Imperfeitos
21 Capítulo 21
Passei a manhã toda a ligar para Claire, mas ela não atendeu os meus telefonemas, enviei, cinco SMS, mas ela não respondeu. Ela está muito zangada, e eu não quero que isso nos separe, ou nos prejudique. Após sair do ginásio, me preparo para o jantar da minha mãe, mando uma SMS para Claire, duas horas antes do jantar:
" Claire, eu não espero que me responda, apenas quero avisar que prometi à minha mãe que a gente jantava com ela essa noite, e venho buscar você daqui a pouco. Bjs"
Preciso ir ter com Claire uma hora e trinta minutos antes das seis, porque precisamos conversar, e eu sei que cinco minutos não serão suficientes. Vou para a cozinha como uma fatia de bolo, e espero mais um pouco, e recebo uma SMS de Claire:
" Tudo bem, desde que Rebecca não esteja lá! "
Agarro nas minhas chaves, carteira e telefone, e saio de casa. Quando chego na casa de Claire, vejo um Ferrari, e eu já sei quem deve ser. O maldito Frank Rogers! Porquê ele não deixa Claire em paz? Se continuar com isso, eu não vou deixar ela me bater, vou partir para cima dele.
Felizmente tenho as chaves de casa, e entro. Claire está sentada com Frank, e ambos sorriem, e quando se apercebem da minha presença, os sorrisos desaparecem.
— O que é que esse imbecil faz aqui, Claire? — Vou direto ao ponto.
— Eu sou amigo de Claire!
— George, nós estávamos apenas a conversar.
— Sobre?
— Frank, é melhor você ir, a gente se vê por aí.
— Tudo bem. — Ele levanta, bate no meu ombro, e sai. Claire levanta em seguida, e fica na minha frente com os braços cruzados.
— Eu acho que temos que conversar! — Digo com raiva mal contida.
— Sobre?
— Você foi embora, hoje de manhã, e disse que iria pensar se estamos juntos ou não. E mais, porquê estava com Rogers? — Ela esconde o rosto, mas eu a obrigo a olhar para mim.
— Nós estamos juntos George, eu só estava muito zangada quando disse aquilo.
— E o que fazia Rogers aqui? Você o convidou?
— Não! Eu terminei de me arrumar para o jantar de sua mãe, e ele apareceu.
— Depois do que ele me fez, você ainda vê esse sujeito?
— George, eu...
— Que tal fazermos um acordo! Eu não vejo mais Rebecca, e você não vê mais Rogers!
— Você sabe que Frank não me deixa em paz! Ele não vai entender!
— Não sei o que você vai fazer apenas faz!
— Você está zangado porque eu pedi para você deixar de ver Rebecca, não está?
— Eu disse isso?
— Você não quer deixar de vê-la, por isso, está se vingando!
— Não coloque palavras na minha boca, Claire.
— O que você quer realmente, George?
— O que eu quero? Está bem eu quero que você pare de duvidar de mim! Quero que pare de pensar absurdos! Quero que confie e acredite em mim, Claire! Se eu digo que não sinto nada por Rebecca, é porque não sinto! Eu não gosto dela! Eu não disse que não queria deixar de vê-la! Eu não disse essas idiotices que você falou! Eu estou farto Claire, e a paciência com você, está se esgotando! — Eu quase que grito com ela.
— Desculpa. — Ela chora, depois me abraça. — Eu apenas tenho medo de perder você. Desculpa, George! Não fica bravo comigo, por favor!
— Tudo bem. Não precisa pedir desculpa, eu sei que você não gosta de Rebecca, e tem razão em querer me afastar dela.
— Então, eu não vejo mais Frank, e você não vê mais Rebecca?
— É melhor assim. — Eu a largo e limpo suas lágrimas. Nós nos sentamos no sofá.
— George, tenho uma coisa para dizer. Andrea, veio aqui. — Oh céus! Problemas atrás de problemas.
— O quê?
— Ela veio pedir perdão.
— E o que foi que você fez?
— Expulsei ela. Eu tive medo, e entrei em pânico. Ela podia estar armada, e me matar!
— Você devia ligar para a polícia. Você tem uma medida cautelar contra ela, e ela veio atrás de você.
— Eu não fui capaz!
— Não se preocupe, depois converso com Philippe.
— Tudo bem.
Chegamos à casa da minha mãe, e ela nos recebe solenemente. Me faz feliz que a minha mãe adore Claire, que a trate como se fosse sua filha. Nós vamos para a sala de jantar, e conversamos enquanto bebemos uma garrafa de vinho branco.
— Eu fico muito feliz por vocês estarem juntos, vocês são perfeitos um para outro, e eu espero, espero mesmo que se casem! — Claro que algum dia tínhamos de ouvir minha mãe falar sobre casamento. Deus me dê paciência!
— Ainda é muito cedo, Rose, estamos juntos há quatro meses apenas.
— Mas vocês se amam muito, e parece que se conhecem há séculos.
— Mas é cedo demais, mãe. Quando for a hora certa, a gente fala para a senhora, está bem?
— Tudo bem.
— A senhora ainda tem o seu vestido de noiva? — Claire pergunta. Porquê ela quer saber?
— Claro que tenho! Eu vou guardá — lo até ao fim da minha vida!
— Com quantos anos a senhora casou com o meu pai?
— Com 25 anos. Três anos depois, estava grávida de você George.
— Eu sempre quis saber como era o George, quando era mais novo.
— Sério, Claire?
— Eu vou contar. — Oh céus! — Ele era muito malandro! Passava o tempo todo aprontando. Dava um trabalho enorme para nós.
— Mãe, eu não quero falar sobre a minha infância embaraçosa!
— Eu quero saber, George!
— Então, eu vou apanhar ar, vocês continuam! — Eu levanto e vou para a varanda.
O meu telefone toca. Rebecca. Atendo.
— Alô.
— Oi George. Tudo bem?
— Não! Rebecca, o que você falou para Claire me deixou muito aborrecido.
— Eu apenas falei a verdade.
— Que era uma questão de tempo até a gente se separar? Que eu ainda sinto alguma coisa por você? Que não vai desistir de mim e que Claire é uma interesseira nojenta?
— Eu não... — Estou recebendo outra chamada.
— Fique sabendo que eu amo Claire, e eu pretendo me casar com ela algum dia, eu não vou deixá-la, porque eu só quero ela! E pode esquecer a ideia de que eu sinto alguma coisa por você, Rebecca, porque tudo que eu sinto por você é apenas carinho, mais nada, e parece que você matou esse sentimento! Claire não é nenhuma interesseira! Você não a conhece! Eu sim! E mais uma coisa. Eu vou me afastar de você, Rebecca, nunca mais, repito, nunca mais me procure, me ligue, sei lá esqueça que eu existo, porque eu não quero mais ter problemas com Claire! — Ela me obrigou a fazer isso.
— Tudo bem, George! Eu entendo. Até nunca mais. — Eu desligo, e atendo a outra chamada. Andrea. A minha noite acabou por pior.
— O que você quer?- Minha hostilidade não tem limites.
— Eu preciso te ver, George!- Eu rio.
— Você é louca? Depois do que você fez à minha namorada, você acha que eu quero olhar para a sua cara?
— George, eu estou muito arrependida!
— Claire quase morreu por sua causa, sua assassina! Eu quase perdi ela! — Sinto um aperto no peito por lembrar da dor que senti quando pensei que Claire ia morrer. Foi um dos piores momentos da minha vida!
— Eu lamento. — Ela chora.
— Se eu te odeio tanto agora, imagina como te odiaria se tivesse matado Claire!
— Eu só quero que você volte para mim.
— Eu não namoro com assassinas, além disso, eu amo Claire!
— George! — Ela fala entre soluços.
— O seu lugar é na prisão, Andrea! Deixe Claire em paz! Se você voltar a procurá — la, eu não respondo por mim.
— Eu já disse que estou arrependida, me perdoe!
— Nunca! O que você fez foi imperdoável, Andrea!
— Eu posso te recompensar!
— Me deixe em paz! Tudo que eu peço é que deixe a gente em paz, Andrea, por favor! Já machucou pessoas que cheguem, siga com a sua vida, e esqueça da gente.
— Eu não consigo te esquecer, George!
— Lamento. — Eu desligo o telefone. Que mais ninguém me ligue! Já estou zangado o suficiente.
Eu volto para a sala e sento perto de Claire. Ela olha para mim preocupada.
— O que foi George?
— Andrea ligou para mim.
— Oh céus! Filhote o que foi que ela disse?
— Que está arrependida, que pede perdão, e que quer voltar para mim.
— E você? — Minha mãe pergunta.
— Disse que deixasse a gente em paz.
— Depois do que ela fez à Claire, ela espera que você a perdoe?!
— Eu não quero falar sobre o acidente, por favor! — Claire fica incomodada.
— Está bem, querida. — Eu a abraço.
— Que tal se a gente fosse comer, estou morrendo de fome! — Minha mãe, tenta mudar de assunto.
— Claro que sim. Vamos Claire. — Nós levantamos e vamos para a sala de jantar.
Nós chegamos em casa. Eu abro a porta para Claire que dormiu o caminho todo, e a levo para dentro de casa. Ela está tão sonolenta que nem pode andar. Para a minha surpresa, Andrea está na porta a nossa espera, vestida de preto.
— Andrea o que faz aqui? — Claire ouve o nome de Andrea, e salta imediatamente do meu colo para o chão, depois fica atrás de mim.
— George, o que essa mulher faz aqui?
— Andrea você quer ir presa por desacato ao tribunal?
— Eu só quero que você me perdoe, George!
— Mas você nos machucou muito Andrea! À Claire fisicamente, e à mim sentimentalmente.
— Faço tudo o que quiserem para que me perdoem.
— Não precisa fazer nada, apenas nos deixe em paz!
— Claire, você me perdoa?
— Você quase me matou, Andrea!
— Eu falei por aí umas mil vezes que estou arrependida. Eu não quero viver com essa dor por resto da minha vida! Eu só quero o vosso perdão!
— Há coisas que não se pode perdoar, Adams!
— Eu não aguento mais me sentir culpada...
— E você não é? — Pergunta Claire.
— Eu não sou uma assassina!
— Eu apenas sei que quero você bem longe da gente, Andrea!
— Mas... — Ela chora e ajoelha a nossa frente. — Por favor, me perdoem!
Claire sai de trás de mim e fica diante de Andrea. Em seguida dá uma mão para ela, e a ajuda a levantar.
— Eu te perdoo, Andrea! — Essa mulher é maluca?
— Muito obrigada, Claire! Eu entendo porquê George te ama!
— Claire, depois do que ela fez, você a perdoa?
— Ela está arrependida, George! Todos nós somos imperfeitos, ninguém pode julgar o outro, apenas temos de nos perdoar uns aos outros. É isso que faz a da gente humanos!
— Mas o que ela fez...
— George, todo mundo merece uma segunda oportunidade. — Minha namorada deve ser a pessoa mais bondosa que eu conheço.
— Me perdoa, George?
— Se Claire te perdoa, eu também te perdoo, mas não pense que a gente vai ter qualquer tipo de relação!
— Muito obrigada. — Ela abraça Claire. — Eu quero que você seja muito feliz Claire!
— Eu também quero você seja muito feliz Andrea! — Claire responde. Eu só quero que ela suma das nossas vidas.
— Eu vou embora! Adeus. — Ela sobe no seu carro e vai embora. Nós entramos, e eu olha para Claire estupefacto.
— Claire como pode ser tão ingénua? Eu tenho medo de deixar você sozinha aonde quer que for!
— Não é ingenuidade! Eu perdoei ela, porque foi assim que o meu pai me ensinou. É claro que não vou esquecer o que aconteceu, e que nós não vamos ser amigas, mas tinha de perdoá-la, porque não se nega perdão à ninguém. Eu não devia tê — la tratado mal hoje cedo, fui muito má, e quando somos maus como os nossos inimigos, nos tornamos iguais a eles, quando somos bons, somos pessoas melhores.
— Tudo bem, foi um belo discurso, mas é melhor a gente ir dormir, porque está ficando tarde, e amanhã a gente tem de trabalhar. — Ela se aproxima de mim, e coloca os braços ao redor do meu pescoço.
— Eu te amo muito, sabia?
— Eu sei. Eu também te amo muito! — Eu beijo os seus lindos lábios.
— Rebecca me ligou hoje, e eu disse para ela não me procurar mais, está feliz?
— Muito feliz.
— Ótimo vamos pra cama.
— Porquê não me leva? Eu estou muito cansada.
— Tudo bem. — Eu levo ela para o quarto, e dormimos abraçados e felizes. Cada dia que passa, me apego mais à Claire, e eu tenho muito medo disso. Muito medo mesmo.
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