Implacável
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Agradeço aos comentários dos capítulos anteriores, foram vitais! Às recomendações de dih reis e Moon. Obrigada meninas, foram lindas! E um capítulo bem quente para aplacar o friozinho que está fazendo - pelo menos aqui na minha cidade faz frio.
26 de dezembro, quinta-feira
Natan Hehaham, Tel Aviv, Israel (Ben-Yehuda)
Cafuné (s.m) ato de fazer carinho na cabeça com a ponta dos dedos. forma de pedir carinho a outrem.
Estavam indo para o apartamento de Gaara e Ino ainda admirava o relógio de ouro com brilhantes que tinha ganhado do ruivo. Mal tinha coragem para tirá-lo da caixa, pois temia que aquilo desaparecesse como se fosse uma ilusão. Era uma peça tão ostentosa que nem se comparava aos raríssimos CDs com as sinfonias de Beethoven que Ino dera a ele.
- Isso foi desnecessário. – ela murmurou quando entraram na garagem do prédio. – É tão extravagante que chega a ser opressivo.
- Não vou discutir sobre isso. Não consegui pensar em nada... realmente sincero. – Gaara comentou devagar. Parecia constrangido até, e Ino achou interessante a atitude dele.
- Bom, eu devo admitir que você fez o melhor que pôde com o que tinha. – disse matreira, quando entraram no elevador. – Mas eu não posso aceitar, Gaara. Veja, esse relógio deve valer o preço da casa dos meus pais...
- Ino... – ele suspirou cansado. – Porque você sempre discute quando eu te dou alguma coisa? A maioria das mulheres estaria dando pulos só de receber metade das coisas que eu te dei.
- Eu não sou a maioria das mulheres. E não aja como se eu me interessasse por essas coisas. Meu objetivo com você é outro, Gaara! – Ino bufou, irritada. No mesmo instante, soube que suas palavras tinham magoado Gaara, pois ele não lhe respondera, apenas tinha fechado sua expressão e saíra do elevador assim que as portas se abriram, sem mesmo esperar por ela.
Ino não estava com ânimo para uma conversa como a que teriam se ela fosse atrás dele. Se Gaara estava ferido com suas palavras, ao menos ele entenderia uma fração do que Ino sentia vivendo aquela situação toda. Cada vez que se olhava no espelho, ela não era mais capaz de reconhecer a garota que via. Ino não era mais a mesma, e isso a estava assustando muito. Mas voltar a ser a garota de antes significava se afastar de Gaara, pois, quase que por instinto, ele era a causa de todas as mudanças que tinham ocorrido naqueles meses.
Andou melancólica até o quarto e se sentou na ponta da cama. Podia ouvir o som do chuveiro, embora a porta do banheiro estivesse fechada. Isso significava que Gaara não queria companhia. Ino pegou o celular e discou o número do Tenten, mas por duas vezes só caiu na caixa postal.
Assim que Gaara saiu do banheiro, ele olhou para Ino sentada na cama e suspirou cansado. Vestiu calças de abrigo e quando ia saindo do quarto Ino o chamou.
- Podemos conversar um instante?
Ele se sentou ao lado dela na cama, dando-lhe espaço para continuar.
- Por favor, não me dê mais coisas caras como essa. – ela deslizou a caixa com o relógio para perto dele. – Você já está fazendo muito em ajudar o orfanato, e eu não preciso dessas coisas.
- Ino...
- Gaara, eu não me sinto bem com coisas assim, sabe? A minha vida inteira eu aprendi a valorizar coisas mais importantes que o dinheiro e... eu me sinto mal cada vez que você gasta tanto dinheiro em uma coisa que eu nunca precisei. Esse viagem por si só está sendo maravilhosa, então eu quero que me prometa que não vai mais gastar o equivalente a um carro de luxo em um presente para mim.
- Eu tentei fazer o melhor com o que eu tinha. – ele respondeu com os ombros encolhidos. – Mas eu não posso devolver o relógio.
- Então eu vou doá-lo para a fundação da sua empresa. Assim como os diamantes, eu jamais vou ter outra ocasião para usá-los de novo.
- Ao menos fique com os diamantes que te dei na Itália. São peças únicas e... não custaram tanto. – Gaara falou cansado, mas por um momento quis acrescentar que aquelas peças foram feitas sob encomenda especialmente para Ino.
- Tudo bem, apenas eles. Parecem significar alguma coisa para você. Quanto aos outros eu quero que faça doação deles.
Gaara assentiu e se levantou para sair do quarto, mas quando estava na porta, Ino o chamou novamente.
- Eu vou tomar um banho e daqui a pouco te dou o que comprei para você. – ela sorriu com meiguice. – Você vai estar no escritório?
- Acho que vou assistir ao noticiário. Uma guerra pode ter explodido enquanto estive assistindo desenhos animados com Ella nos últimos dias. – Gaara murmurou cansado e se arrastou para a sala de televisão.
Se sentou na poltrona individual e ligou a televisão na CNN. Passava notícias dos esportes que logo foram substituídas por uma matéria sobre os diamantes de sangue de Serra Leoa. A matéria não durou mais que meia hora e, cansado, ele resolveu se dar ao luxo de cochilar um pouco.
Foram horas em um estado que beirava a vigília, e que não impediram Gaara de acordar com o som de saltos altos no corredor. Sentou-se preguiçosamente no sofá e olhou o relógio; eram mais de dezessete horas. A televisão estava desligada, mas ele não a havia programado ou mesmo desligado. Imaginou ter sido Ino, e foi com esse pensamento que foi a cozinha beber um copo com água.
Parou imediatamente quando viu uma taça de champanhe pela metade em cima do balcão. A taça tinha a marca bem forte de batom vermelho e a garrafa aberta não parecia à vista.
- Ino? – ele chamou.
Gaara deixou a taça novamente no balcão e foi em direção ao quarto. A porta estava entreaberta, e de lá vinha um cheiro tão inebriante que o faz arrepiar-se. Era o perfume dela, espalhado no ar; e a luz baixa que escapava pela fresta criou em Gaara uma expectativa incontida para entrar no quarto.
- Está esperando o quê para entrar? Eu te preparei algo especial como seu presente de natal. – a voz suave de Ino aguçou cada sentido de Gaara quando ele pensou ainda estar sob a letargia do sono.
Entrou no quarto devagar, e pareceu ter entrado em um universo paralelo que o fez fechar a porta, temendo que o mundo lá fora pudesse tragar aquela atmosfera tão... erótica. As luzes baixas do quarto davam um ar de calma, aonde eles poderiam aproveitar um ao outro sem pressa alguma. Os lençóis brancos de algodão da cama haviam sido trocados por seda vermelha, inclusive as fronhas das almofadas, cuidadosamente arrumadas. Havia algumas velas espalhadas, sobre a mesa de cabeceira um par de algemas estava cuidadosamente pousado, e do banheiro Gaara podia escutar uma música baixa.
Tie me up and take me over till you're done
Till I'm done
You've got me fiendin' and I'm ready to blow
Push up to my body, sink your teeth into my flesh
Get undressed, ta-taste the flesh
Cantarolando, Ino saiu do banheiro, de uma maneira que fez Gaara entender como se sentiam os animais selvagens. Seu lado mais primitivo e animalesco havia despertado com aquela visão.
Suas roupas se limitavam a um conjunto de lingerie preto, de renda transparente. O sutiã balconê dava um destaque especial aos seios, deixando-os altos e tentadores. A calcinha era uma peça minúscula; tão pequena que era quase dispensável. O destaque estava no espartilho e na cinta liga que prendiam as meias e deixavam as pernas mais longas e atraentes o quanto ainda fosse possível junto aos scarpins pretos Louboutin altíssimos.
Não só a roupa tentadora, mas a boca, coberta perfeitamente com batom vermelho, e os olhos, tão destacados pelo rímel, fizeram Gaara avançar na direção de Ino. E com poucos passos ele a alcançou, enlaçando-a pela cintura e a puxando com brusquidão para si.
- Acertei no seu presente? – ela perguntou com a voz rouca de desejo. Da forma que tinha sido agarrada, se Gaara não estivesse segurando-a certamente suas pernas fraquejariam.
- Eu gostaria de aproveitá-lo bem antes de dizer qualquer coisa. – a mão de Gaara deslizou da cintura de Ino e alcançou uma das nádegas, apertando a carne com gosto e arrancando um pequeno gemido da loira. – Especulando, posso dizer que vou gostar do que terei.
Lentamente, Gaara soltou Ino, se afastou e passou a rodeá-la, como um felino avaliando sua presa. Segurou um dos cordões que prendiam o espartilho e avaliou o material. Logo trocou o cordão por uma mecha do cabelo de Ino. Levou-a ao nariz, inspirando o perfume de lírios do vale que ela tinha quase por dom natural.
Ino umedeceu os lábios ao olhar com gosto as partes nuas do corpo de Gaara. Seus dedos finos e pequenos percorreram a extensão do abdome e do peito dele, explorando cada milímetro do corpo trabalhado. Seus olhos desceram para abaixo da linha da cintura, observando atentamente o volume sob a calça. A tensão sexual havia se tornado tão intensa que Ino começava a se sentir quase frustrada. Seu corpo vibrava, estava em chamas, mas Gaara ainda insistia em contemplá-la tão... clinicamente.
Num movimento leve, a mão de Ino deslizou para a linha abaixo da cintura, livrando-se rapidamente da calça de abrigo, mas ao alcançar o conteúdo no interior da boxer, Gaara lhe segurou o pulso e gentilmente pousou a mão dela em seu peito.
- Por partes. Vamos tornar essa noite mais interessante, Ino. – Gaara disse segurando-a pelos quadris e a erguendo em seu colo. Ino passou as pernas em volta de cintura dele, e em nenhum momento ousou romper o contato visual que tinham criado. Mesmo quando Gaara a deitou suavemente na cama, acomodando-a entre as almofadas e iniciando o lento e tortuoso processo de desamarrar os laços do espartilho, ele não desviou os olhos dela por um segundo.
- Você faz isso bem rápido. – Ino sussurrou quando ele quase terminava de se livrar do espartilho e do sutiã. As mãos hábeis eram rápidas e habilidosas para uma atividade que atrapalharia muitos homens.
- A universidade não me ensinou só economia e comércio exterior. – ele sussurrou no ouvido dela, ao mesmo tempo em que terminava com o espartilho e o puxava abruptamente do corpo de Ino.
A peça foi parar em um canto do quarto, enquanto Gaara se ocupava em provar a carne macia dos seios de Ino. Ela gemia baixo, de forma contida ao sentir a boca hábil e quente de Gaara em um de seus seios e a mão dele massageando o outro de forma provocante, sensual. Seu corpo de arqueava, e a cada movimento Ino sentia sua intimidade entrar em contato com a ereção dele ainda contida na boxer.
Uma de suas pernas o enlaçou pela cintura e o puxou contra si de forma quase rude. Gaara sabia que ela o queria, mas ele deseja prová-la e provocá-la até o último momento de sanidade de ambos. Afastou-se devagar, descendo seus beijos, mordidas e lambidas por toda a extensão do torso até o baixo ventre. Seus dentes roçaram na base da barriga de Ino, lhe causando-lhe arrepios instantâneos; as mãos de Gaara se livravam das meias e dos sapatos, e quando restou somente a pequena calcinha no corpo de Ino, ele suspirou quase com pena.
- Era uma peça bonita. – os olhos dele direcionaram a Ino um olhar com uma determinação tão incontida que surpreendeu Ino. Tanto por ter sido a primeira vez que Gaara dava vazão a algo que não fora matematicamente calculado, como pelo impetuoso ato dele de lhe rasgar a calcinha.
Usando uma das pernas, Gaara afastou as dela e começou a acariciar sua intimidade com uma das mãos, usando a outra para afagar-lhe os seios. Com um polegar pressionava-lhe o clitóris e a penetrava lentamente com dois dedos, arrancando de Ino gemidos longos e extasiados de prazer.
Mas Ino ainda não estava satisfeita. Precisava dele, de tudo que pudesse lhe oferecer, e foi com esse pensamento que sua mão alcançou o membro rígido de Gaara e começou a massageá-lo suavemente. Queria deixá-lo dolorido para que parasse de se negar a ela.
O toque de Ino fez uma estranha onda de calor percorrer o corpo de Gaara. Jamais tinha sentido algo semelhante, nem com outra mulher ou das outras vezes que fizeram sexo. Era como se daquela vez houvesse um propósito diferente que apenas dar e receber prazer. Era...
- Preciso de você. – ele murmurou no ouvido de Ino. Foi rápido no movimento de livrar-se da boxer, sentar-se na cama e puxar Ino para seu colo. Ele a abraçou com força pela cintura, movendo-a para frente até estar completamente dentro dela.
Com movimentos rítmicos os dois começaram a arfar e se mover num ritmo lento, suave, deleitando-se lentamente um com o outro. O suor escorria de seus corpos, Ino tinha a cabeça inclinada para trás, dando a Gaara amplo acesso a seu pescoço, colo e seios. Ele cobriu a região com beijos e mordidas que fizeram o corpo de Ino ferver rapidamente.
As unhas finas de Ino o arranhavam profundamente a cada pico de prazer, que variava entre um momento mais intenso e outro mais suave, mas a manutenção de sua excitação continuava ocorrendo sem qualquer intervalo entre elas. Ino tentava se conter ao máximo, mas no quarto orgasmo seu corpo foi perdendo as forças e a única coisa que a sustentava eram os braços de Gaara a sua volta.
Quando ele a alcançou no orgasmo, o corpo de Ino tremia em espasmos de prazer intenso. Lentamente eles se afastaram. Gaara recostou-se nas almofadas e puxou o corpo semiconsciente de Ino para si, aconchegando-a em seu peito.
- Isso... foi in... intenso. – ela sussurrou, cansada e sem forças para sequer abrir os olhos. – Não sei... se vou me recuperar logo.
- Leve o tempo que precisar. – Gaara a puxou para um beijo calmo e cálido, pouco antes de Ino adormecer.
Foram longas horas de sono que Ino certamente aproveitou com prazer. Estava exausta, mas sentia-se tão leve e relaxada na cama que a dor em seus músculos era quase irrelevante. Foi com essa sensação de relaxamento que Ino dormiu até o meio da tarde.
Eram mais de quatro horas quando o cansaço preguiçoso abandonou seu corpo. Estava coberta apenas por um fino lençol, seu cabelo estava uma bagunça e seus movimentos muito lentos. Ino levou alguns minutos para conseguir sair da cama e chegar ao banheiro; sentia-se como um hematoma gigante, mas muito bem.
Tomou uma ducha morna e aproveitou para lavar o cabelo. Tomou um advil assim que terminou o banho; vestiu um dos vestidos leves que tinha compro em Marselha, dispensando quaisquer roupas íntimas, e deixou o cabelo solto e molhado.
Foi em direção à cozinha, faminta e louca por qualquer coisa que pudesse comer. Mas um cheiro diferente a atraiu como carne atrai moscas, e Ino quase flutuou em direção a cozinha, onde se surpreendeu ao ver Gaara com um avental, sem camisa e mexendo algo em uma frigideira.
- Macacos, leões, gatos e todos os bichos com dentes me mordam! – ela murmurou incrédula, tanto pelo fato de Gaara saber cozinhar como por sua visão tão sexy em um avental e sem camisa. – Eu não sabia que cozinhava.
- Você nunca perguntou. – ele deu de ombros e voltou sua atenção para a frigideira aonde ele misturava o Teriyaki com os cubos de frango grelhados com uma habilidade quase de um chef. – Frango Teriyaki, algo contra?
- Não. Estou com tanta fome que comeria até o balcão. – Ino comentou jocosa, enquanto se ocupava em pegar pratos e talhares no armário. Ao passar por Gaara, com a mão livre acariciou-lhe o abdome e o beijou rapidamente no pescoço. – Você está tão sexy nesse avental.
Gaara respondeu com um olhar irônico para Ino, que riu como uma criança e voltou a arrumar os pratos no balcão. Na pia, em um recipiente de inox com água gelada e algumas pedras de gelo, o vinho branco já estava resfriando, e pouco antes da comida ficar pronta Ino já saboreava uma taça do líquido suave.
- Eu ainda prefiro cerveja, mas esse vinho quase me faz saltar de tão bom. – falou enquanto Gaara lhe servia uma generosa porção de frango.
- Você parece bem animada. Nem parece que quase desmaiou ontem a noite. – Gaara falou bem-humorado.
- Não é toda noite que se tem um orgasmo múltiplo, querido. – Ino sorriu matreira, virando-se na banqueta giratória do balcão para encarar Gaara. Ele parou de frente a ela e curvou-se para beijar-lhe. Logo sua boca estava na curva do maxilar e descendo para o pescoço de Ino, enquanto suas mãos seguravam-na pelos quadris e a puxavam em sua direção. No momento seguinte, a mão de Ino estava em seu peito, empurrando-o calmamente para longe dela. – Muito intenso, Gaara. Intenso demais para repetir em um intervalo de tempo tão curto. E eu preciso comer antes que desmaie de verdade.
- Temari ligou para saber se você sairia com ela hoje. – Gaara se afastou e ocupou a banqueta ao lado da de Ino e se serviu de um generoso gole de vinho antes de comer. – Eu disse que você ligaria de volta.
- Nossa, isso está muito bom! – ela disse de boca cheia. Fez uma pausa para engolir a comida e em seguida sacudiu a cabeça, negando. – Eu ainda estou me recuperando da noite de ontem. Você bem que podia cuidar de mim, já que foi você que me deixou desse jeito. – sussurrou jocosa.
- Eu vou trabalhar.
- Gaara! Você só pode estar brincando?! – Ino bufou.
- Uhum, eu estou. – ele deu de ombros e enfiou um cubinho de frango na boca. – O que você quiser, Ino.
- Vale desde cafuné até massagem?
- O que você quiser, Ino. – Gaara suspirou.
Com um gritinho animado, Ino quase se dependurou no pescoço de Gaara, abraçando-o e beijando-o no rosto e nos lábios incontáveis vezes, enquanto o ruivo mantinha-se quase estoico. Internamente, ele adorava o jeito impetuoso daquela mulher.
Notas finais
"Abriu os olhos preguiçosamente e a primeira coisa que localizou na sala foi Gaara, sentado na poltrona de frente para o sofá, perfeitamente vestido e desperto. Passara a maior parte da madrugada observando a loira dormir de bruços sensualmente no sofá, deleitando-se silenciosamente com a visão que queria ter por muito mais tempo."
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