Imperatriz do Leste
4 Terceiro capítulo
Notas iniciais

Andamos a cavalo até a divisa entre os muros do castelo e a cidade onde viviam os habitantes do reino, um local isolado e que poucos frequentavam dado ao perigo de um possível ataque dos soldados do Norte sempre à espreita para nos atacar novamente.
Por isso era seguro realizar meu treinamento em defesa pessoal ali, pois ninguém em sã consciência se arriscaria a vir aqui apesar de ser um local lindo e calmo, ideal para se admirar as montanhas irmãs. Assim que descemos da nossa montaria, entregamos nossas rédeas a Arthur que levou os cavalos para um lugar com sombra, água e grama, para que pastassem enquanto treinávamos.
— Vamos iniciar revisando tudo que aprendeu ontem, majestade. — Tadeu disse sério assumindo sua postura superior assim que Arthur parou em minha frente, preparado para me enfrentar mais uma vez.
— Tudo bem. — disse séria segurando a espada que Arthur me entregava, antes de Tadeu começar a contar até três e iniciarmos a nossa disputa.
Desde que nos tornamos aliados três anos atrás, em prol de derrotar nosso inimigo em comum, implorei que me ensinassem a me defender porque odiava saber que poderia ser morta a qualquer instante por alguém mais bem preparado que eu. Tinha que estar pronta para qualquer coisa que viesse do General, já que ele não era um homem honrado e seria capaz de tudo para conseguir o que desejava, por isso tive que aprender tudo que podia nos últimos anos com meus aliados para o que estivesse por vir.
Tadeu e Arthur, haviam sido treinados desde muito jovens na academia militar do Sul, um reino conhecido por seu exército militar poderoso e pelos raros rubis que brotavam de suas terras.
Habilidades das quais demoram anos para adquirirem e refinarem, enquanto só me restava dias ou quem sabe horas até que desse o primeiro passo para o meu embate, algo que sempre evitava, pois uma das coisas que aprendi com as aulas de Tadeu foi que não se desafia um oponente mais experiente do que você, se não tiver uma estratégia solida que o fará vencer. Antes de um embate, é preciso aprender os pontos fortes e fracos do seu inimigo, os quais ele sempre deixa transparecer em algum momento porque já se senti confiante com a sua vitória e era aí que tudo poderia mudar.
Só é preciso uma chance, para mudar o rumo de qualquer batalha por mais que esteja em desvantagem e era com isso que contava.
— Muito bem, vossa majestade...Mas tome cuidado com o seu pé direito, firme ele com segurança antes de partir para cima do seu oponente ou levará uma rasteira do seu adversário. — Tadeu me orientou sério com as mãos para trás e concordei — De novo...E Arthur, ataque-a como se a sua vida estivesse em perigo.
— Pausa — Arthur pediu interrompendo o nosso duelo, enquanto voltava a sua atenção para o irmão mais velho — Você só pode estar brincando, não é, Tadeu?! — questionou sério para o homem parando com as mãos para trás — Ela é a nossa rainha, devemos protegê-la, dar a nossa vida pela dela se for preciso e não atacá-la como um soldado inimigo, pare de me olhar dessa forma como se tivesse acabado de falar um grande absurdo.
— Neste lugar Arthur, ela não é a nossa rainha. É uma aluna sedenta por conhecimento, que tem pouco tempo para absorver tudo o que levamos anos para aprender, se não formos rígidos e termos disciplina acabaremos colocando a vida dela em perigo. É isso o que deseja, meu irmão?! Quer ter o sangue da nossa rainha nas mãos, por que não conseguiu esquecer por um minuto seu título de nobreza?! Não sei você, mas não desejo isso. Agora pare de me contestar e volte para o treinamento irmão, você precisa treinar mais está deixando sua guarda aberta como um recruta iniciante...Agora, de novo — Tadeu disse severo e Arthur suspirou, enquanto voltávamos a nossa disputa que só foi interrompida novamente meia hora depois por meu mentor, justificando que nos daria meia hora de descanso devido ao bom rendimento do treino.
— Graças aos deuses, achei que fosse nos matar de treinar, seu tirano. — Arthur reclamou sem fôlego jogado no chão depois que o derrubei, tomando sua espada e apontando-a para a sua cabeça, enquanto a minha estava no ponto exato em que batia seu coração.
— Vossa majestade, progrediu a olhos visto, mesmo tendo tão pouco tempo de treinamento, meus parabéns, minha rainha. — Tadeu me elogiou fazendo uma reverência e sorri agradecida, segurando as duas espadas em uma mão antes de oferecer a outra para ajudar Arthur a se levantar.
— Meu irmão tem razão, a rainha está muito avançada para alguém que começou a treinar a três anos. — Arthur ressaltou caminhando em direção ao seu cavalo, pegando um cantil de água que havia em sua montaria.
— Isso quer dizer, que posso cravar a minha espada no coração do General e recuperar meu trono? — perguntei séria e Arthur se engasgou com a água que tomava, enquanto Tadeu me olhava sério.
— Odeio frustrar seus planos rainha Virgínia, mas ainda não. O General tem anos de experiência a sua frente além de não possuir honra alguma, se tentasse algo quem acabaria com uma espada no coração seria, vossa majestade. — Tadeu me alertou sério e Arthur concordou, assim que se recuperou do acesso de tosse devido ao engasgo.
— Tudo bem, mas não irei perdoá-los se me tirarem o direito de cravar minha espada no coração daquele bastardo.
— Sabemos disso, vossa majestade. — Arthur disse suave e olhei para os dois séria.
— E prezamos pela nossa vida, agora tome um pouco de água e descanse, o treino de hoje foi excelente. — Tadeu disse sério tirando um cantil de água da sela do meu cavalo, jogando em seguida para Arthur que me entregou a garrafa.
— Por que preciso descansar?! Pelo que sei, meu inimigo nunca descansa.
— Ele não descansa porque não é humano, deve ter pacto com o deus das trevas, mas a senhora não, então obedeça a seu mestre. — Tadeu disse sério, usando a autoridade que havia lhe dado ao pedir para ser meu mestre em combate.
— Agora sei como Arthur se senti, quando o trata como irmão mais novo. — segredei insatisfeita olhando para Tadeu que sorriu, enquanto abria meu cantil e tomava um longo gole de água para me refrescar, repassando em minha mente todo meu treinamento para que pudesse realizá-lo novamente durante a noite.
— Às vezes meu irmão esquece que não é mais o segundo capitão do exército... Ele está agindo igualzinho aos superiores na época de treinamento. — Arthur reclamou sentado ao meu lado tomando um pouco da sua água e olhei séria para ele.
— Não fale assim, sabe que seu irmão tem razão. Vocês tiveram anos de treinamento, enquanto eu só consegui dispor de três anos dos quais espero ser o suficiente para me defender, caso seja preciso. — expliquei séria e ele suspirou, enquanto tomava minha água.
— A senhora sabe que não precisa se submeter a isso, enfrentaríamos qualquer coisa para protegê-la, é a nossa missão.
— Sei disso, mas não é certo pedir que entrem em uma guerra por minha causa, vocês já perderam tanto e só tem um ao outro, não podem arriscar isso nem mesmo por mim ou por meu reino. — pedi preocupada com a possibilidade de se machucarem e Arthur sorriu suave, como se soubesse de algo que não tinha conhecimento.
— Estou comovido com suas palavras, mas se a senhora tivesse ideia... — ele começou a dizer e se interrompeu, como se percebesse que havia falado demais e estreitei os olhos desconfiada.
— Do que não tenho ideia, Arthur?!
— Da força e inspiração que traz ao seu povo, mesmo com tudo que o General do Leste faz para que o povo a odeie, eles ainda a amam e a admiram por lhes dar esperança de que dias melhores virão.
— Adoraria que fosse assim, mas sabemos que meus súditos não sabem que sou a Fúria da tempestade, para eles sou apenas uma governante fútil a espera de um casamento vantajoso para continuar mantendo seu padrão de vida. Para eles, trocarei uma coroa de esmeraldas, por uma de rubis. — expliquei e Arthur me olhou com pesar, como se quisesse evitar que passasse por tantas provações.
— Não seria melhor, vossa majestade, desistir de tudo? Podemos forjar sua morte, assim poderá ter uma vida longe desse inferno. Poderá ser uma pessoa comum...Se apaixonar...Casar...Ter filhos...Sem o peso da coroa do reino do Leste em sua cabeça, muito menos a sombra da ameaça do General. — Arthur sugeriu e sorri sem humor olhando para o céu, porque já havia pensado nessa possibilidade, mas sempre soube que não podia ignorar meu dever porque se o fizesse meu povo sofreria nas mãos de um tirano.
— Não posso simplesmente fugir dos meus problemas, Arthur. Não seria justo com todos que se sacrificaram para que estivesse viva hoje, muito menos com o meu povo que iria sofrer nas mãos daquele bastardo.
— Entendo, mas o que fará com o seu casamento com rei do Sul?! Pelo que soube de alguns soldados da fronteira, parece que eles avistaram uma comitiva ostentando o símbolo do reino do Sul se aproximando do reino. — Arthur disse preocupado e olhei para ele surpresa, pois era uma informação que não sabia.
— Desde quando sabe disso? — questionei surpresa por não ter essa informação enquanto Tadeu se aproximava de nós.
— Escutei a conversa de alguns oficiais enquanto enchia os cantis de água essa manhã, antes de saímos para cavalgar. Me desculpe por não ter falado, mas estava esperando o momento certo para lhe dar essa notícia, não queria preocupá-la mais do que já aparentava estar. — Arthur se desculpou envergonhado por sua falta e balancei a cabeça concordando.
— Está tudo bem, Arthur, não é como se não soubesse da vinda do rei do Sul, já estou à espera desse momento desde que soube do nosso noivado. É natural que ele esteja a caminho, meu vigésimo primeiro aniversário se aproxima e foi a idade escolhida para que uníssemos nossos reinos em matrimônio, e ainda não sei o que fazer em relação ao meu casamento com o rei do Sul, tudo que sei é que não irei deixar meu trono para ser a consorte de ninguém. Nem que tenha que mostrá-lo, que sou a pior escolha para desempenhar essa função...Acho que acabei de ter uma excelente ideia...— disse e sorri ao ver que um plano se desenrolava em minha mente, para que pudesse me livrar de vez desse casamento indesejável — Rápido, precisamos voltar imediatamente para o castelo.
— Sim, vossa majestade — disseram enquanto me levantava e seguia em direção ao meu cavalo, para que partíssemos o quanto antes dali e pudesse pensar melhor na ideia que havia acabado de ter.
Assim que entrei em meu quarto presenciei uma Agnes aflita, andando de um lado para o outro rezando sozinha implorando algo aos deuses de maneira obstinada.
— Não precisa se preocupar, Agnes, dessa vez voltei sem nenhum arranhão e antes da chuva, como prometido — disse sorrindo para a minha dama de companhia que soltou a respiração, da qual parecia está segurando a muito tempo antes de se aproximar de mim nervosa — O que houve, Agnes?
— Não temos muito tempo, vossa majestade. O General do Leste, solicitou sua presença no almoço habitual da câmara dos Lordes. — Agnes disse nervosa e fiquei surpresa com sua solicitação, pois não era natural ele me convocar duas vezes no mesmo dia.
— Ele informou previamente do que se tratava essa convocação? — perguntei desconfiada e ela balançou a cabeça negando.
— Não senhora, tudo que sei é que ele exigiu que não toleraria a falta de nenhum dos membros da câmara ou eles seriam severamente punidos. — Agnes explicou e balancei a cabeça concordando, pensando que tal urgência só podia ser por causa da chegada do rei do Sul.
— Tudo bem, Agnes, me ajude a ficar apresentável o mais rápido possível, por favor. — pedi a minha dama de companhia que concordou, enquanto seguia para o cômodo designado para realizar minha higiene pessoal.
Em meia hora já estava apresentável, usando um lindo vestido verde escuro ombro a ombro com detalhes em renda preta, combinando com o colar e a tiara de esmeraldas que pertenceram a minha mãe. Como penteado, Agnes optou por prender as mechas laterais do meu cabelo escuro, deixando o restante cair em ondas suaves por minhas costas até a minha cintura, destacando as joias que estava usando.
Assim que estava devidamente pronta, sai dos meus aposentos em companhia de Agnes e dos quatro guardas que me acompanhavam entre eles estavam Tadeu e Arthur, em direção ao salão real para o almoço.
Um local exclusivamente para grandes reuniões ou como gostava de nomear, “acordos de traições”, das quais nunca tive a permissão de participar, fato que me deixava desconfiada sobre o teor das conversas que aconteciam entre aquelas paredes.
Esperei como sempre ser anunciada pelo mestre de cerimônias do castelo, antes de entrar no salão real recebendo o cumprimento de todos os presentes, ocupando a cadeira da cabeceira a esquerda já que a dá direita estava o General, deixando claro que ele era o anfitrião principal da ocasião, enquanto eu ocupava o local por mera formalidade.
— Fico feliz em ver que aceitou meu convite para o almoço de hoje, rainha Virgínia. Sei o quanto seu dia é ocupado com cuidados pessoais, pintura, bordados e seja lá o que as damas do reino se ocupem. — O General destacou de forma sarcástica fazendo todos ali rirem, menos eu.
Sempre que podia o General fazia questão de demonstrar a minha possível falta de preparo para estar à frente de um reino, mas o que ele achava que seria uma forma de me menosprezar e humilhar era a única chance que possuía de ser ouvida, aproveitando esses momentos para demonstrar que era muito mais que um rostinho bonito.
— Por incrível que pareça, General, comecei um novo passatempo, a leitura. Passo horas produtivas, lendo todos os livros disponíveis na biblioteca real, os senhores não sabem o quanto tem sido enriquecedor e transformador, tenho aprendido muito sobre tantas coisas...Como a Arte...Música...Formas de governo...Táticas militares...— disse sem importância encarando todos da mesa que param de sorrir diante da minha explicação, ficando tensos com o que poderia dizer.
— Esses assuntos não deveriam ser de curiosidade de vossa majestade, na verdade não deveriam estar acessíveis a nenhuma dama de respeito. — Lorde Tomás, chefe da câmara dos Lordes, disse severo e todos os homens concordaram.
— Por que não Lorde Tomás? Por acaso, o fato de uma mulher ter acesso a esse conhecimento, poderá fazê-la ter ideias?! Do que os senhores tanto têm medo?! Tem medo de que uma mulher, como eu, tenha ideias diferentes das dos senhores e tome o poder?! — questionei despreocupada balançando minha taça de vinho, enquanto escutava muitos deles segurarem a respiração diante das minhas palavras.
Era bom saber que eles me temiam pelo menos uma vez, na maioria das vezes eles sempre se achavam no controle de tudo, mas era o que deixava transparecer mantendo assim minhas ações nas sombras.
— Porque está dizendo tais coisas, rainha Virgínia? — O General questionou em alerta e sorri deliciada com sua preocupação, deixando os presentes tensos com medo do que falaria a seguir.
— Por nada, General. Pelos deuses, nunca os vi tão pálidos como agora, não se preocupem sei muito bem o papel que nasci para desempenhar. Não acham que preciso ter alguma instrução, para manter uma conversa com o meu futuro marido e com a corte do Sul?! Além do mais, serei responsável por gerar e educar o próximo monarca do Sul, não acham que preciso estar a par de todo o conhecimento disponível, para poder educá-lo da melhor maneira?! — disse dando uma desculpa qualquer tomando um gole do meu vinho em seguida, enquanto os presentes pareciam segurar a respiração até o General sorrir alto assustando a todos.
— Espirituosa como sempre, vossa majestade. Mas lembre-se, quando chegar a hora deverá deixar a educação do futuro rei do Sul na responsabilidade dos tutores reais, não precisa se preocupar em ler obras impróprias para o seu gosto tão refinado e delicado. — O General disse indicando que os servos começassem a servir o almoço.
Passei o almoço inteiro calada, sorrindo e acenando de forma vaga quando solicitada, enquanto tentava descobrir por que o General havia feito questão da minha presença nesse almoço, quando nenhum dos presentes estava à vontade comigo ali. Provavelmente, minha presença os impedia de discutir livremente sobre subornos e assassinatos de opositores.
Assim que os servos retiraram as louças usadas durante a refeição e trouxeram a sobremesa, o general segurou sua taça de vinho e uma faca batendo delicadamente nela, com a finalidade de chamar a atenção dos presentes.
— Sei que todos estão curiosos para saberem o assunto do almoço de hoje, especialmente por nossa rainha ter nos agraciado com sua presença neste dia, mas não iremos tratar de assuntos administrativos agora porque hoje gostaria de compartilhar as boas novas com todos. — O General disse eufórico e estreitei os olhos, desconfiada de toda aquela felicidade repentina.
O General do Leste só ficava eufórico dessa forma, quando recebia notícias do meu futuro marido, elas eram capazes de deixá-lo sorrindo à toa como se tivesse ganhado o melhor doce do mundo. Tudo porque o dia de se livrar do seu grande incomodo, vulgo eu, se aproximava.
— Ontem à noite, recebi uma mensagem trazida por um emissário, informando que a comitiva do rei do Sul chegará daqui a dois dias em nosso reino, a tempo de celebrar conosco o vigésimo primeiro aniversário de nossa rainha, sua última comemoração em nosso reino antes do seu casamento. Acredito, que poderíamos aproveitar a ocasião para celebrarmos o fim de uma espera de anos e o começo de um reinado próspero para o próximo monarca do Leste. — O General sugeriu feliz e todos concordaram, enquanto permanecia em silêncio observando os presentes que comemoravam como se tivessem finalmente ganhado uma guerra travada a anos.
Pode comemorar General do Leste, você ganhou essa batalha, mas não a guerra, pensei comigo mesma olhando seria para eles, desviando meu olhar para os outros homens presentes que compartilhavam da mesma alegria, veremos senhores, se me casarei com o rei do Sul e deixarei meu reino nas mãos de vocês para que explorem ainda mais o meu povo.
Rogo aos deuses pelo dia em que terei o prazer de tirar esse sorriso sínico da sua cara muito em breve General do Leste, assim como derrubarei um por um dos seus aliados dos seus lugares de glória, pensei comigo mesma tomando meu vinho sem pressa tentando não demonstrar a raiva que queimava dentro de mim.
Quando finalmente aquele almoço indigesto terminou, caminhei em direção aos meus aposentos determinada em colocar uma parte do meu plano em ação, me livrando do primeiro empecilho que poderia atrapalhar meus objetivos, meu casamento com o rei do Sul.
— Preciso que leve isso imediatamente para a floresta caída, Agnes, aguarde a resposta do meu pedido. — disse lhe entregando um envelope lacrado com o selo pessoal do meu codinome, Fúria da tempestade, para minha dama de companhia.
— Vossa majestade, isso é muito perigoso. Temo pelo que o General irá fazer, se souber dos seus planos. — minha dama de companhia disse preocupada com a carta em mão.
— Prefiro arriscar, Agnes. Não posso me conformar em ser levada para outro reino, me casar com alguém que nunca vi na vida e que me tratará como um objeto, me diminuindo até me fazer esquecer que um dia fui a monarca de um reino. Apenas, faça o que estou ordenando Agnes, tenha cuidado para não ser vista. — implorei desesperada a ela que concordou, escondendo o envelope em suas vestes saindo em seguida do meu quarto.
— Se for preciso me tornar um monstro para derrotar outro, farei isso sem hesitar. — pensei comigo mesma andando de um lado para o outro, tentando acalmar minha mente que estava inquieta preocupada com Agnes indo em direção a floresta caída.
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