Imperatriz do Leste
13 Décimo segundo capítulo
Notas iniciais

Adentrei aos aposentos que Gael preparou para mim na ala ocupada por sua comitiva, usando as passagens secretas do castelo com Agnes me acompanhando, carregando uma caixa mediana nas mãos enquanto seu sobrinho andava de um lado para o outro e Henrik lhe oferecia uma xícara de chá, a qual foi dispensada pelo príncipe do Sul com um aceno de cabeça sem interromper seu andar.
— Pronto meu príncipe, o motivo de vossa preocupação chegou em segurança. — Henrik anunciou feliz por nos ver ali enquanto Gael parava de andar, voltando sua atenção para nós.
Sem dizer uma palavra ele caminhou apressado em nossa direção me abraçando com força, como se não quisesse me soltar me deixando surpresa com seu gesto enquanto ele respirava aliviado por me ter em seus braços.
Ficamos abraçados por alguns minutos, antes dele me afastar um pouco dos seus braços para me olhar de cima a abaixo como se estivesse em busca de algum machucado, respirando aliviado por não encontrar nada voltando a me abraçar com força.
— Estamos bem, Gael, não precisa se preocupar. — assegurei tentando espantar suas preocupações e ele sorriu sem humor acariciando meus cabelos, enquanto Agnes colocava a caixa em cima da mesa que havia ali.
— Me peça qualquer coisa, menos isso vossa majestade, ainda mais vivendo debaixo do mesmo teto que aquela cobra traiçoeira do General do Leste. — declarou com raiva e senti seu corpo tremer em meus braços me deixando em alerta.
— Aconteceu alguma coisa, enquanto estávamos fora? — questionei me afastando dele para olhar seus olhos azuis claros que estavam repletos de preocupação.
— Não quero que se preocupe com algo que já foi resolvido, minha princesa. — explicou e me soltei dele olhando-o de forma séria.
— Não faça isso — alertei severa — Não me trate como uma boneca de porcelana que pode quebrar por qualquer motivo, sou muito mais forte do que aparento isso posso garantir. — assegurei e o vi respirar fundo balançando a cabeça.
— Você tem razão, não posso esconder isso, mas imploro que não revide ou colocará sua vida em risco.
— Quem decidirá isso sou eu, príncipe Gael. — informei e ele respirou fundo, como se estivesse organizando seus pensamentos antes de voltar a falar.
— Os informantes de confiança que tenho pelo castelo do Leste, viram uma movimentação estranha em seus aposentos enquanto estávamos fora, eles pediram para uma das oficiais do exército investigar, me perdoe por invadir a sua privacidade, mas foi uma medida de emergência — se desculpou envergonhado por seus homens terem recorrido a tal ação.
— Se foi para a minha segurança, está tudo bem — assegurei, deixando claro que não estava chateada pela atitude tomada por seus homens — O que ela encontrou nos meus aposentos?
— Uma serpente do Leste entre os lenções de sua cama. — revelou e senti meu coração parar de bater enquanto perdia o equilíbrio das pernas, sendo aparada por Gael que me segurou nos braços.
A serpente do Leste era um dos animais mais mortais do meu reino, não existia em nenhum reino antídoto para a sua picada que matava um ser humano em três horas, repletas de agonia e sofrimento fazendo com que a vítima implorasse para morrer antes.
Por ser tão mortal e não possuir cura, seu veneno era usado pelo General do Leste para eliminar seus inimigos, muitos diziam que a serpente do Leste era sua assinatura, deixando claro para as vítimas quem havia enviado o recado.
— Foi ele...O General do Leste decidiu parar de me ameaçar, para me matar de vez... — sussurrei entre lágrimas pensando que a uma hora dessas eu poderia estar morta, se não fosse pelos homens de confiança de Gael espalhados pelo castelo.
— Está tudo bem, minha princesa, não precisa se preocupar prometo que nada de mal irá lhe acontecer, vou protegê-la com a minha vida se for preciso e essa afronta não será tolerada, não admitirei que minha esposa seja ameaçada por um homem sedento por poder. — prometeu sério enquanto me ajudava a caminhar em direção ao sofá que havia na sala de estar dos aposentos ocupados por Gael.
— Tome essa xícara de chá, vossa majestade, irá ajudá-la a ficar mais calma — Henrik disse suave parando em minha frente oferecendo a xicara que estava em suas mãos e lhe agradeci, aceitando-a em minhas mãos trêmulas que foram seguradas por Gael, evitando que derramasse a bebida quente em mim e olhei preocupada para minha dama de companhia.
— Agnes...Você está bem? Você sempre fica nos meus aposentos, para garantir que algo assim não aconteça... — disse preocupada olhando-a de cima a baixo, temendo que algo tivesse lhe acontecido.
— Sim, vossa majestade, peço perdão por não ter evitado que isso acontecesse, mas estava na companhia de Henrik ajudando-o a tirar os funcionários que não fazem parte do plano, como havia nos solicitado antes de sair para o encontro com seus aliados. — Agnes se desculpou e balancei a cabeça negando.
— Está tudo bem, Agnes, você não cometeu erro algum fico feliz em ver que está bem. — disse aliviada por saber que ela estava bem e estávamos em segurança, frustrando os planos do General do Leste.
— Bem, acho melhor preparar mais chá para todos, estamos precisando de algo para os nervos. — Agnes sugeriu preocupada conosco e Henrik concordou, enquanto tomava um pouco do meu chá.
— Na verdade, senhora Agnes, precisamos muito mais de uma boa taça de vinho do que de chá, mas não é aconselhável bebermos as vésperas de uma batalha, devemos beber quando derrotarmos o crápula do General do Leste. — Henrik explicou e minha dama de companhia sorriu de forma conspiratória para ele.
— Com isso não se preocupe, senhor Henrik, guardo uma bela garrafa do melhor vinho do reino a anos, só esperando para comemorarmos a queda daquele vil. — Agnes revelou e olhamos surpresos para ela.
— Quem diria que a senhora, trocaria uma xícara de chá por vinho — Henrik segredou sorrindo para Agnes que deu de ombros, explicando que também possuía seus segredinhos e notei o sorriso tímido e leve rubor se apossar de sua face — Que tal se deixássemos os dois a sós, enquanto vamos preparar o chá, creio que nossos senhores têm muito o que conversar.
— Acredito o mesmo, senhor Henrik. — Agnes concordou e pediram licença nos deixando a sós, enquanto os olhava desconfiada não acreditando em sua desculpa de irem preparar mais chá.
— Deseja um pouco mais de chá, majestade? — Gael questionou e voltei minha atenção a ele, esquecendo por hora o possível romance dos nossos servos.
— Não, já me sinto um pouco mais calma, se é que isso é possível — segredei colocando a xícara em cima da mesa que havia em frente ao sofá, voltando minha atenção para Gael que transparecia preocupação em seu olhar — Agradeço por ter salvo minha vida, mas peço que mantenha sua cabeça fria e na batalha, não podemos permitir que o General use nossas aflições contra nós ou colocaremos tudo que planejamos durante anos a perder — apontei e ele sorriu incrédulo, como se não acreditasse no que havia acabado de ouvir mas quando achei que fosse dizer algo, o príncipe do Sul respirou fundo e balançou a cabeça — Pois bem, o que precisa de tão urgente conversar comigo?
—Queria saber como se sente, depois de tudo o que o General lhe disse pela manhã. Fui informado de como ele a tratou durante a reunião na câmara dos lordes, não vim vê-la antes por que passei o dia todo fora do castelo com as minhas tropas e quando nos encontramos horas atrás na clareira, não lhe questionei nada porque sabia que gostaria de manter sua verdadeira identidade em sigilo. — explicou me olhando com preocupação e dei de ombros, deixando claro que nada mais do que o General fizesse iria me abalar.
— Não é como se não esperasse isso dele, em relação ao General do Leste sempre espero o pior, mas convidar o reino do Norte para o meu aniversário...Receber o reino que foi responsável por uma chacina, no mesmo lugar que tirou a vida dos meus pais e de inúmeras pessoas...Isso foi desonroso com a memória de todos eles...Ouvi-lo dizendo que irá extinguir a minha casa tendo o apoio da câmara dos lordes, sem que pudesse fazer nada porque não passo de uma fantoche nas mãos deles...Se algo acontecer comigo, minha casa deixará de existir assim como todo o legado dos meus antepassados porque sou a última sobrevivente da família real do Leste... — refleti perdida em pensamentos, diante de tudo que estava vivendo e o que enfrentaria daqui a algumas horas, enquanto Gael segurava minhas mãos nas suas e olhei para seus olhos que estavam cheios de determinação.
— Por isso precisa resistir, para lutar e honrar a memória da sua casa e do seu povo, fazendo justiça para todos aqueles que perderam suas vidas por causa dos interesses do General do Leste. Você precisa sobreviver Virgínia, para que tenha a chance de experimentar a felicidade de uma vida tranquila, sem temer os que estão ao seu redor enquanto reconstrói a família real do Leste com alguém que a respeite e valorize tudo o que fez em nome do seu reino. — apontou e concordei com a cabeça, sorrindo deixando-o confuso.
— Disse algo errado? — questionou apreensivo e neguei sorrindo.
— Não Gael, você só disse a verdade...Só sorri, porque nunca me passou pela cabeça que algum dia teria que dar continuidade a minha casa, sempre estive tão ocupada em sobreviver e planejar em como poderia tirar o General do Leste do poder, que nunca parei para pensar em minhas obrigações reais. — expliquei e ele me olhou surpreso por minhas palavras, mas balançou a cabeça concordando.
— Entendo, você viveu em um ambiente hostil durante grande parte da sua vida, mas não veja o casamento como uma de suas obrigações reais. O casamento é muito mais que isso Virgínia, é a chance de dividir suas alegrias, tristezas e preocupações com alguém que a ama e possui os mesmos sonhos que os seus, já os filhos são o resultado de todo esse amor e companheirismo, indo muito além de meros herdeiros — descreveu e seus olhos brilharam enquanto descreviam aquele ideal de felicidade conjugal, antes de voltarem ao seu tom de seriedade — Bem, sei que nem todos os casamentos tem a sorte de serem assim, mas foi o que aprendi observando meus pais durante anos e vejo o mesmo acontecer no casamento do meu irmão mais velho. — explicou e sorri emocionada diante das suas palavras, pois nunca havia ouvido alguém descrever uma união, muitas vezes realizada mediante a interesses principalmente os casamentos da nobreza, com tanta paixão como se desejasse experimentar o mesmo.
— É uma linda definição, pelo que vejo sua família foi afortunada em se unir com pessoas que amavam, espero que você consiga fazer o mesmo. — desejei a ele que sorriu concordando.
— Desejo o mesmo a você. — retribui e sorri em agradecimento, antes de respirar fundo para abordar um assunto sério.
— Como iremos proceder amanhã? Já que o General do Leste, esperará o monarca do Sul para comemorar o meu aniversário e entregar-me a ele. — lembrei e ele balançou a cabeça concordando, sorrindo de maneira conspiratória para mim.
— Não se preocupe, seu noivo estará presente como prometido. Estou ansioso, para ver a reação dele ao ver seu noivo. — segredou a última parte sorrindo perdido em pensamentos, o que me fez olhá-lo curiosa.
— O que está aprontando, príncipe do Sul? — indaguei curiosa e ele deu de ombros, como se não estivesse fazendo nada demais.
— Nada, vossa majestade, só peço que confie em mim e confirme qualquer coisa que disser, porque meus soldados farão o mesmo. Posso contar com a sua confiança? — questionou me olhando com preocupação e balancei a cabeça concordando.
— Confio em você, apesar de ver em seus olhos que ainda esconde algo de mim, mas saiba que no momento certo descobrirei do que se trata — informei séria estudando-o com o olhar — Pois bem, me diga o que tenho que fazer para ajudá-lo nos seus planos? — questionei e ele indicou o colar no meu pescoço, me deixando confusa enquanto segurava a joia em minhas mãos.
— Preciso que me devolva meu medalhão, ele comprova minha identidade, pois é o símbolo real da minha casa e preciso estar usando-o amanhã.
— Tem razão, você me deu esse medalhão como um lembrete da promessa que me fez, assim como prometi que a devolveria quando nos víssemos novamente — expliquei retirando o colar do meu pescoço colocando-o em sua mão direita, devolvendo-o para o seu verdadeiro dono — Sentirei falta dele, afinal, juntas por muito tempo.
— Sei disso, mas prometo que se desejar o devolverei no final, porque depois de tantos anos separados você se tornou a verdadeira dona dele. — revelou e balancei a cabeça negando, vendo-o colocar o medalhão em seu pescoço.
— Ele é seu, Gael, simboliza sua casa e deve ficar com o seu legitimo dono — assegurei deixando claro que o medalhão deveria ficar com seu verdadeiro dono — Mas creio que esteja faltando mais uma coisa para que deixe o General sem palavras. — disse misteriosa me levantando do sofá em que estava sentada, oferecendo minha mão a ele em um convite silencioso, para que me acompanhasse até a caixa que Agnes havia deixado em cima da mesa.
Assim que paramos em frente a caixa a abri sem cerimônias, revelando uma coroa de ouro que imitava galhos de árvores por todo o seu aro, ostentando esmeraldas no formato de gotas de chuva por toda a peça.
Olhar para aquela coroa me trouxe recordações felizes do meu pai, de todos os momentos em que passei ao seu lado ouvindo as histórias que me contava sobre suas aventuras nas batalhas ou em viagens marítimas, enquanto desejava ser uma governante tão inspiradora e preocupada com meu povo quanto ele era.
— Como amanhã é o meu aniversário, creio que posso lhe pedir um presente, Gael — revelei voltando ao presente fazendo-o desviar os olhos da coroa para me ver — Desejo que use a coroa do meu pai amanhã, durante a sua apresentação oficial a corte. — disse e ele deu um passo para trás me olhando em choque, como se não esperasse por meu pedido.
— Me perdoe, mas não posso aceitar seu pedido, vossa majestade...Não posso usar a coroa que foi do seu falecido pai, ela deve ser usada apenas pelo seu consorte. — explicou e balancei a cabeça concordando.
— Sim, mas até segunda ordem você é o meu consorte e tem direito de usar qualquer uma das joias da coroa do Leste.
— Sou seu marido apenas no papel, rainha Virgínia, não me sinto digno em usar algo que pertenceu ao seu pai. — explicou e balancei a cabeça negando.
— Você mais do que qualquer um é digno de usar essa coroa, porque o sangue de um dos mais dignos filhos do Leste corre em suas veias. Se estivesse vivo, meu pai se sentiria honrado em ver o filho de seu súdito mais fiel, usando a coroa que um dia foi sua — assegurei olhando em seus olhos que desviaram dos meus para ver a peça dentro da caixa, antes de voltar seus olhos para os meus.
— Sendo assim, será uma honra usar a coroa do falecido rei do Leste. — declarou com honra e sorri feliz por ouvir aquilo, sinalizando que se ajoelhasse em minha frente e ele me obedeceu sem questionar.
Com cuidado, retirei a coroa da caixa em que estava sentindo o seu peso em minhas mãos assim como toda a história que ela representava para o povo do Leste durante o reinado da minha casa.
— Principe Gael, a Fúria da noite, da casa real do Sul, irmão caçula do rei Liam, filho da rainha mãe Hortência e do falecido rei consorte Marco, General do exército do Sul, a partir de hoje lhe dou a autoridade de responder como consorte do reino do Leste até segunda ordem. — declarei sem desviar meus olhos dos seus enquanto colocava a coroa em sua cabeça, no momento exato que Henrik e Agnes adentraram os aposentos trazendo uma bandeja contendo chá e biscoitos enquanto conversavam entre si.
Assim que os dois entenderam o que estava acontecendo, eles fizeram uma reverência para o mais novo consorte do reino enquanto oferecia minha mão a Gael, ajudando-o a levantar do chão.
—Vida longa, ao rei consorte Gael. — os dois disseram de forma solene, enquanto Gael desviava os olhos de mim para ver os nossos servos.
— Por favor, não precisa de nada disso — pediu constrangido pelo comportamento dos nossos servos — Isso tudo faz parte do plano.
— Se vossa majest...Quer dizer, alteza, assim o diz — Henrik disse sorrindo malicioso e Gael o olhou sério — Nunca pensei que diria isso, mas meu príncipe fica muito bem com a coroa do rei do Leste, parece até que nasceu para usá-la. — segredou admirado para Gael que revirou os olhos, tirando a coroa de sua cabeça e caminhando em direção a caixa em que ela estava guardada.
— Tenho que concordar com Henrik, as esmeraldas do Leste ficaram muito bem em você, Gael. — declarei fazendo-o corar em um vermelho enquanto guardava a coroa em seu devido lugar, fazendo Agnes e Henrik sorrirem pelo constrangimento do príncipe em nossa frente.
— Sim, majestade, e a coroa de consorte irá combinar perfeitamente com o traje que, meu senhor, usará amanhã na sua festa de aniversário. — Henrik destacou orgulhoso, como se pudesse vislumbrar como seu príncipe ficaria arrumado.
— Obrigado pelos elogios, mas creio que temos uma longa noite de planejamentos ao em vez de ficarmos falando apenas sobre mim. — informou e balancei a cabeça concordando, indicado que nos sentássemos novamente no sofá para revisarmos nossos planos para amanhã.
Enquanto repassávamos tudo Gael recebeu uma mensagem de um dos seus homens, informando que os rebeldes já haviam ocupado os postos mais importantes do castelo, para que fossem o nosso apoio enquanto estivéssemos interpretando os nossos papeis diante da nobreza.
— Está tudo bem? — questionei preocupada assim que percebi o quanto Gael ficou reflexivo, após ler o bilhete que seu soldado lhe entregou.
— Sim, não precisa se preocupar — assegurou amassando o papel que estava em suas mãos e voltando seu olhar para o soldado em sua frente — Obrigado pelas atualizações Sálvio, continue de olho nos rebeles e mobilize mais alguns homens para o salão, quero que nosso número supere ao dos rebeldes quase seja necessário nos defender deles.
— Sim, General, providenciarei o que me pedi imediatamente. — Sálvio disse fazendo uma continência para Gael e uma reverencia para mim, antes de nos deixar a sós.
— É uma atitude acertada, pois não sei como os rebeldes irão reagir quando souberem que fingi ser uma criada da corte executando os planos da rainha, quando na verdade sou a própria rainha. — disse preocupada e ele segurou a minha mão direita com carinho, enquanto olhava nos meus olhos.
— Não precisa temer, vou estar ao seu lado o momento todo, jamais deixarei que algo de ruim aconteça a minha rainha...Isso é uma promessa — assegurou e sorri agradecida olhando para as nossas mãos unidas, que pareciam ter sido feitas para completarem uma à outra — Confia em mim?
— Sim — assegurei voltando os meus olhos para os seus — E você, confia em mim?
— Totalmente. — assegurou sem sombra de dúvidas no olhar.
Depois de alinharmos cada passo do nosso plano, Gael sugeriu que devíamos dar a nossa reunião por encerrado devido o avançado da hora e concordei cansada, antes de nos despedirmos o príncipe deixar meus aposentos na companhia de Henrik, que carregava a caixa da coroa em suas mãos, e sorria de maneira cúmplice para Agnes, fazendo-a corar de leve.
— Pelo jeito, você e o Henrik, ficaram mais próximos enquanto preparam o chá. — apontei assim que estávamos a sós e minha dama de companhia corou ainda mais.
— Pelos deuses, minha senhora, não é nada disso só preparamos o chá enquanto o senhor Henrik, me contava histórias sobre meu irmão e a infância dos meus sobrinhos. — explicou suave e sorri compreensiva caminhando em sua direção, segurando suas mãos nas minhas olhando carinhosa para a mulher que sempre esteve ao meu lado.
— Está tudo bem Agnes, se algo acontecer comigo não fique triste por muito tempo. Vá para o Sul com seu sobrinho, tenha uma vida feliz e alegre ao lado da sua família... Se Henrik, demonstrar interesse em você e desejar o mesmo, não renegue seus sentimentos e seja muito feliz, me promete?! — pedi olhando em seus olhos e ela corou mais um pouco, antes de sorrir para mim.
— Farei o que me pedi, minha senhora. E sugiro que também siga seu próprio conselho, pois vejo a forma que meu sobrinho a olha e como a minha rainha retribui, impossível não perceber que os dois nutrem um carinho especial pelo outro. — apontou e concordei porque era verdade, apesar de nos desentendemos as vezes.
— É natural, Agnes, nos conhecemos quando crianças e Gael foi muito especial para mim, me deu um momento de paz e felicidade no meio de todo caos que vive e depois de tantos anos voltou para cumprir a promessa que me fez. Jamais poderei pagar toda a gratidão que sinto, pelo príncipe do Sul e por sua casa — expliquei e minha dama de companhia negou com a cabeça sorrindo, me deixando confusa com seu gesto — Qual o motivo dos sorrisos, Agnes?
— Minha senhora, ainda não percebeu, não foi? — indagou me olhando com curiosidade.
— Percebeu o que, Agnes? — questionei sem entender o que estava insinuando.
— Meu sobrinho, está apaixonado por vossa majestade — assegurou e sorri incrédula, diante do absurdo que ouvi — Os olhos de Gael brilham, quando a veem, assim como um sorriso sempre surgi em seus lábios quando minha rainha o encontra.
— Você está terrivelmente enganada, Agnes. Gael não nutri qualquer sentimento além da amizade por mim e eu por ele, além do mais já passou da hora de nos deitarmos. Amanhã será um grande dia e devemos estar descansadas para desempenharmos nossas funções. — disse categórica indo para a minha cama, enquanto minha dama de companhia concordava entre risos.
A insinuação de Agnes não passava de um completo absurdo.
Éramos amigos e nada mais do que isso.
Além do mais, quando nos encontramos novamente depois de tanto tempo Gael deixou claro que só se casaria com alguém que amava e não por interesses, como havia acontecido conosco para que pudesse recuperar meu trono.
Era um completo absurdo, imaginar que meu amigo de infância nutrisse algo por mim quando mal nos conhecíamos e estávamos em uma situação de vida ou morte da qual poderíamos não sair vivos.
Mas e se..., refleti e logo minha mente começou a imaginar como seria se não casamento deixasse de ser apenas no papel para se tornar um compromisso de verdade, diante dos deuses e dos meus súditos.
Não, tudo é coisa da cabeça de Agnes, nada além disso.
Mas é claro que Gael não gosta de mim desse jeito, nem eu dele. Somos apenas bons amigos, pensei deitada em minha cama olhando para o teto esperando o sono chegar.
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