Pela primeira vez na vida estou num relacionamento há seis meses. Claire fará 28 anos amanhã, e está muito entusiasmada, eu também, mas não deixo transparecer. Infelizmente, ultimamente ela tem tido muito enjoo, tem dormido muito, e isso me preocupa. Mas também, tem comido muito, por vezes tem estado fraca, mas se recusa a ir ao hospital. Eu estou muito preocupado, e espero que não seja nada grave.
Hoje é quinta feira, eu termino o meu trabalho, e quando chego em casa encontro Claire na cama, muito fraca, e eu corro até ela. Eu não entendo porquê ela não quer ir ao hospital, eu não aguento mais vê-la desse jeito! Vou levá — la ao hospital, nem que tenha que levá — la amarrada.
— Meu amor, o que foi?
— Eu estou bem, acabei de sair do hospital.
— Sério?
— Sim, não se preocupe.
— Claire me diz o que tu tens!
— Um mal — estar, só isso.
— Eu acho que você tem de ficar em casa nos próximos dias, até você ficar melhor.
— Tudo bem, eu também acho. Você vai trabalhar amanhã?
— Sim, eu vou.
— Ok. — De repente ela dá um sorriso gigantesco, me fazendo sorrir também. — Eu estou muito feliz, sabia?
— Eu notei. Você já comeu?
— Já.
— Está bem. Eu vou tomar banho, e já venho te fazer companhia, está bem?
— Está bem.

Enquanto Claire dorme, eu aproveito para ligar para Roy. Eu sei que ela ficará muito feliz por ter o pai por perto no seu aniversário. Eu ligo, mas não atende. Volto a ligar, mas não atende. Sou a pessoa mais impaciente do mundo, espero que atenda dessa vez. Ligo novamente, e finalmente atende.
— Alô, George. Tudo bem?
— Claro que sim, eu queria saber se o senhor já está em Manhattan.
— Acabei de chegar. Como está a minha filha?
— Ótima! — Eu acho.
— Ela tem muita sorte em ter um namorado como você, George!
— Eu é quem tenho sorte por ter alguém como ela na minha vida, Roy.
— Eu sei. Claire é um anjo na terra.
— Sim, ela é!
— Então, nos vemos amanhã.
— Até amanhã. — Desligo.
Amanhã, eu vou pedir Claire em casamento, e espero que ela diga que sim. Estou disposto a tudo por ela. Eu quero que ela seja minha mulher. Tudo tem de correr bem, amanhã, Claire tem de ter um grande dia!

No dia seguinte, eu acordo mas não vejo Claire na cama. Eu só espero que não tenha ido trabalhar. Me levanto tomo banho, me visto, e vou para a cozinha. Claire está a fazer waffles. Ela olha para mim e sorri.
— Bom dia, meu amor! — Ela diz.
— Bom dia, e feliz aniversário! — Eu lhe dou um beijo. — Porquê você está fazendo o pequeno almoço?
— Eu quero.
— Não é justo é o seu aniversário, eu é quem devia cozinhar!
— Em primeiro lugar, George, você não sabe cozinhar, eu não quis ser envenenada. — Eu vou tentar não tomar isso como um insulto. — E em segundo lugar, não me importo de fazer o meu pequeno almoço de aniversário!
— Tudo bem. — Eu beijo a sua bochecha.
— Você gosta de waffles ?
— Quem não gosta?
Ela sorri e coloca os nossos pratos na mesa, depois nos sentamos e comemos. Claire está muito feliz, e eu acho que não é porque é apenas o seu aniversário. Há algo mais! Só não sei o que é, mas espero descobrir.
— Eu gostava tanto que o meu pai estivesse aqui. — Ela diz.
— Eu sei, mas ele não pode, talvez no próximo ano, e tenho a certeza de que ele vai te recompensar!
— Eu só quero a sua presença. — Você terá, porque eu sou o melhor namorado do mundo.
— Mas você estará comigo, não é motivo suficiente para ficar feliz?
— Claro que é, mas eu queria que o meu pai também estivesse no meu aniversário, entende?
— Eu entendo.
— Você vai trabalhar?
— Eu já respondi a sua pergunta ontem à noite.
— Claro. Eu esqueci! — Seu sorriso me contagia.
— Eu gosto que esteja assim! Muito feliz.
— Você é o motivo da minha felicidade, George. É por isso que eu amo muito você!
— Eu também te amo, querida.
Depois disso, eu sinto que ela vai dizer que sim. Tenho a certeza disso. Mal posso esperar, que Claire Peterson, passe a ser Claire Renner!

Chego ao trabalho, e a primeira coisa que faço é mandar um ramo de flores para Claire. Depois ligo para a minha mãe. Preciso conversar com alguém sobre o grande passo que estou para dar. Ela atende ao quarto toque.
— Alô, Filhote!
— Oi mãe, como a senhora está?
— Mais feliz que você, duvido.
— Hoje é o aniversário de Claire!
— Eu sei!
— E vou pedi — la em casamento. — Ela fica em silêncio durante muito tempo.
— Alô? Tem alguém aí? Mãe? — Quando estou prestes a desligar o telefone ela responde:
— Fiiilhote! Isso é sério?
— Sim, mãe! A senhora acha que é muito cedo?
— George, é o que tanto quer?
— Nunca quis tanto em toda a minha vida.
— Então siga em frente! Vai atrás dela e faz o que você tem a fazer!
— Eu espero que ela diga que sim, mãe, senão eu morro!
— Não exagere George! Se disser que não, ela vai explicar o porquê, mas duvido que ela vai negar.
— Espero que não.
— E Roy?
— Ele chegou ontem à noite, está hospedado num hotel.
— Estou tão feliz por você coelhinho.
— Eu também estou muito feliz, mãe!
— Não faça nada de estúpido!
— Mãe! Eu sou adulto!
— Da última vez, você abandonou Claire no hospital, não esqueça disso.
— Eu não vou cometer nenhum erro, prometo!
— Assim espero!
— Bem, mãe, preciso desligar!
— Está bem. Até logo, e boa sorte!
— Obrigado, mãe. Beijos.
— Para ti também. — Ela desliga.
Obviamente minha mãe acha que eu devo seguir em frente. E eu vou seguir em frente, porque eu amo Claire, e estou disposto a tudo por ela. Oh céus! Nunca nenhuma mulher me fez sentir assim! Estou tão feliz, que tenho medo que isso seja apenas um sonho. Mas se for, eu não quero acordar.

Às cinco da tarde, eu saio do trabalho, e me dirijo ao parque de estacionamento. Faço tudo às pressas, para ir ter com Claire, mas Rebecca não facilita, quando aparece na minha frente com Michaela.
— Oi George!
— Oi Rebecca.
— Oi George! — Michaela sorri para mim.
— Oi Michaela!
— George, tu estás bem? — Eu pensei que fui claro quando disse "Eu vou me afastar de você, Rebecca, nunca mais, repito, nunca mais me procure, me ligue, sei lá esqueça que eu existo, porque eu não quero mais ter problemas com Claire!". Às vezes eu penso que preciso mesmo de fazer um desenho para que ela entenda.
— Claro que estou, porquê?
— Eu apenas quis saber. Como estão a correr as coisas com Claire? — Como se realmente quisesse saber.
— Sem você por perto, maravilhosamente bem.
— Não precisa responder desse jeito, George. Se você pensa que eu ainda sinto alguma coisa por você, está enganado.
— Minha mãe, tem um novo namorado, e ele é muito bom comigo. Ele é alto, tem cabelo preto, é bonito e tem olhos azuis — Michaela diz.
— Eu fico muito feliz por saber. — Na verdade, estou pouco me lixando para a vida de Rebecca.
— Nome dele é Philippe! — Michaela continua. Eu olha para Rebecca surpreso, incrédulo e completamente, mas completamente mesmo obtuso. Philippe? Claro que é Philippe! Moreno, alto olhos azuis, que se chama Philippe, só pode ser Philippe Hurt.
— Michaela! — Rebecca a repreende.
— Philippe Hurt? Meu amigo, Philippe Hurt?
— Sim! — Como é que eu soube disso apenas agora?
— Eu fico muito feliz por vocês! Bom, se é apenas isso, eu tenho de ir, minha querida namorada está a minha espera ansiosamente.
— Sua namorada é a Claire? — Michaela pergunta.
— Sim.
— Mande beijos para ela por mim, George?
— Claro Michaela. Então, nos vemos por aí.
— Tchau George. — Michaela acena para mim.
— Até mais George!
Eu entro no carro, e sem mais demoras conduzo em direção ao tráfego.

Eu chego em casa, e Claire me abraça como se tivéssemos ficado meses sem nos ver. Ela às vezes exagera tanto. Eu olho para ela, e tenho uma vontade enorme de pedir a sua mão em casamento, nesse exacto momento, mas não! Preciso esperar. Ela me larga e me beija carinhosamente em seguida.
— Tive tantas saudades, George!
— Eu sei que sim, eu também tive saudades.
— Obrigada pelas flores, são lindas. Sabia que é o primeiro homem a me mandar flores?
— Jura?
— Sim!
— Me sinto muito bem com isso. Gosto de saber que sou o primeiro em muitas coisas na sua vida.
— Eu me sinto privilegiada!
— Ótimo. Agora vamos jantar com a minha mãe, ela quer tanto te ver.
— Vamos logo!

Nós chegamos na casa de minha mãe, e ela recebe Claire com um grande abraço, me fazendo ficar com ciúmes. Eu pensei que esse abraço da minha mãe, fosse restrito, só para mim.
— Feliz aniversário, Claire!- Elas deixam de se abraçar.
— Muito obrigada Rose.
— Eu também quero um abraço, mãe.
— Anda cá, seu ciumento! — Ela também me abraça.
— Mãe, nunca mais abrace ninguém desse jeito, eu devo ser o único! — Digo no seu ouvido, fazendo ela rir.
— Está bem, filhote!
— Vamo nos sentar!
— Claro.
Nós caminhámos até a sala de estar, e quando finalmente chegamos, Roy aparece, e Claire se joga nos seus braços como se fosse uma criança.
— Pai! Você está aqui!
— Você achou mesmo que eu iria faltar ao aniversário do meu bebé!
— Feliz aniversário, Claire! — Digo.
— Você sabia, George? — Ela olha para mim surpresa. Sua felicidade é incomparável.
— Fui eu que planeei tudo!
— Muito obrigada. — Ela me abraça.
— Não precisa agradecer.
— Claire eu não acredito que você cresceu tanto! — Roy puxa Claire para ele.
— Eu estou tão feliz que acho que vou chorar! — Suas lágrimas caem.
— Não chore querida.
— Você tem fome Claire?
— Muita. — Ela limpa as lágrimas com as costas das mãos.
Nós vamos para a sala de jantar, e nos servimos. Pedi para Delfina que cozinhasse rolo de carne, porque eu sei que é o seu preferido. Roy abre uma garrafa de vinho branco e serve a todos. Claire está radiante, nunca tinha visto ela desse jeito!

Após o jantar, nós voltamos para a sala de estar e conversamos. Eu acho que está na hora de pedir Claire em casamento. Procuro o anel de diamantes que eu comprei para Claire, e depois disfarço.
— Eu tenho a certeza absoluta de que Claire está sendo bem cuidada aqui em Nova Iorque.
— Pode acreditar, Roy, Claire é como uma filha para mim.
— Obrigada Rose, a senhora também é como uma mãe para mim.
— Claire, eu posso falar com você, à sós?
— Claro!
— Nós já voltamos. — Eu lhe dou a mão e lhe levo para a varanda.
Claire olha para mim com seus olhos brilhantes, depois sorri quando se apercebe do meu nervosismo. Ela segura as minhas mãos.
— O que foi, George?
— Eu tenho um, acho que presente para você.
— George, você me deu tanta coisa hoje.
— Esse também é muito importante, não bem assim um presente.
— Eu sei que é o meu aniversário, mas também tenho um presente para você. — Ela sorri.
— O que é?
— Fecha os olhos e me dê as mãos. — Eu faço o que ela diz. Ela coloca as mãos nalguma parte do seu corpo, consigo sentir o seu vestido.
— Agora abra os olhos.
Eu abro os olhos e olho para as minhas mãos. Elas estão na sua barriga.
— Eu não entendi, Claire! — Ela coloca a sua mão por cima da minha me obrigando a tocar na sua barriga.
— Sério que não entendeu?
— Não entendi nada!
— George, olha para as suas mãos depois tente adivinhar!
— Fala logo, Claire! — Ela sorri, depois olha para as nossas mãos segurando a sua barriga.
— George Edward Renner, você vai ser pai! — Meu coração saiu do peito. Eu acho que não ouvi direito.
— O quê?
— Eu estou grávida!