Notas iniciais
Sejam bem vindos, ao nosso vigésimo sétimo capítulo. Espero que gostem da história e continuem acompanhando. Boa leitura a todos.


— Tadeu?! — Gael questionou sério e balancei a cabeça concordando.

— Sim. Ele nasceu no Leste, passou boa parte da infância aqui e retornou anos depois sob suas ordens, para atuar como um soldado do nosso exército. Seu pai foi um dos melhores Generais que já existiu em meu reino, além dele ter experiência no comando e treinamento de tropas, já que foi um dos seus subordinados de alta patente. Não há pessoa mais qualificada que ele para ocupar o cargo — expliquei enquanto o homem em minha frente me estudava com o olhar — Mas entenderei se não puder liberá-lo do seu exército, para se tornar meu General.

— Não satisfeita em levar o meu coração, agora pretende levar o meu melhor homem, rainha Virgínia?! — questionou brincando e respirei aliviada, por ver que ele não havia ficado ofendido por meu pedido.

— Meu reino precisa mais dele, do que seu exército — brinquei fazendo-o rir, antes dele tomar um pouco mais do seu chá — Então, o General do Sul me autoriza a convidar Tadeu para ocupar o cargo de General do Leste? — questionei esperançosa e ele voltou sua atenção para mim, deixando a xicara em cima da mesa.

— De minha parte sim, vossa majestade, mas sugiro que converse com Tadeu antes de anunciar formalmente seu nome para o cargo — orientou e balancei a cabeça concordando, antes dele suspirar resignado — Pelo jeito, não perderei apenas um dos meus melhores homens, mas uma das minhas melhores guerreiras também, pois duvido que Yumi queira continuar no exército do Sul se o marido aceitar o cargo de General no Leste. De uma vez só, vossa majestade, levará os três principais líderes do exército do Sul...O rei Liam, não ficará nada feliz com isso. — segredou e segurei a respiração, temendo que meu futuro cunhado fique ofendido por ter pensando em convidar um dos seus soldados para ser o meu homem de confiança.

— Como assim, levarei os três principais líderes do exército do Sul?!

— O exército do Sul tem a tradição de escolher os três melhores homens do exército, para treiná-los e transformá-los em potenciais Generais, aptos para assumir diante de qualquer adversidade. Após a minha dispensa, o próximo a assumir o cargo seria Tadeu e por último Arthur — explicou e o olhei preocupada, por saber que estava praticamente destruindo toda uma cadeia de comando do reino que me ajudou quando mais precisei. — Caso Tadeu decida ficar no Leste, Arthur será designado para o cargo de novo General do Sul e o exército precisará treinar novamente mais três homens para ocupar esse cargo futuramente, mas não se preocupe porque antes de vir para cá indiquei candidatos que haviam obtido excelente desempenho nos treinamentos, eles serão observados por mais um ano e se continuarem com o mesmo resultado serão destinados para o treinamento especial do cargo de General.

— Então, acha que devo desistir de convidar Tadeu para ser meu General? — questionei querendo saber sua opinião de militar.

— Não, Tadeu é excelente para a função, se preparou durante anos para exercê-la no Sul. Vossa majestade, precisa de um homem da sua total confiança para ocupar o segundo cargo mais importante no seu futuro império.

— Sei disso, por isso pensei no nome dele, mas não gostaria que minha atitude fosse vista como uma afronta para o rei do Sul.

— É um ponto a ser considerado — apontou suave e balancei a cabeça concordando — Por sorte, seu marido é irmão caçula do rei do Sul, e ele jamais negou um pedido meu.

— Você intercederia por mim diante do seu irmão?! — questionei emocionada por suas palavras.

— Claro que sim, você é minha esposa, o amor da minha vida, sou capaz de tudo para que você e os seus estejam felizes e em segurança. — assegurou sincero e sorri emocionada, abraçando-o com carinho enquanto agradecia por seu gesto — Caso Tadeu aceite seu convite, enviarei uma carta para o meu irmão informando-o que autorizei a dispensa dele, para se tornar General no exército do Leste. Mesmo com a minha autorização, precisará respeitar o protocolo e esperar pela liberação do meu irmão, antes de anunciar Tadeu como o comandante do seu exército. —orientou assim que nos separamos.

— Vou fazer isso, não se preocupe.

— Ótimo, Liam é meu irmão e sei que jamais negaria um pedido meu, mas ainda assim ele é o rei do Sul, a coroa sempre estará acima dos laços de sangue que nos unem. — refletiu e balancei a cabeça concordando — Alguma resposta da comitiva do Norte, sobre quando chegarão ao Leste?

— Recebi uma mensagem hoje, informando que eles chegarão daqui a um mês e estão dispostos a uma negociação para que possamos entrar em um acordo definitivo, permitindo a unificação do reino. — expliquei retirando a carta do bolso que havia no meu vestido, entregando-o para ele que a abriu lendo o seu conteúdo em seguida.

— Isso é suspeito — disse pensativo dobrando a carta e entregando-a a mim — Vou pedir a Arthur que aumente a segurança do castelo e sua guarda pessoal, não quero nem imaginar que andará desprotegida pelos corredores desse castelo enquanto a comitiva do Norte estiver aqui. — explicou se levantando da cadeira em que estava sentado e fiz menção de ajudá-lo, mas ele negou e caminhou em direção a sua cama pegando algo embaixo do travesseiro, voltando para o local onde estava.

— Você não devia se levantar sem ajuda, Gael, o médico real recomendou que caminhasse com alguém ao seu lado caso sentisse algum desconforto ou tontura.

— Eu sei, amor, já me sinto melhor, não precisa mais se preocupar tanto — pediu suave sem desviar seus olhos dos meus enquanto colocava algo em minhas mãos, chamando minha atenção para o objeto que se tratava de uma bainha de prata do tamanho de uma mão estendida — Você sabe usar uma adaga?

— Sei, Tadeu me ensinou quando estava me treinando.

— Ótimo, a partir de hoje, mantenha essa adaga com você a leve para todos os lugares e quando for dormir a deixe em um local acessível, mas que não seja visível para os outros.

— Devo me preocupar com a comitiva do Norte, diante do seu repentino zelo exagerado pela minha segurança?

— Sim, grande parte dos nomes listados que integram a comitiva foram responsáveis por verdadeiros massacres, tendo como objetivo possuir terras dos quais são os atuais senhores e títulos de nobreza — explicou sério e desviei os olhos da bainha de prata para vê-lo — Eles estão cientes de tudo que aconteceu no reino do Leste, sabem que as defesas estão frágeis apesar de estarem sendo feitas pelos soldados do Sul.

— Eles não ousariam, executar um golpe para me derrubar na minha própria casa, utilizando o pretexto de um acordo de pacificação.

— Do lorde Tarcísio esperaria qualquer coisa, dado ao seu histórico ainda mais depois de ser rejeitado por você — alertou suave retirando a adaga da bainha revelando sua pequena lâmina reluzente e mortal, antes de colocá-la em minha mão direita conduzindo-a para lateral do seu pescoço, sem desviar seus olhos dos meus — Pescoço — explicou encostando a ponta da lâmina na pele exposta do local por alguns minutos, antes de colocá-la agora no começo da sua coxa — e virilha, são os pontos vitais do ser humano, se forem atingidos podem levá-lo a morte rapidamente. — explicou sério e balancei a cabeça concordando, indicando que havia entendido sua lição.

— Assim que possível, peça a Tadeu para continuar com suas aulas precisa aperfeiçoar um pouco mais sua técnica com a espada. — pediu retirando a adaga da sua coxa e aproveitei para guardá-la em sua bainha, colocando-a em cima da mesa.

— Farei isso hoje mesmo, após a conversa que terei com Tadeu e o chefe da câmara dos lordes, para discutirmos possíveis ações a serem tomadas diante de prováveis ameaças do Norte durante sua visita.

— É uma excelente ideia, quanto antes resolver a questão sobre o posto de General, poderá mostrar a todos que o Leste continua estável mesmo sem a presença do falecido General. Sobre a visita do Norte, devemos estar preparados para qualquer artificio que eles possam utilizar contra o Leste, pois o Norte não é conhecido por honrar seus tradados — destacou e balancei a cabeça concordando, deixando claro que estava ciente da fama dos nossos visitantes enquanto o rosto de Gael assumia um ar de descontentamento que me deixou curiosa — Entendo que o reino precisa da sua atenção mais do que nunca agora, mas não posso negar que sentirei sua falta ao deitar essa noite, me acostumei com a sua companhia.

—Eu sei, também me acostumei com a sua companhia, apesar de estar ciente de que em algumas noites meu pesadelo acabada nos deixando acordados grande parte da noite. — apontei me lembrando das noites em que acordava chorando e Gael me envolvia em seus braços, assegurando que estava bem e nada iria me machucar.

Mas de uns dias para cá meu pesadelo havia mudado, mostrando lembranças adormecidas de momentos felizes em que estava ao lado da minha mãe e ela me contava histórias sobre o local de onde sua família havia vindo.

Um local repleto de flores da neve, montanhas e ninfas guerreiras que desciam dos seus palácios no mais profundo da floresta para salvar seu povo em tempos de necessidade, não importando qual fosse, mas apesar de todas as lembranças nunca conseguia identificar de onde minha família materna se originou, porque muitos povos haviam sido dizimados e suas informações apagadas dos registros durante a guerra entre o Sul e o Oeste.

Havia decidido que após a reunião, passarei a noite em claro se fosse preciso para encontrar algo sobre as origens da minha mãe. Era uma necessidade quase física descobrir tal fato, pois sabia que só teria paz depois de descobrir toda a verdade.

— Mas seu pesadelo diminuiu drasticamente, amor, antes você tinha pesadelos todas as noites e agora isso só ocorre em apenas algumas noites. — Gael justificou e pisquei voltando ao presente, deixando minhas memórias de lado para quando estivesse pesquisando sobre minha mãe, enquanto isso não acontecia tinha que manter minha mente focada nos problemas do reino — Tem algo a incomodando, Virgínia? Você ficou distante de repente.

— Estou bem, são apenas os problemas de sempre. — assegurei evitando que ele se preocupasse, porque algo me dizia que essa era uma jornada que deveria fazer sozinha.

Em silêncio, Gael balançou a cabeça sinalizando que estava ciente de tudo o que me afligia e segurou minhas mãos nas suas, enquanto me olhava nos olhos como se pudesse ler a minha alma.

— Lembre-se que não importa o que aconteça, estou ao seu lado segurando sua mão e mesmo que precise de um pouco de espaço, não deixarei de segurar sua mão, porque não está mais sozinha nesse mundo, Virgínia.

— Eu sei, Gael, saber que está ao meu lado me deixa muito mais tranquila para governar como nunca me senti antes. — confessei sincera e ele sorriu amoroso levantando nossas mãos unidas, beijando o dorso da minha mão, enquanto ouvíamos vozes conhecidas se aproximarem.

— Espero que tenham tido tempo suficiente para conversarem. — Hortência declarou entrando no quarto na companhia de sua nora, de Henrik e Agnes.

— Sim, conseguimos conversar sem problemas — assegurei beijando o dorso da mão de Gael soltando-a em seguida, antes de pegar a adaga que deixei em cima da mesa me levantando em seguida — Por mais que deseje desfrutar da companhia de todos, precisarei me ausentar para resolver questões do reino. Agnes, pode me acompanhar, por favor.

— Claro, vossa majestade. — minha dama de companhia disse solicita e lhe agradeci com um sorriso.

— Não se preocupe, Virgínia, pode ir tranquila que cuidaremos bem do seu consorte. — Hortência assegurou suave.

— Eu sei que sim, não confiaria o bem-estar do meu consorte a outras pessoas que não fossem vocês — assegurei voltando minha atenção para Gael que me fitava com preocupação no olhar. — Está tudo bem, amor?

— Me prometa, que mesmo que esteja tarde e eu esteja dormindo, você virá para o meu quarto, porque meu coração fica apertado só de imaginar que estará sozinha se acordar depois de um pesadelo. — pediu com o olhar repleto de preocupação ao pensar nessa possibilidade.

— Prometo, amor. Não importa a hora que termine meus compromissos, virei para o seu quarto. — jurei e ele respirou aliviado e me inclinei para beijar sua bochecha direita com carinho, afastando-me em seguida.

Me despedi de todos deixando o local na companhia de Agnes e de mais quatro soldados, caminhando em direção ao meu gabinete particular no qual poderia trabalhar sozinha, lendo documentos, redigindo esboços de tratados a serem futuramente submetidos a aprovação da câmara ou realizando reuniões particulares com poucas pessoas, como a que realizaria agora após Tadeu e o chefe da câmara dos lordes virem até a minha presença assim que os solicitei.

— Os senhores estão cientes, de que receberemos a visita dos representantes do Norte daqui a um mês, para finalmente discutirmos os termos da unificação do reino — comecei e os dois homens sentados nas cadeiras em minha frente concordaram. — Desde que recebi a segunda carta da comitiva, alegando que não faria mais exigências e que estava de disposta a aceitar todos os acordos para finalizar a unificação do Leste, estou preocupada de que isso possa ser algum tipo de artimanha para estar no centro do poder do nosso reino e meu futuro consorte compartilha das mesmas preocupações. O príncipe Gael, me orientou a não confiar em nossos convidados e redobrarmos a segurança do castelo.

— O General do Sul tem toda razão, já enfrentamos os soldados do Norte uma vez, eles são cruéis, sem honra e são capazes de matar uns aos outros casos seja necessário — Tadeu alertou alternando olhares entre mim e o chefe da câmara — Devemos orientar todos os servos a ficarem atentos e nos informar imediatamente, possíveis comportamentos estranhos dos nossos convidados.

—É uma excelente ideia Tadeu, isso nos permitirá ter mais pares de olhos em nossos convidados, dos quais eles nem desconfiariam que estão sendo vigiados — o chefe da câmara elogiou meu amigo, voltando sua atenção para mim — O que vossa majestade, acha da sugestão de Tadeu?

— É uma ótima sugestão, mas temo que tal responsabilidade possa ser vista como encorajamento para alguns servos, crendo que podem enfrentar soldados altamente treinados para defender o reino. Não podemos dar nenhum passo em falso ou inocentes se machucarão, precisamos agir com calma e cautela — disse pensando em como poderia usar a sugestão de Tadeu ao meu favor, sem colocar em risco a vida de todas as pessoas que residiam e trabalhavam no meu castelo — Já sei como podemos solucionar esse problema, iremos implantar soldados da nossa confiança entre os servos, além de protegê-los teremos informações melhores já que saberão o que procurar e quais assuntos serão do nosso interesse.

— É uma excelente ideia, majestade, se me permitir irei selecionarei prováveis candidatos para a missão, antes de apresentá-los aos senhores. — Tadeu sugeriu e concordamos.

— Será ótimo, Tadeu. E chefe da câmara, organize uma recepção para os nossos convidados, sem ultrapassar o nosso limite de gasto para isso, pois não irei bancar uma festa quando o reino está passando por uma crise financeira.

— Não se preocupe, minha rainha, farei como me ordenou.

— Ótimo. Chefe da câmara dos lordes, está dispensado por hoje. Tadeu, por favor, fique temos um assunto muito importante a tratar. — informei e ambos concordaram, antes do chefe da câmara dos lordes se levantar da cadeira em que estava sentando, fazendo uma reverência deixando o local em seguida.

Enquanto voltava minha atenção para Tadeu sentado à minha frente.

— Tadeu, você melhor do que qualquer um está ciente do quanto o reino está frágil, devido à falta de um exército forte e confiável.

— Sim, minha rainha, isso poderá parecer um convite para pessoas interessadas em ter o controle de um reino com potencial de se transformar em um império futuramente.

— É isso o que mais me preocupa, especialmente agora com a eminente visita do Norte ao nosso reino — relatei e ele balançou a cabeça concordando — Durante anos, o meu exército foi liderado por um homem sem escrúpulos que o transformou em sua milicia particular, perseguindo, prendendo, torturando e matando todos aqueles que eram contra suas ordens e não desejo mais que meus homens sejam liderados por alguém igual ao falecido General. Preciso de alguém integro, que respeite as leis e saiba que não está acima delas. Alguém que saiba o quanto a injustiça e o excesso de poder nas mãos da pessoa errada, pode acabar com a vida de inúmeros inocentes.

— É o mínimo que se espera do homem de confiança de um monarca, o segundo na linha de comando de um reino. Se ele não tiver caráter e honra para com seu dever, acabaremos tendo outro tirano controlando a força militar do nosso reino.

— Sim, é isso que desejo evitar a todo custo.

— Nesse caso, vossa majestade, gostaria que lhe indicasse nomes para ocupar o cargo de General do Leste?

— Não Tadeu, na verdade já escolhi o candidato perfeito para o cargo — revelei olhando para ele que segurou a respiração, entendo o que havia sugerido com o olhar — E ele está sentado na minha frente, nesse exato momento.

— Rainha Virgínia, não tenho palavras para descrever o quão surpreso e honrado estou por seu convite, mas creio que terei que declinar — disse devagar temendo me ofender — Posso aparentar ser um soldado do Leste, mas jurei lealdade e proteção a coroa do Sul e não desejo trair meus votos ao reino que recebeu minha família como um dos seus, depois de tudo que passamos no Leste.

— Entendo e admiro seus princípios Tadeu, mas gostaria de saber se você aceitaria o cargo se obtivesse uma dispensa honrosa do exército do Sul?

— Seria uma honra para mim, utilizar o mesmo título pelo qual meu pai foi conhecido por anos — disse emocionando ao pensar na possibilidade. — Mas não posso trair meus votos.

—Sei disso Tadeu, por isso fiz questão de conversar com o seu General, pedindo sua autorização para que pudesse convidá-lo para ser o futuro comandante do meu exército. Seu comandante deixou claro que se fosse do seu desejo, você seria dispensado com honras para assumir o lugar do meu homem de confiança, ele só está esperando o resultado da nossa conversa para enviar uma carta ao rei do Sul solicitando sua dispensa imediata. — expliquei e ele me olhou surpreso, deixando claro que não esperava que tudo estivesse resolvido aguardando apenas sua resposta.

— Vossa majestade, sei que é muito abuso da minha parte, mas posso dispor de um tempo para pensar? Afinal, não serei apenas eu o impactado com as consequências da minha escolha, minha esposa também será.

— É o mais correto, os dois são um casal e prometeram cuidar um do outro perante os deuses, por isso não seria correto decidir algo sem consultar a sua esposa — declarei e ele balançou a cabeça concordando — Acha que Yumi será contra assumir o cargo de General do Leste?

— Não, Yumi sempre me apoiou e embarcou em todas as minhas escolhas, por mais loucas e perigosas que fossem — segredou apaixonado me fazendo sorrir. — Na verdade, acho que está na hora de sossegarmos e formar a família que tanto desejamos. Mal tive tempo de ser o marido dela depois que nos casamos, já que vim em missão para o Leste e fiquei todos esses anos aqui.

— Se aceitar o cargo, poderá ser o marido que tanto deseja a sua esposa e formar a tão sonhada família que anseiam.

—Sim, majestade, é um bom ponto para se pensar. — considerou sinceramente.

— Leve o tempo que precisar, assim que tiver sua resposta me informe para que possa comunicá-la ao seu superior e ele peça sua dispensa da maneira honrada que merece.

— Não se preocupe, vossa majestade, farei isso. — assegurou sincero e lhe agradeci, dispensando-o em seguida.

Assim que estava sozinha, respirei fundo e me levantei da cadeira em que estava sentada indo em direção a estante atrás da mesa que utilizava para trabalhar, buscando com os olhos um livro em específico sorrindo assim que identifiquei sua lombada verde escura com detalhes em dourado. O retirei da estante colocando-o em cima da mesa, buscando informações sobre a origem da minha mãe, mas tudo era muito vago como se ela não quisesse se lembrar do passado.

Deixei o livro da linhagem real da casa do Leste de lado, voltando a buscar o livro que continha as lendas de todos os reinos até mesmo os que foram extintos como o Oeste, parando em um específico que relatava as mesmas histórias que minha mãe contava, ostentando como brasão o símbolo da flor da neve.

Essa descoberta me fez sentar em choque na cadeira que estava atrás da mesa, compreendendo agora o porquê da minha mãe esconder tanto suas origens e dela sempre fazer questão de me contar sobre ela, mesmo utilizando histórias fantasiosas ou enigmas sem sentindo algum para uma criança pequena.

Assim que me recuperei da minha descoberta, guardei os livros que havia utilizado em seu devido lugar e sai do meu gabinete, notando que havia pouco movimento nos corredores e que minha dama de companhia estava praticamente dormindo em pé e percebi o quanto havia demorado em minhas investigações.

Fui até meus aposentos, para fazer minha higiene pessoal e trocar de roupa antes de utilizar a passagem secreta que ligava meu quarto ao de Gael.

Caminhei com cuidado em direção a cama em que meu marido estava deitado, vendo o quanto ele se mexia como se estivesse procurando uma posição confortável para finalmente descansar. Com cuidado, afastei as cobertas que o envolviam me deitando ao seu lado e senti seus braços me envolverem seguindo de um beijo delicado em meus cabelos, antes dele respirar de contentamento por finalmente estar ao seu lado.

— Achei que estivesse dormindo. — sussurrei temendo acordar nosso habituais acompanhantes, enquanto virava para vê-lo na parca luz da lua que vinha da janela do quarto.

— Sem você ao meu lado?! Impossível — segredou me puxando para mais perto, como se não estivéssemos próximos o suficiente — Como foi a sua reunião com o chefe da câmara dos lordes e com Tadeu?

— Foi melhor que o esperado. — disse sorrindo por saber que tinha um trufo nas mãos que poderia usar caso houvesse necessidade.

— Pelo seu sorriso, deve ter saído tudo da forma que desejava.

— Sim, mas Tadeu me pediu alguns dias para pensar, antes de dar sua resposta para o meu convite.

— É uma atitude sabia e responsável, mediante sua lealdada para com o Sul. — segredou olhando para trás sorrindo, mas antes que pudesse lhe questionar o motivo do seu sorriso os lábios de Gael tocaram os meus e suspirei de contentamento, passando meus braços ao redor do seu pescoço trazendo-o para mais perto de mim sem interromper nosso beijo.

— Espero que os dois não estejam fazendo nada que possa resultar em um neto para mim, se não se lembram esse não é o melhor momento para presentear o reino com o tão aguardado herdeiro do trono do Leste. — ouvimos Hortência dizer e nos separamos assustados, por termos sido pegos em flagrante.

— Claro que não, mamãe, estamos cientes disso. — Gael mentiu perfeitamente para a mãe, enquanto sorria sem acreditar que ele havia feito algo assim.

— É o que espero, príncipe Gael. É tratem de dormir, já está muito tarde para ficarem conversando ou se beijando as escondidas. — Hortência ordenou séria e concordamos a contragosto, antes de nos acomodarmos para dormir.