Implacável
7 Capítulo 7
Notas iniciais
08h23, terça-feira, 21 de Setembro
Lyon, Ródano-Alpes, França
Sarcasmo adj. Ironia amarga, um modo de falar no qual o que se diz é o oposto do que se pensa.
Ino acordou com o irritante som de batidas na porta. Deslizou de sua cama para o chão, e praticamente rastejou enrolada nos cobertores. Ainda bateram mais duas vezes até que Ino se levantasse do chão e abrisse a porta.
– Bom dia, senhorita Yamanaka. – Baki falou educadamente, apesar de estar desconcertado ao vê-la vestida somente em uma camisa de flanela xadrez.
– Bom dia, Baki. Entre. – Ino chutou as cobertas para um canto e abriu espaço para que Baki entrasse. Ele tinha nas mãos algumas sacolas de lojas de roupas que Ino vira nas ruas do centro.
– O senhor Sabaku mandou que eu lhe entregasse isso, senhorita. – estendeu as sacolas das lojas para Ino. – Espero que o número esteja certo.
– Se você me conseguir um croissant de chocolate, vai ter minha eterna gratidão. – ela brincou, abrindo as sacolas e se espantando com o conteúdo.
Era um vestido; em outra havia sapatos e uma pequena bolsa de mão enfeitada com contas brilhantes. Na terceira sacola, Ino quase corou ao ver que tinha um conjunto de lingerie pêssego que deveria ter custado pelo menos o valor de dos quatro pneus de Charlotte.
– O senhor Sabaku sugeriu que usasse no Brunch de hoje. – Baki esclareceu.
– Ele quer escolher até mesmo a meu lingerie? – grasnou irritada, levantando a pequena calcinha de rendas pêssego e fazendo Baki corar.
– A vendedora disse que um vestido como aquele não combina com qualquer roupa íntima. – ele parecia sufocado ao falar. – Ela disse que poderia marcar a roupa ou algo assim. De todo modo, não precisa usar se não gostar, senhorita. Basta apenas que esteja no saguão do hotel, pronta, às onze.
Ino bufou e se jogou em sua cama.
– Será um evento chique?
– Naturalmente. Quem está organizando é a senhora Hozuki Karin, então se espera algo bastante sofisticado. Agora, se me permite, senhorita...
– Pode ir, Baki. E... – Baki parou para esperar Ino terminar de dizer, e ficou surpreso com o sorriso que ela lhe dirigiu. – Me chame de Ino. Por favor.
– Com licença, senho... Ino.
Baki saiu do quarto ainda com as faces coradas pelo constrangimento. Ino era tão gentil, e ele pensou que talvez essa moça poderia desfazer um pouco da dureza de seu patrão.
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Ino bufou ao se olhar pela décima vez no grande espelho do banheiro. Estava muito bonita e elegante no vestido rosa coral que Baki tinha lhe comprado. A peça era feita de seda-Georgette, tinha o decote fechado por um close-fiiting em volta do pescoço; era sem mangas e tinha a bainha desigual. Os sapatos, plataformas nude Giuseppe Zanotti, lhe obrigavam a endireitar a postura, e seus um e sessenta e cinco de altura ficavam disfarçados pela elegância da sua postura.
– Que seja. – Ino bufou e foi terminar de se aprontar. Estava atrasada.
Se maquiou discretamente, e deixou o cabelo solto, liso e com a franja frontal ajeitada da melhor maneira que conseguiu. Quando saiu do quarto, encontrou Baki lhe esperando no corredor. Ele tinha nas mãos uma caixa de uma Pâtisserie, que ofereceu a Ino silenciosamente.
– Só tome cuidado para não sujar sua roupa com o chocolate derretido, senhorita.
– Baki, você é incrível! – ela disse sorrindo. – Realmente se sente mais confortável me chamando de senhorita Yamanaka?
– Sim, senhorita.
– Então senhorita Ino, apenas. Agora passe isso para cá, eu estou morta de fome! – Ino catou a embalagem das mãos de Baki e apressadamente abocanhou um dos croissants.
Assim que chegam ao saguão, Ino tentou limpar as mãos sujas de chocolate nos guardanapos de papel que vieram junto da embalagem, antes que Gaara a visse. Mas foi em vão, e acabou tendo que pegar o fino lenço de linho que Baki sempre tinha no bolso.
– Eu vou lavá-lo, juro. – Ino sorriu de forma cômica.
Gaara estava de pé, perto da recepção. Falava ao celular e parecia bem irritado.
– E quando este especialista chega?... Quinta-feira?! Estão loucos se acham que vou esperar todo esse tempo por um especialista em mercado. Eu mesmo posso fazer isso e em duas horas! – os olhos de Gaara se voltaram inconscientemente para Ino e sua surpresa foi tão grande que ele quase deixou o telefone cair. – Droga!... Não, não falei com você. Ouça, estou com outro assunto nas mãos. Falamos na semana que vem. Talvez parta para Marselha ainda hoje.
Vendo-a naquelas roupas, Ino parecia tão graciosa caminhando em sua direção. O tecido roçava na pele leitosa dela e deixava pouco para a imaginação. Ela escondia as mãos atrás do corpo, e Gaara notou uma pequena gota de chocolate no canto dos lábios assim que Ino se aproximou o suficiente.
– Seu doce estava do seu agrado, senhorita Yamanaka? – Gaara perguntou educadamente, tirando um lenço do bolso da calça e o estendendo para Ino.
– Obrigada. – o sussurro de Ino foi constrangido enquanto ela limpava o chocolate da boca.
– Estamos prontos, Baki. – Gaara falou satisfeito.
– Baki, venha às quinze horas, sem atrasos. – as ordens de Gaara saíram quase como uma ameaça, que fizeram Ino se irritar com a grosseria dele logo pela manhã.
Eram doze horas, e apesar de fazer sol, uma brisa fresca tornava o dia bastante agradável para um evento ao ar livre como o brunch organizado por Karin. Gaara passou um dos braços em volta da cintura de Ino e os dois caminharam juntos para o jardim nos fundos da enorme mansão Hozuki.
– Aja com naturalidade. Ninguém precisa saber a verdade da nossa relação. – Gaara lhe sussurrou pouco antes de serem abordados por um jovem e simpático casal.
– Gaara. – o homem abriu os braços e capturou o ruivo em um grande abraço. – Faz anos que não o vejo em um evento. E ainda mais acompanhado de uma moça tão bonita. – ele deu um tapinha nas costas do ruivo.
– Asuma, é um prazer te ver novamente. Kurenai. – ele beijou a mão da mulher com educação. Era uma mulher de cabelos pretos, e olhos castanhos avermelhados. Ela exibia a barriga de seis meses de gestação em um vestido lavanda, e sorria de forma cálida para Ino.
– Como está Gaara? – Kurenai perguntou sinceramente.
– Muito bem. Aliás, eu lhes apresento Yamanaka Ino.
Com um sorriso tímido, Ino cumprimentou o casal. Quando ia estender a mão para Kurenai, a moça lhe abraçou e lhe beijou as bochechas carinhosamente.
– É um prazer te conhecer, querida. – Kurenai sorria simpaticamente. – Venha, vamos deixar os homens falando de coisas chatas enquanto eu te levo para conhecer algumas pessoas. Se importa, Gaara? Nós duas estamos doidas para nos livrar de vocês e das suas conversas sobre o mercado de ações.
– Vá em frente. – Gaara se curvou para ajeitar uma mecha do cabelo de Ino atrás da orelha e lhe sussurrou: — Tente ficar perto.
– Claro. – ela lhe respondeu e acompanhou Kurenai.
Gaara ficou olhando por alguns instantes Ino conversar com algumas mulheres e logo voltou a falar com Asuma sobre os negócios.
Apesar da simpatia de Kurenai, Ino se sentia em um campo de tiro onde ela era o alvo. Tinha sido apresentada à sua anfitriã, Karin, e à melhor amiga dela, Tayuya, depois de uma agradável conversa com a mãe de Hozuki Suigetsu. E assim que as socialites colocaram os olhos em Ino, o desdém se emanou delas automaticamente. Karin foi discreta e bastante educada em cumprimentar Ino, mas Tayuya não parou de medir a moça um segundo sequer.
– Você é bonita, Ino. – o tom de voz de Karin saiu calmo e suave.
Ela era uma mulher ruiva de curvas e traços marcantes, com olhos castanhos avermelhados e pequenos. O vestido verde que ela usava estava tão bonito nela que Ino se sentia um pequeno inseto fantasiado. Já Tayuya, apesar de também ser ruiva, não tinha a altivez da amiga. Era muito magra, e tinha uma aparência arrogante. Até mesmo o vestido azul que ela estava usando ficava largo, ainda que tivesse um cinto para marcar a cintura.
– Obrigada. A senhora também é muito bonita. E elegante, se me permite dizer. – Ino falou educadamente.
– Está gostando da festa? Eu fiz pensando em você e Gaara, querida. – Karin falou. – Quando soube que ele estaria em Lyon, não poderia perder a oportunidade de revê-lo, ainda mais quando ele vem acompanhado com alguém tão... Isso pode soar estranho para você, mas, você é muito parecida com a minha prima, Evelyn. Tenho certeza de que ouviu sobre ela.
– Ah, claro. – a resposta de Ino saiu lentamente.
– Isso aí parecido com Evie?! – Tayuya perguntou com escárnio. – Meu Deus, Karin! Você está precisando de óculos, querida. Ela nunca vai chegar a ser uma pálida sombra de Evie! – Tayuya tocou Ino no ombro, penalizada. – Mas veja pelo lado bom, ninguém nunca vai exigir de você que seja como Evelyn Kerr, porque todos sabem que você nunca vai chegar aos pés dela. Ainda que esteja com uma roupa bonita e maquiada, jamais será Evelyn Kerr.
– Tayuya! – Kurenai lançou a mulher um olhar reprovativo.
Ino estava paralisada com as palavras agressivas de Tayuya. Ela mal a conhecia e já despejava tantas coisas rudes sem motivo algum. Queria se defender, mas sabia que se começasse a falar alguma coisa ia acabar dando uns sopapos em Tayuya e as duas rolariam no chão, em uma cena lamentável. Odiaria estragar seu vestido novo.
– Eu não sou Evelyn Kerr. – Ino conseguiu falar depois de alguns segundos. Seu tom de voz era calmo, mas suas mãos tremiam de raiva. – Pouco me importa quem era Evelyn Kerr. Porque eu sou Yamanaka Ino e não a sombra de uma mulher morta.
Um garçom se materializou ao lado das mulheres, espantadas com a tenacidade de Ino. Cada uma pegou uma taça e engoliu o líquido com avidez; menos Karin, que continuava calma e elegante.
– Gostei de você. Tem opinião. Aliás, dê graças a Deus por não ser a minha prima. – Karin comentou com um estranho sorriso em seus lábios. – Se me dão licença, vou receber os outros convidados. E Ino, foi um prazer.
Ino sentiu que o desprezo de Karin tinha diminuído, mas não desaparecido.
Apesar de Kurenai ter passado muito tempo pedindo desculpas pela atitude de Tayuya, Ino ainda não conseguiu se divertir naquele lugar. Gaara tinha razão, ali era como a cova dos leões, e assim que Tayuya abriu a boca para falar sobre Ino, ela se tornou o comentário principal de festa.
Algumas pessoas não deram atenção às fofocas, e foram a essas que Kurenai teve o cuidado de apresentar Ino; e com quem ela conseguiu ter alguns momentos agradáveis. De qualquer forma, não foram muitas.
Nas poucas vezes em que estava com Gaara, ele não tinha nenhuma palavra de conforto ou encorajamento. Ele apenas falava de negócios com seus conhecidos, e pouca atenção dava para Ino. Ela preferiu ficar com Kurenai, e assim que o relógio bateu quinze horas, suspirou aliviada.
– Baki está nos esperando. – Gaara se aproximou da mesa onde Ino estava conversando com a matriarca Hozuki. Assim que ela se despediu da senhora, Gaara lhe estendeu a mão e a guiou para a saída da casa. – Vamos direto para o aeroporto, adiantamos nossa ida para Marselha. Baki já pegou as malas.
– Tudo bem. – Ino respondeu séria. Lyon tinha lhe deixado um gosto amargo na boca e matou muitas de suas esperanças sobre Marselha.
– Se divertiu?
– Muito. – bufou amargamente.
– Sarcasmo não combina com você, senhorita Yamanaka. Mas não se preocupe, Marselha será mais agradável. Vamos nos hospedar na casa de um casal tão simpático quanto Asuma e Kurenai.
Ino murmurou qualquer coisa e guardou seu incômodo para si.
Durante todo o trajeto para o aeroporto, até mesmo Baki notou o quanto ela parecia chateada, mas ficou calado até passarem pelo portão que dava para a pista do aeroporto de Lyon. O familiar jatinho de Gaara estava sendo preparado quando eles chegaram. As bagagens já haviam sido embarcadas, e só esperava pela ordem de decolagem.
– Sabe, senhorita Ino, não deixe ninguém fazer a senhorita sentir-se inferior sem o seu consentimento. – Baki disse educadamente quando ajudava Ino a sair do carro.
Ela sentiu que poderia confiar em Baki, e quase chorou com as palavras dele. Mas se manteve firme; e com um sorriso confiante, respondeu:
– Eleanor Roosvelt?
– Uma mulher tão forte quanto a senhorita. Não se preocupe, as coisas vão melhorar.
– Tomara, Baki. – Ino sussurrou antes de embarcar.
愛
Foi um voo curto até Marselha, com menos de duas horas de duração. Mas diferente da viagem para a França, Ino não dormiu. Ainda estava estressada da festa, mesmo que estivesse cansada.
Deixaram o aeroporto de carro, e Gaara dirigia. Estavam passando por uma via menos movimentada que dava acesso à parte alta da cidade; e Ino fingia dormir no banco do carona com a cabeça encostada na janela, embora estivesse só com os olhos fechados para tentar dissipar um pouco da raiva que estava sentindo.
Assim que pegaram uma estrada em direção a um dos bairros à beira-mar mais chiques de Marselha, Ino abriu os olhos para admirar a vista. A estrada não ficava longe da orla, e a água azul do mar refletia as cores do crepúsculo em um belo espetáculo da natureza.
Gaara ouviu o suspiro maravilhado de Ino, e até pensou em conversar com ela sobre o que tinha acontecido na festa, mas ele se conteve. Achou que não seria por bem apagar a felicidade dela em estar ali.
– Estamos chegando na casa de Naruto e Hinata. São amigos meus há muito tempo, e eu imagino que vá gostar deles. – Gaara comentou morno.
– Assim como gostei de Tayuya e sua corja? – Ino rosnou.
Gaara só suspirou em resposta e voltou a sua atenção para a direção.
Passaram alguns minutos em uma estrada com várias casas de madeira com a típica arquitetura do sul da França. Pouco tempo depois, Gaara fez uma curva bastante fechada à esquerda e seguiu por alguns metros em uma estrada estreita até uma enorme faixa de grama e flores silvestres. Seguiu até uma ampla garagem anexa a uma grande casa mediterrânea feita de madeira pintada de branco e com o telhado cinza. As luzes do andar de baixo estavam acesas, e se podia ouvir a movimentação de uma criança na casa.
Assim que Ino e Gaara saíram do carro foram surpreendidos pelo baque surdo da porta da frente sendo batida e uma menininha, de cabelos castanhos claros e olhos acinzentados, correu na direção dele. Gaara e curvou e a pegou nos braços no instante em que ela se aproximou o suficiente.
– Tio Gaara! – ela gritou, sufocando Gaara em um abraço de urso. Uma fração da raiva que Ino estava sentindo se dissipou naquele momento tão adorável.
Gaara demonstrava um carinho muito grande pela menina. Ainda que ele parecesse sério, era atencioso ao conversar com a criança e aceitava cada beijo ou abraço que ela lhe oferecia.
– Ginnie, querida, assim você deixa o papai com ciúmes. – um homem loiro, de olhos azuis, alto, com ombros largos e sorriso sincero, vinha da porta da garagem que dava acesso a casa. – Dando atenção para isso aí!
– Ela e Hinata te suportam, Naruto, então Ginnie ainda me dá esperanças. – Gaara retrucou bem humorado.
Naruto riu jocoso em mal reparou na figura pequena de Ino em um vestido tão chique enquanto ele estava descalço, com calças de abrigo e uma camisa cuja gola estava relaxada. Envergonhado pela sua falta, ele se adiantou em apresentar-se e pedir desculpas.
– Você deve ser a Ino. Desculpe pelo meu jeito, é que eu sou meio desatento. Sou Uzumaki Naruto. Seja bem vinda. – ele estendeu a mão para cumprimentar Ino. Mas mal ela tinha estendido sua mão também, Naruto desistiu do gesto formal e partiu para um abraço de urso que quase tirou os ossos de Ino do lugar.
– É... um prazer, Naruto. – Ino falou um pouco ofegante, se recuperando do abraço de Naruto.
– E essa oferecida aqui — apontou para a filha nos braços de Gaara. – é Genevive, mas pode chamá-la de Ginnie.
– Olá, Ginnie. – Ino acenou para a menina, ainda abraçada a Gaara. Ela parecia uma criança adorável quando acenou sorrindo para Ino.
– Ela é a sua namorada, tio Gaara?
– Você não precisa ficar com ciúmes, Ginnie. – Gaara falou suavemente. – Você é a única no meu coração. A minha garota!
– Assim quem vai ficar com ciúmes serei eu! – da mesma porta pela qual Naruto tinha entrado, uma mulher baixinha, de olhos acinzentados e cabelos escuros, tão alva que Ino achou que fosse um anjo, surgiu. Ela sorriu para Ino com simpatia e abraçou Gaara com carinho, aproveitando para pegar Ginnie. – Eu achei que eu fosse a única em seu coração, Gaara.
– Eu não sei por que ainda te recebo na minha casa, Gaara. As minhas garotas ficam disputando você! Enquanto eu só fico com as sobras. – Naruto fez beicinho, o que arrancou uma risada de Ino.
– Você é a Ino, sim? – a mulher se voltou para Ino sorrindo. – Sou Hyuuga Hinata. Seja bem vinda, Ino. Sinta-se como se estivesse em casa, querida. Eu sei que vocês devem estar cansados, mas preparei alguns sanduíches e refrescos. Podemos ir para o deque conversar um pouco antes que desmaiem de sono.
– Eu adoraria, Hinata. Mas antes quero trocar de roupa. – gesticulou para o vestido e os cansativos saltos altos. Estava mesmo faminta, já que a festa tinha lhe tirado o apetite mais cedo, e a oferta dos sanduíches lhe pareceu tão sedutora, mas os sapatos a estavam incomodando ainda mais que seu estômago.
– Você está tão bonita, Ino! – Naruto falou como uma criança. – Fique assim mesmo e vamos para o deque!
– O lado anfitrião de Naruto é gigantesco. – Hinata rolou os olhos. – Vou mostrar o quarto de vocês. Enquanto você toma um banho para relaxar da viagem o pessoal sobe sua bagagem.
Ino suspirou agradecida quando Hinata a guiou para um espaçoso quarto no segundo andar da casa. A habitação tinha as paredes na cor creme, um banheiro amplo com uma bela ducha, móveis clássicos que pareciam ter sido tirados de uma casa de bonecas, um belo lustre no teto e uma enorme cama de casal, que ficava de frente a varanda com vista para o mar e o deque nos fundos da casa.
– Espero que se sintam confortáveis. – Hinata estava na porta do quarto enquanto Ino olhava a magnífica vista para o litoral de Marselha e Gaara descansava sentado no recaimer aos pés da cama. – As toalhas estão no armário, e as malas de vocês já estão subindo. Podem guardar tudo no closet. Qualquer coisa me chamem.
Hinata saiu do quarto, e fechou a porta, deixando-os sozinhos. Após respirar fundo algumas vezes, Ino se virou para Gaara com a expressão dura e o olhar frio. Era algo novo para ele, mas Gaara não se abateu.
– Você não vai sair? Eu quero tomar um banho e me trocar. – Ino falou petulante.
– Se você não notou, Hinata e Naruto pensam que estamos juntos. Eles não são tolos ao ponto de pensar que nessa idade somos virgens puritanos. – ele respondeu com desdém.
– Eu vou ter que dividir quarto com você pelos próximos dias? Ótimo! – a voz de Ino saiu cortante. – Ainda bem que a cama é grande, então você pode se manter bem distante de mim! Mas talvez você ache o chão mais confortável!
– Não entendo por que está tão brava. – ele olha para o relógio no pulso antes de tirá-lo junto com o terno. – Hinata e Naruto foram tão gentis, o mínimo que você poderia fazer é melhorar esse seu humor.
– Melhorar meu humor? – Ino gritou, quase histérica. – Eu passei as últimas horas contendo o meu humor para não partir a sua cara ou daquelas pessoas arrogantes!
– Eu te avisei, Ino. O território era perigoso, e ainda sim quis correr o risco. Mas não foi por falta de aviso meu. E fale baixo, ou Naruto e Hinata vão ouvir. – Gaara sibilou.
– Eu abri a boca somente para dizer que tinha sido um prazer conhecer aquela Hozuki. E fui tratada da pior maneira possível. Como um lixo que está sonhando em tomar o lugar daquela maldita da sua ex-esposa! “Evelyn Kerr isso, Evelyn aquilo! Você nunca vai ser Evelyn Kerr” foi tudo que eu escutei daqueles malditos. – os olhos de Ino estavam cheios de lágrimas que ela não podia mais segurar. Gaara deu as costas para ela, caminhando até o balaústre da varanda e se apoiando de forma cansada.
– O que queria que eu fizesse, Ino? Acho que você já passou da idade de acreditar em príncipes encantados que surgem em um cavalo branco para defender mocinhas em perigo. – ele falou ácido. – Achei que você fosse adulta o suficiente para se defender de meros comentários maldosos.
– Eu sou capaz de me defender de comentários maldosos, mas não sou capaz de me defender de tanto desprezo, satisfeito? – Ino jogava na cara de Gaara toda sua frustração. – Você não sabe o que é ser julgado por gente que nunca te viu na vida e nem sabe nada de você! Você nunca foi tratado como lixo! Quando eu te pedi para ir embora você me mandou parar de ser infantil, então ta aí a minha infantilidade!
– Isso não vai levar a lugar algum. Vou descer. Assim que estiver mais calma nós conversamos. – ele se afastou de Ino e rapidamente a deixou sozinha, descendo para a cozinha o mais rápido que podia.
Encontrou Hinata e Naruto arrumando copos em uma bandeja. Eles pareciam quietos demais e amuados. Com um suspiro, Gaara se justificou:
– Ino teve um dia difícil.
– E você não facilitou nada levando-a logo de cara para aquele ninho de cobras. – Hinata falou reprovativa.
– Meu bem... isso é assunto deles. – Naruto tentou apaziguar.
– Você devia ter pensado em como Ino se sentira sendo tratada tão mal por aquelas pessoas. Eu sei que ela tem que aprender a lidar com esse tipo de situação, mas isso não justifica o fato de que você a jogou para os leões. Isso tudo é novo para ela, e você agiu mal. – a morena suspirou cansada, e voltou a arrumar os copos que levaria para o deque. – Vá falar com ela. Peça desculpas por ter sido tão rude.
Desde que conhecera Hinata, ainda na adolescência, Gaara sabia que o jeito tímido da garota Hyuuga escondia alguém que tinha um grande poder de convencimento. Qualquer discussão com ela estava perdida, o que o fez resmungar resignado e voltar ao quarto.
– Você teria mais sucesso como política do que como esposa do Naruto. – Gaara resmungou enquanto subia as escadas lentamente.
Gaara bateu duas vezes na porta, mas não teve nenhuma resposta. Resolveu entrar, e encontrou Ino sentada no recaimer, com o rosto lívido e os olhos semicerrados.
– Está se sentindo bem? – perguntou suave, se sentando ao lado de Ino.
– Um pouco zonza. Não comi nada o dia inteiro. – a voz de Ino saiu fraca.
– Tome um banho, e se estiver se sentindo melhor, vamos descer. Caso o contrário trago algo para você comer aqui mesmo.
Ino fez exatamente o que Gaara tinha lhe pedido: tomou um longo banho que a fez se sentir um pouco melhor. Assim que saiu do quarto, viu que estava sozinha e suas malas tinham chegado. Apertou o pesado roupão em seu corpo e foi procurar suas coisas.
A mala com os eletrônicos não estava ali; provavelmente Baki tinha ficado com ela. Mas além das duas malas de Gaara na prateleira de baixo, à direita do closet, e a única bagagem de Ino, que estava na parte esquerda, havia uma bagagem a mais.
Era uma mala semelhando a de Ino, e tinha uma etiqueta com seu nome. Curiosa, abriu-a e encontrou várias roupas novas, ainda com as etiquetas que exibiam os preços indecentes.
– São só algumas roupas para você. – a voz grave de Gaara assustou Ino. Ele estava parado na porta do closet, já sem a gravata e com a camisa meio aberta. – A personal shopper da loja providenciou algumas roupas para as próximas semanas. Mas quando quiser, podemos ir fazer algumas compras.
– Isso tudo é desnecessário, Gaara. – Ino murmurou, tirando da mala um vestido de verão macio, azul Royal de finas alças. Provavelmente parecia uma camisola, mas era muito bonito e perfeito para um fim de tarde na praia de Marselha.
– Essa cor fica bonita em você. – a forma suave como Gaara tinha dito aquilo fez Ino olhá-lo surpresa, mas ele já tinha saído do closet e entrado no banheiro.
Ino decidiu por usar aquele vestido. A tal personal shopper tinha providenciado, além de roupas muito bonitas, sapatos também. Embora a maioria fosse saltos poderosíssimos, conseguiu encontrar um par de sandálias baixas. Olhou-se no espelho, um pouco intimidada pelo comprimento do vestido e tentando arrumar sua franja, mas orgulhosa por parecer tão bem naquela roupa.
Naquele exato momento, Gaara saiu do banheiro com nada mais que uma toalha na cintura e sua habitual expressão séria. A visão dele fez o coração de Ino falhar uma batida e ela corar violentamente.
– O vestido ficou bem em você. – Gaara falou calmamente e logo se trancou no closet. Reapareceu quando Ino ia prender o cabelo em um rabo de cavalo e deixar a franja solta, vestido em uma calça cáqui e vestindo uma camisa polo branca, mas ele lhe segurou a mão com tranquilidade. – Deixe o cabelo solto.
– O que está tentando fazer? – Ino o olhava através do reflexo do espelho. Ainda estava sério, mas sua expressão tinha se suavizado, e nos olhos de Gaara ela podia identificar que ele estava desarmado.
– Dizer que sinto muito pelo que aconteceu hoje.
– Não importa, você não podia ter feito nada e eu sou adulta o suficiente para lidar com uma situação assim.
– Eu podia ter te dado apoio, mas... – ele ofegou e se afastou de Ino como se ela fosse brasa quente. – Já podemos descer?
– Claro. – Ino ignorou a súbita mudança dele e ajeitou rapidamente o cabelo para que ele ficasse solto.
Os dois desceram as escadas lentamente, e pela primeira vez Ino notou que Gaara não estava usando a bengala, e isso o fazia caminhar um pouco mais devagar; ainda que Ino não estivesse retardando seu passo por causa dele.
Se dirigiram para o deque, onde Hinata e Naruto os esperavam com uma mesa recheada de lanches preparados pela morena. Genevive estava fazendo castelinhos na faixa de areia em frente ao deque, que dava de frente para o mar e era iluminado por várias lanternas chinesas.
– Vocês demoraram, então abrimos o vinho antes. – Naruto ofereceu uma taça de vinho branco a Gaara e outra a Ino.
– Coma primeiro, ou vai acabar ébria. – Gaara advertiu Ino quando ela ia beber o primeiro gole do vinho. Resignada, Ino comeu um sanduíche antes de beber do delicioso vinho que Naruto tinha lhe oferecido.
Gaara se sentou na beira do deque com Naruto e os dois ficaram observando Genevive brincar enquanto conversavam. Já Ino puxou uma das espreguiçadeiras e se sentou ao lado de Hinata.
– Você está se sentindo melhor, Ino? – Hinata perguntou calidamente enquanto comia um sanduíche.
– Sim. Foi a viagem que me deixou muito cansada.
– E o nervosismo também. – ralhou a morena. Ino corou levemente e passou a mão pelos cabelos de forma nervosa. – Foi difícil não ouvir vocês dois.
– Mas Gaara já se desculpou. Vai ficar tudo bem. – Ino enfiou um sanduíche na boca para mantê-la ocupada e evitar responder perguntas que pudesse comprometê-la.
– Isso sim é novidade. Gaara nunca pede desculpas. – a resposta de Hinata quase fez Ino se engasgar com o sanduíche de salada de frango. Depois de se recuperar da informação, de uma forma nada elegante, Ino engoliu um belo gole de vinho para empurrar o sanduíche. – Me surpreende que não saiba disso.
– Nosso relacionamento é bastante recente. – murmurou.
– Ele nunca foi bom em pedir desculpas ou expressar o que está pensando ou sentindo. Se faz, é sempre em um rompante. Parece que ele é brusco ou está mal-humorado, mas é o jeito dele.
Ino voltou a comer calmamente, enquanto Hinata mudava sua conversa para um assunto mais ameno.
Diferente das muitas pessoas que conhecera mais cedo, Hinata era doce e amável; e Naruto era caloroso e receptivo. Ino estava se sentindo confortável ali, e não se importaria de passar algum tempo em Marselha.
– Amanhã vamos passar a manhã na praia, Ino. Naruto e Gaara cuidam de Genevive e nós duas vamos nos divertir. Depois podemos ir na cidade, se quiser. Gaara disse que gostaria de fazer algumas compras. – Hinata sugeriu animada. – Você trouxe um biquíni?
– Trouxe sim, Hinata. E eu acho que vou dispensar as compras. Tenho roupas para uma estação inteira sem repetir uma peça. – Ino riu divertida.
愛
07h16, quinta-feira, 23 de setembro
Marselha, França
Ino estava enroscada em algo rígido, mas não menos confortável que seu travesseiro. Ouviu uma leve batida na porta, mas estava com muito sono para se levantar e resolveu ignorar as batidas que agora eram insistentes. Ia voltar a dormir quando o baque surdo da porta a fez despertar assustada.
Naruto, Hinata e Genevive invadiam o quarto segurando um bolo de aniversário e cantando “parabéns”. Ino teria rido e agradecido o gesto dos amigos, mas ficou ainda mais surpresa ao notar que estava na diagonal na cama, e dormia em cima do torso nu de Gaara.
Se ergueu em um rompante, esquecendo-se que estava usando só uma camisola de cetim cinza e estava sem sutiã. Gaara, que dormia com os pés virados para a cabeceira, despertou devagar, quando os amigos tinham cessado os parabéns pela metade e olhava o casal com curiosidade.
– Meu bem, a noite deles parece ter sido longa. Gaara está até de cabeça para baixo. Brincaram bastante? – Naruto perguntou jocoso e tampando os olhos de Genevive que estava em seu colo.
– Eu também quero brincar, tia Ino! – Genevive se remexia no colo do pai e tentava alcançar Ino.
– Ginnie, querida, você só vai poder brincar disso que o tio Gaara e a tia Ino estavam brincando quando tiver trinta anos e casada. – Naruto resmungou.
– Não é nada disso... – Ino tentou se justificar.
Olhou para Gaara em busca de socorro, mas ele despertava lenta e tranquilamente. Furiosa, pegou a primeira coisa que sua mão alcançou e jogou em Gaara: um pequeno pote de creme hidratante para as mãos que o acertou no rosto.
– Acorda, seu idiota! – ela grasnou, enquanto Gaara resmunga palavrões em uma mistura de turco e inglês.
– Ah, o amor pela manhã é tão bonito. – Hinata sorriu de uma forma estranha. – Estamos esperando vocês na cozinha. E por favor, não demorem.
Ino só conseguiu respirar com regularidade quando já não ouvia mais os sons da animação de Naruto e Genevive. Ainda estava profundamente envergonhada, não só por Hinata e Naruto a terem visto naquela situação, mas por ter acabado dormindo em cima de Gaara.
– Aquilo doeu, Ino. Kahretsin! – Gaara resmungou irritado, esfregando o zigomático atingido pelo pote de creme.
– Me diz como eu fui parar em cima de você? – ainda que sussurrasse, Ino estava furiosa e ameaçadora. Gaara achou por bem se levantar e ir para o banheiro antes que ela descobrisse que o abajur não era parafusado na mesa de cabeceira.
– Você estava especialmente carinhosa noite passada. – o sarcasmo era tangível no tom de voz de Gaara, ainda que ele estivesse no banheiro. – Quanto tentei te colocar de volta no seu travesseiro, você se apertou ainda mais em mim, então desisti.
Ino respirou profundamente por todo o tempo em que Gaara esteve trancado no banheiro. Assim que ele saiu, ela pegou o robe mais longo que encontrou, o vestiu – apertando-o severamente em volta de si – e foi fazer sua higiene matinal.
Assim que saiu do banheiro, encontrou Gaara na varanda falando ao celular. Ele olhou para si e fez um sinal para que ela se aproximasse.
– É sua amiga Tenten e seus pais. Estão preocupados. – Ino percebeu que implicitamente Gaara perguntava por que ela ainda não tinha ligado para eles, quando estendeu seu telefone.
– Oi, Tenten. – falou brandamente.
– Oi? Você não dá notícias por três dias e vem me dizer “oi” depois que eu praticamente reviro a sua casa atrás do cartão do ruivo gostoso – Tenten fez uma pausa para continuar mais baixo. – que podia ter feito sei lá o quê com você?
– Eu estou bem, Tenten. Só tive alguns dias bem cheios, e meu celular está sem bateria. – Ruivo gostoso?, pensou Ino se socando internamente.
– Custava responder os emails?
– Tenten, qual a parte do “tive alguns dias bem cheios” você não entendeu? – Ino bufou.
Gaara segurou Ino pelo cotovelo e a arrastou para fora do quarto enquanto ela ainda falava ao telefone. Os dois estavam de pijamas e com péssimo humor. Quando cruzaram com a empregada da casa, quase mataram a mulher de medo.
– Vou colocar no viva-voz, seus pais querem falar com você. – pacientemente, Ino aguardou os pais gritarem com Tenten: — Feliz aniversário, querida!
– Obrigada. E como estão as coisas por aí?
– Indo bem, mas estamos com saudades. – Margareth falava com a emoção tomando de conta de sua voz. – E como está sendo a viagem?
– Está correndo bem. Estamos em Marselha, na casa de alguns amigos de Gaara. Eles até fizeram um bolo para mim. – Ino riu sem graça do fiasco que foi o gesto e Naruto e Hinata.
– Gaara está te tratando bem, querida? – Inoichi perguntou.
– Sim, está tudo bem entre nós. – o olhar de Gaara recaiu sobre Ino e ela lhe sorriu da forma mais irônica que pôde.
– Diga a ele que mandei lembranças. – Margareth gritou.
– Mamãe mandou lembranças. – sussurrou a Gaara, que disse a ela para agradecer. – Ele mandou um abraço.
– Você está comendo direito, querida? – seus pais perguntaram ao mesmo tempo.
– Gaara está te comendo direito, querida? – ouviu Tenten gritar ao fundo, seguido de um “Ai, tia!”.
– Mamãe, papai, eu estou bem. Agora eu vou tomar café e comer o bolo que Hinata preparou. Mando um email mais tarde, sim?
– Claro, querida. – Inoichi falou calmamente. – Se cuide. E... feliz aniversário.
– Obrigada, papai. Um beijo para as duas histéricas daí.
Ino desligou o telefone com um nó preso em sua garganta. Passou o celular para Gaara e ensaiou um sorriso para Naruto e Hinata. Estava feliz de estar ali, mas gostaria de ter passado o aniversário com seus pais.
– Se quiser, posso mandar alguém para buscar seus pais e sua amiga. Estamos de partida para Mônaco amanhã, e vamos passar algum tempo lá. Pode passar um tempo com eles. – Gaara sugeriu baixo. Estavam parados na porta da cozinha, e ele tinha notado o quanto Ino tinha ficar mexida com telefonema dos pais.
– Não é preciso, faz só alguns dias que estava com eles. – sussurrou.
– Ei vocês, parem de namorar e entrem logo! – Naruto gritou da cozinha.
Hinata tinha preparado o bolo de madrugada; fez a massa de chocolate branco, recheou com creme de nozes, o confeitou com glacê branco e vermelho e escreveu “Parabéns, Ino!” com calda de chocolate na parte superior do bolo.
– Para quem vai o primeiro pedaço? – Naruto gritou.
– Eu achei que a Gennie ia perguntar isso. – Gaara resmungou, se sentando em uma das cadeiras em volta do balcão da cozinha e servindo-se do café amargo recém-preparado.
Ino riu da implicância dos dois e se concentrou em cortar o bolo. Sorrindo, entregou o primeiro pedaço para Genevive, e beijou o rosto da menina quando o fez.
– Já que você é metade do papai e metade da mamãe, eu não precisei dividir o primeiro pedaço, Ginnie.
A menina abraçou Ino com força e voltou logo para o colo do pai para comer seu bolo. O casal ainda tivera a delicadeza de comprar um presente para Ino: um curioso gato de pelúcia. Era um bicho avermelhado e tinha olhos verdes. Ino pensou que talvez fosse alguma piada interna de Naruto e Hinata, mas o gato era tão fofo que ela só quis abraçá-lo com força.
Hinata ainda se preocupou em levar do bolo para Miranda, a empregada, e Jean, o motorista; enquanto Naruto e Genevive comiam no deque. Se vendo sozinha com Gaara, Ino cortou uma fatia um pouco maior de bolo e colocou em um prato que foi posto entre os dois.
O ruivo terminava seu café e lia o jornal de forma distraída quando Ino lhe ofereceu um pedaço de bolo na boca.
– Ino, eu odeio doces. – ele afastou o rosto com uma expressão confusa.
– E eu adoro doces. Além do mais, Hinata se esforçou muito para fazer esse bolo. Apenas prove.
– Tudo bem, mas eu mesmo posso segurar meu garfo. – Gaara revirou os olhos, mas viu que Ino não tinha movido o garfo que ela lhe oferecia, então desistiu, deixando Ino levar o doce a sua boca.
Teve de insistir muito para que ele comesse um segundo pedaço, mas entendeu que o limite da Gaara para doces era aquele. Nenhum dos dois reparou em Hinata parada na porta da cozinha observando-os desde o início, e ela não fez questão de se anunciar. Apenas ficou ali prestando atenção no casal.
– Quando chegarmos à Mônaco, você pode ir em uma loja e escolher algo que goste.
– Essa é a sua ideia de me dar um presente? – Ino perguntou jocosa.
– Não sou bom nessas coisas.
– Um presente tem que ser algo sincero, e não uma coisa tão fria como pagar algo que eu goste. – sorriu de forma que uma leve onda de calma invadiu Gaara. – Você tem seis meses para isso.
– Hm, já que se acertaram sobre o presente, está na hora do beijo de aniversário! – Hinata impôs sua presença maliciosamente, fazendo Ino corar e Gaara revirar os olhos.
– Alguém falou em beijo? – Naruto apareceu na cozinha com Genevivie no colo. A menina foi entregue para a mãe toda suja de bolo, enquanto Naruto sumia sala de estar adentro.
Ela voltou com uma expressão estranha, quando Hinata insistia para o casal se beijar enquanto limpava a filha.
– Vocês não se beijaram nenhuma vez desde que chegaram aqui. – Naruto resmungou. – Vamos lá, não é como se fosse o primeiro beijo.
Gaara suspirou e num movimento fluido segurou o rosto de Ino entre suas mãos, ergueu-se um pouco e beijou o topo da cabeça de Ino. Mas Naruto ainda não estava satisfeito, e fez uma careta junto com Genevive.
– Isso não foi um beijo. Tem que ser um de verdade, daqueles de cinema!
Ino sentiu a mão quente de Gaara deslizar de seu rosto para seu pescoço, puxando-a mais para perto. Sem sua vontade, seu corpo se movia no mesmo ritmo lento em que ele se curvava. Seus olhos foram se fechando, e ela se apoiou nos braços dele quando passou a sentir a respiração tão lenta e calma de Gaara. O contato entre suas bocas foi inevitável, depois suas línguas e aquela foi a experiência mais indescritível para Ino.
Ela sentia seu corpo em ebulição a medida que seus corpos ficaram mais próximos, e passou a exigir mais daquele beijo. Sentiu a mão de Gaara puxando-a pela cintura e quando se deu conta já não estava mais sentada na banqueta, e sim de pé – ainda que na ponta dos pés – entre as pernas dele.
Ambos já tinham sido beijados, mas aquilo parecia ser ainda melhor. Mas, sem mais nem menos, como se Ino tivesse sido atingida por uma corrente de choque, ela se afastou bruscamente. Estava corada até a raiz dos cabelos e ofegante; olhava para qualquer ponto na cozinha, menos para a o rosto de Gaara, que tinha a costumeira expressão de tranquilidade afetada.
– Isso sim foi um beijo. – Naruto comentou depois de um assobio.
– Ecaa! – Genevive escondeu o rosto na curva do pescoço do pai. Hinata estava surpresa, e quando voltou a falar, foi para reclamar com o marido.
– Por que você não me beija assim? – ela chiou.
– Meu amor, vamos discutir isso depois? – ele tirou do bolso a câmera fotográfica que estava escondendo e mostrou para Hinata. – Uma bela foto, não é?
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