Imperfeitos
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Eu olho para a "óculos nerds" , ainda não acreditando que a minha mãe quer que ela seja a minha namorada. Como ela pode ser minha namorada? Ela não é "perfeita" , pelo contrário, é um desastre! Isso só pode ser um pesadelo! O pior dia da minha vida!
Depois de um bom tempo, finalmente ela diz qualquer coisa!
— George Renner, muito prazer. — Ela estende a mão para mim.
— A sério? Tudo bem! — Eu dou um sorriso falso, tão falso que dá para perceber, e é essa a intenção. Eu não aperto a sua mão. Ela fica vermelha e olha para mim com trepidação. Que bom!
— George! — Minha mãe me repreende.
— Então sinta — se em casa! — Eu aponto para o sofá, para que ela se sente.
Nós caminhámos até ao sofá e nos sentamos. Eu olho para Claire para que ela se sinta o mais desconfortável possível. Ela também olha para mim, sem óculos, ela tem a sua graça.
— Então, como é que se conhecem? — Vamos acabar com isso de uma vez.
— Nos conhecemos ontem. Quando chovia, eu quase a atropelei, e insisti que viesse para cá. — Eu olho para a minha mãe, com um olhar que diz: a sério, mãe? Tu chamas de amiga, uma mulher que conheceste ontem na rua? Uma mulher que conheces a 24 horas? E tu queres que ela seja a minha namorada? E tu acreditas nela? "
— Interessante! — Eu digo olhando para a óculos nerds.
— Já agora, Claire, tu conseguiste recuperar os livros?- Minha mãe pergunta. Ela olha para mim, nervosa. Como poderia não ficar estando perto de mim?
— Sim! Eu consegui. — Ela desvia o olhar.
— Felizmente. Eu volto num instante. — Minha mãe se levanta, e sobe as escadas.
Agora estou sozinho com a óculos nerds. Nossos olhares se cruzam. Ela está desconfortável comigo. Eu sei porquê! Quem é capaz de resistir à George Renner? Ninguém! Ela esconde o seu rosto, com os seus cabelos castanhos.
— Desculpa, pelo que aconteceu hoje cedo. — Ela fala ainda escondendo o seu rosto.
— E então? Quem é o idiota, mesmo? — Eu me aproximo dela. — Eu tenho a certeza absoluta de que não sou eu.
— Eu fui rude contigo?
— Em primeiro lugar, me chame de senhor Renner, ou Renner, e em segundo, tu foste rude sim. Se eu soubesse que eras tu a rapariga que a minha mãe convidou, eu não aparecia!
— Eu já pedi desculpas. Eu só gritei contigo, porque, tu estavas a fazer troço de mim. — Mas que parte de senhor Renner ou Renner é que ela não percebeu?
— A sério? — Eu levanto uma sobrancelha. Eu é quem fiz troço dela? Rose desce e vem para a sala de estar. Eu me afasto.
— Então, do que é que estavam a falar? — Ela se senta.
— De coincidências! — Eu digo sorrindo.
— Porquê é que eu sinto que vocês já se conhecem? — É assim tão óbvio?
Delfina vem para a sala de estar. — O jantar já está servido!
— Obrigado, Delfina. — Minha mãe, agradece.
— Com licença. — Ela sai da sala.
— Vamos comer! — Minha mãe se levanta e vai até à sala de jantar. Eu me levanto, e óculos nerds, também, mas sem equilíbrio, caindo em cima de mim, e felizmente ambos caímos no sofá. Eu sinto ela nas minhas costas. Ela respira no meu ouvido, e sinto o cheiro do seu cabelo. Ela fica estagnada por cima de mim.
— Pode sair de cima de mim? — Eu tento manter a calma para não gritar com ela, mas ela parece não me ouvir, continua nas minhas costas. — Que língua é que tu falas? — Ela sai imediatamente e me observa.
— Eu lamento muito. — Eu me levanto e olho para ela com ódio mal contido.
— É melhor ires na frente, já que nem andar tu sabes!
— Foi um acidente, qualquer um tropeça!
— Não é qualquer um. É melhor nós não continuarmos com essa conversa, por favor, vá na frente. — Ela vai na minha frente até a sala de jantar, onde minha mãe está a olhar para nós com desconfiança.
— Vocês demoraram muito para chegar aqui, o que foi?
— Claire tropeçou! — Eu digo e ela fica envergonhada.
— Claire tu estás bem?- Minha mãe pergunta preocupada.
— Eu estou bem, Rose não se preocupe.
— Sim, mãe, está tudo bem! Agora vamos comer, eu estou faminto! — Nós nos sentamos. Eu sento à direita da minha mãe e Claire à esquerda, ficando cara a cara comigo.
— Filhote como foi o teu dia? — Minha mãe pergunta enquanto Delfina nos serve.
— Foi muito interessante. — Respondo conciso. — E como foi o seu Claire Peterson? — Eu levanto uma sobrancelha.
— Foi normal, como qualquer dia. — Ela olha para Rose. Ela está a evitar o contacto visual? Que mulher nada a ver comigo!
— Que idade tens tu? — Minha mãe e óculos nerds, olham para mim como se eu fosse um bicho de sete cabeças.
— Eu tenho 27. — Ela responde timidamente. Nós nos olhamos profundamente. Ela está tão nervosa e tímida que só me apetece rir. Mas eu mantenho a compostura.
— Que bom! — Digo bastante sério.
Delfina termina de servir e sai das nossas vistas. Eu começo a comer, mas não tiro os olhos da óculos nerds. Eu tiro um pedaço de salmão e ponho na minha boca, ela olha para mim, como se estivesse hipnotizada.
— Aonde tu trabalhas? — Ela pára de mastigar.
— Na Corte Federal de Nova York. — Estou um pouco impressionado. Eu paro um segundo. Ela trabalha onde Philippe trabalha. As coisas estão a ficar interessantes.
— Ah sim? Conheces Philippe Hurt?
— Sim! É meu superior. É magistrado do ministério público.
— Há quanto tempo trabalhas na Corte Federal de Nova York?
— Há alguns meses.
— E tu gostas do teu trabalho?
— Muito. — Ela bebe o seu vinho e me olha perplexa. — E tu? Gostas do teu trabalho? — Ela pergunta com ênfase no" tu" e no "teu" . Ela está a me provocar?
— Indubitavelmente! — Eu sorrio. Ela fica inquieta e nota — se o rubor em todo o seu rosto.
— É um trabalho excelente. — Nós ficamos em silêncio por algum tempo, apenas olhamos um para o outro. Oh Céus! Essa noite vai ser longa.
— Tu moras sozinha? — Ela me olha incrédula.
— Sim, eu moro sozinha. — Ela volta a comer. Eu não tiro os olhos dela. Nós ficamos calados e apenas comemos.
Após o jantar, nós voltamos para a sala de estar. Não há sinal da minha mãe. Eu sei que ela está a fazer de propósito, para me juntar a essa nerd idiota. Mas eu estou me divertindo com o novo jogo que acabei de inventar, se chama" Deixa ela pensar que você está interessado, quando você na verdade está pouco se lixando para ela" .
Eu me aproximo dela devagar e olhamos um para o outro. Eu fico totalmente sério.
— Tu tens namorado? — Na verdade, não quero saber. Ela esconde o seu rosto no seu cabelo. Eu não suporto tanta timidez.
— Não! Eu não tenho. — Eu me aproximo ainda mais perto dela.
— E porquê não? — Ela deixa de esconder o seu rosto e olha para mim.
— Eu ainda não encontrei a pessoa certa para mim. — Ela já não está trepidante, me olha friamente.
— E para ti, como deve ser a pessoa certa?
— Isso é um assunto particular, não quero discutir isso, com o senhor. — Finalmente aprendeu.
— Tudo bem, eu entendo. — Ela volta a esconder o seu rosto. Meu Deus, quanta timidez!
— E o senhor, tem namorada, ou é casado? — Essa me pegou de surpresa.
— Eu estou solteiro e disponível. — Eu dou um sorriso malévolo. Ela volta a levantar o seu rosto e olha para mim com os olhos brilhantes e completamente azuis.
— A sério?
— Muito sério.
— Porquê não tem namorada? — Ela olha para mim fixamente.
— Porque as coisas não resultaram com a minha ex.
— Ah! E há quanto tempo está solteiro?
— Há 24 horas. — Ela fica boquiaberta.
— E porquê que as coisas não resultaram? — Tantas perguntas? Eu não sou obrigado a falar com ela sobre a minha vida amorosa.
— Eu também não quero falar sobre isso. É muito particular. — Ela volta a esconder o seu rosto. Isso está se tornando insuportável.
— Ok. — Ela levanta a cabeça outra vez, olha para mim e fica bastante séria. — Está a ficar tarde é melhor eu ir embora. — Ela se levanta, e eu também.
— Tu tens carro?
— Não! Eu apanho um táxi.
— Eu também preciso ir para casa, eu te levo.
— Não precisa!
— Eu insisto. — Minha mãe vem para a sala de estar finalmente. Ela olha para nós, que estamos frente a frente e sorri.
— O que é que se passa?
— Eu já vou, Rose.
— Eu também vou e acompanho Clarissa até à casa.
— É Claire. — Ela diz furiosa.
— Tudo bem.
— Então adeus! — Claire despedi a minha mãe e a abraça.
— Até mais, Claire.
— Até amanhã mãe. — Eu digo e a nerd idiota percebe que eu quero que ela largue a minha mãe. Elas deixam de se abraçar e eu vou até minha mãe, beijo a sua bochecha e a abraço.
— Até amanhã, coelhinho. — Eu oiço óculos nerd a rir. Eu largo a minha mãe e olho para ela.
— Então, vamos? — Pergunto.
— Sim!
— Adeus mãe. — Nós caminhámos até à porta e saímos. Eu tiro as chaves do carro do meu bolso. Eu abro a porta para Claire e ela entra. Em seguida, eu também entro, insiro a chave na ignição, ligo os motores e começamos a andar.
— Aonde tu moras?
— Em Upper West Side. — Ela não diz mais nada. Eu olho para ela por um segundo, depois volto a olhar para a estrada.
— Em Upper West Side, aonde?
— Quando for para parar eu o aviso, agora continue por favor!
— Óculos nerds, eu sei que é demasiada pressão estar perto de alguém como eu, mas tu tens de te acalmar. — Eu sinto o seu olhar sobre mim.
— Quem tu pensas que és? Um deus grego? O último biscoito do pacote?
— Tu nem imaginas quantas mulheres dariam tudo para estar comigo! — Ela ri.
— Eu não. Tu és insuportavelmente arrogante e idiota.- Eu paro o carro de repente. Eu inspiro e expiro. Inspiro e expiro. Não faça nada de estúpido, George, não faça nada de estúpido!
— Porquê paramos? — Eu olho para ela.
— Eu te odeio tanto! Eu sei que eu te conheço a pouco tempo, mas eu te odeio. — Eu digo baixinho.
— Ah sim? O sentimento é recíproco. — Ela cruza os braços. — Vai me deixar aqui? No meio do nada?
— Eu faria isso. — Eu ligo o motor outra vez. — Mas, eu não sou assim tão malévolo. — Nós voltamos a andar.
— Eu pensei que fosses! Tu me trataste bem há alguns minutos porquê? Para me baralhar? Porquê aquelas perguntas todas? E porquê exatamente aquelas perguntas? — Eu olho para ela, depois volto a olhar na estrada.
— Por favor, fique quieta até chegarmos à tua casa.
— Eu não quero calar.
— Então fale com o teu ego! — Estou a ferver de raiva.
— É melhor do que falar contigo!
— Eu te dou boleia e é assim que tu me agradeces? Devias te sentir privilegiada por estar no meu carro.
— Aaaah!- Ela grita alto. — Eu não acredito que estou no carro de George Renner, ó não acredito! É um sonho tornado realidade! O melhor dia da minha vida! — Ela ri. — É assim que tu querias que eu ficasse? Que nem uma tresloucada, só por estar no carro de George Renner?
— Era o mínimo que tu podias fazer! — Digo com ênfase no " mínimo".
— O mínimo?
— Sim!
— Eu prefiro ficar calada. — Felizmente.
— Fazes um favor aos dois.
Ficamos o resto do caminho calados, até que finalmente, mas finalmente mesmo, chegamos. Parecia que a estrada nunca mais acabava. Eu desço e vou para o lado da nerd idiota e abro a porta.
Ela coloca os pés no chão e sai do carro, mas perde o equilíbrio e cai em cima de mim, outra vez. Felizmente eu a agarro. Ó mulher mais sem jeito que eu já vi. Nós ficamos cara a cara. Nossos corpos juntos sem privação. Eu consigo sentir o batimento do seu coração. Passou os três dígitos. Eu não sei o que se passa comigo. Eu não sei o que dizer.
— Eu peço perdão. Outra vez. — Ela diz baixinho. Sua respiração ofegante.
— Faz um favor a ti mesma, pare de usar saltos altos. — Eu me recomponho. Ela ainda está nos meus braços.
— Pode me deixar. Eu consigo andar sozinha!
— Não é o que parece!
— Eu estou bem, a sério. — Eu a largo, e fecho a porta atrás dela. — Obrigada pela boleia.
— Obrigado por cair em cima de mim duas vezes, só hoje. E obrigado, também por me fazer rir. — Ela franze a testa.
— Olha espero não te voltar a ver daqui em diante, mas sei que vai ser impossível, mas ainda assim, até nunca mais. — Ela me dá as costas e entra no seu apartamento.
Eu fico parado que nem um idiota, olhando para a porta que já se fechou. Ando até a porta do carro e entro. Eu volto a olhar para o apartamento da nerd idiota, mas não vejo nada. Eu ligo o motor do carro e vou para a minha casa.
Eu chego no meu apartamento, tiro os meus sapatos e me jogo na cama. Eu pego o meu telefone e ligo para minha mãe.
— Alô, bebé, como foram as coisas com Claire? Tu gostaste dela?
— Não! Ela não tem nada a ver comigo! Ela é insuportável!
— Eu pensei que ias gostar dela?
— Ela é uma estranha, mãe, como é que vocês são amigas?
— Ela me parece uma boa menina.
— A mim não. Se a senhora pensa que cai acontecer alguma coisa entre mim e ela, está muito enganada!
— Veremos!
— Veremos! Agora eu preciso dormir. Até amanhã, mãe.
— Até amanhã, coelhinho. — Ela desliga. Eu coloco a cabeça no travesseiro e tento não pensar na figura mais idiota e ridícula que eu já conheci. Claire Peterson. Como pôde existir alguém tão desastrada? Eu não quero mais pensar nisso. Preciso dormir. Preciso esquecer que ela existe, afinal, ela não parece ter nenhuma das qualidades que eu procuro. Ela não parece ser, perfeita.
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