Impossible

26 25º - Notícias.


Notas iniciais
MIL DE MILHARES DE DESCULPAS, AMORES *o* Aqui está, haha, tava dodoí paaaaaakas, mas voltei ;)

[Escutem The Blowers Daughters — Damien Rice] [Aqui]

25º — Notícias.

Uma semana depois, tudo parecia artificialmente ter voltado ao normal.

Mas Artemis percebia o quão delicado estava aquele clima. Todos esperavam que ela desse um ataque do nada, como acontecera há dois dias, ou não falasse com ninguém, nem mesmo com Apolo.

Zeus e Hera pareciam muito preocupados com sua pessoa, mas Artemis não tinha forças para lidar com aquilo. Não por agora.

Ao final, depois de tantas e tantas falhas dentro do código penal e de leis, Artemis assistiu Atena diminuir a prisão de Apolo de 30 anos, para uma de 15 com cela individual e confortável, e dessa para cinco anos de serviço comunitário para a então e atual de dois meses de prisão domiciliar, podendo responder tudo aquilo em aberto e livre.

E Artemis não duvidou por nenhum momento que aquela loira, junto do seu namorado Poseidon que parecera mexer muito mais do que somente alguns tratos, podiam ter o mundo se quisessem.

Agora, Artemis estava deitada, olhando para os olhos azuis de Apolo, esse que tinha uma linda tornozeleira que o impedia de sair de casa, seus dedos trançados juntos enquanto o médico a examinava.

- Está tudo bem. – sussurrou Apolo pela terceira vez, a afagar seu cabelo. De algum modo, ele sabia o quão pavorosa ela estava com aquele senhor a apalpando para saber de seus machucados. – O que vai querer fazer depois disso daqui?

Artemis apertou os lábios.

- Não sei.

- Vai pensando, só tem que se aqui em casa...

Antes que Artemis pudesse dizer algo, as mãos do médico (esse que ela descobriu que havia a examinado no dia em que Apolo a trouxera do cativeiro) não tocavam mais sua pele e o som do látex da luva ao ser tirada estalou pelo seu quarto.

- Como ela está, doutor?

Artemis não conseguia olhar para o senhor, pois sabia que tremia, por isso, apenas se encolheu para debaixo da coberta e ficou quieta.

Apolo apertou sua mão.

- Ela está bem. Um pouco debilitada ainda pela má alimentação, mas vem mudando. O corpo tem mais peso, mais massa. E alguns de seus machucados estão melhorando, não todos. Teremos que fazer uma pequena cirurgia na costela dela porque só agora que ela está menos arroxeada que pude ver que está suavemente aprofundado, nada que possa trazer perigo a ela, uma vez que não cortou nenhuma camada e nem irá. Os cortes devem ser tratados com o remédio que lhe entreguei, além das pílulas pra dor e evitar bactérias nesse processo. Tirando isso, ela não terá problemas em recuperar toda a sua energia.

Artemis ouviu Apolo suspirar, mas ela não abriu os olhos para vê-lo.

Escutar aquilo, todas as marcas em seu corpo, estava deixando-a doida e doentia, cansada.

- Obrigado por ter vindo, doutor.

- Filho, eu poderia conversar com você a sós um momento?

- Hum, claro. – e Apolo beijou sua testa rapidamente – Eu já volto, estou bem aqui na porta, só me chamar se precisar, tudo bem?

Apesar de temer ficar sozinha por agora, Artemis assentiu. Sem dúvida o médico precisava mesmo conversar com ele. E ela não estava muito bem de qualquer forma.

Não chegou a ouvir o que aconteceu, contudo, a ultima coisa que entendeu foi um xingamento.

[...]

Ela não soube se caiu em um sono profundo ou se somente tirou um curto cochilo, mas nada disso importava com o seu pesadelo.

Logan.

Logan em vários lugares.

Ela corria, procurava se esconder, fugir, agir.

Nada.

Seu peito se fechava.

E acordava de súbito, como se estivesse caindo de um precipício, seu corpo suando frio, suas mãos sangrando e completamente imóvel.

Seu quarto tomou forma sob seus olhos.

Era por do sol, disso ela não tinha dúvidas, pela forma como tudo estava ficando dourado. Também sabia que estava sozinha na cama, pois não havia a inclinação que sempre sentia quando Apolo encontrava-se deitado com ela, portanto, puxou o ar com firmeza.

Fora somente um sonho.

Só um sonho.

Logan estava morto, nada mais dele poderia machucá-la.

Nada.

Acabara.

Estava a pensar assim, procurando se acalmar, no momento em que viu.

Apolo encontrava-se sentado em uma poltrona ao canto do quarto, as pernas abertas, os cotovelos nos joelhos, as mãos cruzadas sob o queixo e olhava em sua direção.

Mas não estava ligado. Os olhos azuis pareciam vítreos, tornando-o uma linda e temerosa obra de arte.

Extremamente lindo. Contudo, intocável.

Até que ele pareceu sair da sua meditação, um anjo acordando, e olhar em sua pessoa. E o que viu a assustou.

Apolo era aço, podia olhar isso nos olhos dele. Estava claramente em algum problema, e se fechava. Ela só não entendia porque tanta falta de expressão para com ela.

Então, ele suspirou e se levantou. Artemis não gostou nada do modo como ele caminhou em passos militares até sua cama. Parecia que ia a uma guerra. Que encontrá-la fosse doido e desejasse ser rápido.

Logo, Apolo encontrava-se deitado a sua frente, a acarinhar seus curtos cabelos, e olhava seriamente em seus olhos.

O azul era aço e fogo ao mesmo tempo. Uma parede que queimava. Não de um modo bom, de um modo ruim.

E ela começou a ficar com medo.

O que havia acontecido? O que o medico havia dito a ele? O que era aquilo tudo?

- Artie... – a voz dele era velada e calma. – Precisamos conversar sobre algo.

Artemis não soube se ele ouvira seu engolir a seco quando assentiu, mas se sim, não deu nenhum sinal, somente... Continuou a traçar o quente polegar sob o machucado de seu rosto. Antes, ela não suportaria aquele toque, nem mesmo que ele se mostrasse tão perto.

Mas, ali estava, esperando-o começar e se perguntando por que seu coração estava tão pesado com aquela expressão dele.

Apolo suspirou, tocando suas testa e olhando profundamente seus olhos. Azuis triste, perdidos.

- Apolo... – sua voz era um fio. – O que aconteceu?

Então, ela viu algo que nunca tinha visto antes. Medo. Medo nos olhos de Apolo.

- É algo comigo?

- Shh, está tudo bem... – mas ela sabia que não estava. – Tudo bem.

- Apolo...

- Droga. – ele fechou os olhos. – Isso não podia estar acontecendo agora. Não quando você está tão machucada, não agora. Droga.

- Apolo... O que aconteceu? Você está me assustando.

- Não, fique, shh, está tudo bem.

Contudo, ela sentia algo errado e isso se intensificou quando os braços fortes dele se enrolaram a sua volta, com força, como se tivesse medo dela se partir, e o rosto de Apolo se afundou em seus cabelos curtos.

Artemis apertou-o.

- Apolo...

- Só fica assim, Artie, só um pouquinho.

Ela não disse nada.

Ficaram assim, por minutos, talvez por horas, ela não soube, sem falarem, curtindo o toque, até que ele suspirou baixinho, os dedos fortes fazendo carinho em suas costas.

E ela não precisou de outra coisa para que seus olhos começassem a se encher de lágrimas.

- Apolo...

- Eu conversei com o doutor Stevan...

- E o que ele disse?

- Disse... Disse que... Ah, droga, Artie, eu queria tanto poder ter te protegido daquele canalha, queria tanto não ter te deixado sair daqui. – e ele apertou os braços ao redor dela. – Que nada disso tivesse acontecido.

- Não foi culpa sua, Apolo, nada foi.

- Se eu... Se eu...

Artemis se afastou para encarar os olhos azuis de Apolo. Estavam escuros, tristes, cansados e olhavam para ela com tanta dor.

Culpa.

- Me diga, Apolo.

- Ele disse... Disse que... Que. – ele engoliu a seco. – Que você está grávida.

E ela compreendeu o medo dele, uma forte rajada gelada escorregou por seu corpo e tudo o que pode fazer foi encará-lo, implorando para que aquilo que ele disse tivesse sido mentira.

Mas podia ver a verdade.

Uma verdade que o machucava.

Então, a imagem dele começou a ficar desfocada.

- Grá-grávida? – gaguejou o que ela pensou que talvez fosse a sua voz.

Mãos grandes seguravam seu rosto, dedos quentes que não pareciam tocar sua pele, nada parecia focado, nada fazia sentido naquele momento.

- Ele disse que seu corpo mostrava todos os sinais de gravidez, por isso ele fez uma avaliação completa. Tem apenas duas... Duas semanas.

Não precisou de muito para juntar um ponto a outro.

Grávida.

Grávida de Logan.

Milhares de cenas explodiram em sua mente. Tantas e tantas, tudo o que ele fizera com ela. As formas que a machucou. Passando como um filme em sua mente, tão rápido, que a fez se encolher, fechando os olhos. Uma lança parecia ter se cravado em seu coração.

E seu estomago se mexeu, inquieto, em medo.

Puro medo.

Mas aquilo parecia tão fora dela.

Olhar para Apolo conversando com ela, mas não conseguindo escutar a voz dele. O som do seu coração alto em seu ouvido. As lágrimas que ela sabia que caia, mas não sentia.

Grávida.

Antes que pudesse se impedir, seu corpo se mexeu mais rápido e segundos depois vomitava até o que não tinha no vaso.

Gosto de bile.

Gosto de lágrimas.

Seu estomago se convulsionou ao se esforçar para tirar o que ela não conseguia comer.

Ardendo, queimando.

Não ouvia nada.

Não enxergava.

Nada.

Apenas sentiu no momento em que seus braços, que a seguravam no vaso, folgaram o aperto e seu corpo batendo contra o chão gelado do banheiro.

Negro.

[...]

Ao piscar de volta, encontrava-se ainda deitada nos azulejos brancos, mas havia uma toalha embaixo da sua cabeça e as pernas de Apolo que passavam a sua frente, mostrando que ele andava de um lado a outro.

Estava frio.

Tudo parecia gelado.

Um mundo estranho, muito mais do que o que estava acostumada.

Aos poucos os sons começaram a chegar.

- Não... Ela não está bem, Dite... Eu não sei o que fazer... – a voz dele era suplicante. – Não, poha, eu não sei o que fazer... Só... Por que isso agora? Por que com ela, droga?... Dite, o que eu faço? Por favor, vem aqui... Eu to perdido... Ok, vou olhar ela... Obrigado.

Silencio.

Silêncio seguido de um forte estrondo na porta.

Artemis ergueu os olhos só pra ver Apolo com o punho ainda contra a madeira, os olhos dele fechados e com a testa encostada na porta. Parecendo mais tenso do que ela jamais tinha o visto antes.

Ele estava... Exausto.

Os ombros dele firmemente rígidos.

- Droga.

Um suspiro dos lábios dele.

Artemis não soube quanto tempo ficou o olhando, toda a história que ele havia contado e que ainda parecia algo longe de sua realidade voltando em sua mente, mas Apolo nem se mexeu.

Foi quando ela viu. Algo pequeno. Quase imperceptível. E que atacou seu coração com profundidade.

Uma lágrima.

Uma pequena lágrima que escorreu pelo rosto bronzeado de Apolo, o tão lindo rosto dele. E foi o suficiente para fazer as suas lágrimas começarem a caírem desesperadamente. De uma forma que não conseguia enxergar um palmo a frente.

Apolo estava chorando.

Por ela.

Aquele que a protegeu. Aquele que foi tão paciente. Aquele que sempre soube que fazer. E que estava perdido e chorando. Por causa dela.

Por causa dela e... Daquilo. Sua mão abaixou até estarem temerosamente abertas sobre a barriga dela.

Logan. Criança. Grávida. Apolo.

- Artie...

Artemis abriu os olhos.

Apolo estava agachado, a sua frente, não havia mais o sinal da lágrima que ela vira, somente preocupação nos olhos azuis.

Ele estava escondendo todo o medo daquilo. Estava tão igual a ela, guardado na proteção.

E ele fez menção de tocar seu ombro.

Foi o suficiente para ela se sentir indigna de ser tocada por ele. Ele era tão mais que ela. Ela era um nada, uma puta, uma vagabunda que pode ser comida por Logan toda a hora que quisesse, que apanhara, que estava malditamente suja por ter sido tocada por Logan. Devia morrer.

Como Apolo poderia gostar dela?

Isso era pena.

Pena por ela ter sofrido tanto.

E desejo por algo proibido, por ele conseguir tocá-la. Ela era um premio.

Ao final, ela sempre era um premio. Um maldito e destruído premio. Um pedaço do que uma mulher devia ter sido.

Apolo merecia tanto mais.

Tanto.

Mordendo o lábio com força para segurar a dor no coração, Artemis se encolheu mais e negou vagarosamente com a cabeça. Não suportava a idéia de ele ficar sujo por tocá-la. Se ele já não estivesse, depois de tê-la abraçado.

Abraçado ela quando estava imunda e com o filho de Logan dentro dela.

Seu estomago quis vomitar tudo de novo, mas não havia nada para fazer isso.

Apolo caiu sentado a sua frente.

- Droga, Artie... – e ao olhar pra cima, viu-o com a cabeça nas mãos, olhando seu rosto, atormentando, com tanta dor. Lá estava a lagrima que havia visto. – Não era pra ser assim...

Ela não disse nada, pois não conseguia.

Era tão... Imunda.

- Eu não sei o que fazer, Artie... – voz angustiada. – Por favor, Artie, me dê alguma dica... Qualquer coisa... Qualquer coisa, Artie...

E ela sabia que ele estava tão perdido quanto ela. Estava tensa, cansada, com a cabeça doendo, triste, mas não conseguia dormir pelo medo de ele tocá-la.

Então, a resposta veio.

- Sozinha... – sussurrou baixinho, sua voz saindo rouca.

Apolo encarou seus olhos, o azul desfocado e perdido, assim como os cabelos deles bagunçados por causa dele tanto bagunçá-los com os dedos.

- Sozinha?

- Me deixe sozinha.

- Mas, Artie...

- Por favor. – fechou os olhos. – Me deixe sozinha, Apolo.

Por algum tempo, não houve nem um som, só o seu soluçar, logo o som de jeans e passos curtos e Apolo havia ido.

Assim que ele saiu, ela chorou, sem acreditar naquilo.

Grávida.

Como?

Como aquilo podia estar acontecendo? Queria tanto chamar Apolo, mas ao mesmo queria tanto afastá-lo de sua pessoa imunda.

Ele merecia ser tocado por mãos doces, macias, sem machucados. Devia conseguir beijar uma garota sem ela surtar. Devia poder desejar amá-la fisicamente, não ter medo de que ela passasse mal só de tê-lo tocando suas costas.

Ela era tão... Indigna do amor dele.

Se encolheu na posição fetal.

Você não o merece, Artemis.

Não merece.

[...]

Artemis não soube de onde tirou força para se levantar do chão do banheiro, nem como conseguiu, mas notou parcialmente quando a água começou a escorrer por seus cabelos, seus olhos assistindo os redemoinhos que faziam para o ralo, a água rosada.

Olhou para sua mão. Cortes nelas.

Então, algo veio a sua mente.

Pegando uma bucha áspera, passou sabão nela e começou a se esfregar.

Primeiro seus braços, depois seu peito, logo sua barriga e por ultimo suas pernas.

Mas parecia que quanto mais limpava, mais suja se sentia.

E chorava, vendo sua pele se transformar em carne esfolando-se enquanto tentava limpar, sua mente gritando o quão suja era, colocando toda a força na mão que arranhava a bucha em seu braço. A ardência não a impediu de se esforçar mais.

Passou para seu pescoço. Não se importava, tinha de tirar aquilo tudo de sua pele. O toque impregnado de Logan. Seus olhos se fecharam com o soluço que saiu de seus lábios.

Suja.

Suja.

Indigna.

Estava assim, esfregando a área machucada de seu braço esquerdo, no momento em que um grito a parou:

- ARTEMIS.

Seus olhos embaçados se ergueram pra ver quem era.

Precisou piscar varias vezes, perdida, desligada até conseguir perceber quem era.

Afrodite estava a sua frente, pasma, com lágrimas nos olhos, e segurava sua mão com força. Os olhos dela escorregaram pelos seus braços.

Artemis não se importou. Doía, mas merecia tão mais do que apenas isso.

Afrodite fez menção de tocar seu cabelo.

- Não me toca.

- Artemis... Precisamos sair daqui... Precisamos ver isso, cuidar disso...

- Não – disse negando com a cabeça. – Limpar, preciso limpar.

- Art...

Não suportando mais o próprio peso, como se ao Afrodite soltar seu braço tudo que a segurava tivesse quebrado, Artemis caiu de joelhos, sua cabeça abaixada, chorando, derrotada.

Não havia como limpar.

Estava imunda.

Por dentro.

Havia algo imundo dentro dela. Algo horrível.

A água ensopou o resto de seu cabelo. E bucha caiu no chão. O azulejo branco, o vidro do Box, a parede, tudo respingado e rosado pelo sangue.

- Meus deus, Art...

A voz de Apolo soou alta no cômodo, mas tudo que pode fazer foi continuar do jeito que estava, olhando um ponto fixo, desligada.

- Apolo, mantenha-se calmo...

- Dite...

- Confie em mim. Vá pegar umas toalhas limpas, a maior blusa sua que tiver e a sua caixa de primeiros socorros, vai.

Então, não havia mais som.

- Art...

Artemis olhou para cima, só pra ver uma ansiosa Afrodite esticando a mão em sua direção. Havia preocupação e hesitação em seus olhos bonitos.

Por que Artemis não era bonita e limpa como ela?

- Art, vou te ajudar a terminar o banho, tudo bem?

Não disse nada, sem saber como encontrar os músculos para isso, e assistiu Afrodite erguer seu corpo tremulo, dar banho em sua pessoa com todo cuidado enquanto falava com ela, então a tinha sentado na tampa do vaso e secava sua pessoa.

Não viu o momento em que ela vestiu uma grande blusa azul que cheirava a verão nela, contudo, em outro Afrodite a ajudava a sair do banheiro.

Apolo encontrava- se de costas, tenso, olhando para fora, mas, no momento em que encontrou seus olhos, ele rapidamente se aproximou, ansioso, preocupado.

- Artie...

Se encolheu para longe do toque dele.

Ele não podia tocá-la. Não ele. Não queria deixá-lo imundo, ele não merecia ser poluído.

E chegou a ver a expressão de dor que atravessou o rosto dele no momento em que o fitou, chorando.

- Apolo... – disse Afrodite. –... Por que você não pegar algo pra ela comer?

Tudo o que Artemis conseguia fazer era olhar para Apolo, dentre lágrimas. O azul estava dividido, quebrado, em algum conflito.

Mas havia tanta dor. Tanta que a fez se encolher ainda mais para o lado de Afrodite.

Então, com muito trabalho, havia uma mascara impassível sob o rosto dele, e somente o viu assentir antes de sumir, o mais depressa possível pela porta de seu quarto.

Aquilo foi o pedaço final. Estava machucando-o.

Machucando-o por ser uma estúpida.

Artemis não chegou a comer quando ele voltou, uma vez que Afrodite havia acabado de cuidar de seus ferimentos e os fechado com curativos e faixas. Seus braços, seu tórax e seu pescoço, quase imóveis.

Apolo assistia-a de longe, o mais longe possível, escorado contra a parede e de braços cruzados, impenetrável, fechado, calado, como se tivesse medo de uma palavra quebrá-la.

- Só precisa comer um pouco, Art.

- Não, Dite. – sua voz era rouca. – Só quero dormir.

- Mas...

- Vamos, Dite. – as duas se surpreenderam com o tom frio e imparcial que Apolo disse aquilo, finalmente desviando os olhos dos seus. – Deixe-a descansar.

Afrodite engoliu audivelmente, mas até Artemis não teria coragem de ir contra aquele comando direto que Apolo soltara antes de sumir outra vez.

Ela beijou sua testa.

- Eu te entendo, Art, eu compreendo. Mas não seja dura com ele, por favor.

- Dite.

Com aquela chamada de Apolo, Afrodite lhe sorriu e se levantou, não fechando a porta ao sair. Então, só havia ela. Ela e aquele enorme quarto.

Chorou até dormir.

[..................................................]

Próximo Capítulo:

[...]

Seus olhos começaram a se encher de lágrimas com a frieza dele.

- Você pode... Ficar?

Não chegou a ver se ele a tinha olhado, pois encarava suas mãos, mas sem duvida ele a ouviu.

Silencio.

Silencio profundo quebrado pelo vento.

E Artemis se perguntou o quanto daquilo que o machucou era irreversível.

- Pra que, Artie? – era um sussurro cheio de dor a voz dele. – Para ficar com medo de mim? Não, obrigado, agora, se me der licença.

- Por favor... Não me deixa sozinha.

[...]

Notas finais
Então, amores, eu só tenho a me desculpar >< Mil desculpas, por tudo, pela espera e talz e admito que estou meio longe do Nyah, mas vou fzr o que posso pra continuar postando hehe
Beijinhos açucarados,
Nívea e Solé haha