Implacável

9 Capítulo 9


Notas iniciais
A pipa do vovê não sobre mais! A pipa do vovô... Iaê moças! Todo mundo preparada para o carnaval - apesar de eu não gostar de carnaval - então eu vim com um presentinho para vocês! E amanhã tem capítulo extra, o que acham?
Quero dedidcar esse capítulo a ChelleYamanaka, pela linda recomendação, e mando para ela uma música!!!!!
"A pipa do vovô nao sobe mais!
A pipa do vovô nao sobe mais!
Apesar de fazer muita força,
O vovô foi passado pra trás!"

26 de outubro, segunda-feira

Costa Barva, Girona, Espanha


Fúria s.f grande exaltação colérica. Cólera, ira, raiva. Ímpeto de valentia, de delírio, de insânia.

Era completamente fora de contexto a fúria que Ino sentia durante aqueles dias. Estava na propriedade de Gaara em Costa Brava, na Espanha; um dos cenários mais paradisíacos e perfeitos que ela vira. O sol lhe aquecia a pele suavemente, e as lambidas que a brisa fresca vinda do mar lha davam na pele seriam a definição de relaxamento. No entanto, a última coisa que Ino se sentia era relaxada.

Há quase três semanas estava na Espanha, sozinha. Baki vinha em dias esporádicos, quando o trabalho com Gaara no Japão lhe dava alguma folga. Fora isso, tinha a companhia somente de Magdalena, a governanta da casa, e dos outros empregados.

Seu espanhol tinha melhorado consideravelmente – ou Ino só tinha se acostumado com a forma com o idioma soava -, mas Ino estava se sentindo um pouco deixada de lado por tempo demais para seu gosto; e já estava cansada de ficar largada como uma coisa. Normalmente, não deveria ter do que reclamar, mas estava com raiva. Com muita raiva de... si mesma, por estar sentindo falta dele.

– ¡Señora! ¡Señora! ¡Es señor Baki y el señor Gaara! – Cecília, a arrumadeira, veio afobada da sala em direção ao pátio de acesso à praia, onde Ino lia calmamente sentada em uma das poltronas de vime. – ¡Ellos llegaran! ¡Ellos están aquí!

Ino se sobressaltou com o entusiasmo da moça. Cecília era uma jovem, pequena, de cabelos castanhos e pele morena que nutria uma paixão platônica por Baki. Assim que viu o BMW preto estacionar na garagem da casa e Gaara sair dele junto ao turco, Cecília correu para avisar Ino.

A loira não sabia se levantava e corria até a sala para socar o rosto calmo de Gaara, ou ficava bem quietinha onde estava. Ficou com a segunda opção, e voltou a ler seu livro de forma despreocupada.

Gaara estranhou que Ino não tivesse vindo encontrá-lo com seu jeito afobado de sempre. Imaginou que ela deveria estar muito brava com ele por tê-la largado na Espanha sozinha. As negociações com a indústria de desenvolvimento do refino de petróleo no Japão tinham lhe exigido mais do que Gaara imaginava. E a viagem que ele achava que ia durar apenas alguns dias acabou tomando três longas e exaustivas semanas.

A última coisa que desejava era enfrentar o ressentimento da Yamanaka, pois sentia-se cansado e quase doente.

– Avise a señora Yamanka que estoy en mis habitaciones. Voy a descansar un momento. – avisou, cansado, a Cecília. Se virou para Baki e fez um gesto dispensando-o. – Pode ir, Baki. Está dispensado por esses dias. Quando precisar, o chamo.

Baki assentiu com firmeza e se retirou silenciosamente, sendo seguido por Cecília, que lhe insistia em lhe preparar uma refeição.

Passou na pequena bancada de bebidas e pegou uma generosa dose de uísque. Assim que chegou a seu quarto, folgou a gravata, bebeu mais um gole da bebida âmbar e se deixou sentar pesadamente na poltrona que ficava de frente a grande janela de seu quarto. A vista do mar era tranquilizante e Gaara pegou no sono ali mesmo.

Não soube quando tempo dormiu, mas acordou com alguém tocando-lhe o rosto suavemente. Abriu os olhos devagar, tentando se acostumar com a claridade do meio-dia espanhol, e deu de cara com a face preocupada de Ino.

– Está se sentindo bem? – ela perguntou baixinho. – Você está pálido, e suando frio.

– Deve ser o calor. O outono japonês não é tão quente. – ofegou.

– Vou pegar algo gelado para você. Tenho certeza que comprei isotônicos quando fui ao mercado. – Ino saiu resmungando, deixando Gaara sozinho. Ele ia se levantar da poltrona, mas uma forte vertigem o atingiu.

Esperou alguns instantes, tentando normalizar sua respiração, antes de tentar se levantar novamente. Estava nauseado e inquieto, sabia o que viria a seguir, e esse era o motivo por só ir visitar a irmã no inverno. Foram poucos passos até a cama, onde se entregou a um estado de semiconsciência.

Antes que percebesse, Ino estava ao seu lado, afagando-o suavemente nos cabelos e secando sua face empapada de suor com uma toalha.

– Não diga nada, eu ainda estou furiosa com você. – Ino resmungou. Maldito clima, Gaara pensou rabugento.

– Eu já estou bem, não precisa...

– Beba isso, vai se sentir melhor. – ela cortou bruscamente, lhe entregando a garrafa de isotônico que estava sobre a mesa de cabeceira. Gaara engoliu o líquido em um gole só, e isso o fizera se sentir – ainda que pouquíssimo – melhor.

Ino saiu em silêncio por algum tempo deixando-o descansar, e voltou pouco tempo depois com o almoço de Gaara em uma bandeja. Ele estava no banheiro, e o som do chuveiro ligado denunciava que estava no banho. Pacientemente, esperou que ele saísse do banheiro para tentar fazê-lo comer um pouco.

Assim que Gaara saiu do banheiro, só com uma toalha amarrada na cintura, Ino fez um gesto para a bandeja que estava sobre a cama. A porção de Ajoblanco feita por Magdalena parecia ótima, mas sequer pensar em comida fazia o estômago do ruivo revirar.

– Desculpe, mas quem sabe mais tarde, Ino. – disse ele, fugindo novamente para o banheiro com suas roupas. – A única coisa que eu preciso agora é dormir.

– Você vai dormir, mas depois de comer. – Ino declarou, categórica. Assim que Gaara saiu do banheiro novamente, reparou que a expressão dela estava mais suave do que quando a vira. Os grandes olhos azuis exalavam algo semelhante a preocupação. — Eu estava furiosa com você, mas... agora eu estou preocupada. Então aproveite enquanto eu não estou violenta o suficiente para fazer você engolir essa sopa e coma por sua própria vontade.

Vencido, Gaara comeu a sopa para poder ir se deitar logo. Quando Ino saiu com a louça suja, ele se ajeitou em seus travesseiros e se deu conta de que tinha se esquecido da sensação de ser cuidado por alguém.



Ino só voltou a ver Gaara quando a tarde já ia alta. Ela subiu ao quarto dele para se certificar de que estava bem. Encontrou-o dormindo placidamente, e reparou que nunca o tinha visto dormir, mas naquele momento, Gaara parecia um menino; com a face inocente e tranquila.

Não resistiu levar a mão os cabelos dele e... surpreendeu-se pela textura tão macia dos cabelos ruivos. Desceu a mão para a curva do maxilar dele e sentiu a barba começando a crescer, pouco áspera.

– Como vai sua descoberta por novos territórios? – Ino se sobressaltou quando Gaara falou. Ele parecia desperto já há algum tempo, e olhava-a com intensidade não calculada.

– Eu não quis... eu... Ah, que droga. – bufou, sentindo que corava violentamente. – Eu só vim ver se estava bem.

Gaara ergueu uma sobrancelha e reprimiu uma risada, pouco antes de jogar as cobertas para um lado e sair da cama em direção ao banheiro. Ino aproveitou a oportunidade para sair de fininho. Mas quando fechava a porta atrás de si, deu de cara com Baki, olhando-a de forma sugestiva.

– O senhor Sabaku está acordado?

– Hum, sim. Vou... vou para o pátio.

– Não acha que tomou sol o suficiente? – Gaara apareceu atrás de Ino, como um predador bastante silencioso. – Vamos ao aeroporto. Um amigo está vindo; e sua amiga mandou um pacote por ele.

– Tenten? – Ino perguntou surpresa.

– Sim. Baki, alguma coisa para mim? – olhou para o empregado parado atrás de Ino.

– O voo do senhor Hyuuga foi confirmado para pousar em quarenta minutos.

– Vou me vestir, e você – apontou para Ino em sua minissaia jeans e a camisa laranja transparente que ela usava por cima do biquíni branco sem alças. – troque de roupa. Vamos sair assim que ficar pronta. Baki, não precisa ir, quero dirigir um pouco.

– O que há de errado com as minhas roupas? – Ino perguntou. Como resposta, recebeu um olhar na direção do comprimento de sua saia, subindo para as demais roupas dela. As pernas, douradas pelo sol espanhol, chamavam atenção; e a blusa transparente, dava uma visão privilegiada do torso de Ino.

Gaara saiu resmungando qualquer coisa quando voltou para seu quarto, e Ino bufou irritada.

– Vou só trocar o sutiã. – provocou.

Baki somente balançou a cabeça e voltou para seu quarto, desejando uma longa siesta.



– Eu te disse para trocar de roupa. – Gaara resmungou quando fazia uma curva para entrar na via expressa. Ino não tinha trocado de roupa, apenas tirou o biquíni por um lingerie preto e calçou suas botas biker marrons de cano curto. E fez isso apenas para provocar Gaara.

– Não há nada de errado com minhas roupas. Eu trouxe elas de Londres, mas são tão bonitas como as que você comprou para mim. – Ino fez beicinho, como uma criança; o que fez Gaara se esforçar para voltar seus olhos para a direção.

– São curtas e... essa blusa é transparente. – murmurou.

Um estranho brilho alcançou os olhos de Ino, e lentamente, ela sorriu brejeira.

– Você está... com ciúmes? – perguntou.

– Ino, eu sei o que está fazendo, e é melhor que pare. – alertou-a. Estou com ciúmes, mas não admito nem sob tortura, Gaara completou internamente.

A moça resolver recuar por hora, mas sabia que Gaara estava com ciúmes. Passou o restante do trajeto tentando tirar informações sobre Hyuuga Neji. Ao que parecia, ele iria ficar alguns dias na propriedade de Gaara enquanto uma transação da empresa de sua família era concluída.

– Hyuuga... é algum parente de Hinata?

– Primo dela.

– E vocês são próximos? – Ino perguntou quando Gaara já parava o carro no estacionamento do aeroporto.

– O que você quer dizer com próximos?

– Bem, para você convidar alguém para ficar na sua casa... Se espera que seja alguém próximo.

– Hyuuga Neji e eu somos bastante reservados, isso representa algum grau de proximidade para você? – olhou de soslaio para Ino quando já entravam no saguão do aeroporto. – Ele nos prestou um favor vindo de Londres para se hospedar em minha casa.

– Nos prestou um favor?

Gaara apontou para a área VIP de desembarque, de onde saía Tenten, confusa e com a face vermelha de raiva enquanto empurrava seu carrinho de bagagens. Ino não acreditou que sua amiga estava ali, e antes que percebesse, já estava se jogando em cima da morena em um abraço que derrubou as duas no chão.

– Ei, ei, porquinha! Vai devagar que eu também senti sua falta. – Tenten riu ainda caída no chão. Tirou Ino de cima de si e as duas ficaram sentadas no chão do aeroporto, rindo como duas crianças.

Gaara se aproximou, junto de um homem de pele branca, longos cabelos castanhos, que estavam presos em um rabo de cavalo, olhos cinzas – muito semelhantes aos de Hinata – e com a mesma altura e estrutura corporal de Gaara: ombros largos, quadris ligeiramente estreitos e a estrutura dos ossos da face semelhante a de um herói grego.

– Venha, eu te ajudo. – Gaara estendeu a mão para Ino. Já bastava o constrangimento de ter caído no meio do saguão e metade das pessoas terem visto sua saia subir um pouco quando abraçou Tenten. Ninguém precisava saber mais detalhes de seu lingerie enquanto ela se levantava do chão.

O tal homem ia ajudar Tenten, mas a morena já estava de pé, então ele só deu de ombros.

– Eu não preciso de ajuda. – a morena resmungou.

– Tudo bem. – o homem ralhou divertido e logo se virou para Ino, estendendo a mão educadamente. – Sou Hyuuga Neji. Imagino que você seja Yamanaka Ino.

– É um prazer. – Ino disse ainda constrangida pelo fato de que aquele homem tão sério quanto Gaara podia saber detalhes da sua roupa de baixo. – Acho que você já conhece a minha amiga, Tenten.

– Oh, claro que sim. Ouso dizer que a senhorita Mitsashi tornou a minha longa viagem de Londres até aqui bastante... agitada. Posso dizer qualquer coisa da sua amiga, menos que ela é monótona. – apesar da polidez com que Neji dissera aquilo, Ino sentiu uma leve nota de sarcasmo em sua voz.

– Ah, Tenten é assim mesmo. Por favor, não leve a sério os modos tão descontraídos da minha amiga. – Ino abraçou Tenten pelos ombros, que a olhou com uma sobrancelha erguida como se perguntasse: quem é você e o que fez com a minha melhor amiga?

– Eu só queria tornar a sua viagem mais agradável, senhor Hyuuga. – Tenten sorriu de forma fingida.

– Podemos ter essa conversa em casa? – Gaara sussurrou para Ino.

Depois que passaram pelo guichê da imigração, os quatro foram para o carro e partiram para a casa em Costa Brava. Durante todo o caminho, Ino e Tenten conversaram tantas coisas diferentes e de forma tão rápida, que Gaara e Neji desistiram de tentar acompanhar o que elas diziam.

Assim que chegaram em casa, Ino fez questão de que a amiga ficasse em um quarto próximo ao seu e de que Neji tivesse o quarto menos iluminado, assim como ele pedira. Quando se certificou de que o Hyuuga estava bem instalado e Cecília estava ajudando Magdalena no jantar e não arrumando uma desculpa para ficar perto de Baki, Ino invadiu o quarto de Tenten sorrateiramente e tentou surpreender a amiga quando ela saía do banheiro.

– Fala sério, essa casa é demais! – Tenten disse pouco afetada pela súbita presença de Ino em seu quarto.

– Isso porque você não viu a de Mônaco e a de Londres. – Ino resmungou. – Ainda tem o apartamento em Paris, o Palazzo na Toscana e a casa nos Alpes.

– Já viu tudo isso? – Tenten perguntou espantada. – Quantas mil casas esse homem tem?

– Não. Eu estive só na casa de Mônaco, os outros eu só vi por foto. Gaara tem propriedades e negócios pelo mundo inteiro, quase. – deu de ombros.

– Hm, enfim, bonitão mesmo, o turco. Quando ele foi na sua casa, todo envelopado, não tinha ideia do que o tal Baki escondia. – a morena comentou jocosa.

– Corta essa, Tenten! Me conta, qual é sua com o Neji? Vocês se conhecem! – Ino a cortou.

– Não... – os olhos de Tenten se arregalaram e ela reparou que Ino não desistiria fácil. Então desistiu de mentir. – Lembra o cara do congresso em Cornwall?

– O que você conheceu um cara com quem você transou quando estava bêbada...? O que tem ele?

O silêncio de Tenten respondeu a pergunta de Ino, e os olhos azuis dela se arregalaram em surpresa.

– Ela ele? – sussurrou. – Você transou com Hyuuga Neji?! Meu Deus!

– Eu estava bêbada, ok? E aquele calhorda se aproveitou de mim! – grasnou.

– Desculpe, Tenten, mas você está longe de ser uma mocinha indefesa. E eu lembro bem que você disse que aquele tinha sido o melhor sexo da sua vida.

– Me poupe, Ino. – Tenten sibilou, puxando a amiga para a cama e se sentando com ela. – Tinha sido o melhor sexo da minha vida até eu encontrar ele de novo. Deus, meu coração quase parou quando eu o vi naquele jato!

– Tenten, não é como se você fosse para a cama bêbada e com um cara que acabou de conhecer todos os dias. Foi uma única vez, vocês acharam que nunca mais iam se ver e a única coisa que sabia dele era que se chamava Neji. Não tinha como prever que vocês se encontrariam. – Ino deu de ombros. – Não se preocupe. Vamos curtir a Espanha, Tenten! Nós estamos na Espanha! – gritou, estranhamente animada.



O jantar não foi a melhor das experiências para Tenten. Manteve os olhos em seu prato ou olhava somente para Gaara ou Ino quando eles perguntavam algo, pois tinha a sensação de que Neji não tirava os olhos dela durante momento algum.

Mas assim que acabou, Ino arrastou Tenten para a praia, onde puderam beber uma cerveja bem gelada e conversar sobre como tinha sido a viagem até então, e como as coisas estavam em Londres.

– Gaara é uma pessoa muito interessante...

– Quando você diz interessante, quer dizer gostoso? – Tenten sorriu.

– Não! – bateu na amiga. – Eu quis dizer que ele não é um monstro comedor de criancinhas que vive em uma caverna. Ele é bem difícil de lidar no início, mas depois... ele se torna uma boa companhia. Sabe, ele me deu um colar e brincos incríveis quando estávamos em Mônaco. E mandou uma pulseira linda do Japão.

– Hum, mandando enfeites para você? Que graça! Espero que não tenha mandado granadas. Não ficam bem em você... espera! – Tenten captou o olhar matreiro de Ino e quando entendeu a mensagem silenciosa da amiga, sua boca fez um pequeno “o”. – Diamantes?

– E a pulseira é de ouro rosado com brilhantes.

– Meu Deus, querida! Sua fingida! E eu achando que você estava sofrendo aqui. – Tenten ria com gosto.



Era quase meia noite quando as duas resolveram se recolher. Tenten nunca se sentiu tão bem em uma cama que não fosse a sua como naquela cama. Aconchegou-se nos cobertores e mal tinham se passado cinco minutos, quando ouviu alguém bater em sua porta.

Jogou as cobertas para o lado, e nem se preocupou em vestir algo que cobrisse a camisete e a calcinha que estava usando. Achava que era Ino, mas descobriu-se redondamente enganada quando um par de braços fortes e rodeou e seus lábios foram tomados com volúpia.

Levou um segundo para se dar conta de que estava sendo beijada da forma mais quente possível por Hyuuga Neji. Ele a segurava pelos quadris e pressionava-se contra Tenten, fazendo-a sentir o quanto estava excitado. As mãos pequenas da morena foram para o longo cabelo dele, segurando uma generosa porção dos fios da nuca e aproximando-o dela. Ambos sentiam que eram capazes de se fundir.

Separaram seus lábios para tomar ar, mas não se afastaram um centímetro. Suas testas se tocavam e suas respirações ofegantes se misturavam. Depois de quase um minuto, Tenten criou coragem para falar.

– O que está fazendo? – sussurrou.

– Beijando você, não parece óbvio? – Neji respondeu bruscamente.

– Você não vai me levar para a cama, Neji! Eu não estou bêbada hoje.

– Nem naquela noite. Você mesma disse, pouco antes de gozar, que queria ao menos a desculpa de que estava bêbada para acabar na cama de um cara que mal conhecia.

Tenten se afastou dele como se tivesse sido chicoteada. Alcançou a janela com passos vacilantes, olhou-o com raiva e agradeceu mentalmente por estar escuro e Neji não poder ver a expressão colérica que ela tinha no momento.

– Você venceu. Eu não ia ficar bêbada só com algumas cervejas, mas não sou uma vaca que faz sexo com o primeiro que vê. Nem uma virgem puritana. E por isso tenho amor próprio e vou pedir que saia do meu quarto, porque você não vai conseguir o que veio buscar. – falou friamente.

– Tenten, eu...

– Vá embora, Neji. – ela o cortou. – Estou cansada. Faça-me o favor!

Neji recuou alguns passos, mas hesitou. Abaixou-se e deixou no chão algo pequeno e brilhante; um brinco de pérola. O brinco de pérola que Tenten achou que tinha perdido para sempre.

– Passei pelo inferno tentando encontrar a dona desse brinco. Eu tinha certeza de que era você...

Dito isso, Neji se afastou e fechou a porta atrás dele, deixando Tenten sozinha com as lembranças de Cornwall.