Imperador de Areia

9 Capítulo 9 - Tempestade


Notas iniciais
eu fiquei sem internet esse fds, por isso ñ fiz nenhuma postagem, então vamos ao cap. fresquinho q parece ser tão aguardado... boa leitura...

Ino corria pela cidade avisando os moradores sobre a tempestade de areia, ajudando as pessoas a pegarem algumas coisas de valor e sair. Ela achou que já tinha avisado a todos e começou a se encaminhar para o palácio, mas então viu uma menina dentro de uma das casas de pedra tentando pegar uma boneca de pano presa sob uma estante.

A menina tentava de todas as formas tirar a boneca de baixo da peça, sem sucesso, ela era pequena, fazia força, mas seus olhos estavam marejados pelo medo e aflição a cada segundo, sentindo a tempestade mais próxima.

Ino olhou pra ela, olhou para a tempestade de areia e o vento estava cada vez mais forte, então foi até a garota e a puxou.

—Não, minha boneca, não!

—Temos que sair daqui.

—Não, por favor, não podemos deixá-la. –ela se segurou ao batente da porta.

Ino viu que não conseguiria tirar a menina dali, o vento estava mais forte, a areia começava a lhes atrapalhar a visão, então ela correu até a boneca e com um empurrão afastou o armário a puxando em seguida, mas já era tarde, um redemoinho de areia e ventos fortes estava quase as alcançando, então a loira sentiu muito medo, não queria morrer, teve certeza que jamais poderia por fim a sua vida, porque gostava de estar viva e não poderia deixar uma menina que mal começara a vida morrer daquela forma.

A menina continuou presa a porta e segurou forte a boneca contra si, então Ino segurou a mão dela e a chamou, ela fez que sim com a cabeça e seguiu a loira. Ambas correram com dificuldade até a sala da casa, Ino viu o chão se partindo e a areia atormentava seus olhos, então puxou a cortina que se soltava da parede e a rasgou em duas, envolvendo o rosto da menina para que ela pudesse respirar, depois fez o mesmo consigo, viu um tubo negro pela fenda do chão partido e se lembrou da energia distribuída no local.

Estava ficando insuportável ficar ali, no olho da tempestade, então a loira pegou a outra parte da cortina, amarrou em sua cintura, junto dela a menina e na outra ponta ela amarrou aos tubos.

A energia elétrica era levada as casas por tubos subterrâneos, justamente por causa das tempestades do deserto. Os fios em postes ao ar livre não durariam nada, por isso os cabos eram isolados por camadas de material apropriado e corriam por tubos sob a civilização, estando bem presos e preparados pra suportar aquilo.

O tecido não aguentaria muito tempo, mas as manteriam mais firmes, enquanto a loira se agarrava a um lugar fixo, prendendo a menina consigo.

O vento as castigava, era muito forte, e ficou ainda pior quando levou com ele o teto da casa e algumas paredes, elas tinham que fazer malabarismo pra escapar dos objetos arremessados, e foi por muita sorte que a estante que antes havia sido um estorvo, agora lhes ajudava, porque ela caiu contra a parede a frente delas, lhes fazendo uma cobertura.

A areia espessa e violenta lhes cortava algumas partes da pele, a respiração era bem dificultosa, sentiam areia em suas narinas e bocas, mas ainda sim conseguiam um pouco de ar sob o pano que lhes protegia.

A uma certa altura, o tecido que as segurava se partiu, seus corpos foram arremessados contra a estante, Ino bateu as costas com muita força, e a menina contra seu peito, agora estavam sendo seguras só pelo móvel, e pelas mãos tremulas de Ino, tentando segurar os tubos de energia.

Foram os minutos mais angustiantes e longos da vida de Ino; longos minutos de uma hora que pareceu durar dias, e quando acabou, os corpos cansados e inertes delas caíram no chão, sem qualquer consciência que eram obras de um milagre, elas haviam sobrevivido de alguma maneira.

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A tempestade estava passando e Gaara se mexia nervoso, queria sair da li logo, enquanto continuava a rezar internamente pra que Ino estivesse a salvo.

Quando tudo se silenciou e parou de tremer o ruivo encarou os olhos de Temari e Shikamaru, depois abriu a porta e saiu correndo do porão, sendo seguido pelos dois e pela mãe da menina desaparecida, enquanto os outros iam saindo aos poucos.

Os quatro olhavam em volta e viam tudo soterrado pela areia, estilhaçados pelos ventos e a sensação de desalento e destruição era eminente.

Gaara parou de pensar nos estragos e continuou a procurar pelo lado que Ino havia saído pela cidade, ele olhava a sua volta e não via nenhuma maneira dela ter escapado, mas ainda sim continuava a procurar. Ele e os outros gritavam o nome da loira e da menina, enquanto continuavam a revirar os escombros.

A procura parecia eterna, eles andavam e pareciam não chegar a lugar nenhum, não havia respostas aos seus apelos de gritos, seus nomes não eram ouvidos e Gaara começava a pensar que só poderia haver uma explicação, Ino havia sido perdida pra sempre pra algum lugar do deserto.

—Ino! –o ruivo gritou com medo.

—Gaara, Gaara corre. –disse Shikamaru parado sobre alguns escombros.

Temari e Gaara foram até o empregado e virão uma mão de baixo de uma montanha de areia.

Os três não pensaram duas vezes, começaram a cavar a areia, descobrindo um armário que fazia uma espécie de abrigo aos dois corpos inertes.

O Nara segurou a menina e Gaara puxou Ino, os dois entenderam elas sobre os barrancos de areia e sentiram sua pulsação.

—A menina está viva.

—Ino também.

—O palácio está em melhores condições, vamos levá-las pra lá. –disse Temari.

Assim fizeram, levaram as duas pro palácio, que tirando os vidros das janelas e objetos dentro da casa, estava inteiro e forte no centro do Oasis, os empregados limparam a cama e o quarto de Gaara, e eles colocaram as duas lá.

Temari e Shikamaru foram buscar o curandeiro e algumas coisas pra curativos, enquanto Gaara ficou as observando estiradas na cama. Ambas tinham escoriações por todo o corpo, cortes profundos e pequenos que tinham o sangue seco empapando seus corpos, as costelas de Ino pareciam tortas, assim como seu pé direito, a menina estava com os dedos da mão esquerda retorcidos e elas respiravam com dificuldades.

O curandeiro chegou e atendeu as meninas, disse que deviam procurar algumas ervas e fizeram uma pasta pra por sob suas línguas, depois lhes limparam a boca e as narinas, e enquanto o povo começava a limpar e ajeitar a cidade, as meninas precisavam de um “banho”, era preciso lhes limpar as feridas.

—Elas vão demorar a acordar? –indagou Gaara.

—Não, só estão muito cansadas, precisam de ar e de descanso, lhes dêem algumas horas ou um dia e elas estarão acordadas. –Gaara se calou, apenas olhando pra elas, então o curandeiro continuou. –Posso dizer mais uma coisa imperador?

—Claro, Ramuf.

—Ela foi muito corajosa, tenho certeza que salvou a vida da criança.

—Ela poderia ter morrido, poderia ter fugido, mas acabou tomando minha função, eu deveria proteger esse povo, e agora ela está ai, assim...

—Isso é um sinal, meu senhor, é o sinal de que ela é a mulher certa, era a parte que lhe faltava, e a sua busca terminou, agora tem uma companheira de verdade.

—Não é justo que ela pague esse preço, não é responsabilidade dela.

—Tenha um pouco de fé no seu destino, meu senhor, se ela está aqui e fez tudo isso, é porque tem um motivo e porque talvez ela seja muito mais parecida com o senhor do que pensa. Não é porque ela não tem a aparência e a forma que deveria ter que é diferente de você.

—Não entendo Ramuf, o que quer dizer?

—Acho que deve esperar, meu amo, logo saberá. Por hora é melhor ajeitarmos a cidade.

O velho sábio saiu do quarto e deixou o ruivo pensativo, e ao lado dele Temari e Shikamaru, que também estavam intrigados.

—Temari, você e o general comandam os homens pra conseguir recuperar o que der, peça as mulheres que ajudem na limpeza e faça as crianças terem o que comer esta noite, nem que seja aqui no palácio. Shikamaru, reúna os empregados e façam uma limpeza por aqui, ajudem no abrigo dessa gente essa noite, amanhã de manhã veremos como faremos, e encontrem água, estão todos sujos e com sede.

—E as meninas?

—A mãe da menina está no corredor com o Ramuf, vou deixar que ela limpe a menina por aqui e depois colocamos ela no outro quarto, da Ino eu cuido.

Os dois concordaram e saíram, para obedecerem as ordens dele, que como sempre teve muito sangue frio pra pensar e organizar tudo na situação mais adversa possível, depois ele se aproximou de Ino e lhe tocou os cabelos, enquanto sua mente pensava:

“Obrigado meu Deus, obrigado por existir e por me dar ela de volta.”

Depois que a menina foi levada pro outro quarto, ela recebeu todo o cuidado necessário, sua mãe ficou ao seu lado, cuidando de si e dos seus irmãos que rezavam por ela.

Gaara olhou pra Ino. Ramuf havia dito que ela estava com uma costela quebrada e o pé também quebrado, por isso parecia tudo fora do lugar. As ataduras estavam sobre a mesa do lado da cama, assim como uma bacia com água limpa e uma toalha macia, pra que ela fosse limpa nos cortes.

Temari deixara o general responsável pelas ações com os homens, e levou a comida que encontraram para o palácio, para que fosse preparada pra todos, então subiu e foi falar com Gaara, lhe avisar que tudo estava certo, ela parou a porta entre aberta e viu Gaara limpando os braços de Ino, a roupa dela estava rasgada em algumas partes, e ele olhava pra ela com cuidado, enquanto limpava os cortes de vagar.

Ela não podia acreditar em como ele parecia bom, em como cuidava dela, na forma com que olhava pra ela e então a irmã soube, Ino tinha conquistado o coração de Gaara, o coração que todos apostavam não existir, e só ele não se dava conta, ele estava vivo e amava ela.

Temari se aproximou dele e ambos se encararam.

—Está tudo encaminhando, poderemos aproveitar muita coisa pra reconstruir, as pessoas estão bem aqui no palácio e amanhã poderemos arrumar lugar pra eles.

—Ótimo.

—Agora quer ajuda?

—Pode me ajudar a vesti-la? Já a limpei.

Temari fez que sim com a cabeça e pegou uma troca de roupa no armário, os dois arrumaram ela, estabilizando as costelas, e o pé dela, colocaram a roupa limpa e a deixaram bem confortável nas almofadas.

—Ela vai melhorar. –disse Temari displicente, mas sabendo que ele precisava ouvir.

—Sim, ela vai. –ele disse mais como um pedido.

—Eu vou descer, ajudar a preparar as coisas pra todos poderem dormir por aqui hoje.

Ele fez que sim com a cabeça e ela saiu, o deixando olhando para Ino com cuidado.

Temari encontrou Shikamaru nos estábulos, limpando o lugar pra trazer os cavalos de volta, e se aproximou do moreno.

Os dois se entre olharam e sentiram o coração estremecer, ela foi a primeira a falar.

—Achei que todos morreríamos hoje.

—Passamos bem perto.

—Sim, bem perto. Lá no porão, vendo o Gaara pensando na Ino, o vendo com ela agora, sei que eu tinha razão, esse casamento foi muito importante, fez o coração dele bater...

—Ele ainda não sabe, mas a ama.

—Sim, eu tenho certeza disso. E com tudo isso, o vendo com ela, vendo a preocupação dele com ela, vendo a morte tão de perto, longe do calor da batalha, tudo me fez pensar no que houve entre nós.

Ele baixou a cabeça, desviando o olhar do dela, mas ela não se intimidou, deu um minuto e continuou:

—Eu sei que é complicado, eu sei que tudo é muito mais complicado pra você do que pra mim, mas se quer saber, cansei de fingir que te esqueci, que não me importo com o que a gente teve, porque pra mim ainda dói sua ausência e eu não esqueço os beijos que a gente trocou.

—Isso é errado, acabou, a gente...

—Não, não diga a gente, diga eu, porque você não faz ideia do que se passa dentro de mim e você não pode sentir por mim.

—Eu não sei o que quer que eu diga, não sei o que quer que eu faça...

—Aja como homem, olhe pra mim! Aja como um homem de verdade e diga, olhando nos meus olhos que também não me ama mais!

Ele levantou o olhar e encarou os olhos esmeraldas dela, ele abriu a boca, mas nenhum som saiu dela.

—Por favor, diga e eu vou embora pra sempre. –ela tinha os olhos suplicantes.

—Quer ouvir que não te amo mais? –ele a encarou mais profundamente e chegou mais perto dela. –Eu não posso, por que...

Ele respirou fundo e sentiu a voz falhar, ela se aproximou mais e ele viu os olhos dela brilhar como só acontecera há muito tempo, e assim não resistiu, ele a beijou e ela retribuiu, os dois matavam uma saudade eterna que tinham de se amar.

Notas finais
eu espero os cometarios e as idéias como sempre, então façam uma pessoa necessitada feliz, mande um recado... qto aos reviwes, vou responder a todos em breve, pq me enrrolei ficando sem net, agradeço desde já a paciencia de todos... até o proximo...