Implacável
10 Capítulo 10 (extra)
Notas iniciais
Vanilla Sky por Mitsashi Tenten
"Ela não é perfeita em tudo que faz. Mas é a minha melhor amiga, e nisso sim, ela é perfeita!"
Por que diabos eu aceitei esse congresso mesmo? Cornwall é a parte mais fria do Reino Unido nessa época do ano. Valeu que eu me ofereci para a coisa toda, mas pretendia voltar com todos os meus dedos das mãos.
Foram três longos dias ouvindo uma interminável lista de palestrantes falando a mesma coisa que escutei na faculdade no meu primeiro semestre de direito. Meu voo sairia na manhã seguinte, então a única coisa que eu podia fazer era aproveitar minha cerveja no pub mais limpo e mais perto do meu hotel que eu consegui encontrar.
Estava sentada em uma das banquetas encostada no balcão. Não era fã do futebol inglês, mas o Arsenal estava me dando melhores momentos que os últimos sete caras que tentaram me pagar uma bebida. Eu sei que bebi mais cervejas do que deveria, mas isso não era motivo para aceitar a investida deles.
– Posso te pagar uma bebida? – alguém disse ao meu lado. Estava pronta para falar um “não” bastante irritado, mas mudei de ideia assim que o vi.
Ele era alto, tinha ombros largos e vestia um terno que parecia bem caro, mas que não escondia o fato de que ele fazia alguma atividade que deixava seu corpo... delicioso de ver. Tinha cabelos longos e castanhos, presos em um rabo de cavalo baixo; e olhos acinzentados que o tornavam muito sexy. Normalmente, eu não me sentia atraída por caras com o cabelo melhor que o meu, mas naquela noite nada de normal estava acontecendo.
– Eu acho que eu já bebi o suficiente para uma vida. – respondi feito uma idiota, mas tentei sorrir da melhor maneira possível. – Mas acho que aguento mais uma.
Ele levantou a mão e fez um sinal para o barman mandar duas cervejas. Assim que pegou nossas bebidas, se sentou ao meu lado e estendeu a mão para mim.
– Neji...
– Tenten. – o cortei. Eu não fazia isso; tipo, ficar interessada em um cara que acabei de conhecer. Mas tem uma primeira vez para tudo, e ele podia compensar. E se fosse fazer, quanto menos soubesse dele melhor. Afinal, nunca mais nos veríamos. – É daqui?
– Do País de Gales. Vim a trabalho. Você também não parece ser daqui. Digo, uma inglesa. – ele falou com um sorriso simples que me desarmou inteira. Só de vê-lo sorrir eu já tinha ficado excitada!
– Eu escuto muito isso. Sou de Londres, mas a minha mãe é brasileira.
– E o que faz aqui?
– Um congresso.
– Pelo que sei o único congresso na cidade é sobre...
– Práticas jurídicas. – completei sem muita convicção. – Eu sei que mais pareço uma dançarina ou garçonete, mas faço faculdade e trabalho em um escritório de advocacia.
– Eu ia dizer que é o mesmo congresso que eu estou participando. E que é estranho não ter te visto. – touché! Tá bom, ele não é mais um dos caras arrogantes que acham que eu deveria ser garçonete.
Desci do salto e decidi dar uma chance para Neji. E definitivamente ele salvou a minha noite. Ficamos no bar até ser tarde demais para que eu sequer pegasse um táxi sozinha. Neji se ofereceu para me levar até o meu hotel. Fiquei realmente surpresa ao descobrir que estávamos hospedados no mesmo hotel, mas Neji, estava em uma das coberturas. O que me fez suspeitar de quem ele realmente era.
Quando estávamos no elevador, ele ofereceu uma bebida em seu quarto.
– Você sabe que nada de bom virá desse convite. – respondi ao mesmo tempo em que ele se aproximava de mim, com aquele olhar que deixou minhas pernas trêmulas, segurando minha cintura.
A última coisa que eu me lembro antes de cair contra o colchão macio daquele quarto tão chique foi da confirmação de que aquela noite não estava sendo nem um pouco normal. Eu tinha sido agarrada por um cara chamado Neji e estava adorando.
Antes que eu me desse conta do que realmente estava acontecendo, eu já estava de pé, juntando minhas roupas espalhadas pelo quarto. Só notei que Neji estava acordado e me observava com curiosidade quando já tinha vestido minha calça e estava prendendo meu sutiã roxo de renda.
– Por que a pressa? – ele perguntou da forma mais natural possível quando se levantava. Deus, eu quase me perdi na visão daquele homem nu indo para o banheiro. Ainda que Neji e eu estivéssemos separados pela porta fechada do banheiro, minha imaginação voou até o momento em que ele saiu vestido em uma calça de abrigo.
– Tenho um compromisso e estou atrasada.
– Eu posso levá-la. – ele me encara. Seu olhar é suave, calmo; e novamente eu me vejo perdida naquele homem.
Sorri, embora Neji não possa ver minha expressão.
– Não precisa.
– É uma pena, queria convidar você para tomar café da manhã comigo.
– Vai ter que ficar para a próxima, garotão. – lancei para ele o meu melhor sorriso, vendo desarmar. – Eu vou nessa.
– Espera. – Neji segurou a minha mão antes que eu alcançasse a porta, e eu tive que me virar para encará-lo. – Onde posso te encontrar?
Destranquei a porta e me soltei do toque de Neji. Estava difícil fazer aquilo.
– A gente se vê por aí. – disse sorrindo e fui embora.
Nunca arrumei minhas coisas tão rápido. E quando consegui comer alguma coisa, foi dentro do táxi, que tinha entrado pela garagem do hotel. Eu não tinha a mínima ideia do por que estar fazendo isso, mas eu não tinha coragem para enfrentar Neji. Ele tinha me proporcionado sensações que eu jamais poderia descrever, mas... algo nele me afastava. E eu não queria ficar para descobrir e acabar machucada.
Ela tinha ido embora. Depois de um dia inteiro sem nenhuma notícia de Tenten, foi na recepção do hotel que descobri que ela tinha ido embora. Eu não tinha nenhuma informação que me ajudasse a encontrá-la; só sabia que seu nome era Tenten, que ela era a mulher mais flexível que eu já conheci – Deus, ela faz uma coisa com as costas que... – e eu tinha um brinco de pérola, bem simples e quase comum, que ela tinha esquecido. E eu só sabia que ia passar o inferno por causa daquela mulher, mesmo ela tendo ido embora...
Eu estava com a cabeça cheia, mas a única coisa que queria era colo. O colo da minha melhor amiga.
Assim que cheguei em casa, nem tomei banho. Aproveitei que meus pais tinham saído, arrumei uma muda de roupa na mochila e dirigi para a casa da Ino no meu velho Honda Civic, deixando um bilhete em casa. Era um caminho curto até o apartamento dela, mas pareceu quilômetros.
Ino me recebeu assim que eu toquei a campainha pela primeira vez. Ela estava de avental, segurando uma tigela aonde ela batia um bolo, e assim que me viu deixou a tigela de lado e me abraçou.
– Que saudades, garota!
– Ino, eu só fiquei um fim de semana fora. – resmunguei.
– Eu sei, só estou arrumando uma desculpa para te abraçar. Você está precisando, mas é orgulhosa demais para pedir. – aquela vaca me conhecia bem, mas naquele dia eu estava diferente.
– Hoje eu vim te pedir abraço, colo, uma noite no seu sofá e espero que esteja fazendo cupcakes.
Ino ia me deixar no sofá, mas eu só larguei as minhas coisas no quarto e voltei para a cozinha, onde fiquei observando ela terminar de colocar a massa nas forminhas. No balcão tinha a vasilha com creme batido com morangos, que ela ia usar como recheio; belisquei um pouco antes de irmos juntas para o sofá com salgadinhos e cerveja.
– Como foi em Cornwall? – ela perguntou, olhando para a tevê.
– Transei com um cara chamado Neji, foi o melhor sexo da minha vida e eu não sei onde encontrar ele porque eu fui embora assim que acordei e perdi o brinco que você me emprestou. – despejei, seguido de um gole de cerveja.
Ino ia levar um salgadinho a boca, mas ele caiu em seu colo.
– Você perdeu o brinco que eu te emprestei? – ela sussurrou.
– Sério mesmo que você só escutou isso?!
– Eu escutei o resto, mas não deu tempo de processar. – Ino bebeu sua cerveja tranquilamente, mas eu sabia que por dentro ela estava se roendo para saber mais. – Usou camisinha?
– Claro!
– Me conta isso direito, então! – ela se empertigou no sofá e eu contei tudo a ela. Desde meu começo de noite no pub até a hora em que eu tinha chegado aqui. Eu não estava apaixonada nem nada idiota assim, mas foi tão fácil acostumar ao toque dele, mesmo que só tenha sido uma noite, foi incrível.
– Eu me sinto uma idiota. Está na cara que ele é um desses ricaços que tratam as mulheres como objetos sexuais, mas eu não ia reclamar nada em ser o brinquedo particular dele. – resmunguei.
– Você estava precisando, depois do quase casamento com o Kiba e a noite desastrosa com Genma... Neji é muito bem vindo! – ela ergueu as mãos para o teto, como se agradecesse aos céus.
– Tem razão, mas isso não faz com que eu me sinta bem ainda. Eu podia ao menos ter deixado o telefone ou ficado para o café da manhã, já que ele tinha me convidado. Meu voo era só a tarde.
– Você podia, mas, ainda podemos procurar por ele... – eu conhecia aquele olhar no rosto da minha amiga. Era o mesmo de quando Ino sorriu para mim pouco antes de bater na garota que chamou ela de cabelo de palha, no segundo ano.
Antes que eu pudesse pensar, já estávamos procurando no Bing e no Facebook sobre Neji. Passamos um bom tempo procurando, e quando Ino foi preparar o Chantilly que ia colocar nos cupcakes, eu continuei a pesquisa.
No Bing, encontrei uma reportagem sobre um dos herdeiros e uma grande construtora e advogado de renome que tinha participado de uma festa beneficente há alguns meses. Cliquei no link e quase tive uma parada ao ver a foto dele ali.
– Hyuuga Neji! – murmurei, tentando me lembrar de respirar.
Ele estava mais bonito do que nunca, sério e naquele terno Armani. Eu senti que poderia surtar a qualquer momento.
– Achou alguma coisa? – Ino me surpreendeu voltando da cozinha. Imediatamente, eu fechei a imagem e deixei na página de busca.
– Nada. – sorri fracamente. – Acho melhor eu desistir, Ino. Ele nem deve se lembrar mais do meu nome. E ficar paranoica com caras como ele... Não rola.
– Se você não quer me contar o que achou, tudo bem. – ela deu de ombros. Era impossível esconder qualquer coisa dela. – Respeito qualquer que seja o motivo que está te repelindo. Agora eu tenho certeza de uma coisa: é impossível alguém se esquecer de você. Nem se tivesse Alzhaimer!
Ino me deu um beijo na testa e voltamos a conversar sobre qualquer outra coisa. De duas coisas eu achava que tinha certeza naquele dia:
Um: Hyuuga Neji não é para o meu bico. Nem em um milhão de anos!
Dois: Ino pode não ser a melhor amiga perfeita. Mas é perfeita para ser a minha melhor amiga.
Mas depois de um tempo, eu descobri que apenas uma delas estava certa.
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