Implacável
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Enfim, aproveitem sem moderação alguma e, o mais importante, leiam as notas finais. Tenho algumas fofoquinhas da segunda parte da história :D
12h05, quarta-feira, 29 de março
Campden Grove, 1037
Residência de Sabaku no Gaara
Kensington e Chelsea, Londres, UK
Redamar (v.t.d) ato de amar a pessoa que te ama.
Os meses de janeiro e fevereiro correram para Ino como uma das histórias das 1001 noites. Depois do ano novo Gregoriano, eles partiram por um mês e meio para a Turquia com Temari e, sozinhos, foram para Dubai logo em seguida. As duas últimas semanas passaram em Boston, fazendo companhia a Matsuri, que tinha acabado de ter o bebê. Era uma menina, Rhania, que era a perfeita cópia da mãe.
O tempo com Matsuri, também foi usado para que Ino terminasse seu trabalho para a universidade. Acreditava ter coletado material suficiente para cobrir suas faltas e se formar ainda naquele verão. Sempre que mantinha contato com seu professor, ele lhe dava uma resposta positiva em relação ao seu progresso
Mas algo nunca deixara sua mente nos dias finais da viagem. Ino sentia saudades de casa e sabia como o dinheiro ia mudar a vida das crianças de Konohagakure. Mas a chegada de Março e a volta a Londres tão próxima também significava a inevitável separação de Gaara.
Como se ignorasse todos os dicotômicos sentimentos de Ino, o tempo correu rapidamente, e em questão de dias ela se encontrava no jato da família Sabaku rumo a Londres. Era a madrugada de 19 de março quando pousaram no aeroporto. Ino dormia pesadamente e teve de ser carregada para o carro e novamente para o quarto na casa em Kensington e Chelsea. Perto do meio dia, ela deu os primeiros sinais de que despertava, e deu de cara com a luxuosa decoração da suíte máster da casa.
Gaara ainda dormia, e nessas raras ocasiões em que Ino acordava primeiro, ela gostava de observá-lo. Ele sempre parecia tão sereno e calmo de um modo que não seria quando acordado. Mas de supetão, Gaara abriu os olhos e encarou Ino.
- Que susto! – ela sussurrou.
- Desculpe. Eu não estou acostumado a dormir tanto. – resmungou, olhando o relógio digital na parede oposta à cama.
- Feliz aniversário. – Ino se aproximou devagar e o beijou na testa. Constrangido, Gaara nada disse enquanto a via se levantar e pegar o iPod dele em uma das bagagens de mão e lhe estender. – Foi difícil conseguir seu presente, mas... Espero que goste.
Ino tinha deixado aberta uma pasta intitulada “Karura”. Eram alguns arquivos de música, e ele colocou um deles para tocar. Era uma música tocada em piano. Parecia ter sido gravada com um gravador convencional, mas a qualidade ainda era boa; provavelmente por ter passado por algum filtro ou processo de remasterização.
Depois de quase um minuto, Gaara reconheceu a melodia e seu coração falhou uma batida. Era uma das composições de sua mãe, que ela provavelmente gravara e ele esquecera depois de sua morte. Karura sempre gostou de compor pequenas e simples melodias, e aquela, em especial, de ritmo suave e triste, quase um lamento, havia sido terminada poucos dias antes do derrame ao qual ela sucumbiu.
- Como... como conseguiu essas gravações? – a voz de Gaara não passou de um fio.
- Baki mandou as fitas por malote para mim e Kankurou. Pagamos um técnico que conseguiu passá-las para o computador e... o resto você sabe. – Ino comentou sorrindo. – Foi difícil dar algo a um homem que já tem tudo!
Um homem que já tem tudo era o tipo de colocação que fazia Gaara pensar no quanto seus aniversários eram ocasiões frustrantes para sua amada mãe. Nada era capaz de lhe chamar atenção; brinquedos, viagens, carros... eram sempre coisas impessoais demais para Gaara desde criança. E mesmo que ele se esforçasse para fingir que o helicóptero de controle remoto era o melhor presente que ele poderia ter ganhado, Karura sabia que aquilo não era o que o filho desejava. E Gaara sempre via a frustração nos olhos da mãe e a sentia em seu peito. Talvez ele não soubesse, até então, o que pudesse existir algo que realmente quisesse.
- Obrigado. – Gaara sussurrou e puxou Ino para um abraço; tão forte que pareceu que ele quisesse absorvê-la em si.
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Faltava apenas um dia para o equinócio da primavera, e o tempo já dava sinais de que seria mais ameno. Após se banhar, Ino vestiu leggins pretas e uma camisa jeans azul, calçou suas botas marrons de cano curto, sem saltos e prendeu o cabelo em um rabo de cavalo alto. Olhou-se no grande espelho do banheiro e ficou satisfeita por parecer mais normal com suas próprias roupas, embora, querendo ou não, parecesse diferente; mais madura.
Desceu para o primeiro andar sem encontrar ninguém em seu caminho que lhe ajudasse a encontrar o salão de almoço, onde Gaara disse que estaria. Sabia o caminho da cozinha, e para lá se dirigiu. Aproximou-se da porta, mas parou quando ouviu uma das empregadas falar seu nome.
- Aonde já se viu isso?! O patrão, que foi casado com a Sra. Kerr, se envolver com uma garota tão simplória quanto essa Inu. – falava a mulher com uma das empregadas mais jovens.
- Eu não a conheço e não é minha função opinar na vida do patrão, não acha?
- Ela chama atenção pelos motivos errados. Já viu como ela se veste, como se porta? Mesmo do lado do patrão...
- Com licença. – Ino as interrompeu, entrando na cozinha de supetão, cansada de ouvir o falatório daquela mulher. Seu olhar se direcionou para a empregada mais jovem, que parecia ser mais discreta. – Sabe me dizer como encontrar Gaara?
- Ele está no salão de almoço. – a moça respondeu educadamente. – Tem aquela porta, mas é a entrada dos empregados e...
- O que é que tem? – olhou interrogativamente para a moça. – É uma porta como qualquer outra e está mais fácil. Obrigada pela dica.
- Não por isso, senhorita.
Pedindo licença, Ino se dirigiu para a porta que a empregada tinha indicado, mas sua mão parou na maçaneta por um instante, quando se virou e encarou a empregada que a olhava com desdém.
- E você, da próxima vez que quiser fazer julgamentos ao meu respeito, lembre-se que o meu nome se pronuncia Ino. Com “o”, não com esse som de “u”.
Dizendo isso, Ino entrou no salão de almoço e fechou a porta atrás de si. Gaara já estava sentado a mesa, lendo as notícias em um dos cinco jornais diferentes que Baki tinha deixando ali, e ainda que Ino tivesse feito o possível para disfarçar a leve expressão de descontentamento que ela tinha, o ruivo percebeu.
- Alguma coisa errada? – perguntou, inicialmente com pouco interesse.
- Não. Por que haveria algo errado? Está um dia tão bom...
- Ino. – Gaara a interrompeu, deixou seu jornal de lado e passou a encará-la. – Você está tagarelando.
- Eu só estou um pouco ansiosa pra ir para casa. – respondeu Ino com um leve suspiro. – Tem tanto tempo... Acho que ainda hoje vou a igreja também. O reverendo Duncan já deve achar que eu larguei a igreja. – riu levemente.
- Você e sua família são religiosos? – Gaara pareceu curioso.
- Bem, sim. Eu acho que me anima bastante. E eu sempre vou à igreja com meus pais, então é uma espécie de reunião de família, um lugar onde nos sentimos bem, não é sobre salvar nossas almas do inferno.
- Interessante ponto de vista.
Logo Ino começou a tratar de assuntos mais amenos enquanto comiam. E assim que terminaram o café da manhã, os dois saíram para ir ao banco e em seguida deixar Ino em casa.
Baki dirigiu para a parte central de Londres, e seguindo pelas vias auxiliares chegou ao banco na metade do tempo que levaria se fosse pelas vias expressas. O banco era um prédio de cinco andares, de fechada elegante e discreta. Assim que entraram, Gaara foi direto para o balcão de informação, onde a recepcionista arregalou os olhos ao encontrar a figura do Sabaku.
- Sr. Sabaku, o Sr. Abrurame o espera. Se puder me acompanhar... – ela indicou o caminho, sorrindo discretamente para Ino.
Seguiram um caminho curto até o elevador que os levou ao último andar. Ali, uma assistente já os esperava de pé em frente ao elevador, e enquanto Baki ficou aguardando na recepção, Gaara e Ino entraram.
A sala era ampla, de mobília bonita e funcional. Uma das paredes era toda de vidro, e exibia uma bonita vista do bairro. Sentado atrás de uma mesa de mogno, um homem jovem, de pele clara, cabelos escuros e óculos de grau de armação arredondada, se ergueu e se adiantou em ir cumprimentar Gaara.
- Gaara, é bom vê-lo. – ele falou seriamente.
- Será ainda melhor se tiver providenciado o que pedi, Shino. – Gaara soltou o aperto de mão de Shino e se sentou em uma das cadeiras de couro que estavam de frente a mesa logo depois de Ino. – Esta é a Srta. Yamanaka Ino, de quem lhe falei.
- Um prazer, Srta. Yamanaka. – Shino acenou com a cabeça. Em seguida, ele puxou alguns papéis de uma pasta preta sobre sua mesa e os estendeu para Ino. – Bem, Srta. Yamanaka, preciso de seus dados bancários para que o valor possa ser transferido ainda hoje para sua conta.
- Hum, eu poderia transferir esse dinheiro diretamente para o orfanato? – Ino perguntou a Gaara.
- Pode, mas... Tem certeza? – Gaara a viu assentir com firmeza, e preferiu não discutir. – O valor da dívida é menor que o prometido. Vou colocar o excedente como um fundo de crédito no seu nome...
- Não. Coloque no nome do orfanato, eu não preciso do dinheiro. – olhou para Gaara com candura, que com um gesto curto anuiu.
- Bem, acho que os planos mudaram Shino. – Gaara virou-se para o banqueiro. – Eu estou comprando a dívida do orfanato Konohagakure tem com este banco e fazendo uma doação no valor de 500 mil libras.
- Isso muda as coisas um pouco. Mas posso garantir que no fim do dia Konohagakure estará com a dívida sanada e com a conta bancária bem abastecida. – Shino deu um sorriso pequeno. – Deixem-me apenas preparar os papéis.
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Assim que terminaram com Shino, Gaara e Ino tomaram o elevador para o saguão. Ela estava animada só de pensar na reação de Tsunade ao descobrir que a dívida havia sido paga. Nem lhe passava pela sua cabeça que desculpa inventaria, só estava extremamente feliz por ter conseguido ajudar Konohagakure.
Ino estava tão eufórica e distraída que mal percebeu quando o elevador abriu as portas para que saíssem; Gaara teve que segurá-la pela cintura e puxá-la consigo enquanto ela tagarelava sem parar sobre como Tsunade iria ficar feliz.
- Ino? – ela ouviu uma voz masculina e familiar lhe chamar quando estava perto da saída. Instantaneamente, Ino e Gaara se viraram para encarar um homem negro, de meia idade, usando roupas pretas e o amito de colarinho branco típico de um reverendo ou padre.
- Reverendo D! – disse Ino ainda mais entusiasmada. Assim que ele se aproximou, Ino o abraçou e o homem lhe deu sua benção. – Gaara, esse é o reverendo Duncan Whelan, de quem eu te falei. Reverendo, esse é Gaara, um... amigo.
- Como vai, rapaz? – Duncan o cumprimentou com um aperto de mão forte, e logo que Gaara assentiu positivamente ele se virou para Ino com um sorriso extremamente acolhedor. – Sentimos sua falta nas missas de domingo. Soube por seus pais que você tinha viajado com... – ele pigarreou antes de continuar, como se estivesse constrangido. – Com um namorado.
- Namorado? – Ino olhou para Gaara e riu levemente. – Não, não. Não seria apropriado, não é, reverendo?
- Certamente que não. – ele pareceu aliviado. – Faz quanto tempo que chegou de viagem?
- Hum, menos de doze horas. Estávamos indo para meu apartamento agora, nos acompanha para um chá?
- Desculpe, querida. Tenho que depositar o dinheiro da última festa beneficente, e ainda vou visitar Lee Ann, o marido dela está doente. Deixe para uma próxima oportunidade.
- Eu vou cobrar, reverendo D!
- Mande lembranças a Tsunade, quando a vir. E diga a ela que estou esperando ela decidir aceitar de uma vez o pedido de casamento de Jiraya, pois eu tenho pressa em realizar essa cerimônia. – Duncan disse muito bem humorado.
- Pode deixar!
Assim que se despediram de Duncan, Ino e Gaara partiram em direção a casa da loira em Greenwich. O trajeto foi bem curto, e silencioso. Por dentro, Ino sentia-se dividida; o orfanato tinha sido salvo, mas ao preço de ter se apaixonado por um homem que nunca poderia ter.
- Quer subir um pouco? Tomar um chá, quem sabe... – Ino murmurou quando Baki retirava suas malas do carro. Estavam parados na entrada lateral da loja Yamanaka, Ino tinha as chaves na mão e encarava Gaara com calma.
- Desculpe, não poderei. Tem algumas coisas que preciso resolver, Ino. – Gaara respondeu sério. – Gostaria de jantar com você nesta noite. Tem alguma coisa marcada com seus pais ou seus amigos?
- Na verdade, sim. – ela sorriu de ânimo. – Uma pequena festa de boas vindas. Você poderia vir...
- Acho melhor ficar um pouco com sua família. – cuidadosamente, Gaara colocou uma mecha solta do cabelo de Ino atrás de sua orelha, se aproximou e a beijou no alto da cabeça. – Estará livre amanhã a noite?
Ino assentiu levemente com a cabeça.
- Então eu passo aqui às sete. Algum lugar que queria ir?
- Nenhum em especial. – ela deu de ombros.
Discretamente, Gaara se despediu e partiu logo que Ino entrou em casa.
Cansada da viagem e do dia cheio, a única coisa que Ino queria era um banho e se enfiar debaixo de seu cobertor. Mas se contentou com um leve cochilo no sofá seguido da lenta e entediante atividade de desfazer as malas.
Concentrada nessa atividade, Ino evitava pensar na sensação estranha que tinha tomado conta de si nos últimos dias. Foram dias cheios, bem atribulados e corridos, com arrancos emocionais que tiraram Ino do sério. Ela pensava em como podia ter se apaixonado por um homem tão fechado emocionalmente e em circunstâncias como a que esteve nos últimos seis meses. Isso lhe dava muito no que pensar e criava perguntas em sua cabeça cujas respostas Ino não gostava.
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Era manhã de quinta-feira. Na noite anterior, depois de ter ido à missa da noite com os pais, Ino participou de uma festa de boas-vindas que Carla e Tenten haviam organizado. Sem dúvida todas as pessoas que Ino conhecia e que moravam em Londres, estavam lá. Foi uma noite cansativa, e na manhã seguinte quando sua campainha tocou às oito da manhã, Ino soube que era Tenten, e que não escaparia da conversa que teriam naquela manhã.
- Eu preciso de café antes de conversar com você. – Ino resmungou assim que abriu a porta para a amiga. Ainda fechava o robe e tinha o cabelo uma bagunça.
- Eu aceito também. Estou morta; Neji não tem me deixado em paz. – a morena queixou-se, jogando sua bolsa em um canto e acompanhando Ino para a pequena cozinha. – Não que eu esteja achando ruim, mas eu preciso de algumas horas a mais de sono e...
- Eu me apaixonei por ele. – Ino a cortou. Apoiava os braços na pia de forma cansada, tinha a cabeça baixa e suspirava. Estava esgotada, para dizer o mínimo.
- Ino... – Tenten se levantou e aproximando-se da amiga e observando atentamente as expressões ocultas no rosto de Ino. – Isso é uma coisa boa, em partes...
- Ainda não Tenten. Eu preciso de algum tempo no mundo real, longe dessa lembrança do contrato e todo o mundo de maravilhas do Sabaku. – Ino gesticulava impaciente enquanto colocava o pó de café na cafeteira. – Você viu toda a bagagem que vem com o cara, eu preciso saber se é isso que eu quero enfrentar, se não é um efeito colateral de todo o deslumbramento dos últimos seis meses. E mais... se ele também me quer com ele.
- Ino, é claro que o Gaara sente algo por você. Todo mundo nota como vocês são...
- Somos...? – Ino cruzou os braços em frente ao peito e ergueu uma das sobrancelhas.
- Eu não sei... Quase um planeta e seu satélite. – nenhuma das duas resistiu ao riso. – Vocês quase se complementam. Onde te falta pé no chão, em Gaara tem de sobra. O mesmo vale para ele! Neji me contou que nunca tinha visto Gaara tão bem, tão relaxado, como quando ele está com você, querida.
- Não força, querida. O sexo era intenso, sem dúvidas o melhor da minha vida, tive orgasmos múltiplos. Nos dávamos bem, brigávamos apenas quando ele queria me dar coisas extravagantes e desnecessárias e é a isso que se resume a nossa relação.
- Tá! Enquanto você fica aí se convencendo disso, aproveita para se arrumar. Vamos sair! Preciso de algumas roupas para o fim de semana que vamos passar na casa da família dele, em Gales. – Tenten resmungou, bebericando o café que Ino tinha acabado de lhe oferecer. Em seguida, olhou-a brejeira. – Orgasmos múltiplos, é?
- Cala a boca. – Ino bufou, ligeiramente constrangida.
Durante o resto do dia, as duas dedicaram-se às atividades mais femininas possíveis. Foram ao shopping, compraram roupas e maquiagens, foram ao salão e ainda passaram em um café aonde tomaram frapês e conversaram um pouco mais antes de irem para Konohagakure. Assim que chegaram no orfanato, Ino percebeu o quanto sentia falta daquele lugar e o porquê aguentara o humor instável de Gaara – não que o sexo e a companhia dele não compensassem.
- Ino! – Shizune falou entusiasmada assim que a loira passou pelas portas. Iruka, que limpava o jardim, logo apareceu para falar com Ino, mas ao vê-la em roupas tão bonitas e aparentar estar tão madura, ficou com vergonha de cumprimentá-la e talvez sujá-la.
- Eu adoraria lhe dar um abraço, Ino, mas estou tão sujo. – ele comentou olhando o vestido ameixa de cetim que Ino estava usando. – Essa viagem lhe fez bem. Bom te ver, Tenten! – ele acenou para a morena.
- Deixe de besteiras, Iruka. – Ino puxou o amigo para um abraço. – Tsunade está por aí?
- Não. Ela recebeu uma ligação do banco esta manhã. – Shizune respondeu, com uma nota de preocupação na voz.
- Aposto que teremos boas notícias. – Ino sorriu levemente. – Enfim, onde estão aqueles pestinhas? Eu senti saudades!
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Gaara tinha chegado ao apartamento de Ino cinco minutos antes da hora combinada. No banco de trás do BMW série 7, ao lado dele, estava uma caixa de joias para a qual ele olhava levemente nervoso.
O som da porta da loja sendo trancada atraiu a atenção de Gaara. Ino saía da loja junto com o pai. Estava especialmente bonita em um vestido azul escuro de alça única e colado ao corpo, cujo comprimento ia até a metade das coxas; usava scarpins pretos, lisos, e um discreto colar com um pingente de brilhante que Gaara tinha lhe dado. O cabelo não havia sido arrumado de forma complicada, apenas estava liso, solto e brilhante.
Assim que saiu do carro para recebê-la, Gaara notou Ino quase contida. Aproximou-se e passou um dos braços em volta da cintura dela ao mesmo tempo em que cumprimentava Inoichi.
- Sr. Yamanaka, como vai? – apertou-lhe a mão com firmeza.
- Bem, rapaz, bem. Eu não vou atrapalhar vocês. Se divirtam! – Inoichi beijou o alto da cabeça da filha e saiu em direção ao seu carro estacionado do outro lado da rua.
Silenciosamente, os dois entraram no carro e Baki dirigiu para o restaurante escolhido por Gaara. Era um lugar pequeno e íntimo, mas ainda sim muito elegante. Com cadeiras de madeira, toalhas de linho, paredes creme, guardanapos branquíssimos e velas que deixavam o ambiente à meia-luz. Logo que foram conduzidos a sua mesa por um garçom, fizeram os pedidos e Gaara escolheu um bom vinho português que foi trazido imediatamente.
- Você está quieta. – Gaara observou assim que o garçom se retirou pela segunda vez.
- Pensando em algumas coisas. – Ino deu de ombros e sorriu levemente. – Parece que desta vez eu não sou o centro das atenções no restaurante.
- Está enganada. – o olhar determinado de Gaara fez um arrepio percorrer o corpo de Ino. – Todos estão te observando, Ino.
- Desta vez eu não errei na roupa.
- Você está especialmente bonita nesta noite. Essa é a razão de todos estarem olhando para você. – ele respondeu sem tirar os olhos de Ino.
Aquele olhar estava começando a criar uma crescente sensação de ebulição em seu interior.
- Tenho algo para você. – disse Gaara abruptamente. Ele tirou do bolso do terno uma caixa de joalheria, e Ino estava prestes a protestar sobre o fato de ele ter gasto dinheiro com joias novamente quando Gaara a interrompeu. – Não se engane pela caixa. Eu apenas não ia te dar isso sem um embrulho adequado. Foi algo que comprei em uma loja de bugigangas em Boston.
- É difícil imaginá-lo em uma loja de bugigangas. – Ino comentou rindo quando pegava a caixa.
Ao abri-la se deparou com uma delicada pulseira prateada. Claramente não era de prata, ou mesmo platina; uma bijuteria. Nela havia pingentes dourados que eram representações de cada lugar que tinham visitado naqueles seis meses, e um menor, de bronze, com o símbolo do Batman.
- Eu sei que estou atrasado para o seu aniversário, e que não é algo ostentoso, mas você queria algo mais profundo do que eu lhe pagar algo, então...
- É lindo. – sussurrou devagar. Deixou que Gaara colocasse a pulseira em seu pulso, e num movimento suave, ele lhe beijou a palma da mão ao terminar. A gama de sensações e pensamentos que tomavam conta dela naquele momento por fim se anularam. Ela estava vazia, mas não se sentia mal por isso.
Lentamente Ino se inclinou e o beijou. O desejo explodia em seu corpo, mas ainda sim ela continuou aquele ato de forma lenta e quase sôfrega. Suas línguas se entrelaçaram e as mãos de Gaara pousaram na base das costas de Ino, puxando-a para perto.
- Fique comigo. – ele pediu suavemente, os lábios ainda em contato, as respirações entrecortadas e aquela estranha comichão no peito de ambos.
Ino não respondeu. Apenas quis aproveitar o restante daquela noite como podia.
Após o jantar os dois seguiram para o apartamento de Ino. Gaara a acompanhou em uma xícara de chá e um diálogo ameno, mas pouco a pouco a tensão sexual do ambiente se adensava ao ponto de quase ser tangível.
Ino estava colocando a louça na pia quando ouviu os passos duros e sentiu a presença de Gaara atrás de si. Por um momento achou que ele se despediria e iria embora, mas o que sentiu foram suas mãos em seus quadris, puxando-a de encontro ao corpo dele. Num movimento brusco, Gaara a virou para si e a empurrou contra o balcão da cozinha.
- Gaara... – suspirou no segundo que precedeu o beijo urgente e faminto que ele lhe dera. Ino tinha as mãos apoiadas no mármore frio do balcão. Gaara segurava seus pulsos e a impedia de tocá-lo momentaneamente. Ela queria resistir, dizer a ele que se afastasse por um tempo, mas...
Apenas mais uma vez antes de..., Ino pensou, soltando-se das mãos de Gaara e o agarrando pelos ombros para aprofundar o beijo. Brandamente, ela deslizou as mãos pelos botões da camisa dele, abrindo-os um a um e se livrando da peça para tocar o torso masculino rígido. O ruivo ofegou e arrepiou com o contato dos dedos finos em seus músculos, e sua boca deixou a de Ino para explorar o pescoço e colo da jovem.
As mordidas e chupões, executados com suavidade e minúcia, faziam Ino gemer levemente e sua mente flutuou em meio ao prazer das lentas e demoradas preliminares no balcão da cozinha. Percorriam o corpo um do outro com curiosidade, carinho e a crescente sensação de despedida.
Quando encontraram-se nus e ofegantes, acomodados no sofá da sala, não economizaram tempo no ato sexual. Demoraram-se por longos minutos, unindo-se lenta e calmamente. Enquanto Ino movia-se sobre o quadril de Gaara, ele acariciava a pele lisa e sem defeito das costas dela, roçando os dedos em alguns fios loiros que não estavam grudados nos suor. Beijavam-se devagar, sem pressa ou urgência, sendo, vez ou outra, interrompidos pelos gemidos abrasadores de prazer.
Perdida, mas agora me encontrei
Posso ver, mas uma vez já fui cega
Ino despertou com o nascer da nublada sexta-feira. Seu corpo exposto se encolheu com o frio da manhã, e ela se recusou a abrir os olhos, querendo aproveitar a preguiçosa sensação que tomava conta de seu corpo. Sentiu algo cobrir seu corpo nu, e reconheceu a sensação da manta do sofá, assim como lembrou-se da tórrida noite com Gaara e do fato dele ainda estar ali.
Abriu os olhos preguiçosamente e a primeira coisa que localizou na sala foi ele, sentado na poltrona de frente para o sofá, perfeitamente vestido e desperto. Gaara passara a maior parte da madrugada observando a loira dormir de bruços sensualmente no sofá, deleitando-se silenciosamente com a visão que queria ter por muito mais tempo.
- Eu estou aqui para você Ino. – ele sussurrou grave. Ino sentou-se no sofá, enrolando-se na manta e observando-o quieta. – Estou aqui por você e para você, basta apenas que diga ‘sim’.
- Não, Gaara. – Ino tentou se manter firme. – Ainda não. Eu preciso de um tempo, longe disso, longe de você. Para saber o que eu realmente quero. Eu acho que eu ainda estou sob o efeito do mundo de sonhos que foram os últimos seis meses.
- Eu... eu aprendi a te amar, Ino. Não me faça ter que esquecê-la. – Gaara disse quase cansado.
- As vezes o amor não é o bastante. Esse caminho, meu e seu, vai ser difícil. Mas ser for pra fazê-lo, que ambos estejamos com a cabeça no lugar, com a certeza de que é realmente isso que a gente quer.
- Isso que você está me pedindo agora, que eu me afaste de você, — o semblante de Gaara se tornou sério. – é realmente o que você deseja?
- É o que eu preciso. – Ino sorriu tristemente.
Gaara se levantou da poltrona, colocando o casaco no braço e dirigindo-se para a porta silenciosamente. Num ímpeto, Ino largou a manta que a cobria e correu ao encontro de Gaara. Seu corpo pequeno se chocou com o dele no momento em que ela o abraçou pela cintura e aninhou o rosto em suas costas. Gaara se virou lentamente para Ino, cobrindo-a com seu casco e abraçando-a delicadamente.
- Eu estou confusa. Não tenho todas as respostas para as minhas próprias perguntas, mas eu estou tentando pegar o que eu posso, Gaara. – ela sussurrou. Suas lágrimas manchavam a camisa de linho dele, mas Gaara pouco se importava. – Eu quero que volte para mim, Gaara. Mas eu o quero inteiro e também quero estar inteira pra você!
Gaara sorriu de canto, segurou o queixo de Ino e o ergueu, para beijá-la delicadamente.
- Eu vou voltar, Ino. E você também.
Quando Gaara saiu pela porta, Ino jamais se sentiu tão sozinha em sua vida. Mas estava melhor, sentia que era a coisa certa.
Se é o certo a se fazer, por que dói tanto, então?
Notas finais
Sobre a segunda parte, o que eu posso dizer por hora é que 3 personagens vão se destacar muuuuito, e eu não estou falando de Ino ou Gaara ou Tenten. Os capítulos vão ser mais densos e cotidianos.
Tudo isso pode mudar, vai depender do meu humor, mas muita água ainda vai rolar. Provavelmente, nos próximos capítulos eu traga mais novidades, mas não deixem de acompanhar e, principalmente, comentar a história. Reviews são importantíssimos, assim eu sei o que estão achando :D
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