Notas iniciais
Sejam bem vindos, ao nosso sétimo capítulo. Espero que gostem da história e continuem acompanhando. Boa leitura a todos.

Assim que a prova do vestido terminou me despedi de Betânia e avisei a Agnes que daria uma volta pelo jardim, aproveitando a brisa fresca do final da tarde enquanto colocava meus pensamentos em ordem para não cometer nenhum descuido durante o jantar dessa noite.

Prestativa, Agnes assegurou que me acompanharia assim que deixasse o vestido em meus aposentos, mas neguei, informando que gostaria de ficar sozinha, o que não seria possível já que um séquito de guardas e damas me seguiam para onde quer que fosse.

A contragosto, minha dama de companhia concordou e lhe agradeci, por ela me conceder um pouco de privacidade algo que os outros não fariam. Resignada, caminhei em direção aos jardins que cercavam o castelo, os quais sempre me traziam lindas recordações das pessoas mais importantes da minha vida, meus pais e o único amigo que tive nessa vida, do qual jamais tive noticiais.

Nos conhecemos alguns anos depois da morte dos meus pais, durante sua curta estadia no castelo. Estar em sua presença me fez ser uma criança como qualquer outra, pelo menos uma vez na vida esqueci o título de rainha que herdei tão nova e pode brincar como qualquer outra menina da minha idade. Foram semanas incríveis, das quais guardava como um precioso presente nas minhas memórias ao lado das lembranças que possuía dos meus pais, mesmo após tantos anos desejava que pudéssemos nos ver novamente para que pudesse lhe agradecer, por tudo que havia feito por mim, mesmo que para ele pudesse não ter parecido muito.

Meu amigo, havia me apresentado um mundo totalmente diferente quando mais precisava e lhe seria eternamente grata, por isso durante toda a minha vida.

Em silêncio segurei o colar que possuía um pingente de estrela de oito pontas, que havia ganhado do meu amigo no dia em que nos despedimos, implorei em pensamento aos deuses para que onde quer que estivesse meu amigo fosse feliz e que pudéssemos nos encontrar novamente, pois desejava lhe agradecer pelas lindas memórias que me proporcionou.

Fiquei durante um tempo caminhando pelo jardim segurando meu colar, até respirar fundo e caminhar para o interior do castelo. Assim que entrei nos meus aposentos, notei que minhas damas de companhia não estavam no local e respirei fundo, acendendo algumas velas que estavam em um castiçal, caminhando em direção a passagem secreta que estava atrás do grande quadro ostentando uma paisagem de um campo florido.

Logo me deparei com inúmeros corredores, que fariam uma pessoa que não conhecia o caminho se perder, mas minha mãe fez questão de passear comigo por aquelas galerias assegurando sempre de que decorasse o caminho seguro, para sair e voltar do castelo.

Ela sempre me fazia acreditar que tudo não passava de uma brincadeira, me recompensando no final com doces quando conseguia nos guiar de maneira correta, só mais tarde compreendi que minha mãe estava me dando a oportunidade de escapar em segurança se algo acontecesse e meus pais não estivessem comigo.

— Não tem vergonha de roubar do povo, tesoureiro real?! — questionei severa saindo de trás de um quadro na tesouraria real, flagrando o tesoureiro retirando uma grande parte das moedas de ouro que estavam nas sacolas em cima da mesa, colocando-as em outra que provavelmente iriam para as suas finanças pessoais.

— Pelos deuses...— a voz do tesoureiro real soou assustada assim que ouviu minha voz, virando rapidamente para trás com a mão no coração. Assim que notou de quem se tratava ele relaxou, enxugando a testa com cuidado enquanto colocava o castiçal aceso em cima de uma mesa que possuía um belo arranjo de flores do campo.

— Vossa majestade me assustou, achei que fossem os deuses vindo me buscar. — o tesoureiro real disse e sorri sem humor, enquanto o via pegar a jarra de água e se servir em seguida.

— Fico feliz em saber que seus pecados ainda lhe assombram, tesoureiro real. Espero que o mesmo aconteça com o seu grande amigo, o General do Leste. — disse severa e ele sorriu angustiado, depois que tomou sua água.

— O General do Leste não é meu amigo, vossa majestade, sou apenas mais um peão no seu jogo de poder assim como sou no seu. — destacou e sorri concordando.

— Sim, mas no seu caso, o senhor é o peão que fica do lado de quem lhe dá melhores oportunidades de sobrevivência, estou errada? — questionei sem desviar dos seus olhos e ele balançou a cabeça negando.

— Não, minha senhora, nesse mundo cruel só os espertos sobrevivem na guerra dos poderosos. — destacou perspicaz e balancei a cabeça concordando.

— Os espertos e os nobres de coração. Quem faz o bem e luta por ideais nobres, sempre será recompensado no final, tesoureiro real. — assegurei e ele sorriu descrente, como se tivesse lhe contado algo insano.

— Essa filosofia de vida, minha rainha, pode iludir e envaidecer os nobres e guerreiros, mas não os sobreviventes como eu. Tudo que importa nessa vida, é o ouro e a sobrevivência. —destacou e balancei a cabeça com desgosto, sabendo que não adiantaria querer fazê-lo se arrepender das ações de roubar o reino e seus aliados, no fim o tesoureiro real só pensava na própria sobrevivência, sendo capaz de trair qualquer um para que pudesse sair vivo e com uma bolsa cheia de ouro.

— Está tudo bem, se é assim que pensa quem sou eu para tentar mudar suas crenças, não é mesmo?! O que me importa, é se fez o que lhe ordenei. — disse mudando de assunto, voltando-o para os meus interesses e ele sorriu de forma conspiratória.

— Não se preocupe, rainha Virgínia, a senhora pediu a um profissional. Sei muito bem, como desviar esse dinheiro sem afetar as despesas públicas. — se vangloriou por saber fazer algo ilegal e me senti enjoada por nossa atitude, a dele por ser um funcionário corrupto e a minha por ter que roubar dessa forma os tributos pagos por meus súditos, mas só retirava a soma que já era desviada pelo General, utilizando-a para ajudar os necessitados ou financiar meus planos de tomar o reino.

— Conto com isso, faça como sempre, entregue o dinheiro no local combinado onde meus homens já esperaram por ele — disse pegando um pedaço de papel que havia em cima da mesa, calculando mentalmente quanto precisaria, anotando o valor e entregando o papel ao tesoureiro que arregalou os olhos diante dos números.

— Vossa majestade, tem certeza desse valor?! Essa quantia deixará o cofre pessoal do General praticamente zerado, assim ele desconfiará de nós.

— Sei disso, assim que fizer o que ordenei, pegue sua parte que vem desviando das contas públicas durante todos esses anos e suma do reino do Leste, vá para o mais longe que puder com sua família, tesoureiro real. — aconselhei o homem de cabelos grisalhos em minha frente que engoliu em seco.

— Essa é a sua jogada final, vossa majestade?

— Sim, tesoureiro real. Preciso dar um fim em tudo isso, para que ninguém mais precise ser um sobrevivente pisando ou enganando os outros, como o senhor teve que fazer para chegar até aqui. Se não mover as minhas peças, não conseguirei ver o jogo do General e pretendo apostar tudo que tenho na minha jogada final. — assegurei a ele que balançou a cabeça concordando.

— Dizem que um homem cruel, só é derrotado por um mais cruel. Se deseja aniquilar seu inimigo, vossa majestade, se torne muito pior que ele só assim ganhará a partida. — me aconselhou e balancei a cabeça concordando, porque sabia que no fundo ele tinha razão.

Não podia ficar esperando sentada, pelo belo dia em que o General me acusaria de traição a coroa, única forma de me tirar do trono sem me matar permitindo assim que ascendesse de forma legitima, já que a monarca havia tramado contra o próprio reino.

Um crime que jamais seria perdoado pela câmara dos lordes, muito menos por meus súditos.

Desde o começo, quando elaborei o meu plano original para tomar o poder com a ajuda dos rebeldes havia feito um plano alternativo, caso algo desse errado com o primeiro e assim por diante. Meu segundo plano, era dispor de uma grande soma e fugir em direção ao reino do norte, terra do meu inimigo mortal e o principal rival do General do Leste.

Oferecendo inúmeras riquezas para o inimigo, propondo uma aliança entre nossos reinos para que me ajudasse a derrotar o usurpador do meu trono, pois uma das maiores táticas de guerra quando se possuía um inimigo forte demais, era se aliar ao inimigo dele. Para que juntos pudéssemos vencê-los, eliminando em seguida seu pseudo aliado, evitando que ele tenha tempo de se voltar contra você.

Levar meu reino em direção a uma possível guerra foi algo que nunca desejei, mas estava ciente de que poderíamos chegar a tal ponto pelo trono, pois o General do Leste não abriria mão tão fácil do poder que acreditava ser dele e muito menos eu, que desejava livrar meu povo do sofrimento imposto pela gestão corrupta do comandante do meu exército.

Não era só meu dever como rainha do Leste, mas como filha dessa terra livrá-la da tirania do General.

E faria isso, mesmo que custasse a minha vida no processo.

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Sai dos meus aposentos no horário do jantar, trajando um vestido preto de mangas que quase tocavam o chão, ostentando delicados bordados de dálias negras nos ombros e um decote em “v” que deixava em evidência meu colar de estrela de oito pontas, combinando com a tiara dourada que usava.

Parei em frente a porta do salão de jantar e o mestre de cerimônias me cumprimentou com uma reverência, antes de anunciar aos presentes na sala a minha chegada. Assim que obtive autorização, entrei no local de cabeça erguida sendo acompanhada pelos olhares atentos dos presentes e respirei fundo, tentando não me sentir como uma mercadoria.

Uma mercadoria a disposição de quem desse o maior lance, sem poder opinar em nada mesmo que fosse a respeito da minha própria vida. Apesar de ser a monarca, não podia evitar que essa situação deplorável acontecesse comigo, mas se eles achavam que ficaria calada durante todo aquele jantar estavam muito enganados.

Assim que minha presença foi notada, todos levantaram de seus lugares e fizeram uma reverência. Notei que todos os lordes da câmara estavam presentes, provavelmente queriam ver de perto sua indesejada rainha ser entregue ao julgo de um rei estrangeiro, mas entre todos os presentes apenas um homem não se curvou em minha presença e o encarei séria, sabendo de quem se tratava.

Só um monarca ou membro da família real, não se curvaria diante do chefe de outra família real, porque isso era reconhecer que o outro tinha poder sobre ele, algo inconcebível para a realeza, o que me fez olhar com mais atenção para o estranho, analisando-o dos pés a cabeça assim como os seus modos na minha presença.

Estreitei os olhos, ao notar que ele não trajava vestimentas dignas de um monarca e sim uma farda militar que deixava claro a sua alta patente no exército do Sul, mas seus modos a mesa eram de alguém que teve acesso a uma rica educação reservada apenas a realeza.

O que estava acontecendo ali? pensei comigo mesma, ficando em alerta para qualquer coisa que o General pudesse ter armado contra mim.

Odiava incógnitas e o homem em minha frente era uma delas, refleti sem desviar os olhos do desconhecido que me encarava com a mesma intensidade, ostentada em seus olhos azuis cristalinos estranhamente familiares.

— Não lhe disse General do Sul, o quanto a nossa rainha é a mulher mais linda que já existiu em nosso reino?! — se vangloriou o General do Sul assim que notou a minha presença e caminhou em minha direção enquanto estreitava os olhos, tentando entender a situação que se apresentava em minha frente — Arrisco dizer, que o rei do Sul, jamais encontrará outra mulher mais linda do que minha senhora em outros reinos.

Em silêncio, o homem que não se curvou se levantou da mesa e caminhou em nossa direção sem desviar seus olhos azuis cristalinos de mim, enquanto era seguido de perto por uma mulher de origem asiática em um traje militar preto, me deixando surpresa por saber que as mulheres faziam parte do exército do Sul, uma prática pouco difundida entre as tropas.

Saber desse fato me fez olhar o reino do Sul com outros olhos, ficando curiosa para saber no que mais ele poderia se diferenciar dos demais, muito mais do que ter a presença do General do Sul como um possível representante de seu rei, em um jantar feito para recepcionar o monarca estrangeiro.

— Realmente General do Leste, o senhor tinha razão — o homem de olhos azuis celestes disse parado em minha frente, escoltado pela mulher que o seguiu sem desviar os olhos dos meus — Arrisco dizer, que meus olhos jamais virão beleza assim. Meu soberano, ficará contente em saber que sua futura consorte é uma mulher de rara beleza. — assegurou voltando sua atenção para o General do Leste que sorriu, fazendo-o sorrir demonstrando sua felicidade em ter feito um excelente negócio.

Respirei fundo, tentando domar a raiva que ameaçava tomar conta de mim enquanto era

apresentada como um cavalo puro sangue, o melhor da sua prole, para um possível comprador. Disputado diante de uma multidão de compradores, dispostos a pagarem qualquer preço apenas para tê-lo sobre o seu poder, despertando a inveja e irá daqueles que não tiveram a sorte de possui-lo.

— Agradeço os elogios senhores, mas pelo que entendi o rei do Sul não está presente no jantar de hoje? — questionei da maneira mais calma que consegui e todos me olharam surpresos, como se não esperassem por meu comentário.

— Infelizmente não, vossa majestade. Meu soberano, me ordenou que viesse na frente representando-o, enquanto velava o falecido rei que o sucedeu. — o homem de olhos azuis disse de maneira fria, desviando os olhos dos meus por alguns instantes e podia jurar que eles haviam adquirido um sentimento de pesar profundo, que só poderia ser identificado por alguém que também sofria da mesma dor, mas da mesma forma que tal sentimento apareceu desapareceu por completo, dando lugar a uma postura fria digna de um comandante de um poderoso exército militar.

— Entendo, agradeço a consideração, mas se o reino do Sul está de luto seu soberano não precisava enviar um emissário para cumprir seus deveres, tudo poderia ser resolvido por uma simples mensagem. — expliquei fazendo o General do Leste ao meu lado me olhar de forma severa, censurando minhas palavras para o representante de um aliado.

— Meu soberano, está ciente de todos os protocolos reais, vossa majestade, mas os filhos do Sul sempre cumprem suas promessas, não importa em qual situação eles estejam...Uma promessa, sempre será uma promessa e sempre será honrada. — disse solene e senti meu coração se apertar diante de suas palavras, porque tinha a sensação de já tê-las ouvido antes, mesmo não sabendo onde.

Sem dizer nada, continuei olhando o homem parado em minha frente que em encarava de volta com seus olhos azuis cristalinos, continuando com a impressão de que o conhecia de algum lugar, mas não conseguia me lembrar de onde poderia tê-lo visto.

— Rainha Virgínia, foi muita consideração do rei do Sul enviar um emissário para cumprir seus deveres, mesmo diante de um momento tão doloroso pelo qual o soberano esteja passando, isso só demonstra o seu comprometimento com este enlace — me repreendeu com um sorriso no rosto, voltando sua atenção para o General do Sul — Gostaríamos de expressar, o quanto estamos honrados em receber o General do Sul e toda a sua comitiva no reino do Leste, e estamos consternados pela perda do soberano do Sul assim como de todos os seus súditos, mas esperamos ansiosos pela chegada de vosso monarca. Não é verdade, minha rainha? — O General do Leste questionou disfarçando sua raiva, diante da minha indelicadeza com seu convidado e forcei um sorriso para ele, enquanto o homem em minha frente estreitava os olhos diante do falso respeito que meu comandante fingia demonstrar por mim.

— Mas é claro, General do Leste. Me perdoem se dei a impressão, de que fui deselegante ou insensível diante da situação, mas estou emocionada por ver que meu futuro marido em meio a sua dor, se lembrou de sua humilde noiva. — declarei falsamente, sabendo que agradaria a todos os presentes e o General do Sul esboçou um leve ar de riso, indicando que estava se divertindo com minha encenação me deixando ainda mais confusa, sobre quem era e o que queria o homem em minha frente.

— Mas que indelicadeza de minha parte, acabei não me apresentando da maneira adequada. — O homem de olhos azuis em minha frente disse censurando o General do Leste com o olhar, por sua falta antes de voltar sua atenção para mim — Rainha Virgínia, sou o General do Sul, homem de confiança do seu futuro marido.

Mas é claro que o General do Leste não havia esquecido de nos apresentar, ele só considerou que não seria relevante que soubesse quem o homem na minha frente era, já que deve tê-lo julgado como insignificante diante dos seus interesses.

— Já a guarda que faz minha proteção pessoal é a Capitã do meu exército. Uma eximia espadachim, a melhor entre todos os meus homens. — o General do Sul disse sem desviar os olhos de mim e a mulher atrás dele, possuindo características asiáticas, fez uma leve reverência demonstrando o seu respeito por mim.

Algo que seu superior não fez em momento algum, me deixando intrigada com o seu comportamento.

— É um prazer conhecê-los, General e Capitã do reino do Sul. Por favor, se acomodem devem estar cansados da viagem. Os senhores, foram bem acomodados em seus aposentos por meus servos? Precisam de algo específico? — questionei educada fazendo o papel de anfitriã perante meus convidados, indicando que voltassem a ocupar seus lugares a mesa.

— Não precisa se preocupar, vossa majestade. Seus servos, foram extremamente atenciosos e solícitos. —assegurou e agradeci por seu elogio, enquanto caminhávamos em direção a mesa de jantar.

— Por favor, General do Sul, convide sua Capitã para se sentar conosco a mesa. — pedi assim que percebi que a mulher que fazia sua escolta não havia se juntado a nós para a refeição, preferindo ocupar um lugar perto da parede do salão que lhe permitia uma visão privilegiada do seu superior, enquanto seus olhos analisavam atentamente cada um dos presentes em busca de possíveis ameaças ao seu General segurando o punho da sua espada, sinalizando que estava pronta para entrar em ação a qualquer momento.

Sem dizer uma palavra, o General do Sul virou para ver a sua Capitã que balançou a cabeça em negativo, voltando sua atenção para o salão enquanto seu superior balançava a cabeça concordando virando-se para mim.

— Minha Capitã, jamais come em serviço, rainha Virgínia, mesmo que ordene o contrário. —explicou e todos encararam a mulher no fundo da sala preocupados, antes do General do Leste sorrir surpreendendo a todos.

— Mas não há necessidade da sua Capitã se manter de serviço, General do Sul. Asseguro ao senhor e a sua subordinada, que não existe qualquer tipo de ameaça para os representantes do rei do Sul, os senhores são nossos convidados e os trataremos com horarias de chefe de estado. — o General do Leste assegurou falsamente e tomei um pouco de água, tentando disfarçar minha risada.

Sabia muito bem que a cordialidade do General do Leste tinha um limite, enquanto os representantes do Sul fossem uteis para os seus planos seriam tratados da melhor forma possível até cumprirem sua função, mas se fosse necessário ele os eliminaria se lhe causassem problemas.

Desconfiava que desde que colocaram os pés aqui, os representantes do reino do Sul estavam sendo seguidos pelos soldados do General do Leste, com a finalidade de obter informações sobre a comitiva, principalmente agora que seu monarca não os acompanhou.

A ausência do soberano do Sul, me fez perceber que meus planos de evitar o casamento estavam ameaçados, pois não poderia ter uma conversa reservada com meu noivo para persuadi-lo se não estava presente, o que me deixava impotente.

Parece que os deuses estão contra mim. Depois de anos sofrendo nas mãos desse usurpador, meus planos não podem ir por água abaixo dessa forma, pensei comigo mesma apertando os talhares com mais força em minhas mãos, olhando para o General do Leste que sorria animado contando suas proezas militares para o outro comandante a mesa, tentando impressioná-lo com suas façanhas heroicas.

Acalme-se Fúria da tempestade, você não pode perder a calma quando está tão perto de conquistar tudo que sempre desejou na vida, muito em breve estará livre do traidor do seu reino, desse casamento infeliz, e libertará seu povo do julgo desses aproveitadores. Mas para que isso aconteça, preciso continuar tendo o sangue frio como fiz durante todos esses anos evitando agir por impulso colocando tudo a perder, mentalizei tentando domar a fúria que ameaçava me dominar enquanto o General do Leste deixava claro em suas palavras que havia feito inúmeros sacrifícios em nome do meu reino, principalmente ao assumir o trono do Leste enquanto a herdeira legal ainda era jovem.

— É uma bela narrativa, General do Leste, mas não há nada de especial ou sacrificante em assumir o trono, quando a herdeira legal é jovem demais para fazê-lo. Era o seu dever, tanto para com o falecido rei, para com o seu povo e com a atual rainha, zelar por seu trono até que a herdeira legal tivesse condições de assumi-lo. Mas algo em suas palavras me deixou intrigado. — o General do Sul disse e todos se entreolharam, enquanto o comandante do meu reino respirava fundo antes de se dirigir ao nosso convidado.

— Pois bem, o que lhe deixou intrigado, General do Sul? — perguntou disposto a esclarecer qualquer dúvida do nosso convidado.

— O fato de ainda não ter devolvido o trono a sua rainha. Se vossa majestade, tem idade o suficiente para se unir em matrimônio com um homem, tem condições suficientes para responder por um reino. Se continuar dessa forma, será visto como usurpador do trono e não como o salvador. — destacou frio e o encarei incrédula por ele expor sua opinião sem temer represálias, enquanto os presentes ficavam em silêncio esperando pelo que o comandante do reino do Leste diria após tais acusações.

Notas finais
Imagem do vestido usado por Virgínia: https://i.pinimg.com/564x/dd/79/1b/dd791bb103d3b1861da69e20309e372d.jpg