Imperfeitos
11 Capítulo 11
Frank Rogers continua a sorrir, olhando para mim, com as mãos nos bolsos, seu cabelo bem arranjado, e muito bem vestido. Eu não sei porquê ele veio aqui, depois de Claire ter dito que estaria ocupada. Ele vai ficar muito decepcionado quando souber que Claire é minha namorada. Espero bem que sofra! Sofra muito.
— Frank Rogers! A que devemos a sua visita?
— George Renner, eu quero ver Claire!
— A minha namorada está ocupada! — Enfatizo "minha namorada".
— Podes chamá — la? — Que pessoa mais impossível!
— Não! Eu lamento. — Quando estou prestes a fechar a porta, ele trava com o seu pé, empurra a porta e entra. Eu não acredito que ele fez isso.
— É melhor tu saíres agora. — Digo totalmente calmo, tentando evitar um desastre.
— Olá Claire. — Ele caminha em direção a Claire, mas eu o impeço.
— Parado!
— Frank, o que tu fazes aqui? — Claire se levanta.
— Eu vim te ver, minha querida Claire. — Como ele se atreve?
— Ela não é a tua querida. É melhor tu ires embora!
— Eu preciso falar contigo, Claire.
— Frank, nós podemos falar amanhã? — Eu olho para ela, zangado. Ela podia ao menos dizer que não quer mais ver ele.
— Tudo bem. Como tu quiseres, minha querida. — Isso está a ficar insuportável.
— Ela não é a tua querida! — Da próxima vez, não sei se vou conseguir me controlar.
— Adeus Claire. — Eu abro a porta, e ele dá um sorriso gigantesco, depois sai. Eu atiro a porta com raiva.
— Calma, George! — Ela vem até mim, e me abraça. — Não precisa ficar com ciúmes de Frank.
— Não é isso. É que eu odeio ele.
— Mas tu não o conheces!
— Ainda assim. — Ela me larga. — Claire, eu não quero que o voltes a ver!
— George, por favor, tu não precisas agir dessa maneira.
— Eu não quero que tu estejas perto dele. Ele não me parece uma boa pessoa.
— George, isso são os ciúmes a falar. Tu não confias em mim?
— Eu confio. Mas não confio nele.
— Então, tudo bem. Vamos para a cama? — Ela me dá a mão, e eu recebo.
— Claro.
O som do despertador soa pelos meus ouvidos, me fazendo acordar imediatamente, e desligo o mesmo. Eu já nem sei o que é acordar com um despertador. Olho para o outro lado da cama, e não vejo Claire. Se eu estivesse no meu apartamento, entraria em pânico, mas como é na casa dela, eu fico relaxado.
Eu oiço a água escorrendo no banheiro. Ela deve estar a tomar banho. Levanto, entro no banheiro, e vejo Claire tomando banho. Ela está totalmente distraída, esfregando o seu cabelo. Eu tiro a minha roupa e entro no chuveiro também, fazendo com que ela se assuste.
— Que susto, George! — Ela bate no meu braço. A água começa a escorrer sobre o meu corpo.
— Desculpa, eu não podia esperar tu acabares, eu preciso trabalhar. Além disso, estamos a economizar água, para salvar o planeta.
— Que bela desculpa George Renner. — Ela coloca os braços ao redor do meu pescoço. — Eu quero trabalhar ainda hoje.
— E eu não? — Eu beijo ela, ferozmente, e a levanto, fazendo com que nos fundimos, e ela coloca as pernas ao redor da minha cintura. Ela me puxa mais para ela, e arranha as minhas costas, me dando mais prazer.
Segura nos meus bíceps com muita força, e eu seguro as suas costas. Eu deixo de beijá — la, e ela beija o meu pescoço, depois olha para mim, com os olhos queimando.
— Ah! — Ela geme e inclina a cabeça para trás e coloca as mãos no meu peito, enquanto as minhas estão nas suas costas. Eu fecho os olhos, sentindo apenas a sensação. Eu não quero que isso termine nunca! Quero ficar assim para sempre.
A sensação é única, é inexplicável, maravilhosa, incrível, deliciosa, quente, excitante, fabulosa, mágica, e libertadora. Eu a coloco no chão, e ela sorri para mim, com os olhos semicerrados. Eu beijo a sua testa.
— Vamos tomar banho, porque já está tarde, e não quero me atrasar. — Eu sorrio amplamente.
Claire faz panquecas, com ovos e bacon, e café. Ela é uma mulher muito diferente. Ela é inteligente, sabe cozinhar, é bonita, é independente, e muitas outras coisas que eu tenho de descobrir, e ela não tem nenhuma amiga. Todas as mulheres que eu conheço têm amigas, ou amigos gays.
Nós nos sentamos na cozinha e comemos. Claire não pára de olhar para mím. Eu entendo perfeitamente. O seu namorado é uma verdadeira obra de arte. É autêntico, não existe em mais nenhum lugar.
— Claire, porquê tu não tens amigos? — Ela pára de mastigar.
— Porque, todas as pessoas que eu pensei que fossem minhas amigas, eram umas falsas e invejosas!
— O que foi que fizeram?
— Coisas más, George! — Eu bebo o café.
— É uma pena. Ser amigo de alguém é uma coisa muito boa.
— Não me faças sentir pior do que já estou.
— Desculpa.
— Tu e Philippe, são muito amigos, não são?
— Ele é como um irmão que eu nunca tive.
— Eu era apaixonada por ele. — Eu olho para ela chocado e obtuso. Por essa eu não esperava.
— Sério?
— Porquê o choque? Ele é alto, é bonito, tem olhos azuis, qualquer mulher se apaixonaria por ele.
— Não precisava descrevê — lo, desse modo.
— Não precisa ficar com ciúmes, eu já não sinto mais nada por ele.
— Eu não estou com ciúmes de Philippe.
— Tu ficas lindo, quando estas ciumento, sabias?
— Eu fico lindo em qualquer momento, isso é indiscutível!
— Ok. — Ela ri.
Eu deixo Claire, no trabalho, vou para casa trocar de roupa e também vou trabalhar. Hoje é um dia completamente diferente dos outros. Hoje, eu estou feliz! Muito feliz. Claire voltou para mim, disse que me ama, e nós fizemos amor duas vezes. Agora só precisamos conversar com os nossos pais. O que não vai ser tarefa fácil.
Sofia entra no meu escritório, olhando para mim fixamente. — Senhor Renner, a senhorita Adams quer vê-lo.
— Deixa ela entrar.
— Claro, senhor. Com licença. — Ela anda até a porta e sai. Andrea entra depois de um minuto, fecha a porta, e fica em pé olhando para mim, e batendo os sapatos no chão. Está com pantalonas azul escura, blusa azul clara, e saltos altos pretos.
— Andrea, olá!
— É por ela que tu me trocaste? Aquela idiota, pobretona, mal vestida, e ridícula?
— Do que é que tu estás a falar?
— Da tua namorada! — Como ela sabe?
— Como tu sabes? — Ela se aproxima mais um pouco.
— Eu vi quando tu a deixaste no trabalho. Na Corte...
— Tu andas a espiar — me? — Eu levanto.
— Oh, querido! Espiar é uma palavra muito forte, mas sim, eu ando a fazê-lo.
— Andrea, eu sei que tu estás apaixonada por mim, mas tu tens de parar com isso.
— Tu é que tens de parar com isso. Ela não merece alguém como tu. Tu e eu somos perfeitos um para o outro, com ela tu não serás feliz.
— Isso dizes tu! Claire me faz muito feliz. Me faz feliz de um jeito que tu nunca conseguirás fazer!
— George, não me ofenda desse jeito. Eu faria qualquer coisa por ti.
— Eu não preciso que faças nada por mim, Andrea!
— Tu achas que ela faz o teu tipo? Espera até ela querer casar, e te pedir filhos. O que é que tu vais fazer?
— Andrea, isso é assunto meu!
— Eu estou tentando te ajudar!
— Sério? A mim parece que estás a tentar me prejudicar.
— Eu jamais faria tal coisa. Eu te amo, e sei que tu eras muito feliz comigo, George!
— Sempre que eu estava contigo, eu pensava em Claire. Feliz com essa revelação?
— George, o que é que tu vês nela?
— Eu vejo nela muita coisa. Ela é muito especial, é carinhosa, é inteligente, humilde e tantas outras virtudes, que tu não deves saber o que significa!
— Como te atreves, a me insultar dessa maneira!
— Eu não fiz de propósito. Parece que tu querias ouvir isso.
— Tu ainda vais voltar para mim. E essa Claire, não estará mais no meu caminho! Eu prometo! Ou não me chamo Andrea Jennifer Adams!
— O que é que tu queres dizer com isso?
— Quero dizer, que em breve estaremos juntos, George! Mais cedo do que imaginas!
— Isso é uma ameaça contra Claire?
— Eu disse isso? — Ela olha seriamente para mim, me dá as costas e vai embora. Agora eu fiquei assustado.
Espero que ela não esteja a ameaçar Claire, eu não vou deixar que nada de mal lhe aconteça. Talvez, ela só esteja com ciúmes, e quer me deixar com medo. Talvez seja apenas isso.
Eu pego no meu telefone e ligo para Philippe. Ele dizia que o meu plano não iria funcionar, agora ele vai saber como eu tinha razão. Ele atende ao quarto toque.
— Oi George.
— Olá Philippe. Lembras daquele plano que eu elaborei para ficar com Claire?
— Sim! Lembro — me como se tivesses dito a dois segundos atrás. Porquê?
— Porque, está a dar tudo certo. Claire voltou para mim. Agora só falta a última parte do plano. Conversar com os nossos pais, e convencê — los de que eles não devem ficar juntos, mas sim eu e Claire!
— Eu fico muito feliz que o teu plano esteja a dar certo.
— Eu também. Mas tenho mais duas complicações na minha vida.
— Quais?
— Frank Rogers, e Andrea Adams. Eles parecem piolhos!
— Andrea ainda gosta de ti, e Frank, acabou de sair daqui agora mesmo.
— O quê?
— Ele veio ver Claire!
— O quê?
— Ele vei...
— Eu entendi! Porquê tu não disseste nada?
— Eu não sabia que o teu plano tinha funcionado.
— Ainda que não tivesse funcionado, tu tinhas de me avisar!
— Eu lamento, para a próxima eu te aviso! O que é que tu vais fazer?
— Eu ainda não sei. Mas eu preciso afastá — lo de Claire.
— Boa sorte com isso. George, eu preciso desligar, depois nós falámos.
— Até depois. — Eu desligo e coloco o telefone na secretária. Frank está a me irritar, a cada dia que passa. Eu já não sei o que vou fazer com o palerma.
Eu saio da John Renner e vou para a Corte Federal de Nova Iorque, buscar Claire para jantar. Eu só espero que Rogers não apareça, senão eu dou cabo dele. Claire sai e eu desço imediatamente do carro, e vou até ela.
— Oi. — Ela diz sorrindo.
— Boa noite. Como foi o trabalho?
— Para ser sincera, correu bem no inicio, até que Frank apareceu. — Nós andamos até ao carro.
— O que foi que ele te disse?
— Disse que me ama muito, e que não vai desistir de mim. — Eu abro a porta para ela
— E o que foi que tu disseste? — Ela entra e eu fecho a porta. Dou a volta e também entro no carro.
— Que eu não sinto o mesmo por ele, e que ele devia seguir em frente com a sua vida. — Eu fecho a porta.
— Andrea também me procurou. — Eu coloco a chave na ignição, e ligo o carro.
— O que é que ela disse? — Nós colocamos os cintos de segurança.
— Que ainda me ama, e que não vai... foi quase o mesmo que Rogers disse. — Eu começo a conduzir.
— E o que foi que tu disseste?
— Que eu te amo, e que sou feliz contigo. — Eu olho para ela por um segundo, e ela sorri.
— Eu também te amo, George!
— Eu sei. Onde tu queres jantar?
— Onde tu quiseres!
— Ok.
— Tu falaste com a tua mãe?
— Não desde ontem de manhã, por isso, a qualquer momento, ela vai ligar para mim.
— Eu estive a pensar muito, e quero que nossos pais saibam o mais rápido possível.
— Eu também. Mas vamos esperar até o teu pai voltar.
— Tudo bem, mas e se a tua mãe descobrir antes do tempo?
— Nós falamos!
— Está bem.
Nós chegamos no restaurante e nos sentamos. Claire olha para mim e sorri. Eu tiro a ementa, e o garçom vem nos atender.
— Boa noite, senhores, o que vão querer?
— Claire, o que é que tu vais querer?
— O que tu quiseres!
— Vamos querer bifes com molho barbecue, e vinho Peter Michael Au Paradis, por favor.
— Sim senhor. Com licença.
— Eu tenho tanta fome.
— Já somos dois. Claire, ontem tu me disseste que tinhas sonhos. Um deles é viajar para París, e quais são os outros?
— Tu queres mesmo saber?
— Tu nem imaginas.
— Casar, e criar uma família. Quero ter dois filhos, exemplares, inteligentes e abnegados. — Era o que eu temia. Ela quer essa tipo de coisas. Mas eu não posso dar a ela essa vida. Simplesmente não posso.
— Pois claro. — Digo totalmente desapontado.
— Tu não? — Seus olhos azuis acendem, me deixando desconfortável. Eu desvio o olhar.
— Eu não sei o que quero. — Eu não sei se vou conseguir fazer isso. Eu quero tentar, mas quando eu paro e penso, eu decido não o fazer.
— Com o tempo tu vais descobrir!
— Claire, eu não gosto de crianças.
— Como tu podes não gostar de crianças? Elas são uma graça!
— Eu não sei se quero ter filhos, nem casar.
— Uau! George, eu não imaginava.
— Tu vais terminar comigo? Se o fizeres, eu entendo.
— George, nós começamos a namorar a pouco tempo.
— E? — Não estou a ver até onde essa conversa vai chegar.
— E eu não vou desistir de ti. Eu tenho fé que um dia tu vais acordar, e vais mudar de ideias. Eu posso te ajudar a entender esse ponto de vista! Posso te mostrar o que tu não queres ver! Posso te ensinar a entender esse mundo. Eu sei que no fundo, tu não queres isso!
— Claire...
— Se tu me deixares, eu posso fazer com que tu mudes de ideias.
— E se eu não mudar?
— Eu não vou desistir!
— Mas e se eu não mudar?
— Tu queres tentar, ou não? Se tu quiseres que terminemos, nós terminamos aqui e agora! Mas se tu quiseres tentar, eu te ajudo. — É uma decisão muito difícil. Eu não quero perder Claire.
— Eu quero tentar. — Ela sorri. Eu vou tentar, porque eu vou mostrar pra ela que ter filhos, não é o que ela realmente quer. Eu vou fazer ela mudar de ideias. Eu não quero que ela pense que eu quero essa vida, por isso, vou fazer de tudo para que ela desista dessa ideia maluca, estampada na sua cabeça. E eu vou conseguir!
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