Imperatriz do Leste
6 Quinto capítulo
Notas iniciais

Passar o dia na companhia de Agnes, sabendo que ela poderia estar me entregando de bandeja para o General do Leste foi uma das piores sensações da minha vida, mal consegui encará-la durante todo o dia sem sentir meu estômago se revirar com a possibilidade da traição orquestrada contra mim durante todos esses anos, por alguém que se dizia amiga da minha mãe. Era demais para mim.
Observar Agnes sorrindo e conversando com a Betânia, a costureira responsável por fazer minhas roupas, opinando de forma carinhosa e cuidadosa nos mínimos detalhes no vestido que usaria no meu vigésimo primeiro aniversário, me deixava sufocada e desesperada para sair do mesmo ambiente que ela.
Sempre achei que estava acostumada a traições, dado ao fato de conviver com alguém que deturpou seu juramento como General do meu reino, de proteger e zelar pelo monarca reinante e pelo povo em benefício próprio, mas estava enganada. O golpe de desconfiar de Agnes me tirou o rumo, como pode confiar tão cegamente em alguém por anos e entregar todos os meus segredos de bandeja a ela sem temer sua traição?!
Eu deveria saber que confiar cegamente em alguém, mas cedo ou mais tarde cobraria o seu preço. Um monarca jamais poderia confiar em ninguém, nem mesmo no seu consorte, pois a traição sempre vem quando abaixamos a guarda por confiar demais em uma pessoa.
— Foi uma ótima ideia, Agnes, os bordados de flores pelo vestido ficaram um primor. Não é verdade, vossa majestade? — ouvi Betânia questionar ao longe e virei para vê-la pela primeira vez, assim como o lindo vestido verde claro da cor dos meus olhos, com bordado de flores que começavam na parte de cima e seguiam por todo o comprimento da volumosa saia.
— Sim, Betânia, Agnes é extremamente dedicada e eficaz em tudo que se propõe fazer. E o vestido está magnifico, muito obrigada por sua dedicação em conclui-lo com tanto esmero, Betânia. — disse gentil sem tirar os olhos de Agnes, como se pudesse dizer a ela de forma silenciosa que sabia das suas mentiras.
— Não precisa agradecer, vossa majestade, só fiz o meu trabalho, mas fico feliz que tenha gostado do resultado. Espero que seu noivo também goste, quando vê-la usando — Betânia segredou empolgada, por saber que finalmente conheceria o homem com quem fiquei noiva por catorze anos, mas apenas sorri de forma discreta para não dá a entender que não estava nem um pouco feliz em conhecer o rei do Sul — É verdade que vossa majestade, jamais conheceu seu noivo, nem pessoalmente e muito menos por uma pintura, durante todos esses anos?
— É verdade, Betânia. Só soube que estava noiva quando estava com dezoito anos, desde então nunca me importei em saber com o rei do sul é.
— Mas...E se ele for feio, rainha Virgínia?! — Betânia questionou horrorizada e Agnes sorriu suave, dedicando sua atenção a alguns tecidos que estavam ali, aproximando-os com cuidado do vestido como se estivesse em busca de algo.
— O rei do Sul não é um homem feio pelo contrário, ele é tão lindo, encantador e culto quanto seu pai — Agnes disse sorrindo amorosa, se voltando para nós com um rolo de cetim da cor do vestido que usaria no meu aniversário nas mãos, entregando-o a Betânia enquanto a olhava curiosa para saber como ela parecia conhecer o rei do Sul tão bem — Por favor, Betânia, use esse cetim para fazer alças de amarrar no vestido, dará mais mobilidade e conforto, a vossa majestade.
— Excelente ideia, Agnes. — Betânia elogiou minha dama de companhia olhando para ela de maneira interrogativa, provavelmente querendo saber assim como eu de onde ela conhecia meu noivo.
— Agnes, como sabe que o rei do Sul é tão lindo, encantador e culto quanto seu pai?! Quando foi que conheceu o rei do Sul?! — questionei desconfiada e ela piscou confusa, como se não esperasse por minha pergunta.
— Há isso...Bem, eu...Conheci o antecessor do atual rei do Sul quando, vossa majestade, veio firmar o acordo de casamento com o General do Leste. Ouvi dizer que o atual rei do Sul, herdou a beleza assim como a sua cultura do pai, se isso for mesmo verdade o marido da nossa rainha é um homem muito bonito e extremamente inteligente... Arrisco dizer, que quando vossas majestades, se virem será amor à primeira vista. — Agnes disse sonhadora fazendo Betânia suspirar, enquanto cruzava os braços olhando para minha dama de companhia que havia desviado da pergunta com maestria.
Tão escorregadia e sorrateira, quanto uma cobra peçonhenta e ainda com um sorriso gentil no rosto, pensei sem desviar os olhos de Agnes enquanto Betânia implorava para saber mais detalhes sobre meu noivo.
— Pelos deuses, as duas estão lendo romances demais. Parem de fantasiar algo que jamais irá acontecer, me casarei e serei mandada contra a minha vontade para outro reino. Estarei sempre abaixo de alguém como sua consorte, quando nasci para ser uma governante. Me digam, como poderei ser feliz dessa forma?! — explodi olhando com fúria para as duas mulheres em minha frente — Basta de vestidos por hoje. Betânia, agradeço por seus serviços, mas ordeno que me deixe a sós assim com Agnes — exigi cansada de fingir uma felicidade que não estava sentindo, tudo que queria agora era ficar a sós com meus próprios pensamentos.
Me sentei na cadeira que havia na sala de costuras, encostando minha cabeça na parte de cima fechando os olhos em seguida, tentando acalmar a minha mente agitada devido aos últimos acontecimentos, enquanto ouvia Agnes se desculpando com a Betânia devido ao meu mal comportamento antes de se despedir dela.
— Vossa majestade, foi muito indelicada com Betânia, ela só estava preocupada com o seu bem-estar, rainha Virgínia — ouvi Agnes me repreender e abri os olhos para vê-la em pé na minha frente, com a mesma expressão séria de descontentamento de quando era criança e fazia algo errado.
— Como ousa me repreender, Agnes?! Sabe quem sou?! — questionei severa e ela balançou a cabeça concordando.
— Sei sim, vossa majestade, assim como estou ciente que posso parar na prisão por minhas palavras, mas não estou vendo uma rainha na minha frente e sim a menina mal-educada que criei. Entendo todas as suas angústias, minha menina, saiba que sou capaz de tudo para aliviar o fardo que carrega em seus ombros, mas esse peso não pode jamais fazê-la ser cruel com os outros. O peso da coroa em sua cabeça, é o lembrete diário do serviço que presta para o seu povo, eles sempre devem vir em primeiro lugar não importa os sacrifícios que lhe são cobrados para os manter em segurança. Se a felicidade do seu povo cobrar o preço da sua, faça tudo de coração e com a cabeça erguida, como a rainha integra e gentil que sei que é. Agora se não está contente com a sua situação, lute até o fim para sair do local em que está, porque ficar sentada reclamando, não a levará a lugar algum. — Agnes disse severa sem desviar seus olhos dos meus e naquele momento a odiei mais por estar certa, quando tudo que queria era que ela estivesse completamente errada.
— Bem, já disse o que queria dizer, agora vou deixá-la a sós como pediu. Espero que pense e reconheça seus erros, quando estiver novamente na presenta de Betânia peça perdão, por ter sido ríspida com alguém que só estava preocupada com o seu bem-estar. Com a vossa licença, irei me retirar, minha rainha. — minha dama de companhia disse fazendo uma reverência deixando a sala de costuras sem olhar para trás, enquanto tremia de ódio diante da sua falsa preocupação.
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— E então, como anda a investigação? — questionei Tadeu enquanto dava alguns pedaços de maçã para Imperador após o jantar, a desculpa perfeita para me encontrar com meu amigo para saber o que havia descoberto depois de seguir Agnes o dia todo.
— Nada que levante suspeitas, vossa majestade. Ela passou o dia todo no castelo, dedicando-se a preparação da sua festa de aniversário. O General apareceu no salão real de festa onde ela estava, exigindo que seu aniversário fosse a maior comemoração que o reino já viu.
— E como ela reagiu a presença dele?
— Ela parecia extremamente desconfortável com sua presença, ainda mais por ele demonstrar felicidade por saber que vossa majestade não estará mais no reino em breve. — Tadeu destacou e sorri sem humor, ao saber que o General nem estava mais disfarçando sua alegria por saber que em breve estaria longe do meu reino.
— Ele deve estar contando os minutos para se livrar de mim...Você tem certeza que ela parecia realmente desconfortável na presença dele? E se estivesse apenas fingindo, para que não desconfiassem deles? — perguntei querendo saber da verdade e Tadeu respirou fundo, balançando a cabeça em sinal positivo.
— Tenho certeza, ela estava verdadeiramente desconfortável com a presença do General, assim como coloco a minha mão no fogo pela inocência dela. Afinal, ela já provou inúmeras vezes que seria capaz de tudo para protegê-la — assegurou sério tentando me convencer, mas não podia fechar os olhos diante de tudo que ouvi — Vossa majestade, pessoas assim jamais traem. Agora não podemos desconsiderar a hipótese de termos outro espião, vou ficar de olho em todas as damas de companhia que trabalham em seus aposentos assim como os guardas, alguém deve estar trabalhando para o General.
— Tudo bem, faça. Preciso tirar essa dúvida o quanto antes, preciso resolver isso logo. Tem notícias da caravana do Sul? — questionei pegando alguns pedaços de cenoura e oferecendo-os para Imperador que começou a comê-los.
— Sim, Arthur informou que a caravana do rei do Sul está a um dia de viagem do castelo, eles chegarão ao castelo na parte da tarde, o General destacou um agrupamento de homens para fazer a escolta deles até aqui, evitando assim um ataque dos opositores do reino.
— É o esperado, quando se tem medo de perder a salvação para os seus problemas. Arthur, está no destacamento?
— Sim, minha rainha.
— Que bom, assim poderei saber tudo o que o rei do Sul planeja com esse casamento. — disse perdida em pensamentos e Tadeu me olhou preocupado.
— Algo a preocupa, minha rainha? —questionou com preocupação e respirei fundo, oferecendo mais algumas cenouras para Imperador.
— Às vezes fico pensando, se tudo o que estou fazendo resultará em algo...Se não estou nadando tanto, para morrer a margem da praia...Se quando finalmente tiver o poder integral da minha coroa nas mãos, conseguirei ser uma boa governante para o meu povo da forma que idealizei todos esses anos...Por mais que não deseje pensar nisso, essas questões sempre voltam para me assombrar — sussurrei sincera perdida em pensamentos.
— Bem, são indagações muito relevantes, vossa majestade, mas deseja saber minha sincera opinião sobre elas?
— Claro, Tadeu.
— A senhora jamais saberá de antemão se tudo que está fazendo resultará em algo, só o tempo lhe dirá, mas se vossa majestade ficar inerte temendo as implicações de suas ações, nunca saberá se elas darão ou não certo. Minha mãe sempre dizia que precisamos mudar, quando não estamos confortáveis onde nos encontramos, que devemos ir em buscar do que nosso coração pedi e lutar por isso, por mais que tenha que pagar altos preços em nome disso, pois um dia colheremos os frutos das sementes que plantamos a custo de muito suor e lágrimas. — explicou suave e balancei a cabeça concordando, pois eram palavras muito sabias que serenaram o meu coração preocupado.
— Obrigada por suas palavras, Tadeu. Sua mãe devia ser uma mulher muito sábia, devido o que acabou de me dizer, prometo que sempre lembrarei delas quando meu coração se angustiar pelo futuro.
— Sim, minha mãe era muito sabia e acredito que deve ter sido consequência de tudo que viveu. Vossa majestade, sei que não me deve explicações, mas...O que fará com o rei do Sul? Por acaso minha rainha, pretende matá-lo? — Tadeu questionou preocupado e acariciei a crina de Imperador, antes de olhar para meu amigo que me olhava apreensivo com medo do que falaria a seguir.
— Em nome de toda lealdade, que você e seu irmão tem comigo e pelo fato de não matar inocentes, não derramarei o sangue do rei do Sul. Oferecerei a ele uma aliança vantajosa, para que desista desse casamento me deixando em paz para governar meu reino.
— E a rainha está disposta a pagar qualquer preço, para se livrar desse casamento? — meu amigo questionou preocupado e suspirei resignada.
— Sim. O que o rei do Sul desejar para não se casar comigo, será dele. Tudo que desejo é ajudar o meu reino a se reerguer depois de anos de exploração dos nobres, cuidando do meu povo da maneira que merecem. Em nome disso, serei capaz de pagar qualquer preço, Tadeu — assegurei a ele que balançou a cabeça concordando.
Depois da minha conversa com Tadeu, deixei os estábulos e caminhei de volta para os meus aposentos parando no meio do caminho, para admirar o céu noturno repleto de estrelas que me fizeram segurar meu pingente de estrela de oito pontas, pensando no seu antigo dono que nunca mais havia visto.
— Por onde será que você anda? Será que ainda se lembra de mim e da promessa que me fez? — sussurrei para mim mesma segurando o pingente nas minhas mãos tentando me lembrar de como meu único amigo de infância era, mas com o passar dos anos as lembranças que possuía dele se tornaram turvas como se tentasse vê-las através de um espelho sujo.
— Só desejo que esteja feliz e em segurança, onde quer que esteja. Saiba que você foi importante pra mim todos esses anos, por me dar o melhor dia da minha vida, no qual pude ser apenas um criança como todas as outras, sem o peso da coroa na minha cabeça ou a sensação de acabar tendo o mesmo fim que meus pais...Mas saiba de antemão, que jamais o perdoarei se não cumprir a sua promessa — sussurrei para mim mesma fingindo estar brava e sorri suave para o céu daquela noite, como se estivesse falando com meu amigo de infância.
Resignada respirei fundo, afastando minhas lembranças difusas e voltando a caminhar em direção ao castelo, para a realidade de intrigas e perseguições que vivia desde que assumi o trono aos três anos de idade.
Enquanto caminhava em direção aos meus aposentos uma ideia passou pela minha cabeça. Era arriscada, porém seria a única forma de tirar o peso que havia no meu coração em relação a Agnes, por isso iria confrontá-la de vez para saber se minha dama de companhia teria coragem de negar que havia me traído quando sabia a verdade.
Assim que cheguei aos meus aposentos me mantive em silêncio, olhando Agnes se movimentar pelo meu quarto orientado as outras damas de companhia na preparação do meu banho, escolhendo a camisola que usaria essa noite, arrumando minha cama da maneira que gostava, antes de me conduzir para o local reservado a minha higiene pessoal assim que uma das damas de companhia informou que meu banho já estava pronto.
— Acredito que deveríamos conversar novamente, vossa majestade. — Agnes disse maternal sentada ao lado da banheira em que estava e a olhei desconfiada, sem entender onde ela queria chegar com aquilo.
— Sobre o que exatamente deveríamos conversar novamente, Agnes? — questionei olhando-a seria a espera do que veria a seguir e ela sorriu amorosa, me deixando confusa.
— Vossa majestade, não precisa ficar desconfiada não é um assunto de vida ou morte, só acho que deveríamos conversar sobre seu casamento e bem...Sobre a primeira noite de um casal.
— Você já conversou comigo sobre isso quando minhas regras desceram pela primeira vez, por que temos que voltar a esse assunto novamente? Não é como se eu fosse me casar com o rei do Sul e me deitar com ele de livre e espontânea vontade — assegurei a ela que suspirou suave.
— Minha querida, o coração é um ser misterioso que ninguém consegue entender. Você pode dizer que não hoje, por que nunca viu seu noivo na vida, mas se ao vê-lo mudar de ideia? —questionou suave e a olhei em desafio.
— E se ao vê-lo, continuar pensando da mesma forma? — questionei olhando em seus olhos e ela sorriu concordando.
— É um bom ponto, minha rainha. Saiba que podemos não conversar novamente sobre esse assunto hoje, mas algum dia teremos que falar sobre isso, porque não desejo que se assuste ou seja surpreendida em sua primeira noite como esposa, como aconteceu comigo. — Agnes disse perdida em pensamentos por alguns instantes, antes de balançar a cabeça como se estivesse espantado suas memórias me dirigindo um sorrindo tranquilizador, como se não quisesse me preocupar com o seu passado.
— Não se preocupe comigo, desfrute do seu banho em paz. — pediu amorosa ficando em silêncio, enquanto pensava qual seria o melhor momento para questioná-la sobre as minhas desconfianças.
— Vossa majestade, deseja uma xicara de chá antes de dormir? — Agnes questionou terminando de escovar meus cabelos deixando a escova em cima da penteadeira na qual estava sentada.
— Sim, Agnes — disse suave olhando-a pelo reflexo do espelho e ela balançou a cabeça, se afastando de mim até que a chamei novamente — Agnes?
— Sim, vossa majestade. — disse voltando sua atenção para mim e virei para vê-la, não querendo perder nenhuma reação que seria esboçada diante da minha pergunta.
— Você teria coragem de me trair, Agnes? De vender todos os meus segredos, para o General do Leste? — questionei séria e ela olhou surpresa, como se não esperasse por minhas palavras.
— Eu jamais faria algo assim, vossa majestade. Nunca trairia sua confiança, a não ser que fosse para o seu bem. — Agnes justificou séria e me levantei de onde estava sentada, caminhando em sua direção parando em sua frente para que pudesse olhar dentro dos seus olhos azuis cristalinos.
— Então, devo concluir diante das suas palavras que já me traiu, por que julgou ser para o meu bem?! — perguntei incrédula diante de suas palavras.
— Vossa majestade... — Agnes começou a dizer nervosa e sorri sem humor olhando para o teto, sem acreditar que havia confiado cegamente em alguém que estava me traindo, porque julgava ser o certo.
— Exijo saber, desde quando está me traindo. — exigi furiosa olhando em seus olhos azuis claros que estavam cheios de lágrimas.
— Por favor, vossa majestade, não me peça para dizer ou isso nos colocará em risco... Apenas, acredite que tudo que fiz durante todos esses anos foi para protegê-la. Seria incapaz de lhe fazer algum mal ou trai-la. — implorou desesperada para que acreditasse em sua palavras e sorri sem humor me aproximando mais de Agnes, deixando um espaço mínimo entre nós.
— Você deveria ter mais medo de mim, do que da pessoa para quem está passando informações, Agnes. Pelo que acabei de ouvir, isso não é de hoje. Você vem tramando pelas minhas costas, a muito tempo, não é verdade?! Para quem está vendendo minhas informações pessoais, Agnes?! Para o General do Leste? Ou pior, para o reino do Norte? — questionei furiosa e ela começou a chorar nervosa, diante das minhas acusações.
— Pelos deuses, vossa majestade, seria incapaz de vender informações suas para o General muito menos para o reino do Norte.
— Então você as está dando de graça, é isso?! Para obter quais privilégios, Agnes? Pare de chorar e me responda. — gritei furiosa exigindo saber a verdade, depois de tantos anos de mentiras.
— O único privilégio que me interessa nesse mundo, minha rainha, é protegê-la, nada além disso. — Agnes assegurou séria me olhando com lágrimas nos olhos e respirei fundo, tentando conter a minha fúria.
— Já chega disso...Saia da minha frente imediatamente, antes que desconte minha fúria em você. E quando acordar amanhã, espero que não esteja mais servindo nos meus aposentos ou a mandarei para a forca por traição. — jurei tremendo de raiva e ela balançou a cabeça concordando, deixando meu quarto às pressas enquanto sentia as lágrimas caírem de meus olhos.
Sem conseguir me segurar em nada cai no chão chorando de dor, por ouvir que havia sido traída pela mulher que considerava minha segunda mãe. A mesma mulher que jurou para a minha mãe, durante seus últimos suspiros de vida que me protegeria de qualquer mal, mas havia sido ela que me causou o maior mal de todos, ao me trair de maneira tão covarde e cruel.
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