Implacável
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Este é dedicado a todos que comentaram a fanfic. Saibam que seus comentários são muito importantes. Com críticas, sugestões ou elogios, todos os comentários são bem-vindos! :D
19h05, terça-feira, 15 de setembro
Campden Grove, 1037
Residência de Sabaku no Gaara, ala norte
Kensington e Chelsea, Londres, UK
Amargo Fig. Triste, doloroso: recordações amargas.
Duro, violento: repreensão amarga.
A única coisa que passou pela mente de Gaara ao ver aquela garota ali foi: tenho que demitir os seguranças. Ele se aproximou devagar da moça, e ela não se moveu um milímetro. Ele percebia o quão trêmula a garota estava, mas tinha de dar crédito a ela por ter conseguido chegar até ele.
Chegando mais perto, Gaara notou e que ela cheirava a banheiro e estava ensopada. Não sabia ele se Ino tremia de nervoso ou de frio, mas estava com pouco humor para tentar descobrir. Continuou sua análise minuciosa de Ino, e duvidou dos gostos da moça ao olhar as roupas que ela estava usando.
O jeans escuro estava rasgado nos joelhos e tinha alguns respingos de tinta. Usava all star Chuck Taylor com uma estampa do Batman na altura do calcanhar¹, que estava um pouco sujo de lama e com grama pregada. Tinha um longo casaco preto de botões, e por baixo deste usava um curioso suéter vermelho com uma grande coruja bordada na frente. O cabelo estava preso em um rabo de cavalo, mas a franja frontal estava desfeita e alguns fios grudavam do rosto suado da moça. Ela despertou a curiosidade de Gaara.
– Era só isso que tinha para me dizer? – ouvir a voz de Gaara tão perto quase fez Ino desmaiar. Ele chegou ainda mais perto e tocou o cachecol que ela estava usando. Avaliou o tecido e respirou profundamente, fazendo uma careta de desagrado com o cheiro que vinha de Ino. – Uma menina cheirando a banheiro consegue invadir a minha casa, que teoricamente deveria ser muito bem vigiada, para me dizer algo que eu já sei... Patético!
– Escute aqui, eu vou te dizer o que é patético! – Ino gritou. – É essa sua atitude! Um homem grosso, arrogante e mal educado que acha que só porque tem um pouco mais de dinheiro tem o direito de tratar os outros como lixo! Eu vou te dizer onde enfiar o seu maldito dinheiro, que você não vai nem levar para o túmulo e nem pode usar para ser um pouco mais feliz!
– Baki! – Gaara bradou, fazendo Ino estremecer. Mas ela não desistia. Mesmo quando Baki surgiu no quarto e tentou arrastá-la para fora, ela se debatia e não parava um momento de gritar.
– Fica sabendo, que a gente não precisa mais do seu dinheiro. Konohagakure vai passar por essa, sabe por quê? Porque aquelas crianças têm amor no coração. Amor pela vida! Não vão ser uns infelizes que ficam trancados em casa como se a vida fosse dura demais ou horrível demais para eles!
Gaara ainda ouvia a voz de Ino exigindo que Baki e os seguranças a soltassem. Observou da janela os seguranças a levarem direto para o portão e a empurrarem em direção a calçada. Deu as costas para a janela e desejou nunca mais ter de passar por aquilo novamente. Aquela garota e seus gritos tinham lhe causado uma baita dor de cabeça.
Estava planejando pegar uma aspirina quando o familiar grito de Ino lhe chamou a atenção de volta para a janela. Diferente do momento em que ela estava criando caso, o grito dela pareceu de susto ou algo semelhante. Gaara ficou mais que surpreso ao ver a moça caída no chão e embolada com um ciclista e sua bicicleta.
Suspirou profundamente e saiu do salão com um ar cansado. Ela tinha lhe desafiado como ninguém nunca o tinha feito. Merecia um crédito.
Desceu as escadas pela primeira vez naqueles dias e alcançou a sala central, por onde entravam Baki e um segurança que auxiliava Ino a andar até o sofá. Ela se deixou desmontar no estofado caro, e recostou-se, gemendo baixo de dor.
– Desculpe, senhor, mas a moça foi atropelada por um ciclista no portão. Não podíamos deixar ela na rua sem ter certeza de que está bem. – Baki se justificou.
– Tudo bem. – ele falou lacônico. – Lhe dê um agasalho e assim que ela estiver melhor, leve-a para onde desejar.
– Sabe por que você é tão triste, senhor Sabaku? – Ino perguntou retoricamente, assim que Gaara fez menção de voltar para seus aposentos. Ele parou e se virou para fitar Ino com calma. – Porque só se preocupa consigo mesmo e com seu sofrimento. Se isola como se isso fosse ajudar. Mas se compartilhasse sua dor, e procurasse se sensibilizar com a dor das outras pessoas, tentando entendê-las e ajudá-las, você se sentiria muito melhor. Ia ver o sentido bom das coisas!
– Tenha uma boa noite, senhorita.
Gaara se retirou calmamente. Como se Ino não tivesse dito nada ou como se tivesse lhe dito qualquer banalidade. Subiu as escadas com mais rapidez que o habitual. Trancou-se em seu quarto e não quis dar conta de quando Ino foi embora. Provavelmente teria uma noite de sono terrível por culpa da dor de cabeça que lhe tomava.
E como previu, não conseguiu dormir. Durante a noite, o atrevimento de Ino não saía de sua cabeça, e quando acordou, a primeira ordem que dera a Baki foi:
– Descubra quem era aquela garota.
愛
Quando Ino chegou em casa, quase foi morta pelo abraço da mãe. Margareth estava esperando-a no depósito acima da floricultura Yamanaka que Ino tinha covertido em um charmoso e aconchegante apartamento. Ver a filha chegar em um opulento BMW série 7, enrolada em um casaco masculino de aparência cara e ser auxiliada a subir as escadas por um homem que mais parecia um agente do governo, fez a imaginação de Margareth voar.
Mas Ino se sentia tão cansada que não quis nada mais além de um longo banho na sua banheira vitoriana, seus pijamas de flanela, um prato de sopa quente e se enfiar em sua cama. Nem viu quando a mãe foi embora. Só queria recuperar as forças para conseguir enfrentar o dia seguinte. E o próximo, e o próximo...
10h00, sexta-feira, 17 de Setembro
Glenluce Road, 77
Orfanato Konohagakure
Greenwich, Londres, UK
Naquele dia, Ino tinha tido a última prova do semestre na universidade. Uma avaliação que classificou como estressante e frustrante, mas que lhe dera a oportunidade de ir ajudar o pai na loja.
Enquanto Inoichi cuidava das vendas, Ino estava enfurnada no escritório nos fundos da loja cuidando das contas e dos pedidos de entrega. Ficou absorvida naquela tarefa até o meio-dia, quando Margareth chegou na loja para chamar Ino e Inoichi para o almoço. Os três saíram para uma cantina italiana que havia ali perto, com Margareth comentando animada sobre sua manhã fazendo velas aromáticas.
– Fiz peças lindas, minha querida.De anis, cravo, patchouli, sândalos... Passaremos no seu apartamento hoje para jantarmos juntos e eu deixo uma lá.
– Mamãe, mas não são todas velas afrodisíacas? – Ino perguntou enquanto aguardavam os seus pedidos.
– Sim. – as bochechas de Margareth adquiririam um tom rosado.
– Sua mãe quer que arrume um namorado, querida. – Inoichi esclareceu, fazendo a esposa bufar e Ino suspirar cansada.
Margareth era uma mulher baixinha e magra, de pele branca, com cabelos com cabelos castanhos que ela gostava de manter presos em um coque baixo, e olhos castanho-avermelhados e pequenos, mas não menos atentos que os de Ino. Já Inoichi era um homem alto, de ombros largos e estrutura bem formada. Um militar reformado da Guerra do Golfo. Tinha olhos azuis muito semelhantes aos de Ino, e o cabelo crescido e loiro.
Os pais de Ino eram um casal curioso. Quando se conheceram, Margareth trabalhava como costureira e Inoichi tinha aparecido na loja onde ela trabalhava para retirar o reforço de seu casaco do exército. Margareth sempre achou que tinha se apaixonado pelo seu marido a primeira vista, mas ela mal sabia que já havia semanas que Inoichi passava na porta da loja para vê-la. Demorou para encontrar a desculpa perfeita, e quando finalmente conseguiu namorá-la, nunca mais se separaram.
– Eu não preciso de um namorado, mamãe. – Ino falou devagar.
– Eu tentei dizer a mesma coisa para ela, querida. Mas você conhece sua mãe. – o homem deu de ombros e se virou para sua esposa. – Ela é jovem, querida, tem bastante tempo.
– Por isso mesmo. Ela é jovem, então tem que ter bastante tempo para curtir com o rapaz a vida a dois e depois pensar em filhos...
Margareth não parou de falar sobre a vontade de ver a filha casada durante o almoço inteiro. E enquanto a mãe falava, a mente de Ino voava. Ela pensava em muitas coisas, e vez ou outra sua mente lhe traía e chegava em Gaara. No quanto ele parecia triste, mesmo mal tendo conseguido ver seu rosto.
– Eu tenho que ir. Fiquei de ajudar na faxina do Orfanato. – Ino se levantou logo que terminou de comer.
– Avise a Tsunade que irei amanhã consertar o banheiro e dar uma olhada no jardim.
Ino se despediu dos pais e partiu em direção ao ponto de ônibus mais próximo. Foi uma viagem curta, e quando Ino chegou, encontrou Iruka e Shizune já trabalhando na limpeza dos vidros do segundo andar.
– Boa tarde, Shizune, Iruka. – ela tirou o suéter cinza de coruja que estava usando e o colocou junto de sua bolsa em um pequeno armário na área dos funcionários. – O que tenho para hoje?
– O jardim de trás e limpar o chão da entrada. – Iruka comentou simpático. – Quando terminar pode ficar um pouco com as crianças menores? Elas perguntaram por você.
– Claro.
Durante mais de uma hora, Ino se dedicou ao cuidado das plantas do jardim onde ficava a hora e o parquinho. Terminado o trabalho, passou para a recepção e começou a limpar extenso chão laminado.
愛
Gaara era conhecido por gostar de trabalhar com pessoas bastante competentes. A ficha de Ino foi levantada no dia em que ele pedira, e lendo o conteúdo daqueles papéis, ficou bastante curioso com a moça e as razões dela para invadir sua casa.
Surpreendendo a si próprio e a todos, naquela tarde, Gaara deixou seus aposentos e pediu que lhe preparassem o carro, pois iria à empresa. Quando entrou no grande prédio da Companhia de Petróleo e Combustíveis Sabaku, a maioria dos funcionários não o reconhecia, mas os que sabiam quem ele era ficaram embasbacados com aparição do chefe. E um intenso burburinho se formou.
A estranha movimentação atraiu a atenção de Yashamaru, o presidente do conselho da Companhia de Petróleo e Combustíveis Sabaku. Assim que viu seu sobrinho, a cor sumiu do rosto do homem e o sangue começou a correr gelado.
– Gaara? O que está fazendo aqui?
– Até onde me lembro, essa companhia é minha. Tenho que marcar hora para visitar o meu patrimônio? – a voz de Gaara soou familiarmente cínica. Como ele costumava agir antes de...
– Claro que não, é só que... é uma surpresa vê-lo aqui depois de tanto tempo. – Yashamaru observou o sobrinho andar calmamente pela sala e por fim se sentar na confortável cadeira atrás da grande mesa de mogno.
– Eu vim porque, recentemente, notei que foram feitos cortes nas quantias enviadas para a Fundação Sabaku. Você sabe que uma das condições para te colocar como presidente do conselho foi que nenhum corte fosse feito para a Fundação.
– Tivemos uma alta significativa nos custos de refino de alguns combustíveis. Foi a decisão mais branda que encontramos. Foram cortes pequenos, não é como se um monte de criançinhas pobres fosse passar fome por isso. – Yashamaru deu de ombros.
– Pouco me importa, o que eu quero é que você reestabeleça o valor original do montante que era enviado à Fundação para o auxílio das entidades. – Gaara falou bruscamente. – Não seria necessária a minha vinda aqui se você obedecesse às minhas instruções desde o começo!
– Gaara, seja mais razoável. Essa quantia...
– Não representa nada perto da nossa receita! E não me peça para ser razoável! Estou de péssimo humor. – o ruivo espalmou as mãos na mesa e se ergueu num rompante. Novamente, Gaara pegou sua bengala e saiu andando em direção à saída tranquilamente. – Espero que tenha sido suficientemente claro. E você não me cause mais problemas como esse.
Yashamaru ficou em silêncio enquanto o sobrinho deixava a sala e partia sob os olhares curiosos dos funcionários. Sadie, sua assistente, se sobressaltou quando escutou o som de objetos quebrando e dos urros de fúria do chefe. Naquelas horas, só havia uma única coisa a fazer: ligar para a empresa de decoração.
Assim que Gaara entrou no carro, o motorista lhe perguntou:
– Para casa, senhor?
– Não, Ao. Dirija para o Orfanato Konohagakure, na Glenluce 77.
– Greenwich, senhor?
– Isso mesmo.
O trajeto para Konohagakure foi rápido, e em alguns minutos Gaara estava adentrando o grande e antigo edifício. Não havia ninguém na recepção que pudesse recebê-lo ou lhe dar uma informação. Estava começando a ficar impaciente quando ouviu uma canção ser cantada baixinho.
London Bridge is falling down,
Falling down, falling down.
London Bridge is falling down,
My fair lady.
Sua própria mãe costumava cantar essa canção para Gaara e seus irmãos quando ele era pequeno. Karura sentava-se ao piano da ala oeste e cantava alegremente enquanto tocava a melodia. Seu pai, Touya, era um homem muito sério, e assim como ele, tinha dificuldades em expressar seus sentimentos e pensamentos; mas nunca deixava de sorrir quando via a mulher sentada ao piano cantando uma música tão comum.
Build it up with wood and clay,
Wood and clay, wood and clay,
Build it up with wood and clay,
My fair lady.
Wood and clay will wash away,
Wash away, wash away,
Wood and clay will wash away,
My fair lady.
Gaara se apressou em procurar quem quer que estivesse cantando aquela música, e ficou surpreso ao encontrar Ino, ajoelhada no chão atrás do balcão de madeira da recepção, esfregando o piso laminado e cantando suavemente.
Silver and gold will be stolen away,
Stolen away, stolen away,
Silver and gold will be stolen away,
My fair lady
Set a man to watch all night,
Watch all night, watch all night,
Set a man to watch all night,
My fair lady.
Ele se aproximou de forma inconsciente dela, e quando se deu conta, o pano que ela estava usando para limpar o sabão e a água suja do chão, foi parar em cima de seus sapatos italianos.
Ela se levantou num rompante, e Gaara pôde observá-la melhor. Tinha uma blusa branca, de mangas compridas na cor laranja, e uns shorts já gastos e um pouco curtos até – ou seria as pernas que estavam lhe chamando a atenção? O cabelo estava preso em um rabo de cavalo e a franja colava na pele com o suor do trabalho árduo.
– Oh meu deus! – Ino exclamou, jogando o pano para outro canto e levantando-se num salto. – Me desculpe, foi um acidente...!
– Não importa. – a voz grossa dele intimidou Ino severamente. Ela nem tinha coragem de olhar em seu rosto, de tão constrangida que se encontrava, diferente do dia em que invadira sua casa e lhe despejou uma série de ofensas.
– Olha, eu faço questão de limpar. E se estragar, eu lhe pago um par novo. Por favor, aceite. – ela murmurou.
– Eu duvido que você teria condições de pagar um Gucci feito sob encomenda e importado de Itália.
– Escute aqui, senhor...!
Pela primeira vez ela olhou nos olhos dele. Viu a surpresa tomar conta de Ino ao se dar conta de quem ele era. Gaara daria toda sua fortuna naquele momento para saber o que estava se passando pela cabeça dela. Viu ela abrir e fechar a boca duas vezes, como se estivesse pensando em algo para dizer, mas também viu quando ela desistiu.
– Estou ouvindo, senhorita. – Gaara se divertia com o nervosismo de Ino.
– Que surpresa a sua visita, senhor Sabaku. Mas é uma pena que tenha vindo em um dia tão conturbado como o da... faxina. – ela falou morna, torcendo os dedos atrás de si e envergonhada.
– Na verdade, acho que vim no dia perfeito. – ele se aproximou um pouco mais e notou que Ino não estava cheirando a banheiro, como no dia anterior, mas a um leve perfume floral. E aquilo o agradou. – Você trabalha aqui, senhorita...?
– Yamanaka Ino. – ela segurou a mão que ia estender para ele. Já bastava ter molhado os sapatos dele, não queria que ele ficasse com a mão cheirando a água sanitária. – Não, eu só ajudo com algumas coisas. Arrumo o jardim, cuido das crianças, dou uma ajuda na limpeza... Mas recentemente eu virei a professora de artes substituta. – ela soltou um riso sem graça. – A professora de artes se demitiu e você está aqui, me escutando falar bobagens... Ai meu deus, eu tenho que calar a minha boca agora.
– Bem, eu gostaria se saber qual o problema de você assumir a vaga de professora. – Gaara deu alguns passos para trás e se encostou no balcão de madeira. Seu joelho começava a dar sinais do esforço que ele estava fazendo.
– Eu não tenho diploma, ainda. E curso história da arte, não teria qualificação para dar aulas para crianças. Mas elas não podem ficar sem aulas, então...
– E por que não contratam outra professora?
– Pelo simples fato do orfanato não ter dinheiro para isso. – Ino suspirou um pouco irritada. – Em breve o banco vai executar a hipoteca do prédio, então... Acho que não vai ser mais necessário uma professora.
Gaara ia abrir a boca para falar, mas o ruído de passos o interrompeu. Três crianças desciam as escadas correndo e se jogaram nas pernas de Ino, abraçando-a carinhosamente. Eram dois meninos, um loiro baixinho e um moreno que parecia estar emburrado, junto a uma menina pequena, com cabelos cor de avelã e de olhos claros como os Ino. A moça se abaixou e olhou para as crianças com firmeza.
– Vocês sabem que não podem correr pelas escadas. – olhou para o menino loiro e meneou a cabeça. – E você, Carl, é o mais velho. Deveria ser mais responsável e cuidar de Selinsa. E nem pense que você vai escapar da bronca, Thomas. – bagunçou os cabelos escuros do menino sério. – Os três sabem que não podem ficar correndo pelas escadas.
– Mas a gente queria te ver, tia! – Selinsa reclamou, abraçando Ino bem apertado.
– Eu disse que mais tarde eu vou ficar com vocês. Quando eu terminar de limpar e...
– Quem é esse moço, tia? – Carl perguntou atrevido. – É o seu namorado? Parece mais legal que o Sai.
– Carl! Ele é só...
– Um visitante. – Gaara comentou sério, mesmo que seu gesto de bagunçar os cabelos de Carl fosse amável. – E quem seria Sai?
– O último namorado da tia Ino. O que trocou ela pela garota do...
– Thomas! – Ino o repreendeu. Só podia ser brincadeira... Ino desejava que o chão se abrisse e a engolisse naquele momento. Viu o sorriso cínico de Gaara, e teve vontade de socá-lo. – Não sei onde você escutou isso, mas é muito feio ficar falando essas coisas! Os três, pra sala da senhora Tsunade. Agora!
– Não, tia! – as crianças choramingaram.
– Então voltem para perto de Shizune! Se eu vir vocês correndo de novo por aqui... Já sabem!
As crianças se despediram de Ino e de Gaara e correram escadas acima, deixando Ino ainda mais intimidada pela presença de Gaara. Pronto! Agora ele sabe que além de cheirar a banheiro nas horas vagas, sou trocada pelo meu namorado.
– Senhor Sabaku, sinceramente, qual é o motivo da sua visita? – Ino perguntou já cansada de corar e passar vergonha na frente de Gaara. – Se for para falar com a senhora Tsunade, desista. Hoje é o dia de analisar os documentos da assistência social, e ela sempre fica o dia inteiro ocupada.
– Eu vim saber um pouco mais da situação dessa instituição ajudada pela minha Fundação. – ele deu de ombros e se deixou de se escorar no balcão.
– Que a sua fundação costumava ajudar, o senhor quis dizer.
– Mero detalhe. Mas eu vejo que está ocupada demais para me receber agora, senhorita Yamanaka. Gostaria de convidá-la para jantar comigo. Enquanto comemos, pode me contar sobre a verdadeira situação desse lugar.
– Se quiser saber sobre a situação financeira do orfanato deveria procurar a senhora Tsunade. Ela sim vai poder explicar melhor.
– Mas não foi a senhora Tsunade que invadiu a minha casa e me chamou de egoísta, ordinário, amargo e arrogante. – ele comentou, divertido com a imagem de Ino corando profundamente.
– O senhor mereceu cada palavra. – Ino resmungou.
– Enfim, posso passar na sua cada, digamos, às oito?
– Senhor Sabaku, eu não vou jantar com...
– Vamos lá. Acho que posso ajudar o orfanato, mas para isso tenho que saber mais sobre a real situação do lugar. E você despertou minha curiosidade. – Gaara comentou perspicaz. Viu Ino suspirar e soube que tinha vencido aquela.
– Tenho que usar alguma coisa chique ou especial?
– Vamos a uma cantina italiana que pertence a alguns conhecidos. Gosta de comida italiana?
Ino assentiu. Então Gaara se despediu de uma maneira rápida e seca e foi embora sem nem mesmo olhar para trás. Ino suspirou, só naquela tarde, mais vezes do que em um mês. Tirou o celular do bolso de trás dos shorts e ligou para a mãe.
– Querida!
– Mamãe, me escuta. Hoje não vamos poder jantar juntos. Eu vou ter um compromisso. – Ino esperou pacientemente a mãe voltar a responder, e quando Margareth o fez, quase gritou.
– Oh, você tem um encontro, querida! Venha já para casa! Precisa fazer as unhas, depilação e... o cabelo! Vamos dar um corte nesse cabelo.
– Mamãe, é só um jantar de negócios. – Ino disse pouco convincente. – Um empresário quer saber da situação do orfanato e vamos nos encontrar para saber se ele pode ajudar.
– De qualquer jeito, você tem que causar boa impressão.
– Mamãe, eu só liguei para avisar que não vou estar em casa. Qualquer coisa eu peço a ajuda de Tenten. Não vou ficar te incomodando com isso. Combinado? Sei que tem aquela encomenda de velas para terminar.
– Eu vou aceitar porque estou muito atarefada, mas não pense que vai escapar de me contar tudinho depois!
– Tchau, mamãe.
Antes que Margareth começasse a tagarelar, Ino desligou o telefone. Ainda tinha que ligar para Tenten e saber se a amiga podia lhe ajudar a se arrumar para esse jantar. Conseguiu uma resposta positiva e entusiasmada de Tenten. Ainda mais que a de sua mãe. Ao menos não teria que se preocupar com roupas ou qualquer coisa do tipo.
Ino voltou a se ajoelhar no chão para esfregá-lo com ainda mais vigor.
愛
Por mais que quisesse negar, Ino estava gostando de ser paparicada por Tenten. Ainda que a morena tenha reclamado pelo pouco tempo que Ino tinha lhe disponibilizado para os cuidados, as duas estavam adorando aquilo.
Ino foi depilada, massageada, recebeu um belo tratamento de manicure e pedicure e seu cabelo loiro parecia reluzir ter brilho próprio. A amiga estava gostando de ver Ino um pouco despreocupada. Eram amigas há anos, desde o colégio, e Ino sabia que Tenten era a pessoa em que poderia confiar a vida.
Tenten era uma garota morena, de raízes brasileiras. Tinha quadris mais largos que as mulheres londrinas, pele morena e cabelos e olhos de tom chocolate. Conheceu Ino quando estudavam no mesmo colégio de freiras, e agora estava terminando a faculdade de direito.
– Eu fico feliz em te ver assim. – Tenten comentou enquanto escovava o cabelo de Ino para que ficasse macio e sedoso. – Muito diferente da Ino dos dezessete anos. Mas está linda!
– Tenten, por mim, eu só lavava o cabelo. É só um... vamos colocar como um jantar de negócios. E só vamos para uma cantina italiana. Sem contar que ele é muito desagradável. Vamos terminar logo com isso.
– Pois bem, já que é um jantar de negócios, você tem que passar uma boa impressão. E ele pode ser um ogro, mas que o desgraçado é bonito... E quantos sós para uma frase. Você está tentando tirar todo o brilho da coisa.
Ino revirou os olhos e as duas logo começaram a discutir sobre que roupa Ino deveria usar. Tenten achou que ela deveria usar um vestido vermelho, justo, com decote em canoa. Mas Ino bateu o pé e acabou escolhendo um vestido marrom claro, sem mangas, com decote arredondado e elegante, tendo uma cobertura de renda e um cinto de fivela dourada. A loira pensou em usar um salto e sua melhor joia, mas achou que seria demais. Calçou sapatilhas beges, colocou uma pulseira dourada com um pingente de estrela e outro de coruja, seus brincos de pérola e vestiu um casaco de cashmere vermelho, pois a noite estava um pouco fria².
– Me deseje sorte, irmão. – murmurou consigo.
Às oito em ponto, Ino viu da sacada de seu pequeno apartamento o luxuoso carro que lhe trouxera para casa há dois dias, parar em frente a floricultura. Saiu de casa antes que interfonassem, e assim que saiu na rua, quase perdeu o ar.
O que ele tem de arrogante, tem de bonito! Ino pensou, observando a figura de Gaara em um terno risca de giz, com colete, camisa e gravata preta. Era a segunda vez que Ino o via completamente de preto, e ela se perguntou o que ele tinha contra cores.
– Boa noite, senhorita Yamanaka. – Gaara tomou a mão de Ino educadamente e beijou o torso. Por um momento ela temeu ainda estar cheirando a água sanitária, mas ele não pareceu ter se desagradado com seu perfume. – A senhorita gosta bastante de flores. As usa até em seu perfume.
– É caseiro. Minha mãe gosta de artesanato e trabalhos manuais. – Ino comentou sem graça com o “elogio” de Gaara. Era a primeira vez em que ele não estava sendo brusco ou mordaz com ela.
Educadamente, Gaara auxiliou Ino a entrar no carro, e juntos partiram para o jantar de negócios.
² Para quem ficou curioso com a roupa de Ino http://www.polyvore.com/cgi/set?id=67622095&.locale=pt-br
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