Implacável

26 Capítulo 26


Notas iniciais
Eu acho que não estou tão atrasada assim, apesar da semana corrida que tive. Presumo que este era um dos capítulos mais esperados da segunda parte: vamos descobrir se Ino está grávida!
Enfim, enfim, desculpem qualquer erro, pois não tive tempo de revisar, e quanto aos comentários, assim que puder responderei todos!

Enjoy!

5 de dezembro, quinta-feira, 18h27

Cromwell Grove, 5730

Londres, UK

A semana não tinha sido uma das melhores para Ino. A ideia de estar grávida a fez entrar em um estado de profunda insônia, que a deixava de péssimo humor e ainda mais sensível emocionalmente.

Gaara não pareceu muito receptivo a ideia. Na ocasião que Ino lhe contara sobre sua suspeita, ele apenas a afastou e foi frio ao sugerir um teste de laboratório. Depois, não tocaram mais no assunto. Durante todo o domingo, mal conversaram ou se tocaram. Estavam ambos, distantes um do outro. Ino estava assustada, já Gaara... Ela não tinha ideia do que se passava pela cabeça dele.

Na segunda-feira subsequente, Gaara saiu cedo para o trabalho, e na tentativa de melhor o clima entre eles, Ino o convidou para almoçar com ela naquele dia. Mas ele cancelou no último minuto, por causa de uma viagem que faria com Temari para Dubai.

- Mas eu pensei que pudéssemos conversar e depois... você poderia ir ao hospital comigo. – Ino disse, profundamente decepcionada.

- Desculpe, mas surgiu esse compromisso de última hora, e precisam de mim. Quando voltarmos, resolvemos isso.

- Tudo bem. – respondeu seca.

“Resolvemos isso”, as palavras tão frias de Gaara não poderiam tê-la machucado mais. As coisas entre eles ainda não estavam como antes, e Ino tinha plena consciência de que se não dialogassem como pessoas adultas, as coisas só tenderiam a piorar. E a última coisa que Gaara estava fazendo era uma tentativa de diálogo.

Cansada, ela resolveu passar alguns dias com Tenten enquanto Neji estava fora para um congresso em Potsdam. No mesmo dia em que Gaara viajara, Ino voltou para casa na hora do almoço, fez uma pequena mala com roupas e pediu que Baki levasse para a casa da amiga. Poderia voltar para o seu apartamento, mas não iria sem Nero, e Chiyo parecia ter se apegado ao bichano. Além do fato de que Deidara e Sasori estariam usando o apartamento por todo o verão.

Passar aqueles dias com Tenten fora a melhor coisa que Ino fizera. A amiga a estava apoiando sem quaisquer reservas, e ao menos não se sentia sozinha depois do trabalho, o que acontecia constantemente quando Gaara viajava. Ino acostumara-se com a presença sempre tão forte dele no seu dia-a-dia.

Naquela tarde, Ino andava de um lado a outro no apartamento de Tenten. Parecia um tigre enjaulado, pois estava sofrendo com severas cólicas. Cansada de andar – deitou-se no sofá, encolheu-se como uma bola e cobriu-se com uma manta. Se passou uns poucos minutos até Tenten chegar, cheia de pastas do trabalho e com sacolas do restaurante chinês de frente a sua casa.

- Cheguei e trouxe o jantar... – a morena mal tinha terminado de falar quando Ino saltou num rompante e correu para o banheiro. Nem teve tempo de fechar a porta, apenas se inclinou sobre o vaso e vomitou o sanduíche de frango que tinha comido antes de vir para casa.

Quando Ino saiu do banheiro, deu de cara com Tenten encostada na parede oposta à porta. Ela tinha os braços cruzados na altura do peito, mas em uma de suas mãos se podia ver uma caixinha de teste de gravidez.

- Vamos tornar as coisas oficiais, querida. Eu não aguento mais você se recusando a ver a verdade. – bufou.

- Eu queria esperar, mas... – Ino se curvou, levando uma mão ao baixo ventre ao sentir a náusea que a acometia se tornar mais forte. – Essas náuseas me acometem nos piores momentos possíveis.

- Venha, deite um pouco enquanto eu te faço um chá. Quando a esposa do meu tio engravidou, minha mãe sempre dizia que torradas e chá quente ajudavam com os enjoos.

Pacientemente, Tenten guiou a amiga para o sofá e a deitou ali enquanto ia para a cozinha providenciar chá e torradas. A ausência de cheiro e sabor fizeram com que o estômago de Ino recebesse bem o alimento. E depois de duas fatias de pão torrado e uma xícara de chá sem açúcar, ela se sentia bem o suficiente para iniciar a conversa que Tenten – por consideração – vinha adiando.

- Eu quero esperar ele chegar. Acho que preciso fazer isso junto com ele. — Ino falou devagar.

- Mas já não está claro, querida? — a voz de Tenten saiu tão branda e compreensiva, que Ino não conseguiu mais segurar as lágrimas que vinha guardando naqueles últimos dias. — É óbvio que tem um bebezinho aí dentro, e que por mais turrão e sem emoções que Gaara pareça, ele não vai rejeitá-lo... Não precisa se sentir presa em uma armadilha. Vocês vão se casar logo...

- Você não entende... — murmurou. — Não vamos nos casar logo. Gaara ainda é casado!

Tenten se aquietou, processando a informação que a amiga, tão abruptamente, lhe dera. Esperou que Ino se acalmasse para em seguida falar:

- Explique isso, por favor.

(...)

- Está tudo bem entre você e Ino? – Temari perguntou quando estavam na via expressa, indo do aeroporto para Kensington.

- Sim, por que? – Gaara estreitou os olhos por detrás dos óculos escuros. Não estava com vontade de falar sobre seu relacionamento com sua irmã.

- Bom, vocês mal se falaram essa semana. E o noivado de vocês aconteceu esse sábado...

- Estamos noivos há pelo menos cinco meses; só fizemos aquele jantar porque você insistiu. – disse seco. – E estávamos ocupados nessa semana. Ino ficou na casa de Tenten e aposto que as duas tiveram muitas coisas para fazer. Preferi não incomodar.

Temari o olhou com os olhos estreitos e em seguida passou a conversar com Baki, vendo que seu irmão não seria a melhor companhia.

Os dois chegaram em casa perto das 19 horas, quando o jantar estava para ser servido. Chiyo tinha saído para comer com as amigas, e enquanto Temari estava no banho, Gaara andou pela casa a procura de Ino, mas o único que achou foi Nero. Pegou o gato nos braços e saiu para o quarto, afagando-o levemente. Estava no meio das escadas quando seu celular tocou; era Tenten.

- Pois não, Tenten.

- Gaara, você demora a voltar? – ela parecia agitada, mas Gaara não fez caso daquilo. Tenten era agitada por si só.

- Não. Na verdade, eu já estou em Londres. Ino ainda está no seu apartamento?

- Hum, está. E vocês precisam conversar.

- O que está acontecendo? – ele guinchou, freando nos calcanhares e fazendo Nero se agitar. Impaciente, Gaara pôs o gato no chão e parou de andar no meio do corredor. Enfiou-se em um dos quartos vagos, para ter um pouco mais de privacidade.

- Ino me contou o que está havendo entro vocês e sua não-tão-falecida-esposa.- Gaara pôde sentir o revirar de olhos da morena. — Eu não gostaria de me meter, mas... a minha amiga está chateada com tudo isso. Por que você não vem para cá e conversa um pouco com ela? Eu empresto meu apartamento; um território neutro e que vocês não podem destruir.

- Eu entendo... – murmurou. — Me diga uma coisa, Tenten, ela já foi ao médico essa semana?

- Não, e nem precisa. Está mais que óbvio que está grávida. E eu acho que é isso que a está deixando tão sensível. Ei, veja se traz algo para a sua noiva comer.

- Ah, eu estou indo. — disse num suspiro cansado. – O que eu poderia levar?

- Não sei; eu tinha trazido comida chinesa, mas só o cheio a fez enjoar. Eu acho que uma sopa ou alguma coisa mais consistente que torrada e com mais gosto que chá fará bem a Ino. Enfim, eu vou passar a noite com a minha mãe, então vocês vão ficar a vontade.

- Tudo bem. Chego aí em uma hora.

Gaara desligou assim que Tenten se despediu. Andou quase sem rumo até a cozinha e pediu que Guren preparasse uma sopa para que levasse. Enquanto tomava um banho rápido, Gaara pensava no que poderia fazer para que Ino se sentisse melhor com relação àquela situação toda.

Admitia que tinha sido frio e distante com relação à gravidez, mas ele não fez de propósito. Nunca tinha lidado de verdade com uma situação daquelas; a única vez fora na ocasião do acidente de Evelyn, e não tinha sido um momento de realização descobrir, minutos antes da colisão, que sua esposa estava grávida de outro.

Mas ele estava feliz pelo fato de que iria ser pai. Do jeito dele, mas estava feliz que Ino estivesse grávida. Muitos poderiam dizer que não era uma hora boa, mas Gaara achava que, independente do momento em que acontecesse, ele ficaria feliz.

Rapidamente, ele saiu do chuveiro, vestiu uma roupa que suportasse o frio de 3 ºC e foi até o quarto da irmã. Temari estava embolada em um grosso roupão, sentada na poltrona perto do aquecedor, com o notebook no colo e digitando um e-mail.

- Seja breve, irmãozinho. Daqui a pouco minha filha vai entrar no Skype e...

- Ino está grávida. — ele falou de modo abrupto. — O que eu devo dizer para que ela saiba que eu estou feliz com isso?

Temari piscou uma ou duas vezes e respirou fundo antes de soltar um gritinho de alegria e abraçar o irmão mais novo com força.

- Mas que notícia ótima! — ela disse entusiasmada. Em seguida, se ajeitou novamente no seu assento e pensou um pouco. — Hum, do jeito que você é, deve ter feito Ino pensar que não queria o bebê.

- Estamos passando por um período conturbado. Não é que eu não queria, apenas não soube como agir quando ela me contou que poderia estar grávida.

- Bom, então tem que consertar isso. Mulheres grávidas tendem a ser muito sensíveis. São os hormônios... — Temari deu de ombros. — Que tal comprar uma joia para ela? Papai deu um colar com pingente de rubi para a mamãe quando ela soube que estava grávida de você.

- Ino não é apegada a essas coisas. — ele suspirou, pensando que seria tão mais fácil se ela gostasse mais de ganhar joias. — Ino é uma mulher emocional. Tem que ser algo profundo, como flores roubadas de um jardim...

- Que mulher não gosta de um gesto romântico assim? — Gaara viu os olhos de Temari brilharem e ela soltar um suspiro leve, quase imperceptível. — Diga de modo direto e claro que você está feliz com a gravidez. Ela precisa se sentir segura e saber que você a apoiará.

- Tem certeza que ela não achará isso meio...

- Improvisado? Sim, mas pelo menos será sincero. Ela sabe que você não é o último romântico. Não seria sincero chegar com um buquê de rosas, chocolates, pelúcias e versos bonitos.

- Tenten pediu que eu levasse uma sopa. — ele murmurou, ligeiramente constrangido.

- Sopa não é muito romântico, mas se ela estiver enjoando, vai ver como um presente dos deuses. — Temari se levantou num pulo e começou a enxotar o irmão para fora do quarto. — Vá embora logo! Ela deve estar esperando!

Sem esperar que a irmã o chutasse com mais indelicadeza dali, Gaara apenas saiu apressadamente. Passou na cozinha para pegar a Tupperwere com canja e torradas preparadas por Guren, e saiu pela porta dos fundos, rumo a garagem.

Usou o Chrysler de Ino, já que ela insistia em andar de metrô ou de táxi; e levou pouco tempo para chegar na porção leste de Greenwich – o trânsito estava bom. Quando chegou no pequeno prédio de 4 andares e fachada branca, Tenten acabava de fechar a porta da frente, e acenou para ele.

- Vi você da janela. – disse ligeiramente afobada. – Ela está uma pilha de nervos. Você colocou bastante calmante na comida?

- Vou dar um jeito. – respondeu com humor.

- Só não façam muito barulho. A velhinha do apartamento ao lado tem um sono leve e é um pé no saco.

Assim que Tenten entrou em um táxi, Gaara respirou fundo e encarou as escadas do prédio. Subiu-as devagar, e entrou no apartamento silenciosamente. As luzes da sala estavam apagadas, mas do corredor dava para ver a luz acesa do quarto de hóspedes. Colocou a vasilha sobre o balcão e seguiu para o quarto.

Ele bateu na porta duas vezes, levemente, antes de entrar. Ouviu um “entre” murmurado e muito mal humorado, o que o fez pensar que aquela seria uma longa noite.

Ino estava encolhida na cama, parcialmente coberta por um macio cobertor. Parecia pequena, magra e frágil; e de fato estava. Ao encarar Gaara o olhar magoado se desfez em lágrimas. Ela não queria parecer tão frágil, mas não se segurou quando viu a expressão tranquila e cálida que Gaara levava no momento em que a abraçou.

- Não precisa mais se preocupar, eu estou aqui agora. Estamos juntos nisso, carinho. – ele sussurrou, afagando-lhe o cabelo loiro.

- Você não está bravo? – Ino soluçou.

- De jeito nenhum; você não poderia ter me feito o homem mais feliz.

- Mas... eu achei que...

- Você acha coisas demais. – riu e a beijou no topo da cabeça. – Tente me perguntar o que estou pensando antes de começar pensar bobagens.

(...)

Ino suspirou pela segunda vez em menos de um minuto. Fazia menos de três semanas que tinha confirmado sua gravidez e os enjoos matinais já estavam deixando seus horários de refeições muito irregulares. Por mais que tentasse comer de 3 em 3 horas, era impossível evitar a fome absurda que muitas vezes sentia nos intervalos das refeições; era mais impossível ainda evitar de comer grandes quantidades de comida fora do horário.

Cansada de sentir seu estômago roncar em sua barriga, Ino espalmou as mãos em sua mesa e se levantou, decidida a sair e comer o maior sanduíche que o McDonald’s a duas ruas dali pudesse oferecer.

- Até parece que eu estou grávida de gêmeos. – resmungou, enfiando seu celular na bolsa e pegando seu casaco. Quando saiu da sala, quase derrubou Samui, que vinha cheia de documentos de obras de arte.

- Ei, quem é que está morrendo? – ela perguntou enquanto tentava equilibrar os papéis.

- Eu, e de fome! Volto em vinte minutos. – falou apressada, saindo porta a fora da galeria.

Passou andando apressada por entre as pessoas. Os saltos do scarpin que usava não lhe davam muita estabilidade, então em certo momento Ino resolveu andar mais devagar. Estava prestes a atravessar a única rua que a separava do McDonald’s quando sentiu alguém puxar seu braço com força. Automaticamente, girou nos calcanhares e para isso buscou equilíbrio em seu próprio algoz; ao encará-lo, seu sangue passou a correr gelado.

- Olá, querida. – Connor sorria de modo sádico a medida que puxava Ino para um ponto menos movimentado da rua. Em momento algum, ela deixou de se mexer para tentar se soltar, mas foi inútil. – Fica bem quietinha, ou vai acabar se machucando.

Ino não ousou se mexer, mas a cada segundo que ele passava tocando-a, fazia-a se sentir suja e amedrontada. Quando, finalmente, ele parou de andar, estavam nos fundos de um restaurante, longe dos olhar de todos.

- O que diabos você está fazendo?! Eu não quero você perto de mim! – Ino se sacudiu e se desvencilhou do toque de Connor, afastando-se o máximo que podia.

- Interessante, querida, porque eu te quero perto de mim. Bem perto, para ser mais exato! – Connor se aproximou, segurando uma mecha de cabelo de Ino e inspirando o perfume dali. – Continua tão cheirosa como antes... que tal relembrarmos os velhos tempos...?

Com a coragem que lhe restava, num rápido movimento, Ino desferiu um forte tapa no rosto de Connor. Ele não pareceu muito abalado com a atitude da ex-namorada, mas retribuiu o gesto segurando-a pelo pescoço e a sufocando.

- Você devia tomar mais cuidado com o que faz. Eu a quero para mim, mas não estou disposto a continuar sendo gentil. – ele rosnou, apertando-a cada vez mais. Ino sentia o ar lhe faltar e um irritante zumbido na cabeça. De supetão, ele a soltou, empurrando-a violentamente contra uma parede. – Eu vou levar isso de lembrança. Até o nosso próximo encontro. – o colar que Ino estava usando (uma corrente de prata com um pequeno pingente em formato de rosa, cujas pétalas tinham pequenas pedras de rubi; um presente de Gaara, extremamente valioso) foi arrancado de seu pescoço, e ele saiu de lá tranquilamente, sumindo por entre as pessoas rapidamente.

Ino ainda levou alguns minutos para se reestabelecer. Pegou sua bolsa, que tinha caído em uma poça de água, e caminhou devagar para o seu escritório. Quando chegou, Hannah não estava na recepção, e agradeceu por isso – pelo menos não teria de dar explicações sobre seu estado tão abalado -, mas quando entrou em sua sala, deu de cara com Samui e Jon Hale, um dos artistas de quem a galeria comprava quadros. Pela expressão de Samui, eles deviam estar flertando, pois assim que Ino entrou, os dois se despediram rapidamente e Jon saiu com uma expressão constrangida.

- Você não poderia ser mais empaca foda, Ino. – Samui bufou, pegando uma pasta no arquivo da sala e virando-se para sair. Mas a loira freou nos calcanhares quando viu o quão abalada e cansada Ino parecia ao se sentar. – Você não está bem. A comida não estava boa?

- Eu não comi... – murmurou em resposta. Ino recostou-se em sua cadeira e suspirou profundamente, tentando aplacar o enjoo que lhe acometia no pior momento possível.

- Seu pescoço...? Ino, o que houve? – a pergunta saiu alarmada, diante dos hematomas que se formavam no pescoço alvo, e pegou Ino de surpresa. Sem poder inventar uma desculpa melhor e sem vontade alguma de dizer a verdade, ela apenas mentiu.

- Eu fui roubada. Por sorte não me levaram nada além do colar. – disse cansada.

Depois de muita insistência, Ino conseguiu convencer Samui de que não era preciso ligar para ninguém e que estava bem. Ela queria apenas terminar seu trabalho e ir para casa dormir um pouco. E assim o fez.

Saiu da galeria pouco depois das seis, e dirigiu tranquilamente para Kensington. Quando entrou com o carro na garagem, reparou que o BMW de Gaara já tinha chegado, então ela ficou alguns minutos no carro tentando adquirir uma expressão mais calma. Porém, desistiu depois de cinco minutos, e resolveu que deveria atribuir seu abalo com o cansaço e os hormônios da gravidez.

- Ino? — Gaara chamou-a de modo brando quando ela entrou em casa. Reparou que Temari falava ao celular, e não fez mais que acenar brevemente para ela. Quanto a Chiyo, afagava Nero que estava encolhido em seu colo.

- Oi. — respondeu devagar. Gaara lhe tirou a bolsa e o casaco e os deixou sobre um aparador perto do armário de casacos; depois um empregado guardaria. Então, guiou-a escada acima em direção ao quarto.

- Chegou tarde hoje. — ele observou calmo, abrindo a porta do quarto para que entrassem. — Eu pensava em te levar para jantarmos fora e conhecer um lugar, mas já não temos mais tempo. E você parece cansada.

- Eu estou cansada. Tive um dia pé...

- O que é isso no seu pescoço? — Gaara cortou-a ao colocar os olhos na marca roxa que havia ali. Instintivamente, ele levou a mão ao local, tocando o hematoma levemente enquanto o avaliava; Ino se remexeu desconfortável, por estar mais dolorido que a algumas horas atrás.

- Foi um assalto. — murmurou, desvencilhando-se das mãos de Gaara e escapando para o banheiro. — Levaram o colar que você me deu. Eu sinto muito...

- Quem se importa com o maldito colar? — exclamou. — Você foi à polícia? Viu o rosto do ladrão? Te machucou em mais algum lugar?

- Não, Gaara! Eu só me dei conta de que não foi só um esbarrão quando Samui deu a falta do colar. Eu fico roxa com facilidade; essa marca não é nada. — respondeu mal-humorada.

- Amanhã vamos à polícia...

- Eu não quero ir à polícia! — grasnou. — Eu só quero tomar um banho, dormir e esquecer isso! Eu estou cansada e amanhã tenho que estar bem para ir ao orfanato. As crianças vão ao museu e o dia vai ser bem agitado, então eu agradeceria se não tocássemos mais nesse assunto.

Cansada e impaciente, Ino esperou a banheira encher com água morna, jogou ali alguns sais perfumados e se deixou imergir até o queixo. Fechou os olhos por um instante, até ouvir o leve ruído de roupas caindo no chão e sentir a movimentação da água com a entrada de Gaara. Ele havia se sentado no outro extremo da banheira, de frente a ele; então, lentamente, segurou-a pela cintura e a puxou para se sentar entre suas pernas, encostada em seu peito.

- Eu estou preocupado com você, carinho. — sussurrou de uma forma tão branda e suave, que fez Ino ir se acalmando devagar. Suas mãos foram para os ombros rígidos e carregados de tensão, massageando-os lentamente, a medida que beijava-lhe a curva do pescoço, de modo que jamais faria em público.

- Eu só estou cansada. — Ino murmurou.

- Então vamos passar alguns dias fora. Poderíamos ir para Gales, visitar a casa de campo da minha avó.

- Eu não posso. — a voz dela saiu resignada, por perder uma boa oportunidade de descanso e ao mesmo tempo por causa da massagem que recebia do noivo junto aos beijos. Ino pensava que o banho não poderia estar melhor. — Estamos organizando as exposições de Jon, e pelos próximos dois meses não vou ter folga.

- Você está grávida, não devia estar descansando e relaxando?

- Exatamente, eu estou grávida, não doente.

- E quero me assegurar que não adoeça pelo estresse; você está trabalhando demais.

- Não estou. O médico disse que eu poderia me sentir cansada por pouco durante esse primeiro trimestre. – resmungou, já querendo mudar de assunto. Nos últimos dias Gaara havia se convertido em um possessivo protetor, e queria cuidar de cada passo que Ino desse; isso a estava deixando de cabelos em pé, apesar de achar a atitude carinhosa. – E como andam as coisas com Evelyn?

- Seus documentos e já foram revalidados. – ele respondeu incomodado. — É uma questão de tempo até que volte para Londres, e conhecendo-a como conheço, sei que não vai querer fazê-lo discretamente.

- Isso vai nos envolver e a mídia?

- Certamente. Por isso acertei com Baki de que você terá um segurança com você aonde quer que vá. Assim que descobrirem que está grávida, o assédio será maior e eu quero preservá-la.

- Em quê um segurança pode me ajudar? – Ino perguntou com pouca fé. – Não é como se os fotógrafos quisessem me matar com suas câmeras de quinze mil libras.

- Ele vai evitar aproximações inoportunas, poderá te tirar dos lugares sem que precise passar pelos fotógrafos; coisas do tipo. – deu de ombros. – E também poderá evitar coisas como a que aconteceu esta tarde. – disse beijando o pescoço de Ino.

Por alguns segundos, avaliou que ter um segurança não poderia ser tão mal assim. Se ele fosse discreto e mantivesse Connor à distância, seria bem útil. Não demorou nem cinco minutos e Gaara a tinha tirado da banheira e a colocado, enrolada somente em um roupão, na cama.

- Amanhã irei com você à Konohagakure. – Gaara disse enquanto enfiava uma camisola de seda branca pela cabeça de Ino e a acomodava nos travesseiros. – Quer que eu mande vir o quê para o jantar?

- Vamos comer aqui? – perguntou quando puxava um pote de creme hidratante para as pernas. – Me agrada que vá me acompanhar, mas você não vai perder nada no trabalho.

- Eu pago gente suficiente para que me dê ao luxo de deixar de ir trabalhar alguns dias. E vamos comer aqui, não estou com paciência para suportar o péssimo humor da minha irmã.

- Hum, eu gostaria um bife. Senti o cheiro vindo da cozinha e nós acabamos com vontade de comer bife.

- Pois então, que seja bife. – Gaara beijou-a rapidamente, enfiou-se em umas calças de abrigo e desceu em direção à cozinha.

Ino se deixou descansar entre as almofadas, afagando o ventre imperceptivelmente arredondado levemente.