Implacável

2 Capítulo 2


Notas iniciais
HuHuHuHu! Mais um capítulo para vocês! Demorei muito? Enfim, enfim, aproveitem.

E lá vamos nós... :3

12h15, terça-feira, 15 de setembro

Glenluce Road, 77

Orfanato Konohagakure

Greenwich, Londres, UK


Arrogante a.m Pessoa que tem atitude superior à solicitada na situação ou momento. Que abusa da autoridade para efetuar um ato com intuito de demonstrar que é melhor ou mais importante que outro.


Era uma grande sorte.



Pela segunda vez em menos de uma hora Ino escapava de ser atropelada. Corria desajeitada pela Old Dover Road, passando pelo Marks and Spencer em direção à Chalrton Road. Atravessou com pressa, e cruzou o Bartley Park em metade do tempo que levaria se não estivesse com pressa. Seguiu pela Westcombe Hill até a esquina com a Westcombe park Road e entrou na Glenluce Road sob a estridente buzina de um motorista de táxi.



– Pazza! – o homem gritou com raiva.

– Scusa! – respondeu no mesmo italiano e voltou a correr.


Ino entrou no prédio do Orfanato Konohagakure feito um furacão. Resmungou um “boa tarde” para Iruka e Shizune quando passou pela recepção. Mas não esperou por resposta. Correu o mais rápido de que podia para o primeiro banheiro que encontrou, deixando pelo caminho sua mochila, seu casaco preto e o cachecol estampado com a bandeira do Reino Unido que estava usando.


Quase teve um acesso de alívio intenso quando finalmente pôde fazer xixi. Sentira vontade quando estava na Universidade, e ia deixar para ir na saída, mas o banheiro estava interditado. Se fosse no banheiro perto do restaurante, iria perder o trem das onze. Mesmo não indo ao banheiro, perdeu o trem e teve que pegar um ônibus, que demorou mais tempo do que ela levaria se esperasse o trem das onze e meia. Mas o ônibus que pegou não ia para a Westcombe park Road; parava na Old Dover Road com a Invicta. Andar até o orfanato segurando a vontade de urinar foi uma tarefa dura, mas Ino a cumpriu com louvor.

– Ah, assim é bem melhor. – suspirou aliviada assim que fechou o jeans.

Baixou a tampa do vaso e deu descarga. Tudo correu bem até a hora de lavar as mãos. Como se estivesse dominado por uma entidade ruim, assim que Ino girou o registro, ele pulou e água começou a jorrar por todo o lado, ensopando Ino desde os all star até o último fio de cabelo.

Pelo menos eu deixei o casaco lá fora, Ino pensou assim que conseguiu fechar o registro geral do banheiro. Saiu feito um dos patos do parque, e Iruka lhe lançou um olhar piedoso ao lhe estender as coisas que ela tinha largado pelo chão.

– Você entrou com tanta pressa que nem deu tempo de avisar que o banheiro estava com a pia estragada.

– Tsunade tinha me dito na segunda, mas achei que já tinham consertado, junto com os vazamentos e a calefação da sala de vídeo. – Ino torcia o cabelo em um coque enquanto falava.

– Com que dinheiro? – Shizune perguntou tristemente. – O que recebemos do governo mal dá para as despesas básicas com as crianças e os funcionários. E o banco quer executar a hipoteca do prédio. Provavelmente teremos que fechar se as coisas continuarem como estão. E para piorar, a professora de artes pediu demissão.

– Mas e o dinheiro arrecadado com a quermesse? – Ino perguntou assustada.

– Não foi tanto. Só deu para pagar o plano médico e algumas das dívidas. – Iruka respondeu. – Bem, no fim das contas, conseguimos uma doação daquela loja de jardinagem naquele bairro granfino. Mandaram adubo para as flores e para a horta, ferramentas novas e sementes para o jardim.

– Uma boa notícia, pelo menos. – suspirou cansada. – Tsunade está na sala dela?

– Sim.

Ino se despediu de Shizune e Iruka e seguiu para a sala de Tsunade no terceiro andar.

O orfanato Konohagakure era sediado em um prédio grande e antigo em Greenwich. Tinha a arquitetura vitoriana, com dormitórios e salas de aula para as crianças. Um belo jardim projetava-se no terreno em volta do prédio, e era cuidado com carinho por Ino; e por seu pai, antes dela.

Recentemente o orfanato vinha passando por sérias dificuldades financeiras. As doações feitas por uma grande empresa petrolífera tinham sido cortadas, o banco estava prestes a executar a hipoteca que tinham feito há alguns anos e tomar o prédio e o dinheiro dado pelo governo mal dava para as despesas básicas. Era uma situação desesperadora para Tsunade, que dera a vida administrando o lugar.

– Com licença, senhora Tsunade. Posso entrar? – Ino tinha enfiado a cabeça no interior da sala de Tsunade, que só fez um gesto para ela entrar, pois estava ao telefone.

– Eu entendo sua posição, senhor Smith... Só estou pedindo um prazo maior... Entendo... Não há nada que possa fazer?... Está bem. – a mulher loira e de busto suntuoso desligou o telefone com um suspiro breve e cansado. Olhou para Ino com um sorriso triste. – Estamos em uma situação muito ruim.

– Soube que a professora de artes se demitiu. – comentou. – Eu não tenho meu diploma ainda, mas posso dar uma força até vocês encontrarem uma professora nova. Assim as crianças não ficam sem aula. E sobre o banheiro, acho que o papai pode consertar.

– Eu admiro seu empenho, querida, mas... nossa situação é mais difícil do que imagina. O corte nas doações e a hipoteca é o que mais me preocupa.

– Mas por que tiraram as nossas doações?

– Quando liguei para a agente da Companhia Sabaku, ela nos disse que precisaram fazer cortes nas despesas durante uns meses. Nosso orfanato era a instituição em melhores condições de suportar o corte, então nós fomos escolhidos. Ela disse que no próximo ano, talvez a gente volte a ser beneficiado.

– Tentou falar com alguém maior,senhora Tsunade? Um diretor de finanças, ou mesmo o dono! Explicar para ele a nossa situação?

– Tentei uma audiência com Sabaku no Gaara, o Manda-Chuva, mas os assessores dele disseram que ele não recebe ninguém. Que eu desistisse e me conformasse. – Tsunade suspirou e recostou-se em sua cadeira, vendo Ino levantar com um ar determinado e irritado no rosto.

– Quem ele pensa que é para nos ignorar assim?! É o futuro de crianças que não têm para onde ir e ele se recusa a pelo menos nos ouvir! – Ino bufou. – Mas ele vai me ouvir, querendo ou não! Ah, se vai!

Ino pegou seu casaco e jogou a mochila já surrada de camurça negra no ombro. Ainda molhada, saiu apressada do escritório de Tsunade, sendo seguida pela loira.

– Ino, deixe disso. Nós vamos dar um jeito! – Tsunade tentava dissuadi-la. – Você vai acabar se prejudicando se enfrentar esses ricaços. E se ele resolve te processar ou coisa pior?!

– Ele vai me escutar. Nós não precisamos do dinheiro sujo dele mais! Vamos dar um jeito, mas ele não pode ir agindo como se fosse um deus ou qualquer merda do tipo.

– Ao menos vista uma roupa seca. Se sair molhada do jeito que está vai acabar pegando uma pneumonia!

– Eu vou ficar bem, vovó Tsunade! – Ino piscou para a mulher e sorriu confiante. Ela lhe lembrava seu afilhado que vivia na França com a noiva.

Ficou parada na porta olhando Ino correr desajeitada em direção ao ponto de ônibus. Iruka tinha ouvido o estardalhaço de Ino nas escadas e viu quando a loira saiu porta afora com um ar confiante. Meneou a cabeça e se postou ao lado de Tsunade.

– Ela é bem espirituosa. – comentou abafando um riso.

– É ela a causa de todos os meus cabelos brancos! Cada fio branco que tenho é culpa dela! – Tsunade gritou. – Eu mal tenho cinquenta anos e a atrevida me chama de vovó e me causa tanta preocupação.


_______



Ino se socava internamente a cada passo que dava nas frias ruas de Londres. Teria sido mais fácil se tivesse perguntado à Tsunade o endereço do tal empresário. Estava completamente molhada, já que seu casaco e seu cachecol acabaram absorvendo parte da umidade das suas roupas. Se demorasse um pouco mais, acabaria feito um picolé.

Só lhe ocorreu uma ideia quando sentia que seus dedos iam necrosar. Pegou um ônibus até o centro financeiro-empresarial do centro de Londres e encontrou a sede da Companhia de Petróleo e Combustível Sabaku. Sabia que os funcionários nunca dariam o endereço de seu patrão de bandeja. Então esperou alguém sair do prédio. Bingo! Um homem envelopado em seu terno italiano saiu apressadamente do prédio. Parecia simpático, então Ino foi direto nele.

– Senhor! Pode me ajudar, por favor? – ela tentou soar gentil e até sorriu quando o homem lhe deu atenção. – Eu acabei de sair dali – apontou o prédio – achando que a entrevista que consegui com o senhor Sabaku fosse acontecer ali. Mas...


– Sabaku no Gaara não sai de sua casa a muito tempo, mocinha. Você deveria ir para lá o mais rápido possível, já que ele odeia ficar esperando; ainda mais se ele te fez a gentileza de lhe dar uma entrevista para...



– Sou do jornal da Universidade das artes de Londres! – mentiu. – É uma matéria sobre os recentes investimentos que ele fez em obras de arte. Mas eu tenho um pequeno problema. Não sei onde a casa dele fica e... Acabei de levar um banho de um carro. – apontou para seu estado lastimável. – Pode convencer uma daquelas modelos disfarçadas de recepcionistas a me dar o endereço? Elas acharam que eu era uma mendiga...


– Tem papel?

Ino tirou da mochila um trabalho antigo que tinha recebido naquela manhã e o usou para anotar o endereço que o homem lhe disse. Kensington e Chelsea! O homem era bem rico. Pegou o metrô e desceu na estação High Street Kensington, de lá caminhou um longo trajeto até a Hornton Street com a Campden Grove. Era uma quadra grande, mas tinha poucas casas – que mais pareciam palácios aos olhos de Ino. Não demorou a encontrar o número 1037.

Era a casa mais chique daquela rua. Grandes muros de pedra branca tomada por hera erguiam-se em volta de uma mansão tradicionalmente no estilo inglês. Parecia que Ino estava olhando para um pedaço do século XIX. Era uma construção interessante. Duas grandes torres de três andares se erguiam ao lado da construção retangular central que possuía um terraço. Em volta, um jardim grande e bem cuidado fez os olhos de Ino brilharem. E em frente à fachada, uma fonte circular jorrava água elegantemente. Os portões eram de ferro, retorciam-se no estilo art noveau e estavam muito bem vigiados por seguranças que mais pareciam armários de terno.

Ino se certificou de que não havia cerca elétrica, então jogou sua mochila para cima do muro, afastou as heras e procurou irregularidades na pedra que possibilitassem sua escalada. Foi uma tarefa mais difícil do que pensou, mas conseguiu chegar no topo do muro sem ser percebida. Do alto, aquela mansão parecia ainda mais majestosa, porém estéril, vazia. Notou o brasão dos Sabaku no centro, no balaústre do terraço.

– Como são ricos... – Ino murmurou enquanto se preparava para saltar do muro. Jogou primeiro a mochila, depois, respirou fundo e saltou. Caiu como um gato, mas não deixou de sentir os joelhos reclamarem pelo choque com o gramado.

Correu beirando o muro, procurando uma forma de se aproximar da casa sem ser percebida pelos seguranças. Conseguiu depois de vários minutos observando, e quando ia se aproximando de uma porta que estava só encostada, foi surpreendida por uma mulher loira, jovem, mas com roupas que a deixavam quase dez anos mais velha.

– Você demorou, menina! Achei que não vinha mais. – ela resmungou, puxando-a para dentro. – E por que está toda molhada?

– Ah, eu acho que isso é um engano... E um carro me molhou. – Ino murmurou.

– Você não é a arrumadeira que a agência mandou? – a mulher olhou Ino com desconfiança. Estava tendo muita sorte naquele momento, e não podia melar tudo.

– A vaga não era de ajudante de jardineiro?

– Não. Ah, céus! Vou ligar para a agência...

– Não... Olha, eu preciso desse emprego, então fico com a vaga. Se me der as dicas, em um dia serei a arrumadeira perfeita! – Ino sorriu docemente, derretendo o coração da mulher com sua confiança.

– Sou Guren, a governanta. Vou pegar o seu uniforme, me espere aqui!

Ino aproveitou a oportunidade que lhe foi jogada nas mãos e a agarrou com força. Viu que estava na ala dos empregados. Zanzou um pouco e logo se viu na cozinha. A casa era muito grande, e poderia se perder facilmente; mas ao vê-la, notou que uma das janelas da torre da esquerda estava aberta. Se Gaara vivia sozinho, era lá que ele estava; ou pelo menos poderia ter uma informação de onde ele se encontrava. Se Ino entrou pelo lado esquerdo também, bastava subir as escadas e vasculhar aquele lado da mansão. Isso se tivesse sorte e Gaara não mudasse de lugar.

Já tinha se passado quase metade de uma hora e Ino ainda não tinha encontrado nada. Foi no segundo andar que ouviu a primeira movimentação. Se escondeu na penumbra e viu um homem alto, de feições árabes e vestido em um terno muito elegante, sair de um dos salões. Ouviu-o dizer algo a alguém dentro do salão, e Ino apostou todas as suas fichas na possibilidade de Gaara estar ali.

Assim que viu o caminho livre, avançou em direção àquela mesma porta e entrou silenciosamente. Trancando-a em seguida.

– Esqueceu alguma coisa, Baki? – ouviu uma voz rouca e grave que a intimidou mais que as broncas de seu pai quando era criança. Estava anoitecendo e o salão não tinha as luzes acesas. Ino só podia ver a silhueta de um homem bastante alto, de ombros largos e que se apoiava em uma bengala. Ele estava de costas para ela e virado para a grande janela na parede norte.

Engoliu em seco e buscou coragem no mais fundo de si para despejar:

– Senhor Sabaku, eu vim aqui pra te dizer que você não passa de um egoísta, ordinário, amargo e... e... Um arrogante! – despejou as palavras de forma irritada. Ficou parada, ofegando por um tempo, até notar que o homem se virava lentamente.

Ino quase desmaiou quando o homem se virou totalmente para ela e a única coisa que ela pôde ver foi um par de olhos verdes observarem-na como um predador olha a sua presa.

Droga! Droga! Droga! Droga! Droga! Mil vezes droga! Em que é que eu fui me meter?!