Implacável
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Antes me deixa agradecer a todos que comentaram e apoiaram a continuação da fanfic! Vocês são lindos demais! Quem não deu sua opinião, mas quer dar, ainda pode fazer isso nos comentários desse capítulo. Nos mesmos esquemas!
E um agradecimento especial a Lady Cherry Lollipop pela recomendação!
Bem, como eu tinha dito, meu computador resolveu ficar de TPM comigo e eu perdi todos os arquivos de Implacável. Os capítulos prontos, não há nenhum, e eu estou sem tempo para reescrevê-los. Como alguns bem sabem eu estou estudando para o vestibular da universidade federal, que vai ser porreta de foda. A data da prova é para início de junho, então eu só tenho maio para terminar meu contúdo. Vou ter aulas sábados e domingos então foi-se tempo para escrever.
Eu sinto muito por isso, mas essa prova é muito importante pra mim. Então eu vim avisar que não vou postar durante o mês de maio. Mas em junho eu volto com força total! Apoveitem esse hiato na história para me mandarem sugestões para a segunda parte - todas as ideias são muito bem vindas!
Para matar a saudade do nosso casal favorito, um capítulo um tanto curto, mas bem... Enfim, leiam e aproveitem sem moderação alguma!
19 de dezembro, quinta-feira
Natan Hehaham, Tel Aviv, Israel (Ben-Yehuda)
Kintsukuroi (japonês). “consertar com ouro”
Durante os dias que se seguiram, Ino não fez quase nada além de conhecer Tel Aviv. Quando não saía com Deidara ou Temari, acompanhava Sasori nos ensaios que ele fotografava ao ar livre. Considerava mais impressionante que conhecer museus e memoriais. E nesse meio tempo, reunia material para o trabalho que lhe renderia créditos suficientes para se formar naquele semestre ainda. No geral, aqueles tinham sido bons dias para Ino.
Mas ela já estava começando a se enfezar com a recente obsessão de Gaara por se trancar no escritório e trabalhar desde as primeiras horas do dia até as primeiras horas da madrugada; fazendo pausas quase insignificantes, que se somadas não dariam uma hora. A única coisa que Ino sabia era que o que quer que Gaara estivesse fazendo ali o deixava mal-humorado e cansado o suficiente para que quando ele se deitasse, dormisse um sono só. Ele nem mesmo reparava em Ino quando ela vestia algo mais “provocante” e dormia descoberta, praticamente gritando: “eu estou subindo pelas paredes¹, droga!”. Gaara apenas se deitava a dormia pesadamente por quatro ou cinco horas antes de acordar novamente e voltar a trabalhar.
Naquela tarde, Ino tinha ficado em casa. Estava nublado e entrava pela varanda um ventinho frio que a fez enrolar-se em uma coberta enquanto via um filme que Sasori tinha lhe dado e comia biscoitos com recheio da geleia.
A cada cena Ino bufava de frustração. Em verdade, era a história de uma moça que procurava por seus ex-namorados o homem com quem ela gostaria de se casar antes que ela tivesse feito sexo com “homens demais”. Para isso ela pede ajuda ao seu vizinho mulherengo em troca de ajudá-lo com as garotas que ainda correm atrás dele.
– Eu me contentaria se ao menos aquele brutamontes troglodita soubesse que eu não fui atropelada por nenhum táxi. – Ino resmungou, enfiando um biscoito ainda inteiro na boca.
– Eu saberia se você tivesse sido atropelada, Ino. – a voz grossa e quase pouco familiar de Gaara fez Ino saltar no sofá e derrubar seus biscoitos.
Lentamente, ela se virou para ver Gaara procurando por algo na estante embutida da sala de televisão. Ino sabia que ele não estava usando nenhuma camisa por baixo daquele moletom, e sentia muita falta do que as calças de abrigo escondiam. Com a expressão fechada, descalço e o cabelo ruivo desalinhado, Gaara foi considerado por Ino o epítome da beleza da forma que se encontrava.
– Não se esqueceu de hoje a noite, não é mesmo? – ela se debruçou no encosto de sofá e encarou Gaara.
– Não, porque justamente não marcamos nada. – Gaara respondeu lacônico, sem tirar os olhos do livro que folheava.
– Mero detalhe. Vou te tirar da bat-caverna antes que comece a faltar comida para os morcegos que você está abrigando ali. – ralhou. – Temari nos chamou para jantar.
– Vá com seu irmão. Eu tenho que resolver algumas coisas da empresa. – murmurou. Gaara ia sair do cômodo, se Ino não tivesse saltado do sofá e se colocado em frente a ele. Estava vestindo uma de suas camisas, e somente isso além da calcinha e das meias. Os primeiros botões abertos deixavam o alto de seus seios acidentalmente expostos, e tanto Gaara como Ino repararam isso. Ele se distraiu com a visão por uma fração de segundo. E ela usou isso em seu favor.
– Não tem como eu fazer o que eu estava planejando para depois do jantar com o meu irmão. – Ino aproximou-se como uma gata, encostando-se em Gaara e se insinuando. – Vá se vestir, sim?
Observou a expressão de Gaara, e sabia que tinha ganho aquela. Então afastou-se novamente e saltitou em direção ao quarto.
– Por favor, não demore muito. – ele resmungou, carrancudo e irritado pelo fato de estar perdendo o controle sobre si mesmo daquela maneira.
Mais tarde, Gaara estava na sala, esperando por Ino. Sem cuidado algum, ele tinha vestido jeans escuros e uma camiseta de mangas compridas verde escura. Ajeitava a jaqueta preta quando ouviu o som ritmado dos passos de Ino.
Seus quadris gingavam de uma forma que quase fez Gaara desistir de sair para jogá-la no sofá e fazer amor com ela a noite inteira. Ino estava usando uma minissaia rosa claro e uma camisa azul bebê sem mangas e de tecido leve. Vinha sem saltos, e isso obrigou Gaara a se curvar para beijá-la quando Ino o puxou pela gola da camisa.
– A espera sempre vale a pena, Gaara. – ela sussurrou jocosa quando colocou no bolso da jaqueta de Gaara um pequeno papel.
Feito isso, Ino se afastou em direção ao elevador, deixando Gaara se perguntando por quê ela tinha colocado em seu bolso a etiqueta de uma loja de lingerie. Numa fração de segundo ele entendeu a mensagem e uma estranha comichão coçou em si. Que esse jantar passe muito rápido, pensou enquanto seguia Ino em direção ao elevador.
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O jantar correu da melhor forma possível, e quando terminaram a sobremesa, todos foram para a sala de visitas para beber e conversar um pouco. Enquanto Shikamaru se acomodou em uma das poltronas com Temari em seu colo, Ino e Gaara ocuparam o sofá menor.
– Ainda bem que coloquei Ella para dormir cedo. – Temari comentou com Ino enquanto bebia seu conhaque. – Se ela tivesse jantado conosco ia estar uma pilha a essa hora. E convenhamos, Ino, eu sinto tanto por ela não ter puxado ao pai na preguiça.
– Querida, eu ainda estou aqui. – Shikamaru comentou cansado. – Trabalhar na logística é bem mais cansativo que nas relações públicas.
– Está dizendo que eu não trabalho, seu... seu... – Temari inflou de raiva, e Gaara pensou que aquilo poderia durar a noite inteira se não mudassem de assunto.
– Chiyo vai vir para o natal? – perguntou sem humor.
– Não. Ela está em outra daquelas viagens pela Ásia. Visitando SPAS, templos... tudo que ela puder fazer para “relaxar”. – Temari se virou para Ino, que bebia seu licor calmamente e estava alheia ao assunto que comentavam. – Chiyo é a nossa avó. Provavelmente você só vá conhecê-la na festa de noivado de vocês, mas eu garanto que vocês vão se dar muito bem.
– Temari... – Shikamaru afagou o braço da esposa, notando que a menção de “noivado” tinha feito tanto Ino quanto Gaara se mexerem inquietos em seus lugares.
– O que foi? Vovó só aparece nas festas. A mais próxima é o noivado deles. – ela deu de ombros.
– Não temos esse tipo de relacionamento. – Gaara comentou devagar, olhando levemente para Ino, que mantinha-se quieta e silenciosa. – Não estamos apaixonados.
– Que bobagem! Qualquer um vê as faíscas entre vocês dois. – exclamou Temari.
– Meu bem, acho que não é um bom momento. – disse Shikamaru.
– Mas não é óbvio? – os olhos da loira foram do irmão para Ino, e notou advertência e desconforto, respectivamente. – Não é?
– Para eles, não. – Shikamaru sussurrou. Em seguida, como se nada tivesse acontecido, se voltou para Gaara. – Como as coisas estão indo com os investimentos, Gaara?
O momento de embaraço havia passado, os assuntos se tornaram amenos e superficiais e o licor desceu menos amargo em Ino. Estranhamente, ouvir de Gaara que não estavam apaixonados havia lhe doído, mas ela já esperava algo dessa espécie. Embora desconfortável, aquilo havia lhe dado uma noção dos limites de Gaara. E foi nisso que Ino pensou durante todo o caminho para casa.
– Vista a minha jaqueta quando sair do carro. – Gaara falou pela primeira vez no trajeto, e já estavam entrando na garagem. – Está frio.
– Eu não estou com frio. – Ino respondeu suavemente, mas se arrependeu no momento em que saiu do carro e uma forte corrente de ar frio a fez se arrepiar. – Talvez esteja mesmo frio.
Aceitou de bom grado que Gaara colocasse a jaqueta em seus ombros, onde o familiar cheiro da colônia dele a envolveu. Os dois se dirigiram para o elevador, mas antes que entrassem, Ino estacou com a expressão torcida.
– Deixei meu celular no carro.
– Suba, eu pego pra você. – Gaara murmurou, já indo em direção ao carro. Achou o aparelho no porta-luvas, e teve de esperar alguns minutos até o elevador descer novamente.
Assim que entrou em casa, Gaara notou que algo não estava certo. As luzes do Hall não estavam acesas. Estava tudo escuro, e Ino nunca entrava em casa no escuro; era desastrada demais e provavelmente esbarraria em alguma coisa. Outra coisa que lhe chamou atenção foi o fato de que em sua nuca sentia uma respiração pesada assim como uma terceira presença no apartamento.
– Leve o que quiser do apartamento, mas não a machuque. – Gaara disse com a voz rouca.
A última coisa que Gaara sentiu antes de apagar foi o golpe na sua nuca e em seu ombro. Seu corpo caiu pesadamente no aparador, quebrando o vidro e o ferindo. Ino estava mais adiante, perto do sofá, desacordada e com um hematoma na têmpora. E ali os dois permaneceram até o amanhecer, quando os primeiros raios de sol acordaram Gaara.
Ele se arrastou para longe do vidro quebrado e se encostou na parede adjacente ao elevador. Sua mente estava bagunçada, seu rosto estava com vidro e sangue seco, sentia dores medonhas na base do pescoço mas sua primeira preocupação foi:
– Ino! – falou Gaara, um pouco mais alto que sua dor de cabeça poderia suportar. Levantou-se do chão e cambaleou pela sala até encontrar Ino caída próxima a mesa de centro. Ela tinha a têmpora ferida e parecia pálida. Quando Gaara a puxou do chão para seus braços, ela se moveu levemente, gemendo baixo e franzindo o cenho devagar.
– Gaara... – sua voz não passou de um fiapo. – Gaa...
– Shhhh... não fale. – ele sussurrou, alcançado o telefone na mesa de centro e ligando para a emergência.
Em alguns minutos os dois estavam a caminho do Hospital Geral, com as ambulâncias sendo seguidas pelo carro de Shikamaru e Temari. Deidara tinha ido para o hospital assim que soube, enquanto Sasori foi para o apartamento para acompanhar o trabalho dos policiais.
Assim que entraram na emergência do hospital, Gaara e Ino foram separados. Levaram quase uma hora examinando o ruivo com minúcia; e algumas enfermeiras até arriscaram flertar com ele nesse meio tempo. Mas ele não conseguia pensar em nada além do desejo de saber se Ino estava bem. Cada vez que um médico ou uma enfermeira aparecia ele perguntava. E assim foi durante longos minutos, até Shikamaru aparecer com notícias.
– Ela está bem. Um pouco confusa, assustada e com dor de cabeça. Teve uma concussão leve e vai ficar em observação até o fim da tarde. – o moreno puxou uma cadeira e se sentou perto da maca onde Gaara estava. – Você deve ter alta depois que o médico terminar com seu ombro.
Gaara rosnou baixo, praguejando pelo ombro deslocado e por ter sido tão descuidado.
– Eu quero vê-la. – murmurou Gaara.
– Ino está sedada. Você vai para casa com Temari e quando Ino tiver alta, eu ou Deidara a levamos para casa. Vou procurar seu médico. – Shikamaru resmungou. – É melhor você ir logo com Temari antes que as coisas fiquem problemáticas demais.
Gaara não se manifestou contra ou a favor da decisão de Shikamaru em mandá-lo para casa com a irmã. E assim aconteceu. Logo depois que o médico recolocou o ombro de Gaara no lugar e o imobilizou com uma tipoia, ele e Temari foram para casa, onde ainda encontraram os policiais trabalhando.
Um agente aproveitou para tomar o depoimento de Gaara e solicitou que Ino também comparecesse à central de polícia de Tel-aviv. Então. Depois que terminaram o trabalho, os policiais deixaram o apartamento, dando a Gaara um momento de sossego.
– Vocês devem estar com fome. – Sasori falou calmo. – Posso fazer algo, se quiserem.
– Nós agradecemos, Sasori. Estamos mesmo famintos! – Temari se acomodou no sofá, ao lado de onde Gaara tinha se sentado.
– Vou fazer alguns sanduíches. – dizendo isso, Sasori saiu silenciosamente, deixando Gaara e Temari a sós.
– Você parece bem calmo depois de um assalto. – ela observou cautelosamente.
– Não foi um assalto. – a respiração de Gaara saiu entrecortada, e ele deixou a cabeça relaxar no sofá enquanto passava a mão pelos cabelos nervosamente. – Não roubaram nada de valor, apenas cópias dos últimos contratos que fiz.
– Com que objetivo? – Temari estava surpresa.
– Você parece não conhecer o ninho de cobras que me envolve. – ele respondeu lacônico.
– Você acha que...
– Ainda tem dúvidas? – o olhar de Gaara foi, no mínimo, especulativo, beirando a ironia. Então, ele se levantou e se dirigiu para o quarto. – Vou tomar um banho e tentar dormir. Me avise quando Ino chegar.
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Durante todo o trajeto para casa, Ino achou que se sentiria mais aliviada quando chegasse em casa. Apesar dos vidro do carro de Shikamaru serem suficientemente escuros, a claridade do fim da tarde lhe incomodava, e ela escondeu o rosto na curva do pescoço de Deidara.
Assim que entraram no elevador, uma onda de pânico se abateu sobre si. Era como se os eventos da noite anterior fossem acontecer novamente. E quando as portas do elevador se abriram, Ino recuou.
– Ino? – ouviu Shikamaru chamá-la. Ele e Deidara já tinham saído do elevador, mas ela ainda continuava lá, sentindo-se ameaçada naquele canto.
– Está tudo bem, princesa. – Deidara a chamou delicadamente, estendendo a mão para a irmã. Trêmula, Ino segurou a mão oferecida e, com passos vacilantes, saiu do elevador. – Você está segura, agora.
– É... – sussurrou, adentrando a sala e sorrindo levemente para Temari e Sasori que vinham da cozinha.
– Se você quiser, Ino, fale com Gaara para que vocês fiquem na nossa casa. – sugeriu Shikamaru. – Talvez se sinta mais confortável lá.
– Talvez... – suspirou. – Eu agradeço o cuidado, mas agora a única coisa que eu quero tomar banho e me deitar, Gaara está no escritório?
– Não. No quarto, dormindo, muito provavelmente. – respondeu Temari.
Ino pediu licença a todos e foi para o quarto. Gaara estava realmente dormindo, então ela tentou ser o mais silenciosa possível enquanto tomava banho vestia algo limpo. A água morna foi como um presente dos deuses, assim como a leve camisa de futebol que fora de Deidara. Dispensou as roupas íntimas e a cordialidade, preferindo se enfiar nas cobertas com Gaara a ir fazer sala para os visitantes. Ela estava cansada, eles iam entender.
Assim que sentiu a leve movimentação na cama, Gaara despertou e encarou a figura pequena de Ino se esforçando para se aconchegar em seu peito sem lhe causar dor. Vendo que o tinha acordado, ela lhe lançou um olhar de desculpas que fez Gaara se mover para aninhá-la melhor.
– Nossos irmãos já foram? – ele sussurrou.
– Não sei. Eu só quero dormir um pouco. – se apertou um pouco mais no corpo de Gaara.
Perto a meia-noite Gaara despertou com os solavancos que o corpo de Ino dava cada vez que ela soluçava. Sua camisa tinha o peito molhado e ela lutava para conter o choro.
– Não precisa fazer isso escondida. Você passou por coisa demais pra aguentar sem derramar uma única lágrima. – Gaara disse morno. Em seguida, ele passou um braço em volta dos ombros de Ino e a aconchegou melhor em seu peito.
– Eles disseram que iam matar você... – ela soluçou. – Que assim que conseguissem o que queriam você iria morrer. Eu fiquei com tanto medo...!
– Shhhh, não precisa mais ter medo. Você está segura agora, Ino. Nós estamos seguros. – Gaara tentou acalmá-la, mas foi em vão.
– Por favor, vamos ficar com a sua irmã. Pelo menos por uns dias, eu... eu estou assustada com isso tudo! E se eles voltarem?!
– Tudo bem. Vamos ficar com Temari. – anuiu Gaara. – Mas agora vamos dormir, Ino, você e eu precisamos disso. Amanhã, tudo vai parecer melhor, menos aterrador.
– Promete? – os grandes olhos azuis de Ino, mesmo no escuro, brilhavam e causavam em Gaara uma espécie de entorpecimento,
Num gesto de concordância, ele beijou o alto da cabeça de Ino e os cobriu melhor.
¹Subindo pelas paredes: para as mentes inocentes de plantão, a expressão “subir pelas paredes” é sinônimo de carência de sexo.
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