Impossible

4 4º - Toques.


Notas iniciais
*Cantando Looked Out of Heaven* Oh yeah yeah, oh yeah yeah HUHUAH... E aaaaai, galeraaa, como foi o final de semana de puuuro carnaval?
Espero que tenham curtido, porque eu não curti nada kkk
Então vamos começar, bem ao estilo Grammy Awards (pq aqueles cantores me inspiram a ser mais louca kkk), esse capítulo vai para.....
*rufem os tambores*
... Taiane Sabrine por sua linda participação nessa fick com sua recomendação *-* Muuuuito obrigada, garota, realmente nem sei como agradecer além de entregar esse capítulo a você.
Não mais meu capítulo, mas capítulo de Taiane, obrigada meeeesmo *-*
Agora, se acomodem no sofá, coloquem seus computadores sob a barriga e rezem pra suas mães não nos pegarem de madruga na internet ^^
Boa leitura e, Taiane, mais uma vez, obrigada ;)

4º — Toques.


Após duas semanas, Artemis achou fácil conviver com Apolo.

Desde que ela não contasse a ninguém que morava na mesma casa que ele, não se intrometesse em seus assuntos e aceitasse assistir com ele os jogos de arco e flecha estava tudo tranquilo. Ele era a melhor pessoa do mundo sob essas condições.

Então, Artemis, não querendo quebrar a balança, somente contou onde morava agora para Atena que tinha parado com a colher no meio do caminho para sua boca rosa.

Os olhos cinza fitavam os seus com pura surpresa e perplexidade.

– Não me olha assim, queria te contar antes. – sussurrou Artemis incomodada, se encolhendo dentro do moletom.

Estava um dia mega quente, tanto que suava um pouco na nuca.

E mesmo assim não tirava o moletom.

Antes que Atena pudesse dizer alguma coisa, Artemis sentiu algo gelado escorrer, para em seguida notar que um suco, ainda com alguns cubos de gelo, molhavam seu cabelo e se infiltrava para dentro do moletom, uma vez que alguém tinha puxado seu capuz para trás.

Era ninguém menos que Ares, o filho de um grande boxeador que havia virado empresário ao final da carreira, juntamente com Poseidon, filho do grande vendedor de cavalos de raça pura em Dallas, Texas.

O refeitório inteiro caiu na gargalhada.

– Opa, agora tá mais fresquinho ai, estranha? – zoou Ares, colocando o copo como se fosse um chapéu em seus cabelos.

Artemis viu que Atena estava para se levantar, pronta para lhe defender, quando segurou o pulso dela e negou com a cabeça.

– Mas... Art...

– Isso, o que, Art suquinho? – disse Poseidon com voz de deboche. – Calor né?

Atena tremia sob seus dedos.

– Me tira daqui. – pediu a garota de cabelos vermelhos.

E, claramente não querendo ir contra a amiga, Atena contornou a mesa e a ajudou a se levantar, pegando suas coisas. Artemis não olhou para nenhum lugar enquanto caminhava para longe dali entre os sons de “Suquinho”, somente no final, viu Apolo rindo junto de Afrodite e Dionísio. Virou o rosto e segurou as lágrimas por ser tão humilhada publicamente até estar só ela e Atena, dentro do banheiro do ginásio, já que ninguém estava usando-o no momento.

Logo que pode, as lágrimas rolaram pelas suas bochechas e se viu chorando tanto que tremia. Atena se pôs a abraçar seus ombros, murmurando palavras calmas e afagando seu cabelo.

Artemis só percebeu tarde demais o que havia feito, mas assim que notou, afastou-se de Atena. Esta, olhou-a confusa.

– Sua blusa – disse baixinho. – Eu a molhei. Desculpa.

As sobrancelhas dela se arquearam momentaneamente.

– Art, sem problemas, isso é só uma roupa, posso arrumar depois. – afagou seu cabelo molhado. – Você está toda grudando. Esta um pouco melhor?

– Um pouco – disse escondendo as mãos no moletom. – Tenho que ir pra casa.

– E vai perder mais aulas de novo. – Atena apertou os lábios. – Art, sabe que já tivemos essa conversa antes, mas acho que é hora de você pensar mais em si do que em sua mãe e trocar de colégio, porque...

– Não, Atena... Eu não vou sair. Tudo o que lutei por esses dois anos, vai se perder e eles vão ganhar, Atena. Eu não posso deixar isso acontecer. Não.

Suavemente, Atena segurou suas mãos entre as delicadas dela e foi abrindo os dedos com cuidado, retirando as unhas da carne de sua palma de tanto que havia apertado.

– Ok, não vamos falar sobre isso. Quer que eu te leve para casa?

– Não precisa.

– Mas...

– Você não pode deixar de assistir aulas, sabe disso. Alem do mais, eu me sentiria culpada.

– Não tem nada para culpar.

– Eu sei, mas ainda assim. Você pegou minhas coisas?

– Aqui – ela entregou sua bolsa. – Pode deixar que eu levo seus livros no armário.

Artemis assentiu enquanto puxava o capuz para a frente, sobre os olhos.

– Te vejo amanha, Atena. E, obrigada.

A loira sorriu.

– De nada e amanha vou lá na sua casa, te ajudar com o que você faltou. Pode?

– Pode. Depois te mando endereço por mensagem. Tchau.

– Se cuida, Art.

Com a mochila entre seus braços, Artemis correu pelo ginásio, deu a volta pelo gramado e ia passar reto pelo antigo banheiro quando uma voz chamou seu nome. Provavelmente ele iria te puxar pelo braço, mas devia ter pensado melhor e escolhido chamá-la.

Artemis olhou-o, pasma, antes de olhar para seus sapatos.

– Apolo.

– É... Nossa, você tá muito molhada, eu não tinha visto que foi tanto assim.

E você só ficou rindo que nem um idiota, ela pensou.

– Uhum.

– Eu tava pensando... Você quer uma carona? – fitou-o, ele sorria – Eu não quero assistir aulas mesmo. E você não parece estar bem para dirigir.

– Não. – negou na mesma hora. – Nunca. Apolo eles vão te ver comigo, você não pode. Eles vão zoar você, entende? Não precisa dar carona não, eu vou a pé mesmo. É aqui pertinho.

Ele parecia muito surpreso com suas palavras.

– Pertinho? Artemis, são sete quilômetros! Por favor, não é uma caminhada. E você ainda tá molhada!

Ela deu de ombros e começou a caminhar.

Apolo podia ser muitas coisas: um estúpido, um pegador, engraçado... Mas ele não um mentiroso, ele não quebrava com sua palavra, e sabia que ele não tinha nenhum outro modo de forçá-la a ir com ele sem tocá-la. E se a tocasse, ela começaria a passar mal.

Estava quase perto de sua antiga casa, um local onde ninguém do colégio conseguiria mais vê-la, no momento em que um possante Porsche azul escuro conversível ficou acompanhando seu passo.

Apolo se encostou na porta do carro, com os óculos de sol deixando-o mais bonito ainda.

– Vamos, Artemis, entre no carro. – ela negou. – Ninguém vai te ver... Ou você entra ou eu vou ai te pegar e te jogar aqui dentro. Você não vai gostar e nem eu vou gostar. Você vai passar mal e meu carro vai ficar sujo. Os dois vão sair perdendo. O que vai ser?

Sem nenhuma saída, pois sabia que ele dizia a verdade ainda que pudesse deixá-la fraca, Artemis se deu por vencida. Circundando a frente, Artemis entrou no carro e se encolheu no banco, puxando ainda mais pra frente o capuz.

– Fecha.

Apolo apertou em um botão e em menos de alguns segundos o carro estava todo fechado, funcionando no ar condicionado. Ainda que os vidros fossem escuros, Artemis continuou escondida. Apolo provavelmente a achava hilária. Mas não deu sinal disso, parecendo bem consigo mesmo enquanto aumentava um pouco o som.

Michael Bublé começou a tocar e o assistia batucar ritmicamente os polegares no volante, tranquilamente dirigindo seu carro.

Artemis admitia, aquele Porsche era maravilhoso.

Sem som do motor, sem briga com ligar, banco confortável e uma trilha sonora agradável ao virar nas esquinas e ruas perfeitamente.

Não soube em que momento dormiu, mas quando voltou a abrir os olhos, com Apolo chamando seu nome, percebeu que tinham chegado em casa.

– Hey, dorminhoca – brincou o garoto loiro parecendo um modelo escorado no seu lado da porta do carro. – Vamos descer. Parece que meu carro é melhor do que eu pensava.

Não querendo ficar sujando o estofado, Artemis rapidamente pulou para fora, com Apolo ao seu lado ao subirem as escadarias e então chegavam as grandes portas. Como um cavalheiro, Apolo abriu uma delas e permitiu-a passar na frente.

Artemis, por medo de ver sua mãe, não o esperou e saiu correndo casa a fora, só parando ao estar em seu quarto. Deixando a porta somente um pouquinho aberta, tanto a do quarto quanto a do banheiro, Artemis tirou a roupa de costas para o espelho e pulou para o chuveiro.


Dez minutos depois, descia já com um moletom novo, uma calça jeans mais folgada e meias. Apolo cantava uma garota na cozinha no momento que entrou. Mas não era qualquer garota, era a empregada.

Fingindo que não tinha notado nada, Artemis caminhou até a geladeira, pegou uma lata de suco e saiu dali, sem fazer nenhum contato visual.

Apolo parecia não perder uma chance.

E era isso que o fazia tão pegador.

Sabendo que tinha muitas aulas para colocar em dia, Artemis foi para a biblioteca.

Enquanto tomava seu suco de laranja e tentava esquecer o que aconteceu naquele dia, apanhou os livros necessário para sua pesquisa sobre Tolstoi e foi os devora, a fugir da realidade.

Ao final, terminara todo o trabalho. Não sabia que horas eram, mas devia ser tarde. Inesperadamente, Apolo entrou no quarto e estancou ao vê-la.

– O que faz aqui? – seu tom era rude.

Ela queria dizer: Estudando, diferente de você. Mas, não falou nada, apenas apanhou suas coisas, jogou a lata no lixo ali perto e encaminhou-se para a porta aberta atrás dele.

Apolo fez menção de segurar seu cotovelo, todavia não tocou. Artemis o fitou, curiosa.

– Desculpe. – ele suspirou. – Eu não devia ter falado com você dessa forma.

Ela deu de ombros. Silencio.

– Artemis... – sob seu nome, ela olhou nos olhos dele. Estavam estranhamente tristes e a fez se perguntar o que aconteceu já que não tinha coragem de proferir tais palavras. – Algum dia você vai realmente conversar comigo?

Aquela indagação a pegou de surpresa. Ficou tensa.

E ele suspirou.

– Esquece... Deixa pra lá, eu devo estar cansado, você também... Estou delirando. Boa noite, Artemis.

Pela primeira vez, a garota de olhos verdes percebeu o quão estranho seria viver com uma pessoa que não falava nada. E que aquilo devia o estar incomodando.

Encontrando forças, escondeu as mãos e sussurrou:

– Você quer... Conversar?

Apolo virou os olhos para os seus na mesma hora. Olhos esses que ela teve que se esforçar para não desviar. Também talvez fosse a primeira vez que o encarava.

Ele sorriu, tristonho.

– Não, tá tranquilo, pode ir descansar, Artemis.

Antes, ela teria assentido e ido, mas vendo que ele estava estranho, Artemis fez o contrario, aproximou-se e segurou o antebraço dele fracamente. Aquele toque sim o fez ficar surpreso. Os olhos azuis seguraram os seus verdes.

– Está tudo bem com você?

Por um instante, ele pareceu confuso, como se nunca alguém tivesse perguntado para ele isso antes. Em seguida, forçava um sorriso.

– Quer beber alguma coisa?

– Apolo?

Ele suspirou, fechando os olhos.

– Vamos sair daqui.

Já acostumada com a planta da casa, Artemis sabia praticamente onde ficava cada quarto. Tanto que nem mais se perdia. Por isso, não se surpreendeu quando ele caminhou até a piscina (o lugar favorito dele pelo que pode notar naqueles dias) e sentou-se na beirada, com as pernas para dentro. Ela não seguiu o exemplo dele, no entanto, acomodou-se de pernas cruzadas como um índio ao lado do garoto de cabelos loiros e esperou.

O silencio dali era diferente dos demais quartos.

Naqueles, havia o barulho das arvores, dos animais... Ali, como era fechado, só se escutava a água se mexendo por causa dos jatos. A piscina brilhava em azul, contraste com todo o resto apagado.

Apolo suspirou.

– Artemis, sabe quando você se cansa de tudo e não sabe o que fazer da vida?

– Bem... – disse baixo. – Não.

– Você nunca pensou sobre isso?

– Hum... Não.

Ele fitou seus olhos verdes.

– Nem mesmo sobre sua faculdade?

– Relações Internacionais.

– Queria ser como você. – hesitação. – Hoje eu falei com meu pai sobre isso.

– E...

– E ele não aceitou o fato de que quero fazer Música. Eu gosto de música, sou bom com instrumentos, não tenho uma voz “matável” nem poucos contatos. Eu poderia ser alguém nesse grupo. Não é pretencioso, mas eu poderia.

– Você só é... – tossiu baixinho – Confiante.

– Obrigado. De qualquer forma, é uma ironia... Ele quer que eu seja médico. E eu gosto, só que não é o que eu quero. Então, ele colocou minha mãe no meio. Disse que esse era o sonho dela e aquele drama todo. Só que, por mais que eu queira, ainda me sinto culpado se não aceitar. – suspirou. – Isso tá pior que novela mexicana.

– Pessoas como você... – sussurrou, encarando a água. – Sempre tem vida de novela mexicana.

Apolo riu ao seu lado.

– Verdade, mas, hey...

– Sim?

– É a nossa vida, você agora é uma Solace. Aquele casamento foi trágico, demorou tanto que eu morri.

Um pequenino sorriso apareceu na boca pálida de Artemis.

– Foi.

Um longo silencio.

– Artemis?

– Hum?

– Posso te perguntar algo?

Suas costas ficaram tensas.

– Depende, Apolo.

– Posso parecer agressivo, mas por que você fica se escondendo nessa sua supercomplexa roupa de esquimó?

Estava ai a pergunta que ela não queria responder, então, foi a mais evasiva que podia.

– Proteção.

– Hum... Posso te perguntar mais uma coisa? – ela assentiu. – Eu posso tocar sua mão?

Como se ele fosse avançar sobre sua mão que desenhava na água, Artemis a puxou para perto e a escondeu dentro do moletom, parecendo que a quebraria se tocasse. Sentia seu corpo começando a tremer.

Apolo pareceu compreender a resposta, pois suspirou baixinho, mas não se afastou como outras pessoas haviam feito com ela. Só parecia um pouco decepcionado, como se ela tivesse o privado de comprar um doce que queria, mas só não podia suportar a sensação de alguém, alem de Atena ou sua mãe, tocando-a.

Entretanto, após pensar um pouco, sabia que podia deixar algo. Que esse, quem sabe, poderia aguentar.

– Apolo. – sussurrou. No mesmo instante, os olhos dele que pareciam muito com a piscina encararam os seus, curioso. Artemis jogou o cabelo para o lado que ele estava. – O Cabelo.

As sobrancelhas dele se arquearam em surpresa.

– Você está me deixando tocar seu cabelo? – pressionando os lábios, ela assentiu. Apolo, muito vagarosamente se aproximou, sua mão pairando perto. – Artemis, quando quiser que eu pare, basta me dizer, ok?

Sabendo que ele compreenderia que entendeu seu comando, Artemis respirou fundo e assistiu vagarosamente quando os dedos longos como de pianistas dele seguraram com todo o cuidado um grande mecha.

Milhares de imagens explodiram em sua mente.

Forçou-se a estar no presente, entretanto, sua respiração já começava a falhar, provavelmente o primeiro estagio de se estar entrando em pânico. Ergueu os olhos para os de Apolo, a procura de qualquer ação violenta.

E o que viu, a surpreendeu.

Apolo parecia simplesmente fascinado pelos fios vermelhos que deslizavam por sua grande palma. Delicadamente, ele apanhou mais um pouco moveu-o entre os dedos, penteando-os.

E essa sensação, era algo que ela nunca tinha sentido antes.

– Eles são muito bonitos. – ele parecia sincero. – Sabe com quem você parece? Com a Ariel de A Pequena Sereia. — Imaginar aquele cara assistindo qualquer coisa perto de Disney, a fez sorrir um pouquinho e encontrar os doces olhos azuis de Apolo. – A minha prima mais nova adora esse desenho, eu não suportava mais ouvir qualquer musica dele quando ela esteve aqui. Foi a primeira vez que ela viajou sem a mãe.

– Quantos anos ela tinha? – voz sussurrada.

– Cinco. Era pestinha, imperativa demais até pra mim.

Então, Apolo voltou a atenção para seus cabelos. Mas, todo o momento calmo que sentiu sob aquele toque acabou no instante em que o dedo dele encostou no seu couro cabeludo com um pouco de força.

Uma imagem a afogou.

“– Sua vadia, vem aqui. – e ele puxava seu cabelo, arrancando alguns fios. Ela se debatia, tentando se separar, mas nunca conseguia. Então ele bateu em seu rosto e mandou ficar quieta se não acordava todo mundo da casa. – Melhor calada ou faço pior. Arranco fio por fio desse seu cabelo ruim e vermelho.”

– Artemis, hey, Artemis – Apolo estralava dois dedos a sua frente, parecendo preocupado. Por um segundo, olhou para os lados vendo se via um papel de parede verde e um tapete negro, mas tudo era madeira e a piscina. E voltou a encarar os olhos azuis. Se encolheu, passando os braços pelas pernas e se apertou, procurando proteção em si mesma. – Desculpe, eu te machuquei? — Negou com a cabeça. – Está tudo bem? – Assentiu da mesma forma. – Por que não disse para eu parar?

– Está tudo bem. – fechou os olhos. – Está tudo bem.

Mas ela mesma via a loucura em suas palavras. Estava tremendo, não estava bem, entretanto, se Apolo percebeu, ignorou e sorriu suavemente quando o fitou depois de algum tempo. Ele estava do mesmo modo, sem se mover ou fazer movimentos bruscos.

Provavelmente estava o assustando com sua paranoia.

– Hey, Artie, obrigado por me deixar tocar seu cabelo. Ele é maneiro.

– Artie?

– Posso te chamar assim né? Seu nome é meio grande.

– Pode.

Sabendo que corava, fez uma cortina com o cabelo que ele tocou e abaixou o rosto. Suas mãos já estavam enluvadas ao estilo esquimós nesse momento, como ele havia dito.

– Uma pergunta meio direta, mas alguém já te deu um apelido?

– Atena.

– Ah, sim, aquela garota dos olhos cinza, não é? – ela assentiu. – Corajosa e bem decidida ela. Uma boa escolha de amizade para alguém que é tão delicada.

– Delicada? – ela já ouvira estranha, feia, fantasma, gorda, estúpida, inútil, burra, lerda... Mas ninguém nunca tinha a chamado de... Delicada. Isso parecia tão... Feminino. Artemis olhou de lado para ele.

– Sim, você é delicada. Vou tocar seu cabelo. – e os dedos dele seguraram as pontas de seu cabelo vermelho e liso. “Ruim”. – Você é como um porco-espinho... Você tem que ser tocada devagar, com cuidado, ou caso contrario, puff, fura sua mão.

– Isso é... Engraçado.

– Então porque não está sorrindo? — Um canto de sua boca puxou mais para cima com aquelas palavras. Apolo assentiu. – Bem melhor. Vou soltar seu cabelo. Então, Artie, quer nadar?

– Aqui?

Ele riu.

– Lamento, mas ainda não compramos uma casa na praia, deixo essa pra próxima. Por enquanto, vai ter que se sustentar com a minha humilde piscina.

Escondeu o rosto com o cabelo enquanto o via tirar a blusa, em seguida a bermuda. Trajava uma sunga branca que contrastava e deixava em evidencia aquele corpo perfeito. Corpo esse que roubou sua coragem, a levá-la a ficar fitando a piscina.

– Não... – sussurrou ela. – Vou fica aqui.

– Certeza? Essa água vai estar maravilhosa.

– Acredito em você, mas continuo aqui.

– Ok, você quem sabe.

Para não espirrar água em sua pessoa, ou ela pensava que fosse por isso, Apolo caminhou até o outro lado tranquilamente, dando a imagem das costas largas de alguém que nada muito, o que era provável, e logo a frente no instante em que ele parou do outro lado da enorme piscina. Davi de Michelangelo, você perdeu o posto de corpo mais simétrico. Estava ai outra razão para todas as mulheres quererem ele: Apolo era geométrica e quentemente perfeito.

Em um salto que lhe daria uma nota 10, o homem de olhos azuis, pulou na água. E com apenas uma parada para respirar, atravessou a enorme raia, sem qualquer esforço.

Artemis o assistiu se aproximar e então Apolo emergia bem a sua frente, cruzando os braços na beirada, perto de seus pés, e a olhava. Daquela maneira, ela nem se quer podia abaixar a cabeça, pois continuaria o encarnado. Logo, não procurou esconder que o fitava, ainda que corasse muito e estivesse horrível com as sardas se elucidando mais sob sua pele.

– Tem certeza de que não quer entrar? – perguntou ele, sua voz baixa e rouca de quem estava sem ar. O que era obvio, depois de através toda a piscina. Ou assim ela pensava. – A água está quentinha e eu prometo não te tocar. Nem te olhar se for estar com vergonha.

Seguindo com os olhos, a forma que uma gota escorria pelos grossos fios loiros, Artemis negou, encantada que até aquilo fosse bonito. Seus pensamentos seguiram mais forte que sua razão e ao perceber o que fazia, que estava com os dedos próximos demais do cabelo dele, Artemis puxou a mão de volta.

– Pode tocar. – Artemis evitou ficar olhando para seus bíceps. Forçava-se a apenas encará-lo, os olhos azuis divertidos com seu dono sorrindo. Ele ficou mais perto. – Não tem problema, Artie, pode tocar.

Ainda um pouco temerosa, a todo o momento fitando-o para ver se ele realmente não se importava, Artemis demorou, por fim, pousou delicadamente os dedos nos fios loiros. Eram macios, muito, mas também eram mais fortes que os seus, curiosamente irreparáveis. Sempre mantendo um look despenteado. Mesmo molhado. Artemis cuidadosamente enterrou uma palma entre eles, sentindo a textura, vendo Apolo fechar os olhos como se gostasse daquilo, então penteá-lo.

Sorriu.

Era muito mais legal que o seu cabelo. Não era como se nunca tivesse tocado um cabelo, mas o dele era tão... Diferente. Tomando o máximo de cuidado para não puxar nenhum fio, Artemis abriu bem os dedos e não temeu no instante em que tocou o couro cabeludo dele. Era gostoso amassar o cabelo dele em sua palma. Divertido.

De repente, Apolo abriu os olhos e o que viu a fez parar o movimento de volta no cabelo dele. Os azuis estavam límpidos, extremamente claros, como fogo queimando.

O mesmo fogo que vira dias atrás quando ele beijava uma garota.

Aquele fogo que a fez teme-lo e que agora somente a fez ficar parada, olhando aqueles olhos, até seus olhar cair sob a boca bem feita dele e voltar ao azul, ao fogo.

Por que, do nada, sentiu seu estomago se revirar de uma forma boa?

E por que desejava tanto encurtar o espaço, prender sua outra mão nos cabelos dele e tocar sua boca a dele?

Começar no tocar e depois sentir a língua dele que devia ter o gosto da pasta de dente que ele sempre usa?

Estava confusa.

Não é que não conhecesse os passos básicos de como funcionava a reprodução humana, mas é que nunca havia se deparado com o desejo. E nem mesmo um garoto beijara.

Uma lembrança a invadiu.

“– Sua boca tem um gosto horrível. – dizia aquele cara segurando seu maxilar com força, tanta que levava lágrimas aos seus olhos. Então, havia aquela boca rude, que machucava seus lábios e o sabor de rum ou qualquer bebida alcoólica. – Você é toda ruim, nojenta, só serve para ser assim, uma puta”

E foi o toque do cabelo de Apolo em seus dedos que a trouxe de volta, a forma como ele a chamava, e os olhos azuis preocupados.

– Artemis? Você desligou... Você está bem?

Sem pensar no que fazia, Artemis puxou a mão dos cabelos dele, escondeu-as dentro da blusa e saiu correndo para seu quarto enquanto o ouvia gritar seu nome a distancia.

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Próximo capítulo:

[...]


Fosse como fosse, Artemis soltou um pouco a respiração ante a ideia de que eles haviam ido, mas antes que qualquer um dos dois pudesse prever, Afrodite abriu a porta do closet, automaticamente ligando as luzes e deu dois passos para dentro. Sua expressão foi de deleite a perplexidade no momento em que seus olhos verdes extremamente claros caíram sob Apolo em seguida fitaram seus olhos verdes mais escuros.


E Apolo foi mais rápido.


Em um só movimento, ele estava na frente da linda garota, tampando toda a visão que ela podia ter de seu corpo.


Se encolheu mais enquanto o ouvia dizer:


– Afrodite, isso não...


– Apolo Solace, o que você pensa que está fazendo?


[...]

Notas finais
Eiita so, que eu me amarro no circo pegando fooooooogo *-* E Artemis começando a ter ceeertas lembranças >< Bom demais né? Apolo é tão fofo *-* Anyway, até o próximo ;)
Beijinhos açucarados,
Nívea ;*
Ps: Obrigada mais uma vez, Taiane *-*
Ps²: Olha o recadinho aqui embaixo, beleza? Ammooo todos eles *-* E, ah, a história tá chata? Se estiver, só dizer ^^
Ps³: Se quiser deixar recomendação tbm >< - sqn
Ps: Desculpem a pressa, tava indo assistir "Como treinar seu dragão"