. Apolo, completamente arrumado, olhava para sua pessoa pelo espelho.
E pela primeira vez, viu o contraste absurdo entre eles. Ele era tão lindo enquanto si mesma era... Girou para não ter lidar com aquilo, mas ficou de frente a ele, de cabeça baixa.
Apolo desceu os olhos, como que provando algo, enquanto fitava os seus ombros gordos e cheios de sardas que ficavam mais e mais vermelhos. Para então pular de machucado a machucado que ainda tinham as marcas em seu busto, pequenas bolinhas e algumas linhas, sumindo dentro da toalha.
Apolo encarou o espelho e ela sabia que ele fitava suas costas.
Também sabia o que ele via.
Cortes maiores, bolinhas maiores, pele toda falhada. Inclusive um pedaço que parecia vermelho, bem pequeno, que ela se lembrava muito bem do que tinha acontecido.
- Meu deus. – arfou ele, ainda a encarar seu corpo. Sob aquele olhar, Artemis se encolheu ainda mais, a espera dele falar que ela era um monstro, nojenta, feia e gorda. Realmente esperou, já sentindo as lágrimas escorrerem por suas bochechas, mas tudo o que ele fez foi estender um moletom rosa e bonito, com uma calça jeans azul mais clara que normalmente usava. – Meu pai comprou pra você em Milão. Disse que não sabia do que você gostava então trouxe o que você usa normalmente.
Com a mão tremendo e sabendo que ele também a olharia, Artemis assentiu, não o encarando, e apanhou a muda.
Artemis não sabia o que poderia esperar por ela, mas ao sentir o peso daquilo entre seus dedos, de perceber de quem era e de que alguém tinha perdido um pouco de um tempo precioso comprando algo para ela, seus olhos se encheram de água.
Delicadamente, apertou a roupa contra o peito.
Nunca alguém havia tido a consideração disso.
Nunca alguém havia pensado no que ela gostaria de receber.
E aquilo tocou profundamente seu coração que se contorcia no peito.
Um presente.
Havia ganhado um presente.
- Obrigada – sussurrou, apertando os lábios. – Muito obrigada, Apolo.
- Você gostou mesmo?
E o encarou, seus olhos um pouco embaçados pelas lágrimas. Só o suficiente para ver a surpresa de Apolo com aquilo.
- Gostei, muito. Obrigada.
- Hum... De nada... – ele apontou para a porta. – Eu vou deixar você vestir sua roupa. Estarei lá no corredor.
Assim dito, ele simplesmente saiu teclando algo no telefone.
Artemis, pela primeira vez, vestiu uma roupa realmente gostando de vesti-la. Primeiro colocou a calça que era confortável, macia. Em seguida, o moletom por cima do sutiã. E se olhou no espelho.
Uma lágrima escorria ao ver como gostara do resultado.
Pela primeira vez, Artemis tinha gostado de algo com cor.
Apertou delicadamente a malha gostosa do moletom com os dedos. Zeus havia se dado o trabalho de encontrar algo que ela pudesse se sentir confortável e feminina. Se esforçaria mais para conseguir lidar com ele, Zeus merecia sua atenção e seu bom comportamento.
Muito mais do que qualquer pessoa no mundo.
Calçando apenas um All Star, Artemis trançou o cabelo e ia chamando por Apolo no momento em que ouviu que ele estava com o celular. Jamais escutava conversa alheia, entretanto, a menção de seu nome a fez olhar para o corredor, a procura dele.
Apolo encontrava-se escorado na grade bem bonita da varanda. A única porta que tinha algum lugar para fora sem precisar entrar nos quartos. Ele claramente parecia ansioso.
À surdina, com passos beem lentos, Artemis aproximou-se e as próximas palavras deram um soco no seu estomago:
- Eu sei, Dite, eu sei que tem algo errado com ela só que... – espera. Dite. Era Afrodite no telefone com ele então. – Entendo, mas... Você tinha que ver... Ela está magra... Não, eu não tinha notado, como queria que eu notasse se ela só usa moletom?... Como eu vi? Ela tava saindo do banho e eu sem querer olhei pela porta, por que ela nunca fecha a porta, acho que tem medo, não sei. – suspirou. – Ai, encarei ela. Sei que não devia, mas não pude deixar de ver isso. A pele dela está cheia de cicatrizes, Dite, muitos, até os pulsos. E quando ela se encolheu, eu notei o quão magra que ela estava. – pausa. Magra? Ela? Era enormemente gorda, pensou Artemis, perguntando-se se ele zombava dela. – Claro que eu já tinha notado que ela não comia muito, mas, qual é? Vocês são garotas, vivem fazendo dieta – suspiro. – Eu sei, Dite, eu sei que devia ter notado melhor, mas me de um tempo, ok? Eu nunca tive que cuidar de ninguém a minha vida inteira, isso não se aprender de uma hora para a outro, é difícil, ok? – pausa – Não, ela nunca comia muito. – outra pausa. – Não, ela não chega a vomitar... Só uma vez que ela vomitou, mas foi porque eu a toquei. – suspiro. – Eu não sei, Dite, alguma coisa aconteceu com ela, algo horrível. O que leva uma pessoa a não querer ser tocada por ninguém? – Apolo passou uma mão nos cabelos loiros. Voz mais baixa agora – Eu... Eu também ouvi meu pai falando com a mãe dela... Parece que ela já foi em muitos médicos, os mais bizarros tratamentos e mesmo um psicólogo, nem psiquiatra conseguiram mudar isso nela. – pausa. – Sim, Hera disse que já foi pior, que ela não suportava que a olhassem... Eu não sei, droga. Eu só sei que seja lá o que ela tenha passado, ninguém conseguiu resolver, nenhum medico especializado nisso. Nem remédio, nem conversas, grupos... – pausa. – Sim, eu ouvi meu pai conversando sobre isso, pareciam procurar o melhor modo de lidar com o que ela tem... Parece que sim... Uhum, acho que é serio dessa vez. – Apolo suspirou. – Eu só liguei pra dizer que eu quero sua ajuda naquilo... Uhum... Uhum... Ok e... Obrigado, Dite. Até mais.
Artemis não ficou ali, parada, esperando que ele se virasse.
Sem avisar, voltou para a porta do quarto e fingiu que saia dali naquele momento. Apolo, rapidamente, mudou o rosto de pensativo para um sorriso que fez Artemis se perguntar o quanto daquilo era mentira e o quanto era verdade.
E se Apolo era mesmo aquela pessoa.
Ele se aproximou em dois longos passos.
- Pronta?
- Sim.
- Você ficou bem melhor de rosa do que nos seus moletons pretos e brancos. – um sorriso radiante da parte dele. – Bem melhor.
Corando, ela escondeu o rosto e começou a caminhar na direção que ele ia.
Enquanto andavam lado a lado, ele falava sobre o que poderiam fazer, já que era domingo. Artemis não perguntou porque ele não estava com o “Olimpo”, mas não chegou a proferir o questionamento. Apolo parecia bem consigo mesmo.
Estavam quase chegando à cozinha, podia ouvir sua mãe rindo de algo que Zeus dizia.
- Hey, Artie. – ela olhou para os olhos azuis, divertidos dele. – Você tem que ver isso.
Pedindo pra ir mais devagar para não notarem sua chegada, eles caminharam até onde a porta de vidro permitia que eles enxergassem sem serem visto em troca.
Mas nem precisariam disso.
Parada ao lado de Apolo, Artemis assistiu sua mãe jogar a cabeça para trás, rindo, enquanto Zeus a segurava nos braços, os dois valsando bem devagarzinho ao som de Edith Piaf.
La vie en Rose, lembrava-se Artemis, soava, embalando os dois.
Sua mãe parecia extremamente feliz, os braços envoltos do pescoço de Zeus. Esse que tinha as mãos cruzadas às costas de Hera, os dois bem pertos, conversando.
- Bonito, não? – sussurrou Apolo com um sorriso calmo. – Artie, você tá bem?
Por um minuto, Artemis não pode pensar em outra coisa que jamais estragaria tudo naquela família. Fazia tanto tempo, tanto, que sua mãe não era espontânea assim com um cara, sem se preocupar do que ele pensasse de sua filha neurótica e louca que sugara uma boa parte de sua vida. Artemis até hoje se culpava por aquilo. Sua mãe teve de cuidar tanto dela. E era sua promessa, faria aquilo dar certo.
Secou uma lágrima que escorreu e sorriu um sorriso mínimo para Apolo.
- Eles são lindos juntos.
- E vocês dois são fuxiqueiros.
A voz de Zeus fez tanto Apolo quanto Artemis olhar para ele que sorria com o braço envolta do ombro de sua mãe. Sorria para Artemis principalmente, parecendo orgulhoso de si mesmo por ter achado algo que todos diziam ter caído muito melhor nela.
- Apolo, encontrei algumas garrafas de bebida lá atrás, acho que vamos conversar sobre isso depois. – e fitou a ruiva. – Artemis, espero que tenha ocorrido tudo bem. Gostou da roupa?
Ela assentiu, tentando dar um sorriso um pouco maior do que um repuxar de lábios.
- Obrigada... Zeus.
- De nada, querida. Então, vamos almoçar?
O almoço foi algo completamente diferente do da primeira vez.
A alegria do casal envolvia a todos e Artemis se viu puxando conversa com eles. Escutou tudo o que eles diziam sobre os locais que passaram, sorria das risadas pelas histórias engraçadas e via Apolo negar com a cabeça como se não acreditasse naquilo, ainda que sorrisse.
Pareciam... Bem... Pareciam uma família.
Uma família que Artemis jamais esperou que a aceitassem assim.
Mas mesmo essa felicidade não foi capaz com seu estomago.
Havia dado somente algumas garfadas mínimas quando viu que não conseguia mais e, sutilmente, deixou a comida de lado, indo perguntar o que fizeram em Paris para ninguém perceber que não comia mais.
Mas Artemis notou tarde demais que alguém a olhava.
Seus olhos encontraram-se com o de Apolo e ficou claro que ele ligou pontos, entendendo o que ela fazia. Não chegou a dizer em voz alta, entretanto, ela sabia que ele falaria depois. Estava salva, por enquanto.
Depois de sorrir um pouco mais, Artemis ajudou a carregar os pratos para a cozinha, sua mãe lavava e Zeus guardava enquanto Apolo tinha sumido. Ela pediu licença, mas eles estavam inertes demais um no outro para ouvir suas palavras. Então, deixou o ultimo prato, lavou a mão e saiu.
Foi encontrar Apolo exatamente no local que sabia que ele estaria.
Apolo tinha os olhos fechados, os braços cruzados sob a borda da piscina e tão inerte no que pensava. Tanto que nem se quer percebeu quando ela se sentou da mesma forma que do outro dia, de frente a ele.
Ou assim pensou ela.
- Você tem cheiro de dama da noite e frésias. – disse ele, assustando-a, sem abrir os olhos. – Seu xampu?
Artemis engoliu a seco, a esconder as mãos na blusa.
- Sim... Minha mãe que comprou – falava hesitante, não sabendo se aquilo era bom ou ruim. Como que lendo seus pensamentos, ele abriu os olhos e sorriu.
- Gostoso. O perfume combina com você. Delicada e tímida. É, combina.
Ela escondeu o rosto com o cabelo enquanto corava, sem saber muito bem o que fazer.
Apolo então saiu da água, puxando o corpo para fora e secava ao mesmo tempo em que sentava ao seu lado. A pele dele era impecavelmente lisa, sem qualquer machucado ou cicatriz, seda sobre músculos.
E ela, estranhamente, sentiu vontade de deslizar um dedo pelo bíceps dele que se contraia com o movimento de secar os cabelos.
Ou então pelas costas ou ombros.
Chega, disse a si mesma, se forçando a encarar suas mãos.
- Aqui está um pouco frio. Até que queria ficar aqui, mas não está agradável. Vem, vamos para outro lugar.
Próximo Capítulo:
[...]
- Artie, você é anoréxica ou tem bulimia?
E ela podia perceber de onde ele tinha tirado aquela ideia. Provavelmente estava perguntando porque ela não usava um daqueles métodos para emagrecer sutilmente.
- Não... – sussurrou. – Não tenho.
- Então, por que você não come?
Ela pesou a resposta.
- Porque eu não gosto de comer.
Ele ficou calado por um tempo. O Godzilla destruía a cidade. Sua voz era baixa quando voltou a falar:
- Quem fez isso com você?
[...]
Notas finais
As aulas com Tia Dite sobre como ser cruel estão funcionando *-*
Caaaaara, Apolo percebendo tuuudo o que Artie querendo esconder, o que será que ela vai dizer agora? Como eu amo quando isso acontece... Sério, preciso achar um Apolo perceptivo assim, meu amigo disse que ele vai ter que ser gay ¬¬ Mas quem liga pro que meu amigo diz? u.u kkkk
Vou achar e vou esfregar na cara dele (espero *dedos cruzados*)
Sempre tenho medo quando Apolito diz: Vamos para outro lugar Aquele danado RAWR kkk
Anyway, como eu cansei de tentar rimas com Apolo, to apelando pra discursos de político: Deixa seu recadinho, que eu faço o seu dia mais feliz ^^ E, claro, tbm me deixa feliz. Eu e você saímos ganhando ;) Que tal?
Beijinhos açucarados,
Nívea ;*
P.s.: Me amarro no Oscar e premiações assim, e mais uma vez, obrigada Zoe *-*
Não esquece o recadinho aqui embaixo ↓ Blz? (y'
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