Impossible

32 31º - Preocupação.


Notas iniciais
Gente, desculpas, sério mesmo >< Passei a semana me sentindo uma péeeeeessima pessoa por não posta, mas não conseguia ter uma idéia digna. Tá foda >< Anyway, finalmente, veio algo (AHÁ) e já vim postar *o* Maaaaaas, antes de informar que esse é o penultimo capítulo e que voce conseguiram realizar um sonho meu (+ de 1000 recaditos recheados de gostosuras, amor e indignações com os personagens), venho agradecer e dar esse capítulo para MariaLuísa por sua MARAVILHOSA E LINDAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA recomendação *-------------* Obrigada, isso vale fodasticamente pra mim, me dá uma satisfação e um orgulho indescritiveis.
Poisé, amores, esse é o quase ultimo capitulo (Nívea chorando)... Droga... Vou deixar voces lerem.
Enjoy ;*

[Musica 1 — Broken Crown — Mumford & Sons] [Aqui]


31º — Preocupação.


Artemis estava molhada, gelada até os ossos e sabia que devia estar tremendo no momento em que saiu do jaguar e subiu as escadas em direção a porta.

Não estava ligando para nada.

E que se dane se ela pegasse by Text-Enhance\">pneumonia depois de ficar horas na água gelada, voltasse com o vidro do carro aberto e o clima estivesse a dez graus.

Tudo o que ela queria era dar um jeito nessa vida dela.

Sinceramente, Artemis não se surpreendeu ao ver que havia pessoas a esperando no hall.

Mas jamais em tantos.

Poseidon abraçava Atena, ambos sentados nos degraus da escadaria, ao lado deles estava Afrodite com Ares tentando fazê-la sorrir. Zeus e sua mãe conversavam ao canto. Hermes também estava ali. Além do pessoal da casa, com quais Artemis conversava às vezes.

E, claro, Apolo de braços cruzados, olhando o chão, quase no escuro.

Assim que Artemis entrou no cômodo, Atena parou de falar e encarou seus olhos. Devolveu o olhar desapaixonadamente, como se fosse apenas um desconhecido, mas logo havia braços ao seu redor.

– ART, MEU DEUS – Atena segurou seu rosto. E a felicidade foi eclipsada pela preocupação. – Você esta molhada. E congelando. Poseidon, me dê seu casaco.

Algo quente demais se enrolou em seu corpo. Olhou para Poseidon, esteve sorria, os olhos verdes aliviados.

– Admito que brincar de pique — esconde com você é dureza. – e então, inesperadamente, ele a abraçou. – Jamais suma assim, pequena.

Um pouco pasma, mas muito desligada, Artemis só viu sua mãe correr para abraçar seu corpo, chorando e murmurando coisas desconexas. Zeus veio em seguida, sorrindo.

E Afrodite também entrou no abraço, mesmo Ares, Hermes e o pessoal sorriram para ela.

E todos pareceram notar quem faltou. Mas Artemis não tinha forças para encará-lo agora. Não até ouvi-lo se aproximar e ver a ansiedade, o medo e o alivio nos olhos azuis. Traída. Fora traída por ele.

– Estou cansada, vou me deitar – disse ela mecanicamente.

E antes que alguém pudesse negar, Artemis sumiu escada a cima, para o banheiro.

[...]

A água caia, parecendo quente demais, queimando sua pele extremamente gelada, mas Artemis se permitia apenas encarar o azulejo branco da parede, sentada, ainda de roupa, debaixo do chuveiro. Seus cabelos se colavam ao seu rosto, suas lágrimas silenciosas caindo ainda que tudo o que podia era pensar em como ainda conseguia chorar.

Um som do box abrindo, então alguém loiro sentando ao seu lado, debaixo da água, e um braço a sua volta. Foi o necessário para cair em um choro de soluços altos. Artemis se agarrou a ela.

– Quer conversar sobre isso, Artie¿ — perguntou Atena, afagando seu cabelo.

Artemis se quer conseguia formar uma palavra, tudo o que fazia era chorar, implorando para aquela dor parar. Mas Atena pareceu perceber antes mesmo que precisasse dizer isso. Somente a apertou mais e assim ficaram.

Foi tarde demais que Artemis notou outra figura no banheiro. Alguém muito conhecido a ela. Apolo encontrava-se sentado, contra a porta, olhando o chão. Seu coração acelerou a vê-lo, mas Artemis fez-se engolir a seco. Atena nada disse, mais preocupada em tirar as roupas congeladas. De alguma forma, a loira sabia que não havia mais o que esconder de Apolo. Por isso, deu banho, trocou sua roupa e por ultimo a fez se deitar na cama.

Só ai Artemis notou como realmente tremia. Tremia de puro frio.

Atena pousou uma mão em sua testa e franziu a boca.

– Está com febre, Art.

Poseidon estava sentado ao seu pé e riu.

– Esperta, ficar sem ir pra aula.

Todos no seu quarto riram, menos Apolo, calado, sentado na poltrona mais ao canto. Ela sentia os olhos azuis em seu rosto, assim como estava consciente dele, mas nem se quer tinha forças para lidar com isso. Tudo o que queria era dormir. Como que prevendo isso, Atena estalou os dedos.

– Vamos, galera. Deixa a Art dormir. – e virou-se para Poseidon, colando um suave beijo na boca dele. – E você, vai à farmácia comigo comprar remédios pra Art.

Poseidon sorriu.

– Como posso negar algo pra você¿ Isso é jogar sujo.

– Vamos... Art, dorme um pouco, voltarei com alguns remédios pra você, ok¿

Artemis engoliu a seco, assentindo. Afrodite beijou sua testa, prometendo voltar com um perfume Chanel pra ela. Isso a fez sorrir um pouco. O resto apenas um tchau e logo só havia ela e Apolo dentro do quarto.

Essa idéia a fez corar. Se momentos antes, naquela mesma manha, tivesse acontecido, provavelmente estariam rindo na cama. Como algo podia mudar tanto a partir de algumas horas¿ Girou, de modo a ficar de costas, se quer podia pensar naquilo agora.

Apolo tão pouco tentou algo. Logo, Artemis dormia, no sono mais conturbado que já tivera.

[...]

Artemis lembrava-se de ter sido acordada uma vez, para tomar um remédio e comer alguma coisa, mas tão pouco se manteve assim. O choro estava cobrando o preço, tudo rangendo e cansado, inclusive sua mente. Esta, incrivelmente, nunca deixava de notar a presença de Apolo. Sempre calado, sempre alerta, Apolo ficava ao canto, quase no final de sua visão periférica. Mesmo não desejando, a presença dele a relaxava. E a acalmava.

Só depois de Atena ter a certeza de deixar sua pessoa sem fome e medicada que ela foi embora, levando Poseidon, e Artemis pode de fato dormir. Sem a necessidade de que acordaria depois.

Mas, mesmo com isso, aquela foi a pior noite de sua vida. Estava inquieta, não conseguia deixar de sonhar coisas ruins, recordações horríveis de Logan, as palavras de Scarlet. Suava, como nunca, mas talvez fosse do fato de estar melhorando. E a mais memorável das vezes que acordou foi a ultima.

Artemis abriu os olhos, sua respiração em fortes solavancos e havia dor. Uma dor absurda. E que estava tirando-a completamente do torpor do sono. Uma forte pontada a fez se encolher na posição fetal. Então mais uma. Sem pensar muito, escorregou a mão para sua coxa. Havia algo molhado. Algo estranho. Assim que viu o que era, seu coração parando, Artemis empurrou a coberta para o lado, de qualquer jeito, e se forçou para ficar de pé.

Precisava de ajuda. Rápido.

E, o que viu, a deixou enjoada. Antes de a dor subjugá-la, encontrando-se caindo de quatro de frente a sua cama. Sangue. Tanto sangue. Medo. Pavor.

– APOLO – chorou o nome dele, implorando que ele ouvisse. Mas o que ela não havia percebido era que Apolo encontrava-se dormindo no seu divã. – APOOOLO.

Outra dor. Seus joelhos fraquejaram. Então, braços fortes seguravam sua cintura, jogando-a suavemente para os braços do único que podia dar consolo a ela. Olhos azuis estavam preocupados e com medo enquanto tudo o que ela podia fazer era soltar um gemido de dor ante mais uma pontada em seu ventre. Nem havia notado que sua mão cheia de sangue manchava a blusa dele onde ela segurava com força. A visão dele ficou embaçada com suas lágrimas.

– Apolo...

– Estou aqui...

Encarou com força aquele rosto. Era sua ancora em meio a tanta dor.

– Não me deixa.

– Shh, está tudo bem, Artie – e mesmo sabendo que era mentira, ela aceitou o carinho que ele fez em seu cabelo.

Ela não soube se apagou por alguns segundos, ou se sua mente desligara, mas a próxima coisa que notou era Apolo descendo as escadas com seu corpo nos braços dele, Zeus com um celular no ouvido e sua mãe segurando sua mão. Estava fora de sintonia. Apenas sentiu o vento frio e em seguida Apolo sentando na parte de trás da limusine. Era tudo desconexos, pedaços de lembranças e de dor. Segundos em que via Apolo abraçar forte seu corpo. Ou minutos que não escutava nada ainda que o visse conversar consigo. Ou então a forma que Zeus ladrava ordens.

E, mesmo perdida em sua inconsciência, Artemis soube o exato momento em que chegaram ao hospital. Primeiro, havia murmúrios. Depois, o tom claro de Apolo:

– EMERGENCIA. SOCORRO. AJUDA.

Logo tudo se tornou um turbilhão, só o que sabia, ao ser deitada em uma maca, era que não queria soltar a mão de Apolo, que estava com medo. E tremia. Muito.

Então, tudo ficou preto.

[...]

Clichê. Era assim que Artemis se sentiu ao abrir os olhos, piscando-os. Um tremendo flashback. A ultima vez que estivera em um hospital fora há dois anos, ou três, quando Logan batera nela. Será que era isso que tinha acontecido? Fora mais uma surra de Logan? Isso explicaria como seu ventre doía, suas pernas também.

Ela não recordava do que havia acontecido.

Sons, estranhos sons viam em seqüência. O bip, aquele bip que a fez se sentir em um livro da ultima vez e sua respiração. Quer dizer... Ah, não, estava com aquele negocio de respirar no nariz. O que havia acontecido?

Com seus olhos adaptados da claridade, Artemis girou lentamente a cabeça, cada movimento cansativo. E o que viu a fez sorrir um pouco. Apolo, sentado em uma poltrona e com a cabeça pousada a centímetros da sua perna, dormia tranquilamente, claramente cansado, mas ainda a segurar sua mão. Quente. A mão dele era quente.

Então, pequenos pedaços escorreram em sua mente. Dor. Pânico. Acima de tudo, sangue. Muito sangue.

E ela não precisou ser gênio pra saber o que havia acontecido. Podia não querer. Mas era uma vida. E seu lado humano e mesmo o de mãe rasgou em dois ao tomar conhecimento de que havia abortado. Lágrimas, geladas, salpicaram em seus olhos e se forçou a não deixar o soluço que queria sair de sua boca. Havia perdido. Uma vida.

Devia ter feito algum som, pois tudo o que viu no próximo momento, foi Apolo deitando-se ao seu lado, naquele minúsculo catre e braços firmes, a única coisa firme, a sua volta. E chorava, como nunca havia chorado. Nem mesmo ao se sentir traída por Apolo ou pelo alivio de ver Logan morto. Nada pode rasgá-la daquela forma. Ou talvez a junção de todo o estresse, o medo, os dias loucos que viera tendo desde que conhecera Apolo, escapava naquele instante.

– Me desculpe, Artie – sussurrou Apolo em seu ouvido, a voz transtornada ante seu choro. – Desculpe, Artie. Eu fui idiota, eu não... Isso está tudo tão errado. Não era pra ser assim.

Mas tudo o que Artemis pode fazer foi apertar mais as mãos nas costas dele, tentando afogar seu choro no peito de Apolo. E, em algum ponto, Artemis sabia que Apolo se culpava. Mas a dor estava afogando-a demais para pensar em algo além de que havia matado alguém, de que acabara com uma vida.

Apolo colou um beijo em sua testa e ela sentiu que os lábios dele molhados. Lágrimas. Muitas lágrimas molhavam o rosto de Apolo. Os azuis estavam culpados, preocupados e com tanta dor que aquilo só a fez chorar mais. Ele estava chorando, por ela. Por tudo. Apolo que nunca chorava, estava chorando silenciosamente a sua frente, impotente, sem poder fazer nada para melhorar aquilo.

– Eu te amo, Artie. – e ele colou suas testas, os olhos dele fechados, mas as lágrimas ainda caiam. – Eu te amo tão malditamente que faria qualquer coisa pra te ajudar. Qualquer.

E Artemis sabia que era verdade. Mesmo se não fosse, ela precisava dele, agora. Seus lábios tocaram os deles em puro medo. Um simples toque, mas que foi o necessário para a dor abrandar um pouco.

– Artie, o que posso fazer? Qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, Artie, eu faço – murmurava ele contra sua boca. – Como?

Mostrando como, ela se encolheu contra o peito firme de Apolo e lá ficou. Apolo em nenhum momento folgou o aperto.

Mais sentiu e ouviu do que viu quando Zeus entrou no quarto. A mão dele acarinhou delicadamente seus cabelos enquanto ele sussurrava alguma coisa com Apolo, coisas que ela não prestava atenção. Só pegou a ultima parte, onde sua mãe havia ido tomar café. Ao que parecia, ela ficara com Apolo todo o tempo naquele quarto enquanto Zeus lidava com todo o resto.

Assim, Artemis voltou a dormir.

[...]

[Música 2 — Sad Beautiful Tragic — Taylor Swift] [Aqui]

[...]

Dias se passaram assim, na pura lerdeza que só um hospital devia ter. Artemis pouco suportava continuar ali, apesar de compreender a enormidade que ter um abordo implicava. Tudo o que ela queria saber era sair dali, o mais rápido possível. E sozinha.

Em algum ponto profundo, Artemis sabia que estava suportando tudo pela constante e calmante presença de Apolo, mas outra só queria distancia. Por algum motivo, um pedaço de si culpava-o por ter ficado daquele modo, que se ele não tivesse brigado tanto, ela estaria bem. Podia ser bobo, mas existia.

E esse lado não perdeu a chance de aproveitar a primeira escapada, após falar com Zeus e sua mãe que precisava de tempo, e aceitar a viagem que Afrodite e Atena prometiam a ela. Sem garotos. Sem estresse. Sem aquele ar. E sem Scarlet.

Artemis não chegou a perguntar sobre ela, porque não queria falar sobre aquilo com o Apolo que estava tão desligado e claramente cansado, os olhos azuis meio opacos todas as vezes que olhava sua face, como se não acreditasse em algo. Aquilo estava agonizando e matando.

Naquele minuto, sentada em uma mesinha, ouvindo Afrodite discutir algo com Atena, a fitar ao longe a Torre Eiffel bem iluminada naquela noite fria, usando seu sobretudo branco favorito e fazendo de tudo para seus cabelos vermelhos sumirem na boina, pensou em quanto sua vida havia mudado.

E o quanto daquilo era pra bom. Principalmente por causa de Apolo.

Só com aquele nome, seu coração deu uma fraca travada e Artemis se forçou a pensar em outra coisa. Estava ao maximo o evitando naqueles dias em Paris, inclusive em pensamentos.

Precisava de espaço. Precisava respirar. Precisava negar todo o alivio que ele trazia a ela ou ficaria doida se ele a deixasse. Estava sendo uma pessoa co-dependente dele, de tudo. E viveria por ele se não mudasse aquilo.

Atena riu ao seu lado e viu-se aliviada de ter sido puxada de seus pensamentos.

– Ah, loira, não foge da minha pergunta – dizia Afrodite, com um pequeno biquinho enquanto Atena estava vermelha por algo, ou fosse o frio. – Vai, me diz, vocês fizeram aquilo¿ Qual é, sou sua amiga maravilhosa, diiiiiiiiiiz, please, loirinha!

Atena sorriu de canto girando o resto de seu cappuccino, mas nem precisou. Aquilo foi o necessário para elas saberem que sim. E Afrodite dar gritinhos felizes e Artemis sorrir daquilo. Quer dizer, um pouquinho, ainda estava se acostumando a voltar para a vida depois do maldito hospital.

Atena revirou os olhos.

– Dite, não é como se eu e Poseidon nunca tivéssemos feito isso!

– Mas é diferente – disse Afrodite, suspirando. – Você nunca mais tinha permitido ele entre suas pernas, querida.

– AFRODITE! – Atena olhou pasma para os lados a procura de alguém que tivesse escutado. Artemis sorriu da cara de brava que a loira em seu vestido de algodão azul deu ao olhar para a morena. – Precisava anunciar¿

Afrodite deu de ombros, sorrindo maliciosamente antes de se colocar de pé.

– ELA COMEU O NAMORADO DELA. – apontou pra Atena vermelha. – ELA FEZ SEXO COM O QUASE NOIVO DELA!

Artemis não pode deixar de rir, assim como um grupo de garotos que passava e disseram um “eu sou o namorado dela”, quer dizer, para segundos depois, Atena puxar Afrodite com tudo para a cadeira. A loira ardia de vergonha.

– Eu juro, nunca mais te conto isso, Dite.

– Ateninha, sexo é normal. Ainda mais com o namorado, não é, Art¿

Mas tudo o que Artemis pode fazer, ao invés de responder, foi olhar para o café e corar. Ao final, ela e Apolo não eram namorados quando fizeram aquilo.

As duas olharam pasmas para sua pessoa.

– ARTEMIS!

Na mesma hora, Artemis se colocou de pé e puxou a bolsa, implorando pra dar tempo de fugir do olhar de Afrodite.

– Vou lá pagar.

E saiu correndo, a escutar Afrodite dizer algo para Atena, algo sobre Apolo.

O clima estava frio naquele dia, suave, um cheiro de pão doce no ar no momento em que Artemis empurrou a porta da cafeteria que estavam e encaminhou-se para o clima quente pelo aquecedor que estava lá dentro. Muitas pessoas, principalmente casais, conversavam aquela hora por ali, dos mais diferentes idiomas e tipos. Mas Artemis ignorou todos, inclusive os olhares, no momento em que parou ao balcão. Em um Frances fluente que aprendera por causa de seus medos, pediu a conta e pagou. Seu celular vibrou.

Ainda esperando o troco, olhou de cenho franzido para a tela e leu de Atena:

“Estamos indo pro hotel, vem atrás, a Dite esqueceu algo antes de ir pra festa. Vai pela torre, mais seguro, te esperando. Cuidado”

Poxa, ela não gastaria nem cinco minutos ali, dava para esperá-la, ainda mais que estavam de carro, mas elas já tinham ido quando caminhou para a calçada. Revoltada e com frio, Artemis colocou as mãos nos bolsos, se encolheu pelo frio e começou a caminhar para a torre. O que mais poderia fazer¿

No meio do caminho, via-se encantada com tudo brilhante, tudo bonito, as pessoas, os locais, que nem mais ligava. Estava assim, calma, no instante em que ao olhar para frente viu um homem alto, loiro, em um sobretudo negro parado casualmente em um carro. Artemis sabia que a probabilidade de ser Apolo era zero, ainda mais depois de negar as ligações dele depois de uma semana, ainda assim seu coração acelerou e sentiu-se boba por isso.

Existiam milhares de loiros e milhares deles a fizeram pensar que eram Apolo. Todos eles parecidos, mas completamente diferentes. Exatamente como aquele. O loiro mexia no celular, completamente absorto, os pés cruzados na altura do tornozelo, uma mão no bolso da calça. E lindo como todos os loiros.

Artemis tinha as mãos suadas ao passar por ele. Claramente, não era Apolo, e estava ficando louca por isso. Muito louca.

Então, do nada, sentiu uma mão puxar seu braço com força, sem machucar, suas costas batendo com um pouco de dor contra a porta do carro e iria gritar se olhos extremamente azuis, juntamente com o corpo dele que empurrou o seu, não tivesse a impedido. Antes que pudesse perguntar algo, mãos seguravam seu rosto e uma boca caia sobre a sua com saudade. Desejo. Fome. Acima de tudo, com uma ternura absurda, o exato entre o forte e o fraco, o doce e o cruel. Quando menos percebeu, suas mãos haviam deslizado ao redor da cintura dele, por baixo do casaco e seu pulmão ardia, implorando por ar, implorando por tempo. A ultima coisa que queria era parar. Conhecia aqueles lábios, como nenhum outro, e apesar de saber que tremia pelos toques dele, ela não desejava se separar.

Ambos estavam ofegantes ao se separarem. E Artemis só podia pensar que aquilo era um sonho, mais um de tantos que havia tendo com ele.

Olhos azuis, muito azuis, gelo, encararam os seus assim que abriu e seu fôlego sumiu.

Apolo era lindo, sempre fora, mas aquela expressão de saudade e amor o deixava perfeito. E culpa bateu ao ver olheiras naquele rosto perfeito. Inconscientemente, acariciou a bochecha dele e o sorriso que recebeu dele era único. Apolo.

– Você vai me deixar doido, Artie. – sussurrou ele, a testa contra a sua, olhos fechados. – Muito doido. Eu tive que vir, eu sei que prometi que não ia, mas eu precisava te ver. Desculpa por quebrar essa promessa, eu precisava de você.

Artemis suspirou. Pela primeira vez, ela agradecia por ele ter quebrado aquela promessa. Sem pensar, pois estava cansada disso, Artemis se empurrou contra o peito dele, sentindo-o rodeá-la com os braços, e simplesmente o abraçou.

– Eu estou louca, Apolo – sussurrou, a aspirar o cheiro maravilhoso dele. Estava tão bom ali, tão quente. – Você não pode deixar isso acontecer. Eu estou dependente de você, isso é doentio, louco.

– Por isso me afastou, Artie?

– Eu precisava. – o apertou mais. – Eu preciso. Eu preciso saber que existo sem você, que posso pensar em mim, mas isso não está acontecendo. Você... Você...

– Eu errei, como nunca. Eu expulsei Scarlet de casa, disse que nunca mais queria vê-la.

Artemis se afastou para olhar os nervosos olhos azuis, um pouco pasma.

– Você... O que?

– Ela te agrediu, pode ter sido verbalmente, me fez ser estúpido e te machucou – Apolo deslizou um dedo por seu rosto, pura admiração nos olhos dele. – Ninguém bateu nela como você, fênix, e ninguém fala daquele jeito com a minha garota e sai ileso. Me desculpe, Artie, por tudo. Eu não devia ter hesitado em acreditar em você, não quando você estava precisando tanto de uma base e que eu havia tido a honra de ser eu. Desculpe. Eu te amo. Só você.

Artemis só pode olhá-lo. Ele estava triste e culpado como ela nunca havia visto. E não evitava mostrar isso atrás de um dos sorrisos dele, como ele havia feito. Ele simplesmente... Ficou a seus olhos, como ele era. E ela soube a confiança que ele tinha nela só por aquilo.

Suavemente, beijou os lábios firmes dele, apreciando-o, e sorriu ainda de olhos fechados, completa, como não havia se sentindo por um bom tempo.

– Não foi culpa sua, Apolo, não foi culpa de ninguém o que aconteceu – sussurrava, bem baixinho. – Aconteceu, vamos esquecer isso, esquecer tudo.

E o beijou mais uma vez.

[...]

Artemis riu, pela décima ou vigésima vez, da imitação idêntica de Zeus quando dava uma de Poderoso Chefão. Estava abraçada a ele, caminhando calmamente, em uma paz que nunca mais havia encontrado, olhando para o rosto sério que Apolo fazia.

– George, arquivos agora, você me prometeu fidelidade, beijou meu anel, curve-se agora. – e sorria para sua pessoa. Artemis não agüentava, alegria borbulhando em seu peito, rindo com ele.

– Ele faz desse jeito – concordou ela, sem acreditar. – Seu pai é... Legal.

Apolo deu de ombros.

– Sem duvida, sempre me faz rir com aquela cara de sou foda.

Artemis sorriu do beijo que ele colou em sua têmpora.

– Então... – começou ela, depois de um tempo calada, apenas apreciando o abraço dele e a torre a sua frente. – Você estava compactuando com Afrodite e Atena?

– Sem duvida.

– Nem finge!

Apolo riu.

– Eu precisava delas, Artie, e sabia que faria tudo para isso.

Um pouco confusa, Artemis olhou para cima, encarando o belo rosto resplandecente de Apolo.

– Isso o que?

– Isso.

Antes que Artemis pudesse pensar, ele parou bem de frente a torre, de um modo que dava para vê-la perfeitamente, apenas o corpo dele a impedindo de enxergá-la. Um celular já estava no ouvido dele. E tudo ocorreu muito rápido. Em um segundo, Apolo encontrava-se a sua frente, em outro, ele abraçava sua cintura por trás e ela sabia que vinha algo estranho.

Isso só se confirmou com a aproximação de muito dos seus amigos. Amigos que não eram para estar ali. Poseidon era o primeiro, sorrindo do jeito capa de revista dele, Atena segurando a mão dele. Do outro lado, vinha Afrodite com Ares, os dois abraçados. E então Hermes (com quem falara um pouco), Dionísio (idem) com a namorada dele que ela não sabia o nome.

– Apolo... – sussurrou, confusa. – O que está acontecendo aqui?

A risada dele era quente em sua orelha.

– Eu precisei de uma ajudinha.

– Ajudinha? Ajudinha pra que?

Mas ele somente beijou seu pescoço.

– Olhe pra frente.

Ainda um pouco perdida no que ele queria dizer, Artemis olhou. E seu ar parou.

Grande, enorme, um pano caia. Mas ele não estava solto, estava preso no meio da Torre Eiffel, e se abria como uma grande bandeira branca. E as letras foram se abrindo e criando sentido. Letras douradas que brilhavam contra as luzes da torre. Somente totalmente aberta, não batendo no chão por causa de poucos metros, Artemis leu em francês, em uma letra de escritor antigo, uma letra de Apolo, escrito: “Artemis Solace, quer namorar comigo?”

Milhares de pessoas gritaram de surpresas, começaram a tirar fotos e olharem pasmas para aquilo. E tudo o que Artemis pode fazer foi colocar a mão na boca e olhar para aquilo através das lágrimas. Seus amigos somente sorriam. E faziam o favor de mostrar aos turistas pasmos com aquele pedido que ela e Apolo eram o tal casal. Logo, todos os olhavam.

Artemis não sabia o que fazer.

Apolo riu um pouco ansioso.

– Eu acho que um pedido de casamento seria algo precipitado demais, então, pensei... – Artemis sentiu algo perto de sua barriga e viu a mão de Apolo aberta. Nela, uma caixinha mostrava um lindo anel prateado e delicado. – Que melhor forma de acalmar nossos demônios e inseguranças do que mostrando que te pertenço, de que você conseguiu meu coração? Então... Artemis Solace, aceita namorar comigo?

Artemis não conseguia falar, tanto pelo publico, quanto por ainda olhar pasma para aquela placa quilométrica na torre e tudo mais, que tudo o que conseguiu fazer foi girar nos braços de Apolo e fitar aqueles lindos olhos azuis. Eles sorriam.

– Eu te amo, Artie, e queria poder te dar mais do que isso, mais do que apenas meu amor... – os dedos dele acariciavam sua bochecha, pegando as lagrimas, enquanto ele sorria. – Mas meu coração é seu, Artie. Todo seu. Do jeito que você é. Você aceita?

– Sim.

Sem poder se impedir, Artemis se desligou e simplesmente o puxou pela lapela do sobretudo para um beijo. Um beijo que aqueceu seu coração, que fez Apolo puxar para mais perto o seu corpo. E tudo o que importava eram eles.

Não souberam por quanto tempo ficaram assim, até Poseidon tossir alto, fazendo-os se afastarem sorrindo e Artemis se encolher no peito de Apolo. Todos a sua volta sorriam, tiravam fotos, e Artemis não podia acreditar naquilo. Estava namorando Apolo. Do jeito mais romântico possível.

Sorriu, ao olhar para seu anel.

– Hey – sussurrou Apolo em seu ouvido. – Eu te amo.

Artemis ria baixinho se virando para olhar nos olhos dele.

– E os nossos pais?

– Eu falei com eles, Artie. Sua mãe ficou feliz com meu pedido, lógico, depois que expliquei tudo. Podemos namorar.

– E a mídia?

Apolo deu de ombros, seus lábios mais uma vez perto, seus olhos grudados. O azul era malicioso e divertido de tudo aquilo.

– Que se dane ela, eu amo você.

Encantada, Artemis sorriu, a passar os braços pelo pescoço dele.

– Eu também te amo.

– Eu já sabia.

Rindo, seus lábios se encontraram com os lábios masculinos e Artemis sabia que o destino podia sim ser difícil, mas que ele também sabia lá dar seus presentes. Ou melhor, seus amores.

Notas finais
Eu ia dizer muitas coisas aqui, entre as quais já meus agradecimentos por tudo, pelo amor de voces, pelo apoio, pelas conversas, pela presença, mas vou deixar pra chorar loucamente no próximo.
Beijinhos, amores ;**
Até lá T.T