Imperfeitos
12 Capítulo 12
Nós saímos do restaurante e vamos para casa de Claire. Durante o caminho todo para casa, eu não parei de pensar no que Claire me disse. Porquê ela não é como Andrea? Como Andrea no sentido de não querer casar nem ter filhos. Todas mulheres querem isso, excepto Andrea. Mas eu não sinto nada por ela, nem voltaria para ela. Eu amo Claire, e vou mostrar a ela que a vida é muito melhor do meu ponto de vista.
Nós entramos e sentamos no sofá. Claire se aproxima de mim, e apoia a sua cabeça no meu ombro.
— Tu queres ver um filme, que não seja "os miseráveis"? — Ela pergunta. Eu rio.
— O que tu quiseres.
— Comédia romântica?
— Tu não tens filmes de terror?
— Não! Apenas tenho, romance, drama, comédia, e comédia romântica. Filmes de terror me deixam com medo durante uma semana inteira.
— Podemos apenas conversar. — Digo.
— Tudo bem.
— Como o teu coelho de estimação morreu?
— Tu estavas morto de curiosidade para saber disso não é? E era fêmea!
— Nem tanto.
— Foi envenenada.
— Oh não! Quem foi foi essa pessoa tão malvada, e sem coração, que nem teve piedade da pobre coelhinha?
— Fui eu ! — Eu faço um esforço enorme para não rir, mas falho miseravelmente. Eu dou grandes gargalhadas. Claire bate no meu peito, me repreendendo.
— Desculpa... eu... eu não queria rir. — Eu não consigo parar de rir. — Eu lamento muito.
— Não tem graça, George!
— Claro que não. — Eu paro. — Eu lamento muito. Eu não quis te chamar de malvada e sem coração. Como é que tu a envenenaste?
— Veneno de rato! — Eu rio novamente.
— Tu querias que ela morresse?
— Eu não sabia. Eu pensei que fosse comida para ratos, e que ela também podia comer. Eu tinha cinco anos, não me julgues!
— Deve ter sido a coisa mais estúpida que tu já fizeste.
— Eu tinha cinco anos! — Ela diz com raiva.
— Tudo bem, tudo bem. Calma, Claire.
— Eu estou calma. Mudemos de assunto.
— Ok. Porquê tu fizeste Direito?
— Para fazer justiça, em nome daqueles que são injustiçados!
— Uau!
— Eu sei. É uma das minhas paixões. Tenho muitas.
— E quais são elas?
— Ler, cozinhar, advogar, e tu! — Eu sorrio como um idiota.
— Tu aprendeste a cozinhar sozinha?
— Não! O meu pai é um excelente cozinheiro. Ele me ensinou.
— Que bom. A cada dia que passa, eu tenho mais saudades do meu pai.
— E eu! Eu nem sei o que é ter uma mãe.
— Olha, não vamos falar de coisas tristes.
— Concordo. — O meu telefone chama, e eu sei que é minha mãe. Eu atendo num piscar de olhos.
— Alô, mãe.
— Filhote, como tu estás?
— Melhor é impossível. — Claire sorri para mim.
— As coisas entre ti e a tua namorada vão muito bem pelos vistos.
— Muito bem!
— Eu gostaria de conhecê — la, o mais depressa possível.
— Tudo bem. Como a senhora está?
— Bem, mas com saudades do meu filho. Amanhã jantamos juntos? Se quiseres convido Claire também, ela deve estar sozinha, já que Roy foi para Springfield.
— Não é preciso. Apenas nós os dois.
— Tudo bem, filhote. Mas eu quero que tu e Claire sejam amigos.
— Não se preocupe, mãe.
— Então, até amanhã.
— Até amanhã. — Ela desliga.
— O que foi que ela disse.
— Que está com saudades minhas, e quer que jantemos amanhã.
— Ela é uma ótima mãe.
— É mesmo.
— Ela gosta da tua ex namorada?
— Quem, Andrea?
— Não, a outra.
— Rebecca. Ela é o braço direito da minha mãe. Minha mãe a considera como uma filha. Ela é uma boa pessoa.
— Porquê vocês terminaram?
— Eu descobri que ela tinha uma filha.
— Por isso?
— Eu já disse, Claire, eu não gosto de crianças. Seria um pai horrível!
— Não fala assim, George.
— É a verdade.
— Tu não sabes!
— Claire, já chega de falar sobre isso.
— Está bem.
— Vamos dormir. — Nós levantamos e ela cai por cima de mim. — Uau, mesmo sem saltos altos, tu és um desastre. Parece que tens dois pés esquerdos.
— É melhor nós irmos dormir. — Ela estreita os olhos para mim.
— Eu te levo até o quarto.
— Não precisa! — Eu coloco ela no meu colo, e a levo para o quarto.
Eu acordo, mas Claire continua a dormir. Observo ela, enquanto dorme. É a coisa mais adorável que eu já vi. Eu brinco com o seu cabelo, mas ainda assim não acorda. São apenas seis da manhã. Eu devia me levantar e fazer o pequeno almoço, mas não sei cozinhar, por isso, fico aqui.
O meu telefone vibra, mas Claire nem sequer se mexe. Eu atendo.
— Alô. — Eu levanto e vou para a sala.
— Oi querido.
— Andrea, porquê é que tu estás a ligar para mim?
— Eu disse que tu irias voltar para mim, não disse?
— Sim, mas não voltei.
— Daqui a pouco tu vais voltar!
— Andrea... — Ela desliga na minha cara. — Estou? Estou, Andrea? — Eu não acredito nisso. Mas afinal de contas, o que é que ela quer?
Eu volto para o quarto e Claire ainda dorme. Deve estar muito cansada. Eu vou para o banheiro.
Depois de tomarmos o pequeno almoço, eu a levo até ao trabalho, pensando no presente para a minha mãe. Ela faz anos daqui há uma semana e meia, e eu ainda não sei o que vou oferecer a ela. Eu paro o carro e desçemos.
— George, tu achas que eu estou gorda, com essas calças? — Ela gira, me mostrando a calça de coro, que combina perfeitamente com a sua blusa branca e seu blazer preto.
— Se eu dissesse que sim, tu voltarias para casa para trocar de roupa?
— Talvez! Porquê? Estou gorda com elas?
— Está muito bem em ti Claire, não pareces gorda, pareces como tu realmente és.
— Eu acredito em ti. — Ela vem até mim e me beija. — Até depois.
— Almoçamos juntos?
— Claro que sim. — Ela me larga e entra na corte. Eu subo de volta para o carro e conduzo até casa para trocar de roupa e ir trabalhar.
Andrea não pára de me enviar mensagens, e ligar para mim, desde que cheguei. Eu estou farto, preciso de fazê-la parar. Eu não vou voltar para ela, e ela tem de entender isso. Parece uma tresloucada. Eu pego no meu telefone e ligo para ela.
— Oi, meu amor!
— Andrea, eu não sou o teu amor, pára com isso!
— Tu vais ser em breve!
— Não! Não serei!
— Acredite em mim. Alguma vez menti — te?
— Andrea, isso não é normal!
— Ela vai sair das nossas vidas. Ela vai te deixar, e nós vamos ficar juntos.- Meu Deus! Essa mulher está louca!
— Andrea, tu és uma mulher muito linda, és rica e muitas outras coisas, eu tenho a certeza de que vais encontrar alguém melhor que eu. — Se é que existe alguém melhor que eu.
— Não existe homem melhor que tu! — Isso é indiscutível!
— Existe sim. Andrea tu não podes continuar no meu pé. Siga com a tua vida!
— Eu disse que vamos ficar juntos, e nós vamos mesmo ficar juntos. Depois eu te ligo. Muitos beijinhos. — Ela desliga. Se ela fosse como Rebecca, as coisas seriam mais fáceis. Mas ela não é. É uma mulher que não desiste por tudo e por nada. Eu já não sei o que fazer.
Será que ela está a pensar em machucar Claire? Não! Não! Não! Devo estar a exagerar. Mas ela disse que Claire vai sair das nossas vidas. Eu pego no meu telefone e ligo para Claire imediatamente.
— Alô, George! — Eu fico aliviado. Oh! Felizmente.
— Tenho saudades tuas! — Ela ri.
— Eu também tenho saudades tuas, mas não te preocupes, daqui a pouco nos vemos.
— Claro. Eu vou para aí dez minutos mais cedo.
— Como quiseres. Como está a correr o trabalho?
— Bem, e a ti?
— Também.
— Frank voltou a te procurar?
— Não! Apenas ligou para mim, umas quantas vezes.
— A culpa é tua!
— Explica porquê a culpa é minha!
— Porque tu és incrível, és extraordinária, linda, são tantos adjectivos que eu tenho que te atribuir que se eu continuar, não termino neste ano.
— Tu exageras tanto, George!
— É apenas a verdade.
— Agora desliga porque eu preciso trabalhar.
— Desliga tu.
— Tu ligaste, desliga tu!
— Eu não quero desligar.
— Eu também não.
— Tu és linda sabias?
— Tu não paras de dizer. Não mudes de assunto. Agora desliga, George!
— Eu não quero desligar. Desliga tu.
— Desligamos os dois ao mesmo tempo.
— Está bem.
— Aos três. Um...dois...três. — Eu não desligo e ela também continua em linha. Eu ficaria assim o dia todo.
— Porquê tu não desligaste, Claire?
— E tu? Porquê não desligaste?
— Tudo bem, eu desligo. Eu te amo.
— Eu te amo ao quadrado! — Ela diz.
— Eu te amo ao cubo!
— Eu te amo ainda mais. — Ela desliga. Eu não queria que ela desligasse. Já estou com saudades. Eu volto ao trabalho e espero até a hora do almoço.
Eu espero Claire no carro. Tive de chegar dez minutos antes, porque tenho medo que Andrea queira fazer alguma coisa à Claire. Não quero que isso aconteça!
Claire abre a porta e sai. Eu desço do carro, e espero que ela chegue até mim. Ela vem sorrindo e me abraça fortemente.
— Olá. — Ela diz.
— Tu pareces muito feliz.
— Eu estou feliz, George!- Ela me larga.
— Ótimo. Podemos ir?
— Claro.
Nós entramos no carro, colocamos os cintos de segurança, e ligo o motor, depois arranco para a autoestrada.
— Andrea continua a ligar para ti? — Porquê ela quer saber sobre Andrea?
— Infelizmente. Ela está obcecada por mim. — A parte má de ser como eu é que elas não me largam.
— Ela tem de entender que já não há mais nada entre vocês. — Essa vai ser a tarefa mais difícil de ser executada.
— É o que eu estou a tentar fazer. Ela não me ouve, apenas diz que em breve vou voltar para ela.
— Ela deve estar muito mal. Coitadinha.
— Tu estás com pena dela? Sou eu quem está a sofrer com essa situação. Eu não aguento mais receber os seus telefonemas digamos, sem sentido nenhum.
— Eu não sei o que dizer quanto a isso. Apenas sei que tem de parar.
— Eu não sei se ela vai parar. Ela é uma mulher muito complicada. — Não sei porquê eu fui me envolver com ela. Ah! Já me lembro. Eu pensava que ela era a mulher perfeita para mim. Às vezes faço cada escolha idiota!
— Quão complicada?- Pergunta.
— Muito complicada. Numa escala de 1 à 10, 2054.
— Ela é uma pessoa normal? — Tenho sérias dúvidas sobre isso.
— Isso eu não sei explicar.
— Eu acho que talvez eu podia conversar com ela. Talvez ela me oiça! — Eu me concentro para não bater com o carro. Não acredito no que acabei de ouvir. Claire, às vezes parece ser tão estúpida!
— Claire, tu estás louca? Andrea te odeia, se tu fores ter com ela, eu não sei o que é que ela vai fazer contigo. — Eu não quero que ela machuque Claire. Se isso acontecer, jamais me perdoarei! Jamais!
— Talvez estejas a exagerar George. Ela apenas precisa de um ombro para chorar. — Aqui está a estupidez, outra vez! Menos dois pontos para ti, minha querida Claire!
— Claro. O ombro da namorada do ex namorado dela, que ela odeia, não é? — Só ao dizer parece estúpido!
— E se ela não me fizer nada? — Quanta teimosia!
— Claire, desista dessa ideia maluca, por favor!
— Tudo bem. Eu só queria ajudar!
— Me ajudas se tiveres a salvo! — Me ajudas muito.
— Tu dizes, como se ela fosse uma psicopata, ou algo assim.
— Isso, é o que eu não quero descobrir, Claire.
— Mas ela deve estar apenas a passar numa fase complicada, só isso. — Quantas vezes, eu vou ter de dizer a ela para não se meter?
— Claire Marie Peterson, não se meta nesse assunto, por favor! — Eu quase que grito com ela.
— Está bem, eu não vou me meter! Ganhaste!
— Ótimo.
Conseguimos almoçar solenemente, sem que Rogers, ou Adams nos interromper. Eu conduzo de volta a Corte Federal de Nova Iorque. Eu desço do carro, dou a volta e abro a porta para Claire. Ela sai de imediato.
— Eu venho buscar — te , ok? — Digo. Antes de eu jantar com a minha mãe, eu vou levá — la para casa. É o melhor a fazer.
— Ok. — Nós nos beijamos, sem se importar com as pessoas a nossa volta. Ela faz com que eu esqueça de tudo.
— Depois nos vemos!
— Até depois. — Ela diz, enquanto atravessa a estrada até a Corte.
Eu olho ao redor, e há um carro familiar, no meio da estrada. Um Porche Macan vermelho. Onde será que eu vi esse carro? Olho para a matricula do carro, e não tenho a certeza, mas acho que é o carro de Andrea. Oh não!
O carro começa a andar devagar, em direção à Claire, mas ela atravessa a estrada distraída. Depois o carro acelera.
— CLAIRE, CUIDADO!- Eu grito.
Ela pára e vira para mim, depois olha para o carro, mas já é tarde, e o carro a atropela, bate contra o seu corpo com força, lançando ela para o outro lado da estrada, deixando ela estagnada no chão. E o carro continua a andar, em velocidade máxima, e desaparece.
Fale com o autor