A reunião do grupo rebelde terminou por ai, Mary dispensou todos os integrantes da equipe, menos eu.

-- Preciso ter uma conversa séria com você – ela disse.

-- Hum... Sério?

-- Sim, eu vou te levar até o shopping central e a gente conversa no caminho.

O.K então, pensei. Espere! Shopping central? Essa coisa existe mesmo aqui? Eu só acreditaria vendo, e realmente eu vi. O lugar era enorme e ficava logo atrás do colégio, bem, você ainda teria que andar um pouco para chegar até lá, mas nada que cansasse muito.

-- Ei, eu ainda tenho que entregar meu currículo para o diretor.

-- Eu sei, mas não precisa entregá-lo hoje, – disse Mary, caminhando rumo à grande construção – desde que você o entregue amanhã vai ficar tudo bem!

Mary estava diferente, mais feliz, mais radiante, o que era bom, mas geralmente ela estaria gritando comigo e me chamando de idiota, como ela faz no “quartel-general”.

“Chegamos” disse ela alegremente. Ao entrar lá, percebi que o lugar era bem maior por dentro, no andar principal dezenas de pessoas caminhavam e tagaleravam, algumas estavam com fones de ouvido, outras enviando mensagens pelas redes sociais, parecia um típico shopping; no andar de cima havia inúmeras lojas e vários vendedores tentando atrair clientes com suas promoções absurdas: 70% de desconto, compre três blusas e pague duas etc. – Agora o lugar já estava parecendo uma feira...

A líder me mostrou tudo, bem, tudo que se referia a roupas, pois como ela mesma disse, eu estava um desastre. Ela também aproveitou e comprou algumas roupas.

-- Muito obrigada Wesley! Graças a você eu consegui essas roupas por menos da metade do preço!!

-- Espera, isso foi uma desculpa pra você vir aproveitar as promoções?!

-- Ahn... Sim...

-- VOCÊ ME USOU!

-- Não grite comigo eu sou sua líder, e também, rebeldes como eu só podem vir ao shopping acompanhados de um estudante comum.

-- Como assim?

-- O diretor do colégio tem conhecimento do nosso grupo rebelde, e para nos dar uma lição ele nos privou de vir até o shopping, ou de dormir em um dos alojamentos, é por isso que eu durmo naquela cabana, e é por isso também que o grupo não pode se encontrar durante os intervalos de aulas.

-- Mas... Eu ainda não sou um estudante do colégio, não entreguei nem o meu currículo.

-- Eu sei, mas é bom enganar os vendedores das lojas de vez em quando. Vamos embora?

Virei para trás enquanto íamos embora, o lugar era mesmo incrível, tinha três andares, lojas de todos os tipos, e os vendedores eram bem simpáticos.

-- Ei Mary, o governo permitiu a construção desse shopping aqui, ou ele é ilegal?

O sorriso no rosto da capitã sumiu.

-- Sim, o governo permitiu... Droga, eles acham que podem mandar em tudo, até nas pessoas!

-- Espera, quer dizer que aqueles vendedores simpáticos, eles...

-- ... Trabalham para o governo, sim.

Que coisa absurda de se pensar, os agentes governamentais estão por toda parte... Realmente o mundo precisa mudar. Minhas reflexões foram interrompidas por uma pessoa bem desagradável.

-- Olhe!!! – apontei para uma esquina que estava a poucas dezenas de metros.

Era Sthephanie, nos olhando fixamente, como se esperasse o nosso ataque.

-- Não se mova, nem demonstre que quer atacar – avisou Mary.

Ela estava distante, mas ainda era assustadora (e infantil...). Ela mexeu os lábios. Uma adaga apareceu no lugar de sua mão direita, ela começou a andar lentamente para nossa direção.

-- Droga, ela ativou a dagger! Não se mova, nem tente correr – continuou Mary.

Correr... Era uma idéia tentadora, principalmente quando alguém com uma adaga está vindo te atacar e você não tem nenhuma arma.

Mas espere... Ela parou? Sim, ela parou de andar, a adaga se transformou novamente em sua mão; ela deu meia-volta e se distanciou.

-- Ufa... – desabafei.

-- Ela viu que eu não atacá-la, e já que ela não te conhece, você não é considerado uma ameaça.

-- Que alívio...

-- Ei, isso me deu uma ótima idéia para caso a Operação Ataque Compressor não funcione, e você faz parte dela!!

-- Vish, já vi que isso não vai dar certo... – A líder começou a me puxar pelo braço sem dizer aonde íamos. – Espera... Eu ainda não disse que iria fazer parte do grupo!!! – falei, em vão, pois ela me ignorou.