Imperatriz do Leste
38 Trigésimo sétimo capítulo
Notas iniciais

Em silêncio, subimos os três degraus que davam acesso aos tronos reais que havia na sala ocupando nossos acentos por direito, esperando que o sacerdote iniciasse os ritos de coroação.
Logo o mesmo sacerdote que celebrou nosso casamento, se aproximou de mim pedindo que estendesse minhas mãos com as palmas viradas para cima, enquanto molhava o dedo indicador no vidro de óleo de carvalho desenhando símbolos na palma da minha mão, recitando palavras no dialeto dos deuses, repetindo o mesmo processo em minha testa, peito, antebraço e pulso, derramando por fim uma quantidade do óleo em minha cabeça.
Consagrando-me novamente aos deuses, mas dessa vez como imperatriz do Leste.
Em seguida, o sacerdote repetiu o mesmo processo com Gael sentado ao meu lado, consagrando-o aos deuses como imperador consorte do Leste. Assim que finalizou essa etapa, o sacerdote fechou o vidro de óleo de carvalho, entregando-o a um dos seus ajudantes afastando-se dando assim espaço para que o chefe da câmara dos Lordes, Samuel e seu secretário, se aproximassem, segurando a constituição que regia o império do Leste e o documento no qual estava registrado o juramento imperial que deveríamos proferir durante a cerimônia.
— Por favor, vossa majestade, coloque sua mão esquerda em cima da constituição e profira o juramento imperial, para que tome posse do seu novo título real. — Lorde Samuel pediu com a constituição na minha frente e respirei fundo, colocando minha mão esquerda em cima do livro de capa de couro vermelha, enquanto o secretário da câmara segurava o juramento imperial permitindo a leitura.
— Eu, Virgínia, a Fúria da tempestade da casa real do Leste, herdeira do trono do império do Leste, filha do falecido rei Matias e da falecida rainha consorte Alice, princesa do Sul e esposa do príncipe Gael, assumo diante de todos os presentes meu comprometimento com o título que irei assumir a partir de hoje. Prometo, acatar as leis que fundamentam o império do Leste e a câmara dos lordes. Prometo, exercer com sabedoria e justiça o título a mim confiado, sem utilizá-lo para subjugar, ferir ou me aproveitar dos menos favorecidos. Prometo, fazer de tudo para proteger, honrar e zelar pelos súditos que formam o império, respeitando suas particularidades permitindo que se sintam acolhidos e parte do reino. Prometo, jamais pensar em benefício próprio, enquanto estiver no exercício do título confiado a mim pelos deuses, pelo povo do império do Leste e pela câmara dos Lordes. — jurei absorvendo as palavras que dizia diante de todos, ciente do peso que elas teriam a partir de agora.
Com uma reverência se afastaram de mim, parando na frente de Gael para que ele proferisse seu juramento de imperador consorte diante de todos os presentes.
— Por favor, vossa alteza, coloque sua mão esquerda em cima da constituição e profira o juramento imperial, para que tome posse do seu novo título real. — Lorde Samuel pediu com a constituição em sua frente e Gael estendeu sua mão esquerda, colocando-a em cima do livro de capa de couro vermelha, enquanto o secretário da câmara segurava o juramento imperial permitindo sua leitura.
— Eu, Gael, a Fúria da noite da casa real do Sul, segundo filho da rainha Hortência e do falecido rei consorte Marco, príncipe do Sul e marido da atual soberana do Leste, assumo diante da imperatriz e de todos os presentes meu comprometimento com o título que irei assumir a partir de hoje. Prometo, acatar as leis que fundamentam o império do Leste, os decretos da imperatriz e da Câmara de Lordes. Prometo, exercer com sabedoria e justiça o título a mim confiado, sem utilizá-lo para subjugar, ferir ou me aproveitar dos menos favorecidos. Prometo, fazer de tudo para proteger, honrar e zelar pelos súditos que formam o império, respeitando suas particularidades permitindo que se sintam acolhidos e parte do reino. Prometo, jamais pensar em benefício próprio, enquanto estiver no exercício do título confiado a mim pelos deuses, pelo povo do império do Leste, pela imperatriz e pela câmara dos Lordes. — Gael disse sério e calmo, permitindo que todos entendesse cada palavra proferida do juramento imperial.
Após o juramento, Lorde Samuel retirou a constituição da frente de Gael enquanto o secretário da câmara fazia o mesmo com o juramento imperial, em seguida fizeram uma reverência afastando-se enquanto o sacerdote se aproximava com a coroa que passaria a usar até o meu último dia de vida, simbolizando minha autoridade e soberania sobre o império do Leste.
— Com o poder investido em mim pelos deuses, coroo você, Virgínia, a Fúria da tempestade da casa real do Leste, herdeira do trono do império do Leste, filha do falecido rei Matias e da falecida rainha consorte Alice, princesa do Sul e esposa do príncipe Gael, como a primeira imperatriz do império do Leste. A partir de hoje, será conhecida como a imperatriz Virgínia, a Fúria da tempestade da casa imperial do Leste. — o sacerdote disse colocando a coroa em minha cabeça, afastando-se em seguida para fazer uma reverência diante de mim assim como todos os presentes.
Assim que todos se levantaram, o sacerdote recebeu de seu assistente a coroa que seria usada por Gael de hoje em diante, voltando a sua atenção para o homem sentado ao meu lado que segurava a minha mão esquerda.
— Com o poder investido em mim pelos deuses, coroo você, Gael, a Fúria da noite da casa real do Sul, segundo filho da rainha Hortência e do falecido rei consorte Marco, príncipe do Sul e marido da atual soberana do Leste, como o primeiro imperador consorte do Leste. A partir de hoje, será conhecido com o imperador consorte Gael, a Fúria da noite da casa imperial do Leste. — o sacerdote disse colocando a coroa na cabeça de Gael, reverenciando-o assim como os presentes na sala do trono.
Logo os sinos do castelo começaram a tocar, anunciando a população que seus soberanos haviam finalmente sido coroados, em seguida os convidados bateram palmas enquanto os soldados tocavam as cornetas imperiais saudando seus novos monarcas.
Em seguida, foi a vez do mestre de cerimônias tomar a frente parando ao lado do último degrau que dava acesso aos tronos, esperando toda a comoção passar para fazer a nossa primeira apresentação diante dos súditos.
— É com muita alegria que anuncio a todos do império do Leste, que finalmente temos os nossos soberanos — o mestre de cerimonias disse sorrindo para nós. — Viva a imperatriz Virgínia e ao imperador consorte Gael, que seu reinado seja repleto de prosperidade, paz e que seja longínquo. —proferiu sendo seguido por todos os que estavam no salão.
Ao final da cerimônia de coroação, os homens mais importantes do império vieram prestar seus respeitos a nós, incluindo os lordes da câmara e suas famílias assim como o General do exército e sua esposa, trazendo presentes consigo que eram agradecidos com um sorriso educado da nossa parte, antes de nossos secretários levarem os objetos para a sala em que havíamos nos arrumado para a segunda parte dos eventos dessa manhã.
Após a reverência, Agnes me sinalizou que poderíamos ir para o banquete de comemoração e lhe agradeci, antes de apertar a mão de leve do meu marido chamando sua atenção para mim e me inclinei em sua direção vendo que ele fez o mesmo.
— Já podemos deixar a sala do trono e seguir para o salão real, onde o banquete de comemoração está servido — segredei para o meu marido — Vou balançar a cabeça discretamente até três, antes de nos levantarmos juntos. — expliquei a ele, lembrando-o da etiqueta de que o consorte jamais poderia se levantar antes da monarca.
— Tudo bem. — Gael confirmou e nos afastamos, em seguida ele me ofereceu a sua mão para que a segurasse, balançando a minha cabeça discretamente três vezes antes de nos levantarmos juntos, caminhando em direção aos degraus que davam acesso a saída dos tronos.
Enquanto descíamos os três degraus, os convidados abriam espaço no meio do salão formando um corredor que logo foi ocupado por soldados que se posicionaram na frente dos presentes, protegendo a nossa passagem em direção ao salão real.
Naquele momento, segurando a mão do homem que amava enquanto caminhávamos no mesmo ritmo, senti o doce sabor da felicidade preencher todo o meu ser, depois de anos conhecendo apenas o amargor da infelicidade.
Sabia que a partir de hoje, começaríamos a trilhar por uma estrada desconhecida para ambos. E como toda estrada, ela teria suas dificuldades e flores pelo caminho, mas não havia nada que o amor, o respeito e a concessão não resolvessem.
Mesmo que fossemos duas pessoas completamente diferentes, o amor havia nos unido, nos feito passar por adversidades até o momento que pudéssemos assumir um compromisso diante de todos, tendo um império e milhões de pessoas que dependeriam de nossas escolhas para que pudessem ser felizes.
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Balancei a cabeça fingindo interesse diante das palavras do Conde Estevão, sobre as vantagens de uma futura união entre o herdeiro do império do Leste e sua família, dona da maior mina de prata do norte.
Esse tipo de proposta, não seria a primeira e nem a última que receberia durante o banquete do meu casamento, na verdade seria algo que escutaria durante todo o meu reinado, pois qualquer um queria obter algum tipo de privilégio por ser parente da família real.
— Como podem ver depois de tudo que expliquei, vossas majestades imperiais, seu reinado se beneficiará gloriosamente se unirmos nossas casas em matrimonio. — conde Estevão disse nos olhando com expectativa e sorri de forma educada para ele, deixando-o confuso com o meu ato me dando a oportunidade de falar depois de ficar meia hora ouvindo o monologo do homem em nossa frente, sobre a vida confortável que seu filho daria a esposa.
Já meu marido em pé ao meu lado, estreitou os olhos diante da proposta do nobre em nossa frente.
Como se algum dia fosse permitir, que meus filhos se cassassem sem amor ou que fossem usados como mercadoria de troca?! Com a única finalidade de obter melhores vantagens para o império em troca da sua felicidade.
Jamais faria tal coisa.
Se tive a rara oportunidade de me casar por amor, mesmo nunca tendo desejado isso no início, jamais condenaria os frutos desse amor a viverem infelizes pelo resto da sua vida. Assim como seus pais, eles mereciam encontrar sua própria felicidade e seguir a estrada para onde ela os levaria.
— Fico honrada com o seu pedido Conde Estevão, mas não posso assegurar que seu filho será escolhido como futuro marido da minha filha, pois como presenciou horas atrás acabei de me casar e não posso afirmar quando e se terei alguma filha. Como sabe, isso é algo que pertence aos deuses e não a nós — o lembrei séria e ele balançou a cabeça concordando, abrindo a boca para dizer algo, mas o interrompi. — E se algum dia tiver uma filha, ela escolherá com quem deseja se casar assim como todos os herdeiros que o imperador consorte me conceder.
— Compreendo, minha imperatriz, mas não acha prudente escolher de antemão os pretendentes para os herdeiros do trono?! Assim poderá ter os melhores candidatos a disposição, que poderão oferecer incontáveis riquezas e benefícios para o império. — insistiu tentando me fazer mudar de ideia.
— Conde Estevão, agradecemos a sua preocupação para com o futuro do herdeiro do trono e do império, mas asseguro que não precisa se preocupar com isso. Nosso império possui muitos recursos que estão sendo explorados com responsabilidade e segurança, permitindo que estejam a disposição por um longo tempo, além disso, minha própria fortuna pessoal será herdada por nossos filhos, deixando-os confortáveis por gerações — Gael assegurou frio para o homem em nossa frente que sorriu educadamente. — Me desculpe interromper a nossa agradável conversa, mas gostaria de tirar a minha esposa para dançar.
— Claro, imperador consorte, eu que agradeço o tempo que me concederam. — conde Estevão disse agradecido se afastando de nós, enquanto Gael me oferecia sua mão direita a qual aceitei e nos despedimos do homem em nossa frente, antes de seguirmos em direção ao meio do salão e logo uma melodia suave começou.
Com um sorriso nos lábios Gael segurou minha mão esquerda, repousando sua mão direita no meio das minhas costas, enquanto colocava minha mão direita em seu ombro iniciando assim a nossa primeira dança como soberanos do império do Leste.
— Obrigado, por não ter aceitado a proposta do conde Estevão. — disse agradecido enquanto desliávamos pelo salão em sincronia, atraindo a atenção de todos os convidados para nós.
— Prometi que nossos filhos escolheriam com quem iriam se casar, por isso não precisa se preocupar, imperador consorte. — assegurei sem desviar dos seus olhos e ele sorriu agradecido me girando e sorrir surpresa, enquanto me puxava novamente para os seus braços.
Assim que nossa dança terminou fomos aplaudidos pelos convidados, enquanto caminhávamos em direção a mesa para iniciarmos o banquete e notei que minha sogra olhava para o filho com admiração e orgulho, por ele ter se casado com a mulher que amava depois de tantos desencontros que a vida havia colocado no nosso caminho.
— Podemos cumprimentar minha mãe, antes de iniciar o banquete? — pediu olhando para a mãe e concordei com um sorriso.
— Claro, meu amor. — concordei antes de caminharmos em direção a família de Gael que nos observava de longe.
Assim que paramos na frente deles, Hortência deu um passo em direção ao filho interrompendo a sua ação assim que olhou ao redor, vendo seus familiares se curvarem diante de nós, já que nosso título de nobreza estava acima do deles.
— Vossas majestades imperais, me desculpe se... — Hortência começou a se desculpar por quebrar o protocolo, se aproximando sem a nossa autorização.
Em silêncio, Gael beijou a minha testa com carinho, afastando-se de mim para impedir que sua mãe concluísse sua reverência, deixando-a surpresa por seu gesto.
— Não precisa se curvar diante de mim, a senhora é a minha mãe. — Gael disse carinhoso segurando as mãos de Hortência que olhava surpresa para o filho por sua atitude.
— Mas é o que manda o protocolo real... — sussurrou perdida olhando para o filho que sorriu com carinho para ela.
— Sim, mas o protocolo real também deixa claro que um monarca pode dispensar qualquer pessoa de usá-lo em qualquer ocasião — destacou suave e ela balançou a cabeça concordando — Por isso, a dispenso de usá-lo, em troca gostaria que minha mãe me abraçasse como tanto deseja. — declarou sorrindo abrindo os braços para recebê-la e Hortência foi sem hesitar, abraçando seu filho com força enquanto a emoção tomava conta de ambos atraindo a atenção dos presentes.
— Achei que fosse ficar feliz por finalmente me ver casando, mamãe. — meu marido segredou sorrindo assim que sua mãe interrompeu o abraço dos dois.
— E estou, finalmente terei um pouco de paz, ao em vez de me preocupar com a perda de juízo momentânea do meu filho caçula. — segredou olhando com carinho para seu filho que sorriu.
— Eu também te amo, mamãe, e vou sentir a sua falta.
— Eu também te amo e sentirei a sua falta, querido, mas é notável que está muito mais feliz aqui do que em casa — destacou maternal, votando sua atenção para mim. — Por favor, imperatriz Virgínia, imploro que cuide do meu filho e o faça feliz, ele e o irmão são as lembranças mais preciosos que meu falecido marido me deixou.
— Não se preocupe, rainha mãe Hortência, cuidarei muito bem do seu filho. — assegurei para ela que sorriu agradecida para mim, antes de Gael abraça-la com carinho novamente.
— Também te amo, filho, desejo toda felicidade do mundo para vocês, mas precisa cumprir agora o seu dever de consorte ao lado da sua imperatriz — Hortência lembrou meu marido que sorriu concordando separando-se novamente da sua mãe. — Seu pai teria muito orgulho de você, Gael, assim como todos do Sul tem, lembre-se sempre disso, filho.
— Vou lembrar, mãe.
— Ótimo — disse separando-se do filho com um sorriso nos lábios. — E nada de tristeza, hoje é um dia para comemorações. Vamos mostrar ao Leste, como o Sul comemora uma festa de casamento. — declarou fazendo seus familiares rirem, enquanto Gael voltava para o meu lado.
— Adoraria ver isso, rainha mãe Hortência. — declarei curiosa fazendo todos rirem.
— E verá, imperatriz Virgínia, tenho certeza que Gael se encarregará de apresentá-la os nossos costumes, especialmente aqueles que se tratam de festividades. — rei Liam destacou sem desviar os olhos do irmão que corou, fazendo-o rir.
— Bem, como mamãe disse, precisamos fazer nossos papeis de anfitriões e iniciar o banquete de comemoração.
— Sim, se pudéssemos ficaríamos mais tempo na companhia de vocês, mas precisamos iniciar o banquete e dar atenção para os outros convidados. — me desculpei com os familiares de Gael que sorriram compreensivos.
— Está tudo bem, imperatriz Virgínia, entendemos perfeitamente podem ir tranquilos. — Hortência assegurou e sorri agradecida me despedindo de todos, antes de seguir em direção a mesa do banquete ocupando a cabeceira tendo Gael ao meu lado.
Assim que todos estavam acomodados em seus assentos e os servos haviam terminado de servir a todos, segurei minha taça de vinho na mão direita levantando da cadeira em que estava sentada, atraindo a atenção de todos para mim.
— Gostaria de agradecer a todos pela presença, neste dia tão importante para mim e para todos do império do Leste. O dia em que celebro meu enlace com o imperador consorte Gael, por quem tenho grande afeição e admiração, e reconhecemos formalmente o nosso reino como o império do Leste, protegendo-o e permitindo que sua população possa ser feliz e prosperar durante todo o nosso reinado, brindemos a isso. — declarei levantando minha taça e todos imitaram meu gesto, voltando a me sentar ao lado do meu marido iniciando o banquete de comemoração.
Após o fim do banquete nos despedimos de todos os convidados, antes de seguimos em direção a entrada do castelo onde uma linda carruagem aberta nos esperava para o desfile pelas principais ruas do império que já se encontravam lotadas pelo povo, esperando pela chance de ver o príncipe do Sul como seu consorte.
Saímos escoltados pela cavalaria do exército, acenado para a população que retribuía jogando flores por todo o nosso caminho, desejando felicidades durante toda a nossa união e sabedoria enquanto estivéssemos a frente do governo.
Ver o amor do meu povo por mim e pelo homem sentado ao meu lado segurando minha mão me levou as lágrimas, por finalmente poder viver tudo aquilo que imaginei, tendo algumas surpresas no caminho que só enriqueceram e ressignificaram a minha trajetória, me transformando na imperatriz do Leste.
Uma mulher que jamais baixou a cabeça contra as injustiças, que lutou com todas as forças para defender o seu lugar de direito, contrariando todos aqueles que a subjugavam por não ter nascido homem.
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