Imperfect Utopia

6 Provocações mortais


UAU, como Mary era linda, o crepúsculo da tarde realçava a cor de seus cabelos, e de vez em quando a brisa fazia suas mechas me moverem de um lado para outro, seus olhos, apesar de sérios e concentrados também eram uma beleza à parte. Eu em compensação não era tão impressionante: meus cabelos eram loiros (apesar de parecerem castanhos) e espetados, meus olhos eram... Azuis ou verdes? Nem eu sabia... O.K eles eram azul-esverdeados, naquele dia eu usava uma jaqueta marrom, sem muitos detalhes, e uma blusa branca, novamente sem detalhes interessantes, usava também uma calça jeans e tênis da Nike (que na verdade já estavam bem acabados), minha pele era (e é) clara (mas nada muito anêmico); minhas mãos eram pequenas, mas os meus pés em compensação... Eu calçava número 43, SIM, meus pés são enormes, o que seria uma bela vantagem caso eu fosse um cara atlético, mas já que eu não sou...

-- Tenho uma idéia de um plano B, caso a nossa operação não funcione, e advinha quem é a peça chave dele? Hein...? – era óbvio que ela estava falando de mim, que injustiça.

-- Eu ainda não disse que vou entrar para a frente de batalha.

-- Vai sim!! E se você não entrar eu vou ser obrigada a jogar uma granada no seu dormitório, simples assim.

-- O quê? Você não faria isso!

-- Tem razão, vou ver se eu conseguido uma bazuca com os amigos do meu pai, vai ser bem mais divertido atirar com ela...

-- Não vou participar da loucura de vocês, até porque, você não teria coragem para fazer isso... EI,AI...! – a capitã me segurou pelo pescoço, me deu um golpe de karate, me fez cair no chão, e não me deixou sair de lá até...

-- Pede piedade!

-- Você ta maluca... – eu estava com pouco ar – Esse é um dos... Dos muitos motivos para nã... Para não se entrar nesse seu grupo...

-- Tem razão, não posso te ameaçar aqui, alguma pessoa pode me ver e achar que eu sou má.

-- Você é má!

-- Cale a boca!! – ela me segurou com mais força ainda.

***

Depois desse imprevisto estranho, Mary me conduziu até a sala do diretor no colégio, eu lhe entreguei o meu currículo (que era tão impecável que eu consegui entrar no colégio, que é um dos melhores do estado) e recebi a chave do meu dormitório, e... Eu não teria um colega de quarto, que maravilha! Minha vida social vai decair ainda mais... Bem, desde que eu continue fingindo, vai ficar tudo bem... A líder me seguiu até o dormitório com a permissão do diretor, se ela continuasse assim eu já poderia começar a chamá-la de guia.

Entramos no quarto, era bem espaçoso.

-- Hum, obrigado por ter me acompanhado nesse dia – agradeci.

-- De nada, até porque é sempre bom conciliar um idiota.

Normalmente qualquer um se irritaria, mas eu estava feliz, a presença de Mary me deixava alegre e confortável no novo ambiente.

-- O quê você faz aqui? – disse uma voz feminina bem familiar.

A comandante se virou, era a maga quem tinha falado.

-- Você de novo? Ai,ai... O diretor me deixou acompanhar esse jovem em sua longa jornada, é só isso.

“Jornada”? O.K agora eu tenho certeza, ela é maluca também (assim como os outros integrantes rebeldes), só não gosta de admitir...

-- Você não tem permissão para...

-- Blá, blá, blá, você se acha demais só porque carrega uma adaga mágica por aí, né? -- provocou Mary.

-- Eu não carrego uma adaga mágica, eu consigo criar uma adaga mágica – a voz de Sthephanie era calma, meiga e tímida, nem dava para acreditar que ela poderia me matar a qualquer momento. Só espero que Mary não a provoque demais...

-- Magical Ability: dagger – a mão da maga se transformou em uma adaga, pronto, esse era o meu fim... Espera... A voz de Sthephanie soou meio robótica... E ela nunca disse “magical ability” antes de usar a dagger, isso não é bom, definitivamente não é bom...