Notas iniciais
Sejam bem vindos, ao nosso nono capítulo. Espero que gostem da história e continuem acompanhando. Boa leitura a todos.

— Eu lhe fiz uma pergunta Capitã e quero ouvir a sua resposta, agora. — o General do Sul exigiu para sua subordinada que respirou fundo, assumindo uma posição distinta digna de uma militar de alta patente.

— Ninguém me autorizou a atacar sua esposa, meu General. — respondeu séria e seu superior estreitou os olhos, analisando de forma severa sua Capitã.

— Então, por que a atacou? Pensei que tivesse sido claro para todos antes de pormos os pés no reino do Leste, ninguém deveria levantar um dedo contra minha princesa e muito menos contra minha tia Agnes. Por acaso, minhas ordens deixaram margem a dúvidas, Capitã do Sul? — o General do Sul interrogou furioso e a Capitã negou com a cabeça.

— Não, meu senhor. Só ataquei sua princesa, porque fui atacada primeiro estava apenas me defendendo. Jamais tive a intenção de machucá-la, quando a surpreendi em seus aposentos ouvindo a conversa do senhor com sua tia. — se justificou e balancei a cabeça concordando.

Uma coisa era estar furiosa com todos naquela sala por mentirem para mim, outra era deixar uma inocente pagar por algo do qual era a culpada, mesmo que só estivesse me protegendo.

— Ela está falando a verdade. Sua capitã não me atacou primeiro, fui eu que a ataquei e ela só se defendeu, mas agora desejo saber o que diabos está acontecendo aqui? E acho bom me darem uma explicação convincente ou começarem a gritar até que todo o castelo acorde e descubram que o homem que se diz ser o General do Sul não passa de um farsante, que teve ajuda da minha dama de companhia, para vender meu reino para os nossos inimigos — ameacei furiosa olhando para todos que estavam na sala e Agnes tentou se aproximar de mim, mas a olhei de forma severa — Não ouse se aproximar de mim, sua traidora. Acertaremos as nossas contas mais tarde, agora quero ouvir a verdade do homem que se diz ser o General do Sul.

— É justo — disse resignado voltando sua atenção para os demais — Deixe-nos a sós. — pediu soltando a espada e percebi que a lâmina estava suja de sangue.

— Pelos deuses, vossa alteza, se machucou — o homem desconhecido disse preocupado retirando um lenço do seu bolso correndo para socorrer em direção ao General do Sul, ao mesmo tempo que Agnes e a Capitã, antes dele olhar feio para as duas. — As senhoras, poderiam me dar espaço?! A tarefa de cuidar do bem-estar do príncipe é minha, não das senhoras.

— Henrik, não precisa se preocupar foi só um machucado sem importância. Seja mais gentil com minha tia e Yumi, elas só estão preocupadas comigo da mesma forma que você. —o General repreendeu suave o homem que ignorou seu pedido completamente, enquanto amarrava o lenço na mão dele.

— Por hora isso servirá, assim que terminarem de conversar voltarei para fazer um curativo apropriado em seu machucado, alteza. — o homem desconhecido que agora sabia se chamar Henrik disse e o General lhe agradeceu, enquanto todos saiam relutantes dos aposentos.

Mas assim que se aproximou de mim Henrik parou, fez uma revência em minha direção antes de falar.

— Por favor, minha senhora, seja cordial com o meu príncipe, ele perdeu o pai a poucos dias e só agora está tendo tempo para sentir seu luto. — Henrik implorou e o olhei atentamente, tentando me lembrar de onde o conhecia sem obter sucesso.

Em silêncio, Henrik fez outra reverência e nos deixou a sós, enquanto respirava fundo tentando clarear minha mente para o que iria fazer a seguir, deixando para descobrir o porquê tinha a sensação de conhecer aquele homem de algum lugar, pois agora tinha assuntos mais urgentes para tratar com o General em minha frente.

— Exijo saber quem diabos é você? — ordenei furiosa olhando para os seus olhos azuis cristalinos que me pareciam tão familiares e desconhecidos ao mesmo tempo.

E minha pergunta o fez sorrir sem humor, como se estivesse contando algo engraçado no momento.

— Por acaso, contei alguma piada?! Porque pelo que sei, você não está na posição de rir de nada. — apontei severa e ele suspirou balançando a cabeça de forma afirmativa.

— Não, vossa majestade não contou nenhuma piada, só sorri porque uma parte de mim achou que pudesse me reconhecer, mas Henrik tinha razão no fim — ele disse pesaroso e respirou fundo, como se estivesse buscando forças para o que iria dizer — Sou o príncipe Gael, a Fúria da noite, da casa real do Sul, irmão caçula do rei Liam, filho da rainha mãe Hortência e do falecido rei consorte Marco, General do exército do Sul e... Seu marido, rainha Virgínia.

Fiquei alguns minutos em silêncio, absorvendo o que havia acabado de ouvir do homem em minha caindo na risada, deixando-o confuso com a minha atitude.

— Essa sim, foi a melhor piada que já ouvi na vida. Parabéns, o senhor é um dos melhores bobos da corte que já tive o prazer de conhecer. — comentei assim que me recuperei da crise de riso, mas ele não estava sorrindo, como se não tivesse acabado de me contar a história mais fantasiosa desse mundo.

— Acha que estou brincando, rainha Virgínia? — questionou sério e pisquei confusa, não vendo uma sombra de dúvidas em seu rosto.

— Acha que acreditarei que o General do Leste, o homem que só pensa em se livrar de mim para assumir de vez o trono, iria me casar com um príncipe?! Não mesmo, ele sempre ambicionou me casar com um rei, para que pudesse me mandar para o mais longe possível.

— Me desculpe se estou abaixo do seu título de nobreza, majestade, mas sou a melhor opção se não quiser deixar sua coroa para o General do Leste. — disse sério e me apoiei na mesa que havia ali, compreendendo o significado das suas palavras.

Se me casa-se com um rei, seria obrigada a abdicar meu título de nascença para ser a sua consorte, vivendo em outro reino sob o julgo das suas ordens, mas se me unisse em matrimônio com um príncipe, não teria que renunciar à minha coroa. Poderia continuar no poder como governante, enquanto meu marido deixaria seu título para se tornar o meu consorte.

— Você tem razão, mas o General do Leste não cometeria um erro amador desses. Ele planejou minha união com o rei do Sul durante anos, não acredito que tenha cometido um erro desses de me casar com um príncipe ao em vez do herdeiro da coroa. — expliquei tentando não me encher de esperanças, pois sabia que meu inimigo havia se preparado durante anos escolhendo o melhor partido que pudesse me levar para longe do meu reino.

— Sim, vossa majestade tem razão, mas o mal das pessoas espertas é acharem que todos são burros e esse foi o caso do General do Leste. — comentou e pegou um rolo de papel que estava em cima da mesa, entregando-o em minhas mãos e incentivando que o lesse.

Corri meus olhos pela documentação lendo seu conteúdo com cuidado, antes de reconhecer na última linha a assinatura do General do Leste ao lado do seu selo pessoal, em seguida havia uma assinatura desconhecida ao lado de um selo com emblema de estrela de oito pontas, muita parecida com o pingente que usava.

— O General do Leste, é muito esperto devo admitir, mas ele não sabia que meu pai, o rei consorte, era um dos homens mais cultos e instruídos do reino do Sul — disse com a voz falha e balançou a cabeça, respirando fundo antes de continuar a falar — Originalmente, o documento previa a união das casas do Leste e do Sul, mediante o casamento dos primogênitos das casas reais, mas meu pai alterou essa cláusula não especificando qual dos dois herdeiros da casa do Sul deveria se casar. Além disso, ele acrescentou que partir da assinatura os representantes das casas reais estariam casados por procuração, assegurando assim que vossa majestade não precisasse abdicar do seu título de monarca por causa do casamento.

Ouvir sua explicação me fez chorar de felicidade e gratidão, por saber que não seria obrigada a abandonar meu povo nas mãos de alguém que só queria o pior para nosso reino. Jamais poderia agradecer a casa real do Sul por ter protegido meu direito de nascença, quando não era capaz de fazê-lo e não tinha ninguém para isso. Eles haviam me dado a chance de me livrar de vez da opressão que vivia durante todos esses anos, apesar de grata tinha ciência de que todo esse cuidado só poderia ser fruto de algum interesse em algo de valor que meu reino possuía, extinguido assim o sentimento de gratidão que havia se apossado de mim.

— Isso não é normal...Nenhum reino ajuda o outro por pena. Quais são os interesses da casa do Sul no meu reino? — questionei séria assim que me recuperei das lágrimas que havia derramado e ele me olhou sem acreditar no que havia acabado de falar.

— Nenhum. Minha mãe, a governante na época do acordo, só concordou com tudo isso a pedido do meu pai, assim como vim honrar sua palavra. Nem mesmo meu irmão mais velho, o atual rei do Leste, possui interesses no seu reino. — assegurou e balancei a cabeça negando, tentando entender o que estava escondido por trás daquele gesto de “bondade”.

— Se nem sua mãe ou seu irmão, tem interesses no meu reino por que seu falecido pai, insistiu para que esse acordo fosse feito? Quais vantagens ele recebeu para concordar com tudo isso? — perguntei furiosa querendo saber a verdade de uma vez e ele me olhou sem acreditar no que havia acabado de insinuar.

— Como ousa insinuar que meu pai, o homem mais integro desse mundo, recebeu privilégios escusos para casar um de seus filhos com uma rainha de fachada?!— questionou furioso e o olhei incrédula por seu atrevimento.

— Como ousa falar comigo... — comecei a dizer furiosa e ele me interrompeu severo.

— Como eu ouso?! — questionou em tom irônico — Ouvi suas acusações calado, mas não permitirei que ofenda a memória do meu pai ou que continue tratando a minha tia como a pior das pecadoras. Você deveria ser grata pelo resto da sua vida a ela, sabe por quê?! Porque depois que seus pais morreram, Tia Agnes enfrentou o inferno para lhe proteger enquanto envia inúmeras cartas para todos os aliados do seu pai, implorando ajuda para salvar a sua vida, mas não obteve respostas de nenhuma das correspondências que enviou. A única resposta que ela recebeu foi da minha mãe, porque meu pai reconheceu a letra da irmã assim como o codinome que ela usava para assinar as cartas. — desabafou sério e senti minha cabeça rodar com toda aquela informação.

Como assim, Agnes enviou pedidos de ajuda para os reinos que se diziam aliados do meu pai e não obteve nenhuma resposta?! Podia ser pequena, mas me recordava de todos os amigos que meu pai possuía e que sempre estavam em nosso castelo nos visitando, na verdade até hoje eles ainda frequentavam minha casa e sempre achei que eles estavam ao meu lado, mas tudo não passava de um terrível engano.

Nenhum deles havia respondido os apelos da minha dama de companhia, porque todos eram aliados do General do Leste desde sempre. Desde o início, todos aqueles que se diziam amigos do meu pai e aliados estavam contra nós, tramando as escondidas para colocar o comandante do exército no poder eliminando de vez toda a casa real do Leste, abrindo caminho para uma nova dinastia surgir em meio ao caos da sucessão.

— Para a sua informação, meu pai era filho do Leste — revelou enquanto ainda estava perdida em meus próprios pensamentos — Ele era filho de um nobre que perdeu tudo e para pagar sua dívida, meu avô foi morto e toda a sua família foi escravizada. Como meu pai era um estudioso, foi colocado à venda como um servo instruindo e acabou sendo comprado pelo chefe da biblioteca real do castelo do Sul, meus pais se conheceram na biblioteca do castelo e se apaixonaram...Mas a minha avó materna, a rainha reinante, não aceitou que sua herdeira se casasse com um servo, eles só puderam ficar juntos depois que ela morreu. Meu pai arriscou a sua segurança, vindo pessoalmente ao reino do Leste durante as tensões depois da invasão do norte, para verificar se quem enviou a carta era realmente sua irmã. Assim que confirmou suas dúvidas, minha tia implorou de joelhos para que ele intercedesse por você e foi o que fez. Por amor a sua irmã e ao seu reino natal, meu pai assegurou que o usurpador do trono jamais pudesse tomá-lo da sua herdeira de direito. Se você está viva aqui hoje, foi graças ao meu pai e a minha tia e a todas as pessoas que ele enviou para proteger as duas, então não acuse as pessoas que mais a ajudaram nessa vida de estarem ganhando algo em troca ou de serem traidores...Porque um filho do Leste, jamais ignora o chamado do vento do Leste. — disse severo o lema do meu reino e segurei a respiração, por ouvi-lo dizer algo que só o meu povo sabia.

— Como você... — sussurrei incrédula e ele sorriu triste, enquanto seus olhos ficavam levemente vermelhos.

— Era uma frase que meu pai sempre nos dizia, para que eu e meu irmão nunca nos esquecêssemos do Leste. Pode não parecer rainha Virgínia, porque sou herdeiro da casa real do Sul, mas em minhas veias carrego também o sangue do Leste. — disse sério e senti minhas forças se esvaindo enquanto caia de joelhos no chão do quarto, chorando de maneira inconsolável.

Não podia acreditar que havia sido tão cruel com Agnes, tratando-a da pior forma possível quando ela fez de tudo para me manter em segurança durante anos, arriscando a sua própria vida ao enviar cartas para outros reinos pedido ajuda em meu nome sem desistir, apesar de nunca obter uma resposta se quer.

Enquanto chorava, relembrava cada atitude egoísta e cruel que havia tido com Agnes ultimamente, sentindo a culpa esmagadora me sufocar diante da dor que estava sentindo por ter magoado a única pessoa que sempre esteve ao meu lado, independente das situações que poderíamos enfrentar. Sem dizer uma palavra, o príncipe do Sul se sentou ao meu lado no chão e me puxou para os seus braços me permitindo chorar em seu peito, enquanto segurava na camisa que ele usava, temendo me afundar no meio da dor que me consumia.

— Mil perdões, por ter lhe contado tudo isso de uma vez, sua cabeça deve estar um caos. Pretendia lhe contar tudo com calma, mas acabei perdendo a razão depois que acusou meu pai de ser um aproveitador, foi mais forte do que eu. — sussurrou acariciando meus cabelos depois que havia parado de chorar.

— Não, você não teve culpa de nada, a errada fui eu que agi por impulso. Peço perdão, por ter ofendido a memória do seu pai, quando deveria ser grata por tudo que ele fez por mim e por meu reino. — disse sincera me afastando do seu peito para olhar seus olhos azuis claro que sempre me pareciam tão familiares, mas nunca conseguia identificar de onde o conhecia.

— Por que está me olhando desse jeito? — questionou sorrindo confuso, enquanto ainda o olhava tentando me lembrar de onde o conhecia.

— Pode parecer loucura, mas tenho a sensação de que o conheço de algum lugar... — sussurrei perdida em pensamentos e ele desviou os olhos dos meus, para o colar de estrela de oito pontas que usava desde pequena sorrindo de maneira carinhosa para a joia, mas antes que pudesse lhe questionar sobre isso ouvimos alguém bater na porta e o príncipe autorizou sua entrada.

— Desculpem interromper, meus senhores, mas ficamos preocupados com o silêncio de ambos depois de tantas vozes alteradas... — Henrik começou a dizer entrando ao lado de Agnes e da Capitã nos aposentos do príncipe do Sul, assim que os três nos viram no chão vieram rapidamente nos ajudar a levantar verificando se estávamos bem.

— Acho melhor levar minha rainha para o quarto, ela precisa descansar depois de toda essa agitação. Pobrezinha, está tremendo depois de tudo que soube, vou preparar uma infusão de ervas calmantes para que possa descansar, minha senhora. — Agnes disse preocupada me abraçando de lado, enquanto me olhava de forma maternal.

— Não acho aconselhável, tia Agnes, depois da rainha ter enfrentado o General do Sul no jantar de hoje, meus informantes relataram que ele mandou seus espiões deixarem um recado para vossa majestade. Será melhor as duas ficarem aqui, onde meus homens de confiança estão de prontidão e os soldados do General do Leste não tem acesso. Henrik, leve-as até os aposentos que deixei reservado para essa ocasião, por favor. Yumi, quero que guarde a porta dos aposentos da rainha, leve mais alguns homens da minha guarda pessoal para isso. Ninguém deve ter acesso ao corredor do quarto da princesa até segunda ordem. — ordenou e os dois concordaram prontamente.

— Descanse um pouco, minha princesa, não se preocupe porque estará segura com meus homens lhe dou a minha palavra. — assegurou e agradeci saindo do quarto com a ajuda de Agnes, enquanto Henrik nos conduzia para fora dos aposentos do príncipe do Sul sob a proteção de sua Capitã.

Entrei em silêncio nos aposentos indicados por Henrik, ficando surpresa ao perceber que o quarto em que entrei primeiro achando que encontraria Agnes conspirando contra mim com o General do Sul, era o que ele havia deixado preparado caso precisasse.

— Espero que o cômodo esteja do seu agrado, majestade, sua dama de companhia nos auxiliou a preparar os aposentos para atender as suas necessidades quando o necessário. Irei até a cozinha, providenciar um chá de ervas calmantes para todos, estamos precisando de uma boa noite de sono. — Henrik explicou nos mostrando os aposentos que só agora com mais calma, percebi que o local era adequado para as necessidades de uma dama e não de um homem.

— Não se preocupe, Henrik, está tudo do meu agrado. Agradeço a você e ao seu príncipe, pela preocupação com a minha segurança e bem-estar. — agradeci cansada, me sentindo exausta fisicamente e mentalmente depois de tudo que soube mais cedo.

— Fico feliz em ouvir isso, minha senhora, mas não precisa me agradecer, é meu dever zelar pelo bem estar da princesa do meu senhor — disse suave fazendo uma reverência antes de começar a sair do quarto, mas o interrompi chamando o seu nome — Sim, minha senhora?

— Já nos conhecemos de algum lugar, Henrik? Porque tenho a estranha sensação de que já o vi antes...Não só você, mas ao seu senhor também. — apontei e ele me olhou surpreso, antes de voltar a sua atenção para Agnes que estava atrás de mim.

— Bem, minha senhora, deve ser apenas impressão sua. Se me der licença, preciso providenciar o chá calmante para todos. — disse evasivo e concordei, vendo-o sair dos aposentos e decidi que insistiria sobre esse assunto em outro momento, pois agora tudo que desejava era deitar um pouco. Talvez assim, minha mente acalmasse depois da enxurrada de informações que havia descoberto.

— Acho melhor, vossa majestade, ir para a cama está com o rosto tão abatido e exausto, precisa descansar um pouco para que recupere suas forças. — Agnes disse maternal me conduzindo para a cama que havia no quarto, enquanto relembrava tudo o que havia ouvido do seu sobrinho.

— Agnes, peço perdão, por tudo que lhe disse nos últimos dias e por tê-la prendido durante tantos anos ao meu inferno pessoal, quando poderia ter escapado de tudo isso e ter tido uma vida muito melhor do que ser minha dama de companhia...Pelos deuses, fui tão injusta e cruel, sem saber que fez de tudo para que estivesse segura...Você arriscou sua vida enviando cartas com pedido de ajuda, para nos salvar e como retribui tudo isso?! Sendo egoísta e mesquinha, desconfiando da pessoa que sempre esteve ao meu lado...— solucei em meio as lágrimas e ela me abraçou com carinho, assegurando que tudo estava bem e que não precisava me pedir perdão por nada, pois havia feito tudo por amor.

Assim que estava mais calma, Agnes me fez tomar o chá que Henrik havia trazido me conduzindo em direção a cama pedindo que descansasse um pouco, depois de todas as emoções que havia passado e concordei me acomodando melhor na cama, fechando os olhos em seguida e tentando pegar no sono, o que parecia uma tarefa impossível naquela noite.

Mas logo ouvi a voz de Agnes cantarolando uma antiga canção, a mesma que ela sempre cantava quando era pequena e chorava de saudade dos meus pais até pegar no sono, dessa vez não foi diferente.