Implacável
1 Capítulo 1 [Prólogo]
Notas iniciais
Branwen
15h27, sexta-feira, 17 de Setembro
Glenluce Road, 77
Orfanato Konohagakure
Greenwich, Londres, UK
Implacável adj. Que não se pode aplacar, que é inexorável. Que não perdoa.
A água escura pingava para o chão ao redor do balde à medida que o pano era torcido pelas mãos ligeiramente pequenas. As unhas pareciam não ter recebido muito cuidado nos últimos dias; estavam bem aparadas e lixadas de uma forma bem prática. Apesar do trabalho duro, as mãos não deixavam de ter uma textura leve e a pele continuava lisa e leitosa.
Ajoelhada no chão, vestida tão simples com um short já meio surrado – que parecia um pouco curto, até – e com uma blusa branca de mangas compridas na cor laranja. O cabelo loiro preso em um rabo de cavalo, que chegava quase no meio das costas, com uma franja frontal arredondada lhe dava um ar infantil; e foi isso que pareceu ter chamado a atenção dele.
Inicialmente, ele tinha chegado até aquele canto atraído pelo cantarolar de alguém. Era uma música que sua própria mãe costumava cantar para si, e nunca imaginaria ouvi-la novamente depois da morte de Karura. Depois, ao ver um rosto tão jovem e alvo inclinado em direção ao chão, mãos tão pequenas e finas naquele trabalho duro... A canção se tornou um pálido murmúrio em sua mente. Sem dúvida, era ela; a garota atrevida!
Novamente, Ino levou submergiu o pano e o ergueu para torcê-lo. Mecanicamente, ela levou o pano molhado em direção ao piso laminado e, antes que ela se desse conta, atingiu um par de sapatos que aparência bastante cara.
– Oh meu deus! – Ino exclamou, jogando o pano para outro canto e levantando-se num salto. – Me desculpe, foi um acidente...!
– Não importa. – a voz grossa do homem intimidou Ino severamente. Ela nem tinha coragem de olhar no rosto dele, de tão constrangida que se encontrava.
– Olha, eu faço questão de limpar. E se estragar, eu lhe pago um par novo. Por favor, aceite. – ela murmurou.
– Eu duvido que você teria condições de pagar um Gucci feito sob encomenda e importado de Itália.
Os olhos azuis de Ino recaíram sobre o sapato, buscando um argumento que a convencesse de que era só um sapato preto comum. Mas aquele couro bem lustrado não parecia nem um pouco comum.
Quando se convenceu de que nunca poderia pagar um sapato daquele, quase que imediatamente, se inflamou com o dono dos sapatos. Não era rica, tinha a perfeita noção disso, mas ele não tinha direito de tratar a ela ou a qualquer um como inferior só porque ele tinha um pouco mais de dinheiro.
– Escute aqui, senhor... – sua voz morreu assim que encontrou os olhos verdes tão opacos dele. Engoliu em seco. Sem dúvida nenhuma ele estava ali para fazê-la pagar pelo seu atrevimento há alguns dias atrás.
Estava completamente absorvida pela imagem do homem a sua frente. Quando o vira há alguns dias, na ocasião em que invadira a casa dele para lhe dizer uma s boas verdades na cara, ele estava envolto pela penumbra da sala, que tinhas as cortinas fechadas e o ar quase saturado demais para a vida humana. Mas agora, o via claramente, e ele era tão arrogantemente bonito!
Jovem e atraente, ele era alto, muito alto. Tinha ombros largos e estava vestido em um terno preto que parecia bem caro e não disfarçava o corpo bem trabalhado. Provavelmente trabalha o corpo ou deve praticar natação, o pensamento de Ino foi quase automático. Junto ao terno, também usava um colete, camisa e gravata também pretos. O cabelo tinha um incontrolável e intenso vermelho sangue. E a única coisa familiar a Ino eram os olhos que a observavam com curiosidade e a bengala que ele usava para dar apoio à perna direita. Se havia uma palavra para descrever aquele homem naquele momento, essa era: implacável.
– Estou ouvindo, senhorita. – ele comentou, possivelmente, divertido. Mas sua expressão era séria, ou quem sabe vazia.
Estou perdida! Pedida e meia! Não! Não tem como descrever o quanto eu estou perdida!
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