Implacável
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Pois é, eu queria fazer uma pequena pergunta, bem simples, e gostaria de ouvir a resposta de vocês. Sobre a segunda parte, vocês gostaria que eu criasse uma fanfic nova ou continuasse publicando aqui? Respondam nos comentários o que vocês achariam melhor.
Enfim, sem mais enrolação, o penúltimo capítulo da primeira parte de Implacável! :D
Quanto aos comentários, eu juro que respondo todos logo logo.
19h05, sexta-feira, 21 de abril
243 Old Street, Londres
Road Trip Live Bar
Retrouvalles. (francês) Felicidade do reencontro após um longo período de tempo.
Já tinha quase um mês que Gaara não via Ino. Algumas vezes – poderia contar nos dedos de uma das mãos quantas foram – ele recebera ligações dela, para contar sobre o emprego novo que tinha conseguido, como tinha sido ótimo para seus estudos a viagem que fizera com ele e, na última, para convidá-lo para sua formatura. Tudo bastante impessoal, distante e diferente da intimidade da qual eles tinham compartilhado nos últimos meses.
O aparecimento de Ino tinha causado uma intensa reviravolta na vida de Gaara. Mesmo durante este tempo de afastamento, as mudanças eram sentidas por ele e por todos a sua volta. O ruivo tinha reassumido seus negócios; havia voltado a trabalhar na matriz da Companhia de Petróleo e Combustível Sabaku, estudando cada aspecto da companhia a ser integrado na nova empresa que tinha fundado discretamente com os irmãos: Suna Enterprises. A partir da compra de vários ramos de tecnologia de outras empresas, os irmãos Sabaku formavam um novo conglomerado de empresas de tecnologia, e a única coisa que faltava era retirar de Yashamaru o controle da petrolífera.
Gaara estava dando o dia por encerrado ao final de uma reunião com um grupo pequeno de futuros investidores da Suna Enterprises, quando foi convidado para uma comemoração pelo sucesso das transações.
– Sua volta aos negócios representa uma guinada no mundo das indústrias energéticas. – falou um dos homens. – Temos que comemorar!
Sem vontade de ir, mas vendo que seria uma indelicadeza recusar, Gaara aceitou o convite, prometendo encontrar-se com os investidores dentro de meia hora em um bar no centro. Alguns técnicos ainda trabalhavam na montagem dos móveis de sua nova sala, e ele preferira ficar e esperar que terminassem o trabalho.
Gaara saiu do prédio da CPCS quando já estava quase na hora combinada de se encontrar com os investidores. Baki ainda não tinha chegado, em função do trânsito, e ainda que já estivesse a caminho do tal lugar ele se atrasaria.
Foi pensando no fato de que odiava se atrasar, ainda que fosse para um compromisso que ele adoraria recusar, que Gaara se atentou a um miado abafado. Olhou de um lado a outro e não viu nada que explicasse a origem do barulho. Caminhou alguns passos para perto da entrada da garagem do prédio, e em uma moita do projeto paisagístico encontrou uma pequena caixa. O barulho mais intenso do miado tornou óbvia sua origem e o conteúdo da caixa. O que Gaara não esperava era que o gato ali dentro fosse tão pequeno, indefesso e... fofo.
– Te largaram aqui? – Gaara murmurou pegando o filhote nos braços, sem se importar se sua roupa ficaria cheia de pelo e molhada. – Você é um cara bonitinho, sabe... Acho que posso te conseguir uma casa. Se você ficar longe do canil do cachorro do vizinho, vai se dar muito bem em Kensington.
– Senhor? – Baki estava parado perto de Gaara, curioso ao ver o patrão conversando com um gato de rua.
O bichano até que era bonitinho: pequeno demais, até para um filhote, mas ele cresceria; tinha grandes e expressivos olhos acinzentados, seu pelo era branco na porção da barriga, mas se tornava uma mistura de cinza e marrom com rajados pretos, como um scottish fold kitten¹ com orelhas eram em pé e alertas. O gato prendia suas pequenas unhas na roupa de Gaara, como se pedisse ao ruivo que não o abandonasse.
– Vamos, eu estou atrasado para um compromisso. E queremos ir logo para casa. – Gaara deu de ombros e entrou com o gato no carro. – Você conhece algum veterinário, Baki?
– O veterinário de Boris, o cão do Sr. Desmond, é bastante indicado. – Baki falou, ainda surpreso pela atitude do patrão.
Nos dez anos que trabalhava para a família Sabaku, jamais vira Gaara expressar afeição por qualquer animal. O ruivo sempre mantinha uma postura distante, e agora levava para casa, aninhado em seu terno Armani, um gato de rua.
– Eu sempre quis ter um gato, mas meu pai e Kankurou eram severamente alérgicos, e Evelyn odiava animais. – Gaara respondeu à pergunta não feita de Baki. – Sei que ficou curioso, Baki.
– Longe de mim, senhor. – o motorista respondeu com seu melhor tom profissional, o que fez Gaara rolar os olhos impaciente.
Assim que chegaram ao tal bar, Gaara agradeceu mentalmente por ter uma desculpa para não ficar mais que o tempo de se desculpar por não poder ficar. Estranhamente, ao entrar no bar não ouviu uma música ensurdecedora e de péssima qualidade, e sim um agradável jazz tocado por um jovem saxofonista.
– Gaara! – Miles, um dos que o tinha convidado se surpreendeu ao ver o ruivo com um filhote de gato de rua nos braços. – Achei que não vinha! Mas...
– Vim me desculpar. Surgiram outros problemas para eu lidar, como era caminho, achei melhor vir falar pessoalmente. – Gaara ajeitou melhor o filhote nos braços. – Nos vemos na assinatura do contrato definitivo, então?
– Claro. Eu vou... – Miles pareceu distraído com alguém que entrava no bar, e disposto a dispensar Gaara tão logo.
O ruivo achou a atitude no mínimo estranha, visto que Miles era um perfeito bajulador, então resolveu ver quem fora capaz de atrair a atenção dele daquela forma. Seu queixo só faltou cair quando viu que quem entrava no bar era Ino. Ela estava tão bonita e quase tinha luz própria. As pernas esguias nunca pareceram tão sensuais no jeans flare que destacava tanto seus quadris. Os saltos a tinham deixado ligeiramente mais alta, e quando ela tirou o trenchcoat bege e a blusa com um bonito decote que lhe valorizava os seios ficou à mostra, Gaara quase desejou ter encontrado um Pitt Bull e não um gatinho fofinho.
Gaara acordou para a vida no instante anterior ao momento em que os olhos de Ino o encontraram no bar. Ela mal podia acreditar que ele estava ali. Estava tão bonito e sexy segurando aquele filhote de gato...
Gato?!, a mente de Ino gritou em surpresa. Fazia quase um mês que mal tinha notícias de Gaara, e quando finalmente estavam frente a frente, sua atenção foi toda para o pequeno, sujo – encardido, na verdade -, molhado e trêmulo filhote de gato que ele levava nos braços a manchar de forma irreversível seu terno Armani.
– Vai lá, dar um carinho para o gato. – Tenten atalhou, empurrando a amiga levemente. – Vou estar em uma das mesas, com Neji e os outros.
Ino caminhou lentamente na direção de Gaara, com um sorriso pequeno nos lábios, e quando ficou frente a frente com ele, não conteve uma risada leve de contentamento e surpresa.
– Oi. – ela disse suavemente. Uma jovem tinha subido ao palco para cantar Billie Holiday, e o jazz melódico embalou aquela conversa. – É bom te ver Gaara.
– Oi, Ino. – Gaara respondeu, se aproximando um pouco mais. – Já fazia um tempo que não tinha notícias suas.
– Então acho que Neji é realmente bisbilhoteiro. Nos últimos dias ele não parou de me perguntar sobre meu trabalho e como eu estou. – ela riu, diante do rubor quase imperceptível que tomou conta do rosto de Gaara. – Admita, seu espião não é tão bom quanto vocês dois pensavam.
Seus olhos recaíram para o gatinho nos braços do ruivo, atordoado pela movimentação do lugar, e logo Ino começou a lhe acariciar entre as orelhas.
– E você? Como foi deixar que esse ruivo ranzinza te trouxesse para um lugar tão movimentado?
– Eu... Hum, acabei de encontrá-lo na rua. – Gaara agradeceu pela luz do lugar estar baixa; assim Ino não poderia ver sua expressão de constrangimento.
– Você salvando um animal?! – ela comentou brejeira. Ino olhou em volta e viu Tenten lhe gesticulando para tomar uma atitude. – Parece até um tipo de piada. Você teria ideia de como cuidar dele?
– Leite, uma cama quente... – fez uma pausa e olhou calmamente para Ino. — Eu queria ficar e falar com você... Tem tanta coisa, Ino, mas... – Gaara suspirou cansado. – Eu tenho que ir.
– Eu posso te ajudar. – Ino soltou num ímpeto. – Hum, claro, se você quiser. Então a gente pode aproveitar para conversar um pouco.
Gaara apenas sacudiu a cabeça, assentindo. No curto momento que Ino levou para avisar Tenten, ele saiu do bar, despedindo-se educadamente de Miles, e esperou no carro com o gato já dormindo no banco do carro. Ino entrou logo em seguida, prendendo o casco e encolhendo os ombros.
– Está frio, lá fora. Baki, pra minha casa, por favor. – ela disse afagando as costas do gatinho e se virando para Gaara. – Pretende ficar com ele?
– Sim. Acho que na minha casa tem espaço o suficiente.
– Não é uma questão de espaço, somente. Ele também tem sentimentos, por mais que gatos não sejam muito amáveis, eles gostam de atenção, carinho... – Ino explicou.
Por todo o trajeto, Gaara pareceu pensar um pouco em como ele jamais tinha se imaginado em uma situação semelhante. Tinha a intenção de ficar com um gato de rua que tinha acabado de resgatar, seu terno e o banco do carro estavam cheios de pelo, e estava ao lado da mulher com que passara os melhores meses de sua vida e para quem tinha tanto o que dizer, mas nenhuma palavra saía de sua boca.
– Gaara, você está aí? – Ino perguntou já do lado de fora do carro e segurando o gato. – Chegamos.
Ele resmungou qualquer coisa em resposta e saiu do carro, dispensando Baki pelo restante da noite e, logo em seguida, acompanhando Ino para a lateral da loja Yamanaka. Os dois seguiram pela entrada que dava acesso direto ao depósito e ao apartamento de Ino, logo em cima.
Assim que entrou, Gaara reparou que quase nada tinha mudado desde a última vez que ele estivera ali. O apartamento ainda exalava o cheiro de lírios do vale, semelhante ao perfume favorito de Ino; a manta de patchwork havia sido trocada, por uma manta de lã verde; mas o detalhe que mais chamou a atenção de Gaara foi o grande buquê de rosas vermelhas em um vaso de cristal no aparador. Ao lado havia um pequeno cartão, que ele avaliou com falsa displicência na primeira oportunidade.
– O jogo da conquista tem muitos truques e só um desafio. Kiba. – Gaara leu baixo, com o desdém pingando de seus lábios.
– Você não devia ler algo que não foi endereçado a você. – Ino disse jocosa. Estava encostada no batente da porta da cozinha, o gato bebia lente de um pires logo atrás dela, e ela sorria como se estivesse prestes a receber um presente.
– Namorado novo? – Gaara ariscou, ainda que essa possibilidade lhe parecesse amarga. Lentamente, Ino caminhou até ele, parando em seu frente com uma expressão divertida, quase beirando a ironia.
– Talvez. Com ciúmes? – perguntou em tom baixo.
– Você sabe que sim. – ele sussurrou, segurando-a pelos braços e a puxando para si. – Eu não vou deixar você escapar, Ino. Por sua causa minha vida se tornou um inferno!
– Por minha causa? – ela gargalhou. – Eu meio que saí da sua vida por um tempo. Como eu posso ser culpada de tornar sua vida um inferno?
– Fazendo exatamente o que disse: saindo da minha vida.
Gaara não deu brechas para que Ino pudesse retorquir ou mesmo pensar. Com brusquidão, acabou com qualquer espaço entre eles e a beijou, faminta e urgentemente. Um beijo que demonstrava toda a necessidade que ele tinha dela.
As mãos de Gaara soltaram os braços finos de Ino e desceram para a cintura, puxando-a ainda mais para perto. Ela deixou-se envolver, sentindo a língua dele tomar-lhe a boca com desejo e levando as mãos pequenos para o cabelo ruivo, hora ou outra puxando-o sensualmente.
– Você não muda, não é? – Ino arfou quando se separaram para tomar ar e a boca de Gaara desceu para seu pescoço, onde deixou beijos e leves mordidas no caminho que percorria até seu colo. – Sempre me distraindo. E... eu... eu tinha... Deeeus! Ah! – gemeu ao senti-lo morder o alto de um de seus seios ao mesmo tempo em que lhe apertava uma das nádegas.
Os dois cambalearam para o sofá, onde caíram um por cima do outro, beijando-se e acariciando-se intensamente. Uma intensa onda de prazer percorreu o corpo de ambos sem dó; e foi quando Ino, já sem sua blusa, lembrou-se de que precisavam conversar por um instante antes que começassem a fazer sexo como animais no cio.
– Gaara... – ela ofegou. As carícias que ele fazia com a boca em seu abdome estavam deixando-a louca, e por um momento Ino quase se distraiu novamente. – Gaara, temos que... Oh, Cristo! Merda, temos que conversar!
– Agora? – ele ergueu a cabeça e encarou Ino, com os olhos faiscando de desejo.
Ino sacudiu a cabeça, afirmando. Com um suspiro, Gaara se ergueu, sentando-se ereto no sofá e tentando esconder sua frustração enquanto ela se levantava e ficava de frente a ele.
– Me sentiria melhor se não estivesse só de sutiã, mas já que... enfim, vai assim mesmo. – ela puxou o ar em uma curta pausa e logo continuou. – Gaara, esse tempo...
– Ino. – Gaara a interrompeu bruscamente. Segurou-a pelo cós da calça e a puxou, fazendo-a sentar em seu colo, de frente para ele, de modo que pudessem se encarar. – Você me quer?
– Eu... Gaara, me deixa...
– Só responde sim ou não.
– Sim. – ela disse com um suspiro e as bochechas coradas.
– Isso é bom. Torna as coisas mais fáceis. – devagar, as mãos de Gaara puxavam o corpo de Ino de encontro ao dele. – Eu te quero. Eu te amo, apesar de você ser barulhenta, estabanada e tagarela. Então, pelo menos uma vez, vamos fazer do meu jeito, do jeito fácil, sim?
– Eu amo você, apesar de você ser sempre sério, rígido e teimoso. E eu vou fazer do seu jeito se isso me garantir um final feliz esta noite. – Ino inclinou-se para beijá-lo, devagar e carinhosamente.
_____________
Gaara e Ino amanheceram deitados no chão da sala, tendo somente a manta do sofá mal lhe cobrindo as vergonhas. Não tinham dormido, apenas aproveitavam o preguiçoso estado de vigília no qual estavam imersos. Ino o envolvia com as pernas e lhe acariciava os cabelos ruivos lentamente. Perto deles, encolhido em um tapete, o pequeno gato os observava com atentos olhos acinzentados, e eles podiam sentir seu olhar.
– Já pensou em um nome para ele? – Ino sussurrou, ainda de olhos fechados e sorrindo feito uma tola.
– Nestor? Barto? Eu não sei, você poderia escolher... Já que o quer aqui.
– Barto é um nome estranho, e Nestor é muito comum. Acho que tinha um personagem de Harry Potter que se chamava Barto... Que tal Luke?
– Parece nome de cachorro, e ele vai parecer um pouco idiota. – Gaara deu de ombros. Apenas queria continuar desfrutando daquele momento com Ino antes de ir trabalhar. – Tente algo mais forte.
– Nero. – Ino observou que as orelhas do gato se mexeram, como se soubesse que falavam dele. – Nero é um bom nome.
– Eu disse um nome forte, nomes de personalidades com histórico violento não estão inclusos. – Gaara abafou o riso e aconchegou-se um pouco mais em Ino.
– Átila ou Genghis Khan são melhores? – gracejou.
– Nero está bom.
Gaara abriu um dos olhos e espiou o gato, que ainda os observava curiosamente. Ino o acompanhou por alguns segundos, e quando estavam dispostos a voltar a dormir ou mesmo ter uma curta sessão de sexo matinal, ouviram o barulho da porta sendo aberta.
– Está esperando alguém? – ele perguntou, sem ânimo algum para levantar e buscar uma roupa.
– A única pessoa que entra assim no meu apartamento é...
Num rompante, Tenten abriu a porta e deu de cara com os amigos, despreocupadamente nus no chão da sala, e com Nero, que a encarava com desconfiança. Ela fechou a porta logo em seguida, e foi para a cozinha rindo maliciosamente.
– Não se importe comigo, Gaara. Só vim conversar com a minha melhor amiga. – Tenten gritou da cozinha. – Vocês querem café? Posso fazer ovos e presunto, também.
– Seria bom. – Ino respondeu, rindo da expressão constrangida de Gaara.
– Vai ser sempre assim? – ele perguntou baixo. – Sua melhor amiga nos encontrando nus no seu apartamento.
– Intimidade é uma bosta, eu sei. Mas eu já vi Neji nu, nada mais justo, não acha? – sussurrou. Ino puxou a camisa de Gaara jogada no chão e a vestiu. – As toalhas ficam no armário do banheiro. Eu vou ajudar Tenten. – ela se levantou e caminhou lentamente para a cozinha.
Gaara ficou observando-a até que Ino saísse de vista; tentado pelo movimento sensual dos quadris da loira quando ela caminhava, e suspirou profundamente. Ela ainda vai acabar me matando, ele pensou enquanto se preparava para levantar.
¹ Para quem ficou curioso sobre como é essa raça de gato: http://24.media.tumblr.com/tumblr_m4lzrrUVfA1qkbgkko1_500.jpg
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